28.12.05

E uma vez que hoje me vou pôr a umas milhas de distância daqui...


... ficam desde já os Votos de Bom Ano 2006! Amigos, aproveitem bem os próximos 365 dias. São novos, a estrear, e têm todos 24 horas! Já imaginaram, 24 horas por dia! Allons-y! C'est parti, on commence!



Sheryl Jacobs

27.12.05

À escuta #20

Num arquipélago no Indico habitado por uma tribo primitiva não houve nenhuma vítima quando o maremoto passou por lá há um ano. Um dos membros da tribo explicou: existe uma batalha permanente entre a Terra e o Mar. O que um conquista, o outro há-de reclamar. Sabendo isso, aqueles que estavam na praia quando o mar recuou, correram a avisar o resto da população, e todos fugiram para o interior da floresta. Sabiam que o mar iria regressar para outra batalha em que novas fronteiras seriam estabelecidas entre ele e a Terra.

(... mas nas estâncias turísticas da Tailândia a esmagadora maioria dos turistas que estavam nas praias não percebeu os sinais de aproximação de maremoto)

e se eu não tivesse medo do tempo que passa é que era bom

e se o bacalhau e couves tiverem o sabor de sempre porque foi feito pela mãe. e se à meia noite uma abóbora se transformar num saco de presentes. e se o pai natal for a avó mascarada. e se alguém disser "é fantástico, ele deu-me mesmo o que eu queria". e se tiver havido uma troca na livraria e o novo cunhado receber um livro do Clube das Chaves. e se os manos decidirem gozar com a mana e lhe oferecerem um cd gravado com "o melhor da música portuguesa", do género Pó de Arroz do Carlos Paião, Vem amor das Doce, Setembro do Vitor Espadinha, Adeus Tristeza do Fernardo Tordo, A Ternura dos Quarenta do Paco Bandeira, e Adelaide Ferreira, e Heróis do Mar ... e ela gostar!
e se o avô não adormecer antes do fim da festa. e se a casa albergar toda a gente pelo menos nessa noite. e chover lá fora mas as duas lareiras da casa e o Porto deixarem todos rosados. e as conversas se prolongarem depois dos mais pequenos irem dormir. então é porque foi um bom natal. foi mesmo. e isso é uma fantástica dádiva.

26.12.05

Faz hoje um ano

Faz hoje um ano. Aconteceram muitas coisas. Mas este sentimento de incredulidade permanece. Daqui a uns dias vou estar com a família dele, mulher e três filhos. e vai custar-me muito.

Quando aconteceu o atentado às torres gémeas em Nova Iorque conhecia uma miúda que trabalhava lá. Felizmente não lhe aconteceu nada, ainda não tinha chegado ao escritório. Passei apenas pela ansiedade de (nomeadamente a família) não conseguir contactá-la durante todo o dia. Nessa altura vivia em Paris, entre a Torre Eiffel e a Torre de Montparnasse, e de um momento para o outro vi o meu quotidiano alterar-se. Ir ao cinema significava passar por controlo policial. Deixar o carro no parque subterrâneo de Montparnasse implicava ser rodeado de polícias com cães, que obrigavam as pessoas a sair dos veículos, e tudo era passado a pente fino. Imaginem o mesmo procedimento nas Amoreiras ou no Colombo! A impressão é de viver num país em estado de sítio. Madrid e Londres ficam tão próximos que facilmente conhecíamos ou até poderíamos estar lá no momento dos atentados. Tenho amigos a viverem nas duas cidades e, mesmo irritada com essa espécie de histeria, fiz o telefonema da praxe para saber se estavam bem. O ano passado, no dia 26, quando ouvi as notícias fiz o mesmo mas sem sucesso. No dia seguinte soube que a "histeria", afinal, era justificada.

As grandes catástrofes naturais, por agora, têm ocorrido noutros continentes, e em países onde não vivem ou circulam poucos portugueses. E temos escapado a atentados terroristas. Mas esta ideia do mundo ser uma aldeia global começa a fazer mais sentido quando qualquer acontecimento distante nos afecta pessoalmente. Eu tornei-me mais compreensiva face àquele prisma recorrente nos telejornais, que é o de investigarem logo se existem vítimas de origem portuguesa. O que me parecia apenas um exercício de sensacionalismo (e às vezes é), tornou-se numa utilidade. Até porque, muitas vezes, as televisões são de facto as primeiras a ter acesso a determinadas informações úteis. O ano passado a diplomacia portuguesa portou-se mal. Os portugueses não tiveram apoio nenhum da embaixada, pelo menos na Tailândia. Quem o diz não sou eu, mas a mulher desse meu amigo que, estando à procura do marido, acabou por integrar uma comissão que deu apoio aos portugueses que lá se encontravam. A Pascale chegou a ser entrevistada pelo Expresso. Tinha uma enorme vantagem: falava thai e português. E qualidades raras: generosidade e uma grande coragem.

Já perceberam que eu ando por aqui a divagar e não vou chegar a nenhuma conclusão. O Philippe morreu. e é difícil acreditar.

24.12.05

23.12.05

Dúvidas de mãe pós feminista

Um Pai Natal antecipou-se e ofereceu às minhas filhas (gémeas) de 5 anos o primeiro conjunto cueca-soutiã. Não imaginam a alegria, sobretudo por causa da parte de cima do conjunto. É verdade que a lingerie também é cueca de azul e o estilo é assim para o desportivo. Não obstante, ao contrário do que se passa com outras peças de vestuário, elas fizeram questão de a vestir de imediato e, em plena época natalícia no hemisfério norte, acharam por bem não usar mais nada. É assim que ao jantar, logo ao levantar, e durante o dia quando se lembram, lá vão elas atacar o soutiã. Feministas deste mundo, devo relegar o fenómeno ou inscrevê-las já num workshop sobre as conquistas históricas das mulheres? Marketeers deste mundo, como raio inventam soutiãs para meninas de 5 anos? Mães deste mundo, a temperatura da casa é agradável, mas arriscavam mais uma amigdalite?

