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4.8.12

Atlas, o gigante e a vértebra de Elena Córdoba__na sala b

Espectáculo na Sala b, diz o programa do Citemor. Damos voltas à vila, um sobe desce pequenas ruas, vielas, na direção do castelo e na direção oposta, ali para os lados da biblioteca, ali para os lados da praça das artes, ali ao pé da praça do município. Comes qualquer coisa no único café que está aberto, D. Dinis de seu nome, mas não, ninguém sabe onde fica a Sala b. Surreal. Finalmente, à segunda tentativa, a recepcionista do Hotel Abade João dá a pista certa. Encontrámos a Sala b, uma casa em ruínas, que ardeu há anos, sem tecto, portas, janelas, cheia de lua cheia e de gente.

Começa o universo Elena Córdoba. Um outro espectáculo que não este aqui. Há imagens muito poéticas, a postura da bailarina-performer é singular, bizarra, mas também decadente, acabei por não gostar. Mas talvez vocês apreciem e ela vai lá estar hoje novamente. na Sala b.

E depois, conversa. O público, a equipa da organização, o Citemor, o estado da cultura, a morte anunciada de mais um festival. O Citemor já vai na 34ª edição, têm 25% do orçamento de há 2 anos. O dinheiro não chega para o aluguer de equipamentos, bancadas, geradores, tudo, até porque a vila só tem o pequeno (e belíssimo) Teatro Esther de Carvalho. Utilizar espaços não convencionais é uma opção estética e... bem, não é opção, é o que tem que ser.

Nenhum artista ou membro da organização teve cachet este ano.
No Citemor, artistas e membros da organização pagam para trabalhar.
Há qualquer coisa de muito singular a acontecer por todo o lado, neste país.

Atravessar as várias praças de Montemor, algumas com instalações de arte contemporânea. Há uma, do Teatro O Bando (João Brites e Rui Francisco), na praça do município: um muro de tijolos e filas com cadeiras de cinema (de veludo bordeaux) de ambos os lados. O que está do outro lado do muro? E do outro lado de nós mesmos? Virados para o muro, de costas para o mundo, frente a quê e a quem? "Tire uma fotografia de costas e envie para geral@obando.pt"

Uma vila deserta ocupada por "alternativos". Em poucas horas, conhecer os donos do café, a Eva, filha da namorada do dono de..., e a prima da Eva, o cão rafeiro Romeu, o mendigo da terra, o Sr. Ferreira, o pessoal do bar que abriu esta semana e que vai ficar aberto até o sol aparecer lentamente no céu___ que continua estrelado.

Comer bôla de chouriço e sandes de carne assada ao relento. Embrulhados em xailes, ou não. Regressar cheia de sono e de rostos.

Foi bom.

Estreia de "LA MUJER DE LA LAGRIMA" de Elena Cordoba, com Elena Cordoba y Maria José Pire , no Teatro Esther de Carvalho. Estreia no 32º CITEMOR, Festival de Montemor-o-Velho, 5 de agosto 2010. Video de Hugo Barbosa e Pamela Gallo para o blogue do festival do Citemor.

13.6.12

Fugas & O Corvo



«Fugas & O Corvo é um espectáculo que conjuga a música ao vivo e a dança, em cujos intérpretes (músicos e bailarinos) criam um corpo comum de sons e de gestos.
O desafio foi lançado pelo 04 Mix Ensemble (sob a direcção artística do Guitarrista Carlos Lima), à Buzz Companhia de Dança (com direcção coreográfica de Vera Santos).
Num primeiro momento, os contrapunctus I, II e III da Arte da Fuga (Die Kunst der Fuge) de Johann Sebastian Bach servem de mote para o desenvolvimento coreográfico, centrado no isolamento de partes do corpo numa analogia ao pormenor compositivo das respectivas partituras.
O segundo momento é uma coreografia feita a partir do original, The Crow, de Dusan Bogdanovic, com poema de Ted Hughes, uma Ballet Poema para 3 instrumentos e uma voz.
Obra complexa que tem a particularidade de conciliar uma poesia dramática (de negro carregado) com uma musicalidade luminosa (viva e cristalina).»

