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3.4.14

Manhã

Está a chover a potes, o que não dá jeito nenhum para levar os ténis novos e a t-shirt verde que condiz tão bem, os primeiros presentes de aniversário... Diziam que hoje ia melhorar e é isto! Se tem algum jeito vestir impermeável por cima desta roupa! Mas vá, vamos, já estamos atrasadas... Na rotunda, a nossa saída está tapada por um carro que decidiu estacionar ali. De tempos a tempos, acontece. ...É por ser uma rua estreita, deve ser, não percebem!? Apita e ele sai. Obrigada, pá! Em frente à escola, a Ana ainda não tinha conseguido por a écharpe bem... Mãe, põe! Estamos atrasadas, diz a Sofia! Pára o carro que não dá para o pé ficar no travão enquanto te torces toda para lhe chegar ao pescoço... Olha, deixa estar! Ai é? Até logo, meninas! Avança e estaciona ao pé do mercado. Nada como comprar fruta, legumes e flores pela manhã! Ao entrar, ups, salta que ainda levas um pontapé! O senhor da banca onde vou está em plena acção. Agarra um homem que grita, esperneia, ameaça, sem resultado, que o rapaz é forte e prendeu-o bem. Rua daqui! Apanhado a roubar outra vez! Todos falam. Afinal quem foi apanhado é mesmo mau, só quem não vai à Caixa Geral de Depósitos quando ele vai receber a pensão, é que não sabe. Ficam todos cheios de medo, menos o senhor que o vê sempre, ele não! Mas olha rapaz, diz outro, não é preciso ser herói para pegar nele... Dá-se um empurrão e ele cai logo. Pois, mas tu fugiste, não foi? Vá, vá, mudemos de conversa! Quem deixou aqui o Correio da Manhã? Está toda a gente, incluindo eu, a colocar os sacos com as compras para pesar em cima do jornal. Não importa, diz o mesmo-assim-herói, esse jornal é só escândalos! É, não é? Está a perguntar-me? Pois, não é bem a melhor referência de jornalismo. Ora, diz as verdades, isso é que é, contrapõe bem alto uma senhora. Pois! Que os outros escondem as verdades e esse, pelo menos, diz as coisas como elas são! As narinas abrem e fecham, a senhora ficou irada em dois tempos, olha para mim com ar de "deves achar que me enganas". Paga e diz que sim. Bom dia e vai à banca das flores. Levo estas. Pois nem acredita, há uma senhora que compra sempre essas flores, dessa cor, há várias semanas. É que parece que nem gosta de mais nada, santo Deus! Quer que corte o pé ou a altura está boa? Corte um bocadinho! Estas aguentam-se bem se a água estiver fresquinha. Com este tempo duram mais! Bom dia e vai ao quiosque. Olha lá vem ele? Diga!? Devia ser proibido assustar assim as pessoas! Está a ouvir? Olhe, olhe! Então? Passa por aqui a esta hora todos os dias. A sirene inunda a praça. Não há urgência mas o motorista da ambulância liga-a sempre para passar nos sinais da Avenida. Faz isso duas vezes por dia. Não há direito. Sobressalta. Pensa-se logo o pior pela manhã! Essa não sabia! Pois, mas é verdade. Uma vergonha! Chega-se ao carro e escapou-se à multa da Polícia Municipal. Sorriso. A esta hora ainda não saíram para a rua. É só depois das 9h/9h30 que os carros são varridos a papelinhos. Arranca. Outra rotunda. Camião avariado mesmo no meio. Livra! Mas pronto, o dia só começou agora.

MRF

As minhas meninas


As meninas são minhas, só minhas, na minha ilusão, as minhas meninas no meu coração.


do amor


às minhas duas filhas




... e ela disse que eu vos amava porque vocês são uma extensão de mim, como se o meu corpo e tudo o que eu sou se dilatasse, se estendesse, desdobrado nas duas que sois, e completo nas duas que sois, como se eu fosse com vocês um espaço contido em limites, como se eu fosse um tempo que não expirasse com a minha morte. e eu não consegui dizer que não mas é não. o meu amor por vós tem o fundamento da vossa estranheza, das vossas dores e fragilidades__ que não são minhas, da vossa inocência e esperança__ que não são minhas, da vossa beleza e encanto__ que não são meus. e é imenso. desmesurado. às vezes maior do que as minhas forças e competências. e o amor, esse amor, nasce de um dom que eu tenho e que não vou perder. um dom que se revelou face à vossa estranheza. de vos querer servir bem no amor. de vos dar o que sei ___ e às vezes até a minha ignorância. de vos dar cuidados e beijos. até à exaustão. até parecer que me extingo. e em dias bons, e são muitos os dias bons, até parecer que sou feliz. o que é meu é só esse amor, não vós.

25.8.12

À escuta #121

Mãe: É giro ter nascido no ano 2000!
A.: Sim... Eu gostava de viver 101 anos! É possível! Já viste como seria extraordinário! Eu viveria durante três séculos!