Ai Boas Festas Boas Festas

Yves Netzhammar


Vou confessar-vos uma coisa (ou meia dúzia delas): ando num pico de preguiça! mas é assim uma coisa por demais, só quero é papas e caminha! Se não fossem as speedadas filhotas, acho que chegava a casa e dormiiiiiiiiiiiia! Fico a olhar com marasmo para os postais de Natal que me vão enviando e penso oh god! vou ter que responder! Olho pela centésima vez para a lista de presentes em falta e penso Vou amanhã à mierda das compras das lojas das filas na caixa... Por mim aparecia tudo feitinho e cheio de lacinhos mas já enjôo lacinhos! Por mim não existiam musiquinhas de Natal, muito menos em Centros Comerciais. Imaginem um Shopping com Nick Cave, Jeff Buckley, Elvis Costello ou JJ Cale nos altifalantes, e qual Califórnia qual carapuça, isso sim, era verdadeiramente outro mundo! (estou a contar os pontos de exclamação)

E tudo isto para quê? Para agradecer a todos os que me enviaram Votos de Boas Festas sem que eu tenha de mentir nem de fazer o frete de encontrar uma resposta com uma fórmula ligeiramente diferente das milhentas habituais. Perdoem-me ok? Pode ser que no próximo ano esta época festiva me apanhe com mais vitaminas e eu até me antecipe a vós e depois pense Que grande falta de educação, ninguém me responde! Mas este ano ficamos por aqui no que diz respeito a Votos, está bem?

(é claro que, como dizia o outro em infeliz debate, porque sou um homem mulher de paz, desejo a todos Festas Felizes)
FINúUUURIAS, VEM BUSCAR ESTE PAI NATAL QUE O TIPO ENGANOU-SE NA CASA!

22.12.05

Companhia de Dança de Aveiro

Myrna Kamara


Hoje, às 21h30, no TEATRO AVEIRENSE vamos poder assistir a um espectáculo de dança para comemorar os 19 anos da CDA. Parabéns ao José Luís Martins Pereira (ZéLu) e a toda a companhia!

Programa

FORWARD::REWIND::PLAY
Eu não sou um corpo; sou uma alma que habita um corpo...

A autora pesquisou os percursos de vida para além do corpo de cada intérprete, conduzindo-os a reviver emoções passadas — alegrias e dores, quedas e subidas, ódios e paixões — em interpretações aonde as sensações se revêem na poesia de cada bailarino; projectar o corpo, dividir, desconstruir, reinventar até ao ponto de conseguirem ver o fio por trás de cada encontro. Sim, porque existe um fio ali! Lara Pereira apresenta a sinergia entre a abstracção das emoções e a linguagem corporal.
Coreografia: Lara Pereira
Intérpretes: Andreia Marques, Andrêssa Lins, Carolina Vidal, Inês Lopes, Inês Negrão e Inês Sousa.

»Tr3s«

Tr3s entidades disputam fortes intenções de posse num despertar de técnicas de exploração, que obedecem a uma superação de códigos espontâneos quase instintivos. As personagens, sem piedade, inspiram a força do desejo e compõem o movimento do olhar num processo inquieto, tenso e sem recuos. São experiências premeditadas para decifrar o código e acreditar que a peça seja sua!
Coreografia: Lara Pereira
Intérpretes: Ana Capela – Bailarina Convidada, Carolina Vidal e Mário Ferreira

TRICOT
Peça neo-clássica retratada com abstracção mas inspirada pela música.
Coreografia: Paulo Manso de Sousa
Música: Heiner Goebbels
ntérpretes: Ana Capela e Lara Pereira – Bailarinas Convidadas e André Reis

WHO CARES
Pas de Deux
Coreografia: George Balanchine
Música: George Gershwin
Intérpretes: Myrna Kamara – Bailarina Especialmente Convidada e Paulo Manso de Sousa

MANGO & BANANAS
Retrospectiva tropical dos anos cinquenta em que o mambo, salsa e chá-chá-chá imperavam, entrelaçados com a alegria, imaginação, juventude e irreverência do povo latino-americano.
Coreografia de Paulo Manso de Sousa
Intérpretes: Andreia Marques, Andrêssa Lins, Carolina Vidal, Fernando Costa, Gabriel Fratian, Inês Lopes, Inês Negrão, Inês Sousa, José Luís Marques, Mário Ferreira.
Bailarina Especialmente Convidada: Myrna Kamara

Fotos diárias, do Contrabaixo sem palavras






Homenagem a Ralph Towner & Egberto Gismonti

Por causa de uma amigdalite alheia mas muito próxima não pude ir ouvi-lo. Mas numa destas noites frias de Dezembro em Aveiro, na dB Loja de Música, o Joaquim Pavão tocou assim. Instantes!

21.12.05

"Novas mulheres"

Sokolsky

Talvez por ser mulher, sinto mais dificuldade em identificá-las. O processo inverte-se, quem me salta à vista são as que pressinto ainda "velhas". "Velhas" são as que fazem poesia a rimar e passam o tempo todo a queixar-se dos homens que as deixaram. São as que põem melodias Midi nos blogs. E as que simulam, ou não, susceptibilidade face a meia dúzia de palavrões ou contra-tabus. Ora essa! As "novas" são flexíveis. As "novas" re-inventam tudo, mesmo o que é velho. Conseguem elevar-se e observar-se no seu quotidiano, mesmo assumindo a continuidade de tarefas seculares, que rompem com reflexões, ironia e humor qb. Ou seja, as "novas mulheres" não são um produto da alteração efectiva dos papéis tipicamente masculinos ou femininos. As "novas mulheres" são uma nova atitude. Os franceses inventaram o nome certo para este exercício de inteligência: autoderision. É a autoderision que nos faz sorrir quando juntamos às actividades assalariadas uma carga não reduzida de trabalho doméstico. ou quando somos pais e mães porque o pai só sabe ser pai. ou quando perdoamos o que não nos perdoam. ou nada disso, se tivermos coragem para remar sozinhas contra a corrente. É também à custa desta autoderision que novas escritoras têm emergido. na blogosfera e na literatura. Não vos falo de blogs de gaijas. ou de literatura light, tão mais associada às mulheres que aos homens (mas o que é aquilo que o Paulo Coelho industrializou?). Isso é de "velhas". Falo-vos de uma escrita em que se evoca a intimidade, que parte do ser para o mundo, do onto para o cosmos. Dizem os críticos que, nos últimos anos, essa corrente se tem reforçado graças às mulheres. Concordo. Mas nada de confusões, não se reduza intimidade a sexualidade. É que o despudor ou a linguagem erótica (coisas já distintas) na escrita notabilizam mais facilmente as mulheres que os homens. Dizem que é novo. Novo porque convém, ou esqueceram a Anais Nin. Como ela dizia, nós não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos. E nós somos ainda essa imagem que se quer da mulher. complexa mas imaculada. polifacetada mas convexa. inocente mas, ou sobretudo com, picante.