6.5.12

Nós somos quem sois

I stopped...
 I thought...
 I moved forward...
 Not always in that order, not always with order
 Keep me in the discontent of the thankless task of keeping all the tasks
 I know you know
 We`re again at the beginning
 The mother who tells her daughter a story her grandmother told her
 In a stage of production matter of a show that standing up we watch to sweep the floor in the end
 I was nailing with stilettos grooves of interrupted smiles, made hastily
 I remember the times when I looked forward and with closed eyes I trusted
 I remember the days when I still had spare time to restart…
 ...the time...
 I saw a seagull who drowned a cuckoo clock at sea
Tomorrow is time for I don`t remember
 Tonight I dreamed in black and white and I kept sleeping.
 It was hair wrapping around my head
 I woke up twice in the middle of my sleep and I thought I wasn`t breathing
 I pushed the hair away but they were words gagging my mouth



Este vídeo é uma peça da exposição de Hélia Aluai "WE ARE WHAT YOU ARE" (Porto 2010)
Textos: Cristina Sevla
Coreografia/dança: Vera Santos
Música: Quico Serrano
Imagem e Edição: Tânia Duarte

5.5.12

Mapacorpo

O nosso mapa é sempre solitário e sempre acompanhado por alguém. É um lugar secreto, onírico, da nostalgia do particular, do impreciso, do indescritível. No palco, um quadrado como uma tela ou folha de papel onde são desenhados pensamentos, mais do que sentimentos: o próprio desenho prolonga o que é pensado. À medida que o branco é preenchido, surge também a procura do descanso. Da paz. Como diz Genet no inspirador livro sobre Giacometti, os traços só existem para dar forma e consistência ao branco. É o barro que faz a ânfora, mas é o vazio interno que lhe dá sentido. Como nos recortamos nesse espaço, nos erguemos dessa folha, tridimensionais, vulneráveis, dialogando com a música e com o silêncio, por vezes excessivos, vivos?

 
Direcção e coreografia: Amélia Bentes
Interpretação: Amélia Bentes e Leonor Keil
Música ao vivo: Vítor Rua
Desenho digital em tempo real: António Jorge Gonçalves.

2.5.12

Danza Preparatta

Danza Preparatta será, assim, a minha próxima criação, um solo para um "corpo preparado" em diálogo com um piano preparado. As Sonatas e Interlúdios serão interpretadas por Rolf Hind, um intérprete magistral das obras para piano preparado de Cage. Faltava um "corpo preparado", que me será emprestado pela experiente e maravilhosa bailarina italiana Silvia Bertoncelli, uma intérprete tecnicamente irrepreensível e artisticamente polifacetada.
- Rui Horta

Vi o espectáculo no domingo, na Gulbenkian. Eu diria, também, sobre toda esta Danza: irrepreensível.


P.S.: Sobre a preparação do piano ___ e outras coisas, a reportagem da RTP.

16.10.11

BLESSED



The American choreographer and dancer Meg Stuart and the Portuguese choreographer and dancer Francisco Camacho met in New York in 89. He followed her to Belgium to dance in her debut work Disfigure Study. After that each went their own way but now theyre collaborating once more. Meg Stuart has choreographed BLESSED, a new piece with Francisco Camacho in a sound design by Hahn Rowe.

In a corner of the world a man has created his own little paradise. How fragile are our mental constructions? How much illusion do we need to survive? Is mankind capable not to believe? Or is it the luxury of the privileged to escape in pipedreams? Is hope a matter of circumstances?


____e mais próximo, Francisco Camacho neste continente.

27.2.10

Curso de Silêncio


...viagem ao imaginário da escritora Maria Gabriela Llansol.


O Silêncio vai instalar-se em Aveiro entre 15 e 24 de Abril. Schiuuu...

21.11.08

O ÁLBUM, uma criação de Helena Botto

ATÉ 23 DE NOVEMBRO, 22H

O Álbum é uma criação híbrida que entrecruza os universos da performance, da fotografia, do vídeo, da imagem em tempo real, da música e utilizando como fio dramaturgico condutor alguns fragmentos de textos de Câmara Clara de Roland Barthes e de Crave de Sarah Kane. Há nesta amálgama de linguagens um elemento que as contrapõe: a questão da imobilidade e do devir. Tal como a fotografia, a música, as imagens de vídeo e os textos, não estão sujeitos à mudança e ao desgaste (a menos que deliberadamente neles intervenhamos aposteriori da sua concepção), no entanto o corpo (performance) esse estará irremediavelmente sujeito ao desgaste, à perda, à transformação. É talvez a cruel fatalidade a que não poderemos escapar e sobre a qual nos propomos reflectir.

Um corpo emerge do Álbum da Memória, um espaço constituído por cerca de 2000 fotografias pessoais. Este aglomerado de imagens privadas, constitui aquilo a que se chamou o Álbum da Memória. São fotos de infância misturadas com fotos recentes, fotos de trabalho, fotos de férias, fotos de festas, fotos de pessoas, instantâneos recolhidos à socapa, fotos roubadas de outras pessoas, de outras vidas, outras vidas partilhadas, outras vidas cruzadas.

É então a partir desta mancha de imagens paralizadas, fixadas em papel fotográfico, que todo o processo performativo se vai construindo. Diante da unicidade de uma imagem, há determinados pormenores (o punctum de que nos fala Roland Barthes) de algumas fotos que subjectivamente foram destacados e que provocaram associações psico-fisicas e comportamentos que se foram construindo. Diante da unicidade do Álbum da Memória, houve determinadas fotografias que se destacaram talvez porque tenham causaram uma vertigem temporal, porque remeteram o corpo para um universo de memórias, porque cruelmente afirmaram aquilo que foi e não aquilo que imaginámos ter sido…

Estes pormenores imutáveis de fotografias e estas fotografias imutáveis, estes fragmentos da realidade são destacados e instalados na tela vazia, orgânica e sujeita ao desgaste que é o corpo da performer, este corpo reage através de uma linha de comportamentos também ela fragmentária a estes estímulos, criando e construindo à medida que a performance se desenvolve um novo álbum, talvez ainda mais privado e pessoal, O Álbum Interior.

E porque este novo álbum é corpo (corpo-memória) está ele próprio sujeito ao devir, à transformação, à perda, urge a necessidade de o guardar, de o gravar, talvez numa tentativa cruel (?) de paralização temporal. Um registo fotográfico deste álbum interior vai sendo feito à medida que a performance decorre. Estas novas fotografias impressas originarão um novo álbum, a Memória do Álbum Interior.

Barthes diz-nos, “a fotografia é violenta, não porque mostre violência mas porque nela nada pode recusar-se ou transformar-se”… a paralização e a fragmentação temporal é violenta, sem dúvida a incapacidade do devir é monstruosa… mas o tempo que passa, e as alterações que vamos sofrendo, as pessoas, os momentos, todo um conjunto de inefabilidades que se vão perdendo, e que serão sempre irrecuperáveis, não serão elas ainda mais violentas? O que são as nossas fotografias quotidianas senão o registo de momentos que queremos por alguma razão fixar… não será a perda desses momentos e o seu devir ainda mais violento? Contra argumentando, diriamos que a passagem do tempo, as transformações a que vamos estando sujeitos acabarão por nos trazer outras vivências e por eliminar gradualmente os sentimentos de perda… Quanto à primeira parte de acordo, quanto segunda só posso concordar com Barthes: “(…) o luto com o seu trabalho progressivo elimina lentamente a dor. Eu não podia nem posso acreditar nisso, porque para mim o tempo elimina a emoção da perda (não choro), é tudo. Quanto ao resto, tudo ficou imóvel.”