1.8.12

À escuta #120


A.: Acho que estou apaixonada pelo homem-aranha... Oh, porquê que ele já tem 29 anos?... Sempre que vou ver um filme apaixono-me... Enfim, é só por uns dias...

21.6.12

Meninas à janela



Dalí pintou um óleo de que gosto muito, chama-se "Menina à Janela". Nele, Ana María Dalí, a irmã que foi o seu modelo preferido durante muitos anos, é pintada de costas, debruçada numa janela, olhando Cadaqués. Nesse quadro, pintado em 1925, o pintor introduz um novo paralelismo entre o ser humano e a arquitectura. Há um conceito quase onírico da realidade circundante. Mas o que mais retenho é a p...ostura da figura feminina e as várias tonalidades de azul. Muito jovem, viajei até Cadaqués. Trouxe de lá essa imagem, emoldurei-a, e deixei que me fizesse companhia durante anos.

Naquele dia (2005), o mar de Cadaqués reapareceu entre as minhas meninas. Era um fim de tarde no reino dos Algarves. A temperatura estava amena, corria uma ligeira brisa, cheirava a mar e a erva molhada, e elas foram conversar para a varanda. Descobria-as assim, entretidas a comentar a paisagem e as proezas do dia. Eu adorava "espiá-las" e registava as conversas. É por isso que sei que falaram de castelos de areia, de mergulhos com os olhos fechados e com os olhos abertos, de conseguir atirar a bola para muito longe, de biquinis cor de rosa como os da Barbie e de penteados como os da sereia Ariel, dos dois gelados que eram mesmo frios, do gato no jardim...

19.6.12

À escuta #119

Ana: A primeira palavra que aprendi, em língua estrangeira, foi "gracias". Quer dizer, se calhar foi "melocoton", por causa dos sumos...

1.6.12

História contada a uma criança

Do prefácio: «(...) O jovem professor de física e química, com interesses intelectuais muito mais vastos, era pai de uma criança de sete anos acabada de entrar na escola primária. Foi esse filho o destinatário...».

Como presente da minha comunhão solene, recebi uma Bíblia Ilustrada, o livro "O Porquê das Coisas" e "As Origens de Portugal", entre outros presentes que esqueci. Li, reli estes três
livros imensas vezes. Há poucos anos, descobri que o meu primeiro grande livro de História tinha sido reeditado pela Calouste Gulbenkian. É uma edição muito cuidada e belíssima. Foi a vez das minhas duas filhas receberem o seu primeiro grande livro de História. Infelizmente, esta História de Portugal termina cedo, com Afonso II. Cá em casa, houve muitas noites de leitura, à medida que elas avançavam na matéria de História na escola, e na medida do sono que tardava sempre a chegar. A ideia de que um pai tinha escrito aquela História para o filho, um menino da idade delas, ajudou a encarar a grandeza do livro. E depois, o autor tutua, o que facilita o diálogo. Logo no início, houve uma grande discussão a propósito destas afirmações: "Tu és português porque nasceste em Portugal. O teu pai e a tua mãe também nasceram em Portugal...". É que nenhum dos pais (delas) nasceu em Portugal. Se o Rómulo de Carvalho soubesse isso, teria escrito outra coisa... só para elas.

Feliz dia para as nossas crianças!

6.5.12

do amor


às minhas duas filhas


... e ela disse que eu vos amava porque vocês são uma extensão de mim, como se o meu corpo e tudo o que eu sou se dilatasse, se estendesse, desdobrado nas duas que sois, e completo nas duas que sois, como se eu fosse com vocês um espaço contido em limites, como se eu fosse um tempo que não expirasse com a minha morte. e eu não consegui dizer que não mas é não. o meu amor por vós tem o fundamento da vossa estranheza, das vossas dores e fragilidades__ que não são minhas, da vossa inocência e esperança__ que não são minhas, da vossa beleza e encanto__ que não são meus. e é imenso. desmesurado. às vezes maior do que as minhas forças e competências. e o amor, esse amor, nasce de um dom que eu tenho e que não vou perder. um dom que se revelou face à vossa estranheza. de vos querer servir bem no amor. de vos dar o que sei ___ e às vezes até a minha ignorância. de vos dar cuidados e beijos. até à exaustão. até parecer que me extingo. e em dias bons, e são muitos os dias bons, até parecer que sou feliz.
o que é meu é só esse amor, não vós.

21.4.12

À escuta #118

- Quem me faz um café?
A. - Eu faço!... Já viste que já quase não há cápsulas... e comprámos a caixa a semana passada! O café não tem álcool, pois não?
- Não, tem cafeína, que por acaso também faz mal! Mas eu bebo mais descafeinados, e é verdade que bebo muitos...
A. - Pois, eles põem coisas para as pessoas ficarem dependentes...
S. - Eu acho que algumas bolachas também devem ter esses químicos que nos deixam dependentes...
- Ah boa desculpa!
A. - Vocês não andam bem informadas. Eu vi uma reportagem assustadora sobre o tabaco: não é só a nicotina que cria o hábito. E eu aposto que fazem isso com outros produtos. Já viste o que seria se pusessem álcool no café?