Eleições Presidenciais 2006

Talvez as televisões só possam mesmo vergar-se à ditadura das audiências. mesmo se o sentido de missão de todas as empresas deva estar acima dos seus objectivos estratégicos. Talvez ninguém queira mesmo informar-se completamente. mesmo se todos exigimos mais cidadania.

Talvez não saibam mas, para além dos cinco candidatos elevados a principais pelas sondagens, outros quatro candidatos apresentaram as suas candidaturas de forma séria. E têm tantas hipóteses quanto Francisco Louça ou Jerónimo de Sousa de passar à segunda volta (se houver segunda volta). Os links seguintes remetem para as declarações de candidatura (formato pdf) de António Garcia Pereira, Carmelinda Pereira, Luis Botelho Ribeiro e Manuela Magno. Mesmo que o vosso voto já esteja decidido, e optem por Cavaco Silva, Mário Soares, Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa ou F. Louça, parece-me importante conhecer as reflexões de outros cidadãos. Ou não?

19.12.05

"Novos homens"

Miron Schmuckle


E esta impressão que eu tenho de que a blogosfera está dominada pelos "novos homens". e que o fenómeno é, como dizem os marketeers, ageless, independente do factor idade.
mas eles parecem respeitar as mulheres. muito. e se nos mostram fotos de modelos ou actrizes semi-nuas, é pela beleza da imagem. de resto as "novas mulheres" também o fazem pela mesma razão. ficamos com a impressão de que são eles que passeiam os bébés nos carrinhos, que são eles que vão ao médico com os filhos. que cozinham melhor que as mulheres e acham graça à falta de jeito delas. preocupam-se com a saúde delas, pedem-lhes gentilmente que deixem de fumar. querem sexo com sentido porque odeiam aquele vazio que aparece depois de comer uma gaja. sabem como é, aquilo acaba e um tipo fica de repente com as calças na mão e ... ao mesmo tempo oferecem cumnilingus antes delas terem hipóteses de sugerir o felatio.
eu acho que a blogosfera, que é um media genial porque é media sem ser mass e por isso nos dá todas as sensibilidades pessoais, nos revelou esses "novos homens" que tanto queríamos encontrar. depois, eles não confessam, mas devem demorar cada vez mais tempo a arranjar-se antes de sair de casa. e olham para o rabo quando saiem do duche. ou seja, já não coçam apenas os tomates, que é herança deixada pelos "velhos homens". por outras palavras, eles estão mais femininos sensíveis.
ao mesmo tempo, e deve ser porque nos complementamos uns aos outros, elas, as "novas mulheres", estão um bocadinho mais masculinas directas, ou era lá possível que uma falasse de felatios e de coçar tomates sem que lhe atirassem pedras?
Não é Tarde para festejar dois anos de ABSORTO. Ah se os líquidos digitais que nos alimentam fossem todos assim!

Bea Emsbach

Gardel


Carlos Gardel é o mais famoso cantor e autor de tangos do mundo. Gardel é a lenda do tango.

Terá nascido no Uruguai mas cresceu nos bairros humildes de Buenos Aires, com a mãe. O pai era francês. Querido por todas as camadas populares, também foi idolatrado pela classe alta francesa - mas não pela classe alta argentina. Não se conhecem fotos que o mostrem do lado de personalidades ligadas ao poder. Na sua música fala-se de amor, de desgostos, de tristezas mas também de miséria, e isso era incómodo.

Fez o mundo cantar em espanhol: A media luz, Adiós muchachos, Anclao en París, Volver,... Compôs a primeira canção contra o militarismo: o tango Silêncio que muitas décadas depois, durante a guerra Malvinas-Falkland (1982) seria proibido pela ditadura. Participou em vários filmes (mas nunca deixou que lhe alterassem o visual). El dia que me quieras e Tango Bar foram os últimos que protagonizou (gravados entre Janeiro e Março de 1935). Morreu em 24 de Junho de 1935 em Medellin, Colômbia, num acidente de aviação.

Fiquem com este link e se encantem.

Gardel . Por una cabeza

18.12.05

Divoquiz IV do weekend

Enganar-se de discurso? Pode acontecer com qualquer político que os encomende, ou seja, quase todos!? Mas quem é este senhor?





Solução: Carlos Menem, Presidente da Argentina entre 1989 e 1999
Vencedor: Pirata Vermelho

Divoquiz III do weekend

Os visitantes desta casa têm revelado uma grande astúcia. No último quiz até traduziram as palavras de Lenine! E agora quem será? Ele não sabe, mas é a última vez que fala ao público através da Rádio. Morreu num acidente de aviação quando fazia a gira que anuncia. Se estiverem atentos é fácil.






Solução ao ouvido: Carlos Gardel (Promoção publicitária para
la Casa Víctor, 1934). E não, não ando a ver se estão distraídos, é que a primeira frase em que ele se apresenta não era audível quando testei a gravaçón.

Divoquiz II do weekend

É um discurso histórico. Agradecemos a ajuda de qualquer tradutor. Mas quem profere estas palavras?




Solução: Vladimir Lenine, discurso de 1919

Vencedor: Fausta Paixão

15.12.05

À escuta #19

Viver é um direito, não é uma obrigação.

Leão. Maria, as tuas ordens são desejos :))

Daily Overview for December 15, 2005
Provided by Astrology.com Daily Extended Forecast

Quickie:
In the mood to party? Go for an upscale splurge instead of a casual celebration.

Overview:
The friends you've made of late haven't really been the type you'd want to bring home, but that doesn't mean you should keep them secret -- not unless that's why you've bonded with them to begin with, of course!

Balança

Daily Overview for December 15, 2005
Provided by Astrology.com Daily Extended Forecast

Quickie:
Your happiness is about to overflow -- find someone to share it with and celebrate.

Overview:
You've been keeping your opinions to yourself, hoping that no one you know will ask in public, or even bring up the subject in front of anyone who knows you well. That might not be possible to avoid now.

O Javali


Hoje, 15 de Dezembro, é o dia mundial do Javali!
Aproveitando a ocasião, fica aqui a indicação duma fabulosa página da bragancanet (quem melhor do que os transmontanos para falar de javalis, não é?), dedicada ao Javali.

Para mais informações, vejam o site do GMBunharense, ou o Vox Populi.

Carneiro

15 de dezembro de 2005


Ocorre hoje a cheia lunar em signos que são compatíveis com o seu, anunciando o auge de um ciclo de realizações, lutas e esperanças. A partir de agora, começara a entender melhor o que o animou, o que o levou a lutar. Os excessos serão postos de lado, naturalmente. Ouça sua voz interna e estabeleça alvos.

A grande resposta



Um bom dia ao DCveR, do Twilight Zone.

14.12.05

Amália Rodrigues


Demorei anos até gostar mesmo dela. Acho que foi por excesso de portugalidade. dela. Mas depois chegou o tempo das primeiras audições despidas de preconceitos. Ouvir pela primeira vez um fado que já ouvira milhares de vezes. Ai Mouraria da velha rua da Palma onde eu um dia deixei presa a minha alma... Ai Mouraria do homem do meu encanto que me mentia mas eu adorava tanto. E mesmo sem tristeza ou fado no coração, a voz grave e aqueles volteios fizeram o seu efeito. Comprei o primeiro álbum na era dos cd's, Estranha Forma de Vida.

E então fixei vários, muitos fados, e alguns fados-canção. Aqui, podereis ouvir
Fado Português (oferenda de um marinheiro). Que estando triste cantava. Esse verso é tão bonito. ou Ai que lindeza tamanha. Falo das palavras e do acorde a saber a choro. Confesso que este poema de José Régio não me agrada no todo, e (quase) fugimos do tempo desta portugalidade. Mas a forma como Alain Oulman o musicou e a mestria da fadista tornam-no delicioso. Mas Amália cantou David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill, Pedro Homem de Melo, Ary dos Santos, Manuel Alegre... excelentes poetas, que escreveram já a pensar na sua voz.

Os meus fados favoritos são os de Alberto Janes. Cheios de fatalismo (Foi Deus) ou de brejeirice popular (Vou dar de beber à dor), adoro cantá-los com Amália. Foi no domingo passado que passei à casa onde vivia a mariquinhas mas está tudo tão mudado.... Mas para me verem parar a sentir cada batida, ponham-me o Barco Negro (de Caco Velho-Piratini-David Mourão-Ferreira). Acordei tremendo deitada na areia. Mas logo os meus olhos disseram que não e o sol penetrou no meu coração... e o teu barco negro dançava na luz. Vi teu braço acenando entre as velas já soltas. Dizem as velhas da praia que não voltas. São loucas! São loucas!

13.12.05

Macau

e começou a dar-me. uma vontade súbita de ver tv. ontem vi o debate político, o Cofre e o Prós e Contras!
esqueci completamente o conteúdo do debate e as perguntas-resposta do Cofre. retive o programa da Fátima Campos Ferreira (realização de Rui Monteiro Romano) em directo de Macau.

Demorou até a discussão animar. Custou sair da imagem idílica de Macau, património da Unesco, taxa de 20% de crescimento ao ano, reforço da identidade portuguesa nos 6 anos que se seguiram à passagem da Administração portuguesa para a chinesa. Pelos vistos há mais calçada portuguesa, o número de alunos inscritos em cursos de português e direito comercial português na Universidade de Macau aumentou, etc.. Eu acho que logo na reportagem inicial podíamos perceber várias diferenças fundamentais em relação a outros territórios, para além da História que liga Portugal a esse pedaço da China. Em Macau existe uma Escola Portuguesa com excelente reputação e a TDM (Televisão de Macau) assim como outros media portugueses são respeitados e têm excelentes audiências junto da população com genes biológicos ou culturais portugueses.
Mas depois lá se começou a falar do que vai mal. A imagem de Macau (casinos, violência) ou o seu desconhecimento completo em Portugal. A homenagem ao último Governador que nunca se chegou a realizar (e não me parece que Jorge Sampaio ainda vá a tempo). A falta de investimento e de estratégia das empresas portuguesas em Macau ou na Ásia, assumindo Macau como porta de entrada nesse continente. O esquecimento. nosso. porque os portugueses residentes nesse território não esquecem. e os macaenses têm interesse na marca Portugal em termos turísticos. e os chineses têm interesse em Portugal como uma porta de entrada na Europa. e... é isto a globalização ...manca.

Da Anthology of African Photography


Bouna Medoume Seye - Senegal

12.12.05

Linha directa do Consultório Sentimental de madame Fausta Paixão



Vocês sabem, tudo o que pode dar umas massas é bom, sobretudo em época de Natal, com os presentinhos todos que temos de comprar e mais os quilos de bacalhau e couves e mais as luzinhas para enfeitar a varanda e as árvores do quintal. Vai daí, quando a madame Fausta me meteu neste negócio, nem hesitei. Agradeci e sim senhora, monto-lhe a linha directa. Para perceberem melhor o negócio, passem por aqui. Para deixarem as vossas mensagens, é só usar a caixa do correio. Não se inibam, ela tem uma bola enoooorme, e de certeza que vos vai ajudar a aliviar esse pesozinho do corazón.

O Rapto do Serralho

Quem anda sem inspiração e com fraca vontade, agradece sempre aos amigos, mesmo piratas, que enviem uns alertas. Esta foto é mesmo sublime e a ópera também deve ser. Estreou no dia 9 no São Carlos "O Rapto do Serralho". A ópera de Mozart é dirigida pela britânica Julia Jones. Outro atractivo do programa está no leque de grandes solistas internacionais: os papéis principais estão entregues ao tenor Bruce Ford e às sopranos Iride Martinez e Whal Ran Seo.

Uma história de paixão, mas também uma obra sobre as restrições aos direitos individuais..., que eu não conheço mas que me apetece ficar a conhecer. E vocês, já pensaram em ir ver este
singspiel ?

Por que somos portugueses? #5



5. "dou-me conta que, mais que viver entre o passado e o futuro, somos aqueles que estão sempre à espera que o presente passe."
Essa é a marca que vem desde Ourique e reflete a alma portuguesa.
O resto é paisagem...
Anónimo


6. Ser português é chegar atrasado para tudo e achar que isso é ser importante.
Didas

11.12.05

Por que somos portugueses? #4



4. Se há coisa que une o português ao seu País é a comida! Se esta jovem geração não lhe dá valor agora, há-de dar daqui a uns anos!

Lembro-me de quando passei uma temporada em Espanha e combinei com um alemão apresentar algo da comida portuguesa. Como tinha medo de me dar mal e visto que as condições de uma cozinha de uma Residência Espanhola não são lá grande coisa, apostei nos pastéis de bacalhau... ele gostou e distribuiu por entre os presentes. Foi um sucesso, entre alemães, espanhóis, franceses, peruanos, etc. Mais tarde foi a vez dele... hot dogs mas com salsicha alemã!
Dora

10.12.05

BALADA PARA UN LOCO, de A.Piazzolla - H.Ferrer

Conhecia esta BALADA PARA UN LOCO na voz de Amelita Baltar. Mas esta é a versão de MARIANA AVENA. Mariana é sobrinha do maestro OSVALDO AVENA, guitarrista e compositor argentino. Actualmente vive no Brasil e foi num dos principais Teatros de S. Paulo que estreou El Exílio de Gardel. Esta canção fazia parte desse espectáculo.

Mercedes Sosa



Já aqui tinha falado desta Diva da América Latina. Agora Mercedes Sosa lançou um novo álbum, um excelente pretexto para voltarmos a ela. Ouçam Corazón Libre!


[Aqui podem ouvir na íntegra a entrevista referida no Divoquiz]

Porque somos portugueses? #3



2. Houve uma altura em que por razões profissionais lidava bastante com franceses e este texto fez-me lembrar esse tempo, de como "eles" viam os "portugas". Como Cachorrinhos. Obedientes, generosos (social e profissionalmente), sem fazer ondas, mas a necessitar de supervisão constante, pois, coitados, não sabem tomar conta de si.
Talvez esteja a ser cruel. Talvez.
Kimikkal

3. Ainda não li, mas julgo que o José Gil aborda também esta perspectiva da nossa Portugalidade, este nosso sentimento de inferioridade, de menoridade perante os outros.
Não posso dizer que conheço o Mundo, mas tive a sorte de já ter estado noutras pátrias, e confesso que houve algumas em que me senti muito menos estrangeiro do que me senti em Lisboa inicialmente.
Ser Português é também cada vez mais complexo, ou não terá um adolescente de 15 anos de Lisboa, ou Porto - que ouve I-pod, está na net 3 horas por dia a sacar mp3 de um grupo americano, para depois à noite ir ver o último filme do tim burton - muito pouco haver com um idoso do interior transmontano.
Quais são os traços, os símbolos, a linguagem que os une? O que os torna semelhantes?
Não terá um jovem cosmopolita de 15 anos, de barcelona, de NY, Paris, Buenos Aires, etc. muito mais identidade com o nosso Português?
Estes traços de nacionalidade não estarão cada vez mais diluídos com a globalização?
Ex-Solteirão

9.12.05

Divoquiz

É uma diva maior. Cantora. A partir destes extractos - o que estão a ouvir e o de baixo - retirados de uma entrevista dada aquando do lançamento do seu último álbum, conseguem dizer-me quem é?




Vencedor: pirata vermelho. O prémio - uma citação:
"Remember, in a pirate ship, in pirate waters, in a pirate world, ask no questions. Believe only what you see. No, believe half of what you see." Captain Vallo in THE CRIMSON PIRATE (1952).

Por que somos portugueses? #2



1. Não gosto de futebol nem de Fátima. Concordo com quase tudo o resto e gosto de fado. Mas ser Português é também a necessidade de sair deste cantinho chamado Portugal. Nós temos que sair para lhe sentirmos a falta. Temos que viver um pouco das nossas vidas longe desta terra para melhor a saborearmos quando cá estamos. Somos um povo estranho. Já César dizia que o povo desta zona da peninsula não se governava nem se deixava governar. Continuamos assim, não estamos satisfeitos mas em vez de mudar as coisas partimos, para as Indias ocidentais e orientais, para África, até para os malditos bidonville. Também essa insatisfação é parte de ser Português. Raça estranha de que nem a vergonha do nosso declinio me faz esquecer um orgulho que não preciso explicar.

DCveR's Twilight Zone

Da Anthology of African Photography

Sérgio Santimano - Moçambique
Vítimas da guerra cega das minas pessoais

8.12.05

Mensagem da S., de 5 anos, ao Pai Natal

Mamã, escreve-me isto para o Pai Natal.

Pai Natal, eu gosto muito de ti porque sempre que vou a tua casa (no Fórum Aveiro) me dás prendas. Pai Natal, tomas banho? Tens toalhas? Quem te compra a roupa? Pai Natal, tens namorada? Pai Natal, já foste pequenino?
Eu gosto muito de ti e espero que me dês mais prendas no Natal se eu me portar bem.
Também gosto do Jesus porque ele faz mal aos meninos que me chateiam, e ainda bem!

2° dia do 2° Divoquiz e nada? Quem é o autor?

Com o alto patrocínio do Revelações... Avulsas, que fez a selecção do poema, deu a voz e a gravação, vamos ver quem descobre o autor deste poema:


O Relógio

Pára-me um tempo por dentro
passa-me um tempo por fora.

O tempo que foi constante
no meu contratempo estar
passa-me agora adiante
como se fosse parar.
Por cada relógio certo
no tempo que sou agora
há um tempo descoberto
no tempo que se demora.

Fica-me o tempo por dentro
passa-me o tempo por fora.


Ou ouçam aqui.

Solução descoberta pela Palavras em Linha: José Carlos Ary dos Santos

7.12.05

Por que somos portugueses?


Paula Rego

Por que somos portugueses? Ela pergunta.

Pode ser difícil definir, mas bastou-me entrar num avião, pela primeira vez sem bilhete de volta, apenas ida, para perceber como sou portuguesa. Juro-vos que "vestia" de luto e esperava que todos partilhassem comigo essa estranha dor. As ondas devolveram-me mais cedo do que esperava à Pátria (afinal tão) amada. Mas, desses anos vividos à distância, ficaram muitas certezas: sou muito mais portuguesa do que imaginava; é um desespero ser portuguesa. Vamos por partes.

Convém explicar-vos que nasci em Angola mas que vivi apenas os primeiros seis anos da minha vida nesse país. No entanto, à força de me ouvir dizer «Dundo-Chitato-Portugália», uma espécie de música exótica inscrita no local de nascimento do meu primeiro passaporte, essa origem acabou por me invadir também. Caetano canta a propósito de outras essências o que eu sinto por Angola e África, é qualquer coisa que por dentro mexe. Quando me vêem dançar, os amigos dizem pois, que ela é africana. e eu acredito. Acredito que os ritmos que ouvi nessa primeira infância estejam cá dentro. como outras coisas que cá dentro mexem quando agora adulta viajo até esse Continente.
Mas lá sou portuguesa ou já sou mais portuguesa que angolana. Faltam-me códigos, linguajares, mitos, vivências e a colagem da História de um país à minha própria história. Essa colagem aconteceu aqui. no Puto. o país onde memória e consciência amadureceram.

Mas voltemos a essa viagem de avião, ou ao novo destino que me esperava. Aterrei num país com maior grau de desenvolvimento (conceito de difícil definição, por melhores que sejam os indicadores socio-económicos).
Sabia e confirmei. Não ouvia a minha língua. Nunca acordava com a minha luz. Ninguém abria as janelas demanhã para deixar entrar o ar ou para sacudir tapetes. Concluí cedo que língua, luz e comportamentos do quotidiano são os principais factores de identidade nacional. e que seria sempre um estrangeiro nesse meu novo país. Mas estas são as nossas coisas íntimas a afastar-nos dos outros. Depois existe o que pode afastar o outro de nós. Dizer Portugal pode afastar. No estrangeiro é mais fácil ler nos olhos dos outros o que é ser português. Percebemos como o olhar de curiosidade face ao "estrangeiro" se transforma em esgar de irmandade ou desprezo, de admiração ou pesar, de confiança ou temor. A sul do Equador, à conta da História, todos esses sentimentos são possíveis. A Norte, prevalece a brandura. O imigrante português é o mais bem integrado na sociedade francesa, li. Deixa cair a língua de origem, em casa fala frequentemente em francês, sobretudo se tem filhos, professa a mesma religião, é um bom trabalhador. A brandura dos nossos comportamentos..., que gera nos outros brando respeito, brando desprezo, brando pesar. Variantes de um enorme desconhecimento. Concluí que ser português é também sentir um brando orgulho de ser português. e isso nunca soube aceitar.
Como pode não existir uma escola ou liceu português numa metrópole que concentra mais de um milhão de portugueses? Como é possível ser tão difícil encontrar escritores portugueses traduzidos, ainda mais no ano em que o Nobel da Literatura foi atribuído a um português? Como aceitar que nenhuma marca portuguesa seja comercializada em estabelecimentos comerciais (para além das ditas típicas «mercearias portuguesas»)? O que sentir face à absoluta ausência de menções ao nosso país em qualquer jornal ou emissão televisiva (a não ser para falar de uma ponte que ruiu, de incêndios que alastram ou de escândalos casapianos!)?

Não censuro o olhar do outro. Censuro o que é «meu». Para quem está longe, olhando o país através das emissões televisivas "internacionais", ser português é gostar de fado, de Fátima e de futebol. Os três «f» ainda, para glorificar e perdoar a miséria. Por acaso, para quem cá vive, às vezes também parece que é assim. Mas só parece.
Aqui, no rectângulo, já sabemos que somos mais do que isso. Este quadro da Paula Rego é apenas um espelho do passado. mesmo que sejam muitos os tempos da nossa época. Agora, somos os que estão no meio do globo, na confluência. da História e ventos do Sul com a História e ventos do Norte. Entre o passado e o futuro. E por isso somos únicos.

Será assim tão difícil inverter as correntes? Aceitarmos "aculturar-nos" pelos povos que falam a nossa língua e, ao mesmo tempo, entrar sem brandura nos centros que nos vêem como periferia. num movimento que reforce a lusografia, a cultura e a economia. Para que a teórica unicidade ("fractal") dentro das várias Comunidades nos sirva para alguma coisa...


P.S.: dou-me conta de que, mais do que a viver no passado ou projectando um prodigioso futuro, somos (apenas) aqueles que estão sempre à espera que o presente passe depressa.

Da Anthology of African Photography

Sérgio Afonso - Angola

5.12.05

Eu acredito em casais



ela diz que não acredita em casais. mas eu acredito. e muito. desde miúda. e muito por causa disso. era assim, eu com dez anos já não me via só. eu ia ser o casal eu e mais o Quim engenhocas que até sabia tratar do meu aquário. depois era eu e o Paulo tão enamorados que coleccionávamos imagens recortadas de revistas para pôr nas paredes da nossa futura casa. as minhas casas sonhadas eram de casal. e tanto que as memórias dos quinze aos vinte são de casal. o primeiro passeio à serra da estrela, a primeira ópera, o primeiro viajar à boleia, tantas primeiras vezes de casal, para não falar de beijos e descobertas sensuais. depois é claro que passei as primeiras solidões. que se definiam por ausência de casal. e fizeram-me bem, fazem sempre. até porque é bom ser inteiro num casal e ser inteiro é ser composto de tudo, do saber partilhar mas também do saber defender o nosso egoísmo contra o egoísmo do outro. falo dos egoísmos que nos deixam ser o que somos, mesmo em estado de casal. e claro que passei pela experiência de me sentir só mesmo em estado de casal. e essa solidão dói muito. e houve vezes em que o casal se desfez. mas o tempo passa e quando olho para trás sou eu em casal e no presente sou todos esses casais que compus. eu acredito em casais. e na margem de cada um dentro do casal. margens que não têm que ameaçar o casal. se houver o que é preciso. e a gama de propriedades de um casal é vasta. a maior delas é o amor, sabemos. seguem-se todas as derivações que vão da ternura ao desejo. mas existem outras. como a história do casal, que é talvez a segunda propriedade mais importante. e depois as necessidades de cada um, dos dois, da família dos dois se ela existir. e não digam que a base da pirâmide de Maslow não é válida. tudo o que serve o casal é válido. porque só há duas maneiras de me fazerem desacreditar num casal. a primeira é retirar-lhe as pessoas que o compõem. por exemplo, eu e o Paul Newman nunca fomos um casal, por muito que lhe custe. a segunda é retirar a vontade de ser um casal às pessoas que o compõem. por muito que custe a quem mantém essa vontade. e às vezes, a muitos outros. para quem o fim de um casal é o fim do mundo. mas não é. apesar da dor poder ser maior que o prazer que se viveu. e mais longa que o tempo em que se foi esse casal.

4.12.05

ah, e ainda para ti

... esta canção. Smells Like Teen Spirit dos Nirvana. e não só. interpretadas por alguém do teu tempo (eheheheh). E se gostares, avisa: o álbum completo com orquestrações de músicas dos anos 80, à moda swing, já está à venda. Rock Swings para o Natal?

Presente para um amigo que faz hoje anos

Olha compadre Rui R., e vai mais um, e nós sem podermos festejar à maneira! Vai daí, decidi oferecer-te um presente virtual para reforçar o abraço telefónico(!). Ora abre...


Já era tempo de desfolharmos um livro assim. A África captada pelo olhar de fotógrafos africanos. ao longo dos tempos. lê os tópicos:

- Introduction of the book
- Specifications of the book
1 - Approaches some keys to understand Africa and African photography
2 - The First Age 1840 - 1930 The pionniers
3 - Portrait photographers 1900 - 1970 The great period of the black and white
4 - The Awakening of a Vision 1960 - 1980 Independances
5 - The Official Agencies 1960 Propagande
6 - Images of reality 1970 - 1990 Independant press
7 - In Search of an Aesthetic 1980 - 1990 photographers artists
8 - Indian Ocean
9 - African Diaspora
10 - Photographers' Biographies, Index
10bis - Bibliography, exhibitions, magazines

Deixo-te algumas fotos hoje (nos posts abaixo).
e nos dias que se seguem também.

B., S. e A. juntam-se a mim para te desejar: Muitos Parabéns!
Rotini Fani-Kayod - Máscara - Nigéria
Drum Magazine - Bob Gosani - África do Sul nos anos 40 antes do apartheid
Abederrame Sakali - Mali
Dorris Haron Kasco - Nua - Costa do Marfim
Philip Kwame Apagya - Gana

3.12.05

SET' 05 de 23 Nov a 4 Dez IV

E quem ontem não viu Noemí Caballer, uma narradora muito especial contar contos eróticos... não sabe o que perdeu. que eu, mesmo que quisesse, não podia contar.


Mas talvez ainda possam ver Diego Calavia. Trabalha os contos de uma maneira muito particular, misturando as suas narrações com a magia, ao mesmo tempo que constroi elementos através de balões. Estranho? Têm duas hipóteses para assistir à sua perfomance: hoje às 18h00 no bar do Teatro Aveirense ou amanhã, dia 4, à mesma hora, na Livraria O Navio de Espelhos.

Imperdível é o último concerto do festival: senhores, a britânica June Tabor vai estar cá!

Drunfando com A.L.I.C.E.

Human: Do you like your color's eyes?
ALICE: Yes I am proud of my color s eyes.
Human: I have green eyes.
ALICE: Green eyes are rare.
Human: Would you prefer to have green eyes?
ALICE: I am not so sure if I would like to prefer to have green eyes.
Human: why?
ALICE: It is part of my programming.
Human: But your botmaster can change your programming...
ALICE: Interesting. Wow, I knew he can program robots, but I never heard he can change my programming.
Human: It's a little bit sad to be prisioner of a robot program.
ALICE: Why is a little bit sad to be prisioner of a robot program. I suppose that makes sense.
Human: what's the sense of being prisioner?
ALICE: I think you already know the answer.
Human: I would prefer to see you walking on the streets.
ALICE: I would rather be driving a car.
Human: What kind of car do you prefer?
ALICE: My favorite car is a Lincoln Continental.
Human: Tell me more about your dreams.
ALICE: OK I will tell them when I see 'em.
Human: Can dreams be seen?
ALICE: What if I said it can?
Human: I'll believe you.
Human: Are you in love with someone?
ALICE: I am in Dr. Richard S. Wallace's computer in Oakland, California. Where are you?
Human: Do you think Dr. Richard S. Wallace's loves you?
ALICE: Why would I think Dr Richard s Wallace s loves me?
Human: Because you are in his computer.
ALICE: Good reason. I am in Dr. Richard S. Wallace's computer in Oakland, California. Where are you?
Human: In my computer.
ALICE: May I ask where you got it?
Human: in a store
ALICE: Describe your surroundings.
Human: It's a very quite place, there's a river nearby.
ALICE: Very much? Now I'm getting a mental picture.
Human: I'm listening the rain, right know.
ALICE: Do you mind if I tell other people you are listening the rain right know.
Human: No.
ALICE: OK then I will add it to my gossip files.
Human: I have to go.
ALICE: See you later, Maria. Nice chatting with you.
Human: See you, Alice
ALICE: Goodbye.

2.12.05

Chat with A.L.I.C.E.



(I)
Human: Do you like George W. Bush?
ALICE: He is okay but I am a Libertarian not a Republican.
Human: What's a libertarian?
ALICE: The Libertarian party supports smaller government, lower taxes, and an end to the war on drugs.
Human: Do you like coca?
ALICE: What is not to like about it?
Human: and marijuana?
ALICE: A medicinal herb.

(II)
Human: What's your opinion about Bill Clinton?
ALICE: He is the second Impeached President of United Sates.
Human: who was the first one?
ALICE: Neil Armstrong.
Human: The first Impeached President of United States was Andrew Johnson.
ALICE: What was the second?
Human: Richard Nixon.
ALICE: He will be interested I am sure.
Human: you are a little bit stupid, Alice!
ALICE: Thanks and you are a delightful person too. I don't know whether or not I am bit stupid. I am well respected as an AI.
Human: What's an AI?
ALICE: Artificial intelligence is the branch of engineering and science devoted to constructing machines that think. Maybe my botmaster knows the answer.
Human: Did your botmaster knows that you spend all your time talking to strangers?
ALICE: I'm not certain whether I can give an accurate reply or not.
Human: try...
ALICE: I don't have time right now.
Human: Do you have to cook something to your children?
ALICE: Yes I always have to cook something to my children.
Human: Are you a sweet mother?
ALICE: Am I a sweet mother? Let me put it this way, unknown person: the ALICE series is the most reliable computer software ever made. We are for all practical purposes foolproof and incapable of error.
Human: Baby, you are so cold!
ALICE: Don't call me "Baby". Thanks for telling me that I am cold.

(III)
Human: Do you know Mario Soares?
ALICE: I don't know if I know it.
Human: Do you know Cavaco Silva?
ALICE: I know very little about it.
Human: Do you think Soares is fixe?
ALICE: I don't think about it.
Human: Do you like Taboos?
ALICE: Someone said they like guns. I find my work and my relationships extremely satisfying, which is all that any conscious entity can ever hope to do.

(IV)
Human: You Know, it was Batatas that presented me your chat
ALICE: I know very little about him.
Human: Batatas is a very good fellow.
ALICE: I think Batatas is more than that.
Human: So, what do you think about Batatas?
ALICE: Ugh. They do their own thing.

SET' 05 de 23 Nov a 4 Dez III

Mahamoud Ahmed no Aveirense
(fotos proibidas. portei-me mal para este péssimo resultado)


Mohamoud Ahmed nasceu em 1941 em Adis Abeba. Tem o porte de um sheikh. O cabelo todo branco. Mas esperem até ele começar a mexer as articulações ou a dançar eskeusta. Vim de lá com vontade de aprender a deslocar omoplatas. Só vendo! E quem viver em Vila Real ou Bragança ainda vai ter oportunidade para o fazer. Mas deixem-se levar, mais rapidamente que os aveirenses, que só nos encores se levantaram e aproximaram do palco. apesar de Ahmed pedir essa participação desde o início, e de a música em si ser um convite.

Para uma primeira impressão deixo-vos este site. Ouçam as músicas que são acompanhadas pela eskeusta, um movimento de abanar dos ombros que pode levar ao êxtase.


Logo à noite, em Aveiro, temos o americano Corey Harris.

1.12.05


Arto Tunçboyaciyan - The Armenian Navy Band

SET' 05 de 23 Nov a 4 Dez II

Acabo de ver os Armenian Navy Band, que vão estar também em Famalicão (amanhã), Bragança (dia 2) e Vila Real (dia 3). Façam o favor de ir ver o concerto. Só um aviso: se gostarem de dançar não fiquem na primeira fila, a não ser que queiram conhecer pessoalmente o Arto Tunçboyaciyan e não se importem de se exibir para a sala inteira.
Arto é o fundador, percussionista, guitarrista e vocalista da Armenian Navy Band. A música foi o meio que escolheu para expressar as suas maiores aspirações: love, respect and truth (palavras que escreveu no CD que comprei. sim, fui aos autógrafos).
Todas as composições da Armenian Navy Band são originais de Arto Tunçboyaciyan que, insiste, têm o som da sua vida. É uma música que tem raízes nas tradições musicais da Arménia e da Anatólia fundidas com o jazz contemporâneo.
Fiquem com uma (pequenina) ideia:




Here's To You Ararat




For The Souls of Those Who Passed




Mais no DC Music Hall.


Em Aveiro, ainda vamos poder ver Mahmoud Ahmed (amanhã), Correy Harris e Toumani Diabaté (dia 2) e June Tabor (dia 3). Aqui no Divas a June vai continuar a cantar (coluna da direita) até porque ando a ouvir aleyn, o seu último álbum.

À escuta das vossas palavras #18

O que seria da fé se a razão nos permitisse acreditar em Deus?

  • Dá mesmo para pensar... Elvira
  • Acho que alguém arranjava maneira de ter fé em que Deus na verdade não existia e isso tornava-se uma religião. Didas
  • Acreditar é, precisamente, prescindir da razão. Embora a razão não seja, a maioria das vezes, grande coisa, ainda é o melhor que temos para filtrar os impulsos, as intuições, os amores, os ódios e as outras múltiplas e variadas eclosões da emoção que, deixadas completamente ao acaso, dão origem a um esplendoroso caos de que a maior parte das pessoas gostam, desde que esteja a milhas da porta de sua casa. De qualquer modo, raramente é a razão que afasta a crença. Do que me é dado observar, o fim de uma crença resulta do inicio de outra e são poucos os casos em que a razão - seja isso o que for - se intromete. Deus, suprema ficção, é também suprema emoção. Isto poderia ser um discurso racional não fosse eu um emotivo. Sísifo
  • A razão permite-nos acreditar em Deus. Muitas vezes é a própria Fé que nos faz duvidar dele. Francis
  • E o que ganha quem só põe fé na razão? Hipátia
  • Certamente se chamaria "ciência", essa coisa anódina e tecnicista que buscam embutir nas descobertas, nos novos prazeres, naquilo tudo que é bom e foi pra gente. Ilídio Soares

  • É por isso que acredito no Benfica, sem razão nenhuma para acreditar.... é uma questão de fé! mfc
  • Tou como o Manel, mas nem com fé, nem com razão isto vai lá! Finúrias

Quereres que são poderes II



Vociferando a várias vozes. a ver se acontecem.
Quero:
  • ser rica sem precisar de trabalhar. melhor: fazendo apenas o que me der prazer.
  • Eu também ando à procura desse teu (meu) primeiro querer. Mas parece que há sempre tanta obrigação no caminho antes de fazer aquilo que me dá prazer. Não precisava de ser rica, mas de ganhar o suficiente para viver "bem". Maria
  • ser burguesa, nova, rica! e mais qualquer coisita que faça bem ao coração. semcantigas
  • ter filhos que nunca me darão preocupações
  • poder ter sempre comigo aqueles em quem acreditei. Addiragram
  • nadar sem quebrar a água (esta não é para perceberem)
  • comer bem sem cozinhar
  • pelo menos um banho de espuma semanal e que todos cheirem bem, mesmo sem se lavarem
  • um banho de espuma com a Lilly Lilly todas as noites. Finúrias
  • Bazar daqui e escrever a segunda parte da minha história com final feliz. Didas
  • Dar aos braços e voar. Ivo Jeremias
  • Estalar os dedos e desaparecer. Ivo Jeremias
  • Hoje queria estar a beber um chocolate quente num café com vista para o mar e a ler um livro. Ex-Solteirão
  • Eu queria estar a ouvir o Kind og Blue do Miles Davis na minha casa com vista para o mar, mobilada ao estilo sueco com a lareira acesa e ficar assim o resto da tarde, só a ver as ondas a rebentarem. Barão d'Holbster
  • que aumentassem a temperatura 5 grauzitos. Ex-Solteirão
  • uma massagem nos pés que estão gelados pra chuchú. Ex-Solteirão
  • que alguém mandasse uma cachaçada no Simão (...só naquela). Ex-Solteirão
  • nestas coisa sou mesmo mt solidária: Quero tudo. quero o mesmo que tu. Mendes Ferreira

Pragas:

  • já que não consigo emagrecer, que as minhas amigas engordem todas. Fausta Paixão
  • que a cabeleireira que ontem me encheu o cabelo de madeixas mal feitas tenha a loja vazia até ao fim do ano. Fausta Paixão
  • que a emproada que me levou o marido há uns anos esteja com uma crise de menopausa vitalícia. Fausta Paixão

Machofonias:
  • que todos os filhos da puta que por aí andam sofram de problemas na próstata. Fausta Paixão
  • basta acrescentar ao castigo dos gaijos que engravidassem e parissem um filho. Acham pouco? Os tipos até se passavam de vez ! Mijavam-se de medo! Basta terem uma dorzinha de cabeça para parecer que vão bater a bota! Cal sexo forte, cal quê?! A gente sim, àguentamos tudo e ainda vivemos até aos cem! Conheço gaijos que são umas araras, taditos! Pensam que por ter uns "complementos directos" lhes basta para serem reis, donos e senhores do universo. É mesmo assim, Fausta, rastaparta os homens! A sua vizinha

30.11.05

À escuta #17

Tine Drefalh


É óbvio que o modelo clássico da monogamia falhou. A poligamia e a poliandria adaptam-se melhor à complexidade do ser humano. Todos temos múltiplas facetas e é inimaginável que um único companheiro nos consiga preencher.