Helena Botto



Conceito, direcção artística, concepção plástica e instalação espacial, dramaturgia, e performance: Helena Botto
Composição musical original e sonoplastia: João Figueiredo
Captação de imagem e videoplastia: João Raposo
Performers no vídeo: Helena Botto e Pedro Bastos
Texto: fragmentos de “Câmara Clara” de Roland Barthes e de “Crave” de Sarah Kane
Desenho de luz: José Nuno Lima
Operação de luzes: João Teixeira / Hugo Martins
Design: Joana Ivónia /Look Concepts
Produção executiva: Helena Botto / Projecto Transparências – criação de objectos performativos - associação

12.10.08

Ritournelle de la Faim

«Les dernières mesures du Boléro sont tendues, violentes, presque insupportables. Cela monte, emplit la salle, maintenant le public tout entier est debout, regarde la scène où les danseurs tourbillonnent, accélèrent leur mouvement. Des gens crient, leurs voix sont couvertes par les coups de tam-tam. Ida Rubinstein, les danseurs sont des pantins, emportés par la folie. Les flûtes, les clarinettes, les cors, les trompettes, les saxos, les violons, les tambours, les cymbales, les timbales, tout sont ployés, tendus à se rompre, à s'étrangler, à briser leurs cordes et leurs voix, à briser l'égoïste silence du monde.

Ma mère, quand elle m'a raconté la première du Boléro, a dit son émotion, les cris, les bravos et les sifflets, le tumulte. Dans la même salle, quelque part, se trouvait un jeune homme qu'elle n'a jamais rencontré, Claude Lévi-Srauss. Comme lui, longtemps aprés, ma mère m'a confié que cette musique avait changé sa vie.


Maintenant, je comprends pourquoi. Je sais ce que signifiait pour sa génération cette phrase répétée, serinée, imposée par le rytme et le crescendo. Le Boléro n'est pas une pièce musical comme les autres. Il est une prophétie. Il raconte l'histoire d'une colère, d'une faim. Quand il s'achève dans la violence, le silence qui s'ensuit est terrible pour les survivants étourdis.»

in Ritournelle de la Faim, de Jean-Marie Gustave Le Clézio
Gallimard, 2008, p. 206

17.4.08

A Sesta de Olga Roriz e Joaquim Pavão


A Sesta

Cinco viajantes à procura de um lugar perfeito, paradisíaco…
O lugar onde o momento se faz repasto para mitológicos deuses.
Malas e mais malas que se transformam em longas mesas.
Mesas e mais mesas… Postas. Cheias.
A comida a transbordar pelos cantos da toalha. O vinho derramado.
A gula de garfo e faca, de goelas abertas e mãos sujas.
Pratos que voam e se suspendem no ar como pássaros.
Tudo às avessas como o próprio tempo. Tudo parado. Quebrado até ao silêncio.
Essa intimidade de um Olimpo perdido no sono profundo da nossa imaginação.


Olga Roriz – In João Mendes Ribeiro [et al.] – Arquitecturas em Palco. Coimbra: Almedina, 2007. p. 11-12.


A curta-metragem realizada por Olga Roriz,
A SESTA, pode ser vista no Teatro Nacional S. João, no Porto, integrada na Exposição ARQUITECTURAS EM PALCO, de João Mendes Ribeiro. Até dia 11 de Maio.

A banda sonora do filme foi composta por um amigo de Aveiro,
Joaquim Pavão (no seu site, podemos escutar o II Andamento). Só quem nunca o ouviu ao vivo, não entenderá estas palavras de Olga Roriz.

Foto MRF, Maio 2006

8.11.07

Ego Skin II

Se a pele for o limite do corpo. sendo que corresponde aos contornos da figura humana para quem desenha. Se a pele se expressar em dueto. um dueto definido à partida. então a pele são os poros, as peles respiram-se. e se, a proposta: mais 15 minutos para recriação desse "material". por uma coreógrafa, um encenador de teatro e um desenhador digital. Se a pele se reinventar assim. temos movimentos de repetição, a nossa rotina, de abertura, o nosso desejo, de troca, a sensualidade, o sexo, de repulsa ou escárnio, táctil feio, e ninguém pode esquecer todos os outros sentidos, apesar de, ou precisamente porque, se trata de pele. a coreógrafa acelerou o ritmo do dueto e acrescentou mais pedaços do arquivo humano de movimentos. o desenhador riscou, coloriu, projectou, fundiu, alongou, jogou. o encenador brincou com o reflexo das peles, uma contra a outra, uma atrás da outra, revelando, revelando. queremos ver ser ficar nus. mas resistimos.
Diverti-me imenso. mas a sala poderia ter ficado mais quente. faltava gente. Amélia Bentes e Ludger Lamers mereciam mais olhos, poros, corações!

7.11.07

Ego Skin




Explorar o conceito de ego enquanto «imagem de si mesmo» é o objectivo de Ego Skin, projecto dirigido por Amélia Bentes. O espectáculo é o resultado do desafio lançado a três criadores de áreas artísticas distintas - Claudio Hochman (teatro), Lia Rodrigues (dança) e António Jorge Gonçalves (desenho digital ao vivo) - para que trabalhassem, transformassem ou recriassem um dueto previamente criado por Amélia Bentes e Ludger Lamers. Pretende-se que o produto final seja uma viagem de tripla-perspectiva sobre o mesmo tema, tendo como referência o corpo-pele, fronteira de identidade e defesa. O corpo, ser-no-mundo que participa, comunga e comunica, torna-se simultaneamente superfície de inscrição, sujeito e objecto, vivente e vivido, tocante e tocado. É partindo desta imagem que o corpo se modela, se transfigura, se desfigura, ideia que implica necessariamente a subordinação do corpo ao olhar do outro.

Concepção e Direcção Amélia Bentes
Interpretação Amélia Bentes e Ludger Lamers
Criadores convidados Lia Rodrigues (dança), Claudio Hochman (teatro) e António Jorge Gonçalves (desenho digital ao vivo)
Música Martins Carlos
Assistência de ensaios (Lia Rodrigues) Marta Silva
Texto (Lia Rodrigues) excerto de “Muito, meu amor” de Pedro Paixão
Texto e letras de canções (Claudio Hochman) Claudio Hochman
Apoio Vocal Paulo Filipe
Desenho de Luzes Cristina Piedade
Figurinos e Imagem de Divulgação Vel Z
Direcção Técnica Raúl Seguro
Produção Executiva ACCCA / Narcisa Costa e Maria João Garcia


Uma antevisão do projecto realizado por António Jorge Gonçalves (desenho digital ao vivo):


No Teatro Aveirense, às 21.30, integrado no ciclo Dança e Novas Tecnologias.

31.10.07

A Espera - uma criação performativa livremente inspirada em "À Espera de Godot". Direcção Artística - Helena Botto

Estreia hoje, dia 31 de Outubro, às 22h. As apresentações continuam nos dias 1, 2, 3, 7, 8, 9 e 10 de Novembro no Estúdio
PerFormas.



Adenda: Comentário de quem já viu a A Espera - "...é uma experiência quase transcendente. A valer mais do que uma visita."

21.10.07

Dança e Novas Tecnologias

Aivars B.
Crazy Dance


O teatro Aveirense está a organizar o Ciclo Dança e Novas Tecnologias que, ao longo do mês de Outubro e de Novembro, incluirá a apresentação de seis espectáculos. São espectáculos interdisciplinares, que criam pontes entre a arte performativa e a tecnologia. Flatland I, de Patrícia Portela, "aterrorizou-nos" sexta e sábado; dia 26 será a vez de Jukebody, criado e interpretado por Cristiana Rocha; dia 7/11 teremos uma tripla perspectiva do conceito de ego, em Ego Skin, de Amélia Bentes; dia 22/11 poderemos observar a relação telemática entre uma mulher e um homem imaginário em Algum Dia Tinha de Ser a Sério de Lígia Teixeira e Ivan Franco; no dia 30/11, Isabel Valverde vai questionar a portuguesidade do fado-dança com Dança Fora de Horas.

Patrícia Portela gosta de utilizar "tecnologia doméstica", Cristiana Rocha expõe o "corpo em diálogo com um dispositivo cenográfico e tecnológico mais ou menos variável", Amélia Bentes opta pelo desenho digital executado com uma caneta + mesa Wacon ligada a um laptop (software: Adobe Phtoshop em full screen mode), Lígia Teixeira programa todo o sistema usando linguagem audiovisual Pure Data, Isabel Valverde usa uma tecnologia para manipulação de vídeo através de biofeedback e captação de sensores vocais e musculares (EMG).

Dança e novas tecnologias. Facilmente nos assustamos com a temática, ou nem sequer concebemos a relação, se andarmos distraídos. Mas as novas ferramentas são cada vez mais utilizadas pelas artes em geral, e não apenas pela indústria e economia. O que é importante discutir face à evidência? Desde logo, ao nível do ensino, os novos conteúdos e a estratégia pedagógica a adoptar e, ao nível do trabalho artístico, a coerência entre o conceito da obra e as aplicações tecnológicas por que se optou. Parece unânime a opinião de que os novos media devem ser encarados apenas como ferramentas adicionais e que o enfoque deve permanecer no conceptual. Vi Flatland I. Foi criada, com esses suportes, uma nova linguagem estética? Os meios utilizados foram eficazes na transmissão da mensagem (assumam aqui um plural)?
Eu respondo SIM. e este é mesmo um SIM grande. A beleza do "livro" gigante, o layout e a forma como foram programados os efeitos, o jogo que se estabeleceu entre voz e imagem, a "materialização" dos limites e ambições da personagem "Flatland" via esse diálogo, são arrebatadores. Na segunda parte, quando o público é raptado, os media integram o espectáculo em pleno. "Flatland" interage com as imagens projectadas, elas reforçam sentidos.

No dia 18 assisti à conversa e à perfomance que inaugurou o Ciclo Dança e Novas Tecnologias. Organizada e moderada pelo Professor Paulo Bernardino (UA - DeCA), com a participação de vários experts no uso e reflexão destas questões (Dolores Wilber - DePaul University; Len Massey - Royal College of Art, Reino Unido; Heitor Alvelos - Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto; etc.), a conversa centrou-se nos medialabs e no modelo que estes devem assumir em Portugal, nomeadamente como novos espaços de investigação e desenvolvimento (fixei algumas ideias para discussão em próximos posts - depois de regressar de Seia).

A perfomance, assente na utilização de medias simples (papel e fita-cola) e tecnológicos (criando efeitos audio e visuais) procurou levar todos os presentes a interagir. Foi uma experiência lúdica e reveladora. Os media que, por definição, são o que está no meio, criam oportunidades - para criar barreiras, ou para estabelecer ligações. Nesta perfomance, uma criação colectiva muito experimental, a produção de sons (música) e a expressão corporal (coreografias individuais e de grupo, mesmo que rudimentares) aliaram-se. Ponto final___ ou de partida para outra discussão: os media favorecem a convergência nas artes, mas podemos deixar de desenhar fronteiras entre disciplinas?


[Sobre toda a trilogia Flatland, remeto-vos para uma crítica sapiente lida em O Melhor Anjo]

20.10.07

Hoje, Flatland I (Trilogia de Patrícia Portela)

Teatro Aveirense
21:30

Flatland I (Para Cima e não para Norte) é o primeiro de 3 episódios que contam a trágica vida de um Homem Plano que um dia descobre que lhe falta uma terceira dimensão.
Nesta primeira parte, podemos seguir O Homem Plano na sua reflexão pelos mundos da bidimensionalidade e da perspectiva até descobrir que a sua existência temporária no mundo 3D é possível se existirem espectadores a olhar para ele.
Contente com a descoberta mas descontente com a dependência, o homem plano inicia uma estratégia para conquistar uma imortalidade tridimensional.

Na segunda parte, O Homem Plano apresenta uma estratégia infalível para se manter eternamente no mundo 3D. Apercebendo-se da vantagem que é ter uma dimensão a mais, organiza uma excursão pelo mundo da ilusão e do terrorismo e convida-nos a