13.4.12

À escuta #117

A. - Quando andavas na universidade, eu não existia... Viveste durante anos e eu era nada!
- Não, já eras uma espécie de sonho!
A. - Eu não existia!
- A existir mesmo, a seres mesmo tu, só depois de seres concebida...
A. - Isso é insuportável!
- Não percebo!
A. - Não gosto da ideia de ser nada. As pessoas morrem e dizem que continua a existir o seu espírito... Há muitas pessoas que acreditam nisso! Mas, antes de nascer, não podem também já ter um espírito?

3.4.12

o guizo do poente da infância

"Quando te sentas, à porta da noite, e recordas o guizo do poente da infância, três gazelas vermelhas vêm ter contigo."

Tiago Veiga, "Mamma, Why Did You Awake Me?" (Colectânea inédita)



No final de um dia cheio. Elas hoje fizeram 12 anos! 

8.1.12

S. Gonçalinho

Quando cheguei a Aveiro, os foguetes e fogo de artifício que começaram a "rebentar" logo no início do ano eram um mistério. Festejariam o ano novo até meados de Janeiro? Lembro-me de uma noite andar à procura da festa___ e de finalmente encontrar a capela de S. Gonçalinho e assistir àquela estranha tradição de atirar cavacas, mais o folclore das redes de pesca e guarda-chuvas invertidos! Era impossível resistir à animação___ sobretudo se o pacote da festa incluia balões com formas de sereias e de golfinhos, algodão doce e muita música pimba! Nesta foto, as minhas meninas tinham 6 aninhos. Fazia um imenso frio mas isso não importava nada! ;)


15.12.11

À escuta #116


Fui ver "Melancholia" novamente, desta vez com as minhas filhas. Quando esta imagem apareceu, perguntaram-me se a actriz tinha filhos. Percebi que devo evitar posar nua. Gostaram muito do filme, apesar de ser triste. A Ana acha que a Charlotte Gainsbourg é que deveria ter ganho o Prémio de interpretação feminina em Cannes. A passividade/resignação de Justine/Kirsten Dunst desconcertou-as. Identificaram-se com Claire, que chorou o fim do mundo. No final, resgatamos o (gigantesco) cartaz do filme que, dada a proximidade do Natal, já vai sair de cena! Temos agora a noiva Justine/Ophélia na sala, até melhor ideia surgir...

P.S.: No Discurso-Imagem, uma boa crítica sobre o filme.

26.11.11

À escuta #115



S. e A. - Hoje, à hora do almoço, foi super divertido na escola! Estivemos a jogar à Verdade ou Consequência!
A. - A S. teve de dizer a um rapaz que o amava!
S. - Era isso ou ir apanhar folhas das árvores!
- Então como é que se passou?
S. - Eu disse-lhe "Olá, amo-te".
- E como é que ele reagiu?
S. - Ele disse-me "Eu também".
- Mas que facilidade! Ninguém complica nada!
S. - Bem, sabes, antes de ir ter com ele, eu disse muito alto "AQUELE?" para ele perceber que era uma brincadeira...

À escuta #114

S. - Ah quando for grande, vou ser bela, rica e famosa!
- Sim, sim,... Prepara-te mas é para trabalhares muito para seres independente e...
S. - Meus Deus, mas o que é que se passa? Deixaste de sonhar?

À escuta #113


A. - A C. separou-se do marido por causa da enteada, não foi?
- Não, e sabes que as pessoas nunca se separam só por uma razão...
A. - Pois, isso é verdade. Normalmente são tantas coisas que nem sabem explicar bem!____ A não ser que o marido se apaixone por outra mulher. Aí é só por uma razão!_____ E é claro que só depois é que ele vai saber se a Única razão foi boa ou má!

19.10.11

À escuta #112


S. - O período menstrual dura quanto tempo?
- Uns dias...
S. - Mas quantos dias no máximo?
- No máximo uma semana!
S. - Uff que alívio!
- ?
S. - Pensei que era quase um mês...
- Então se aparece de 28 em 28 dias!
S. - Sim, mas pensei que era 28 dias com o período e depois de 28 dias, novamente 28 dias com o período. Era demais!

6.9.11

À escuta #111

A. (11 anos):

«Sabes, eu consigo imaginar-me daqui a alguns anos a ir passar férias à Tunísia com os meus filhos e a dizer-lhes "quando era pequenina eu vim aqui com os meus pais e havia um ditador". Eles vão achar mesmo estranho, não achas?»


«Os filhos do Khadafi são estranhos... Um diz que vai combater e o outro quer negociar. Vão os dois morrer, não é? O que é que tu fazias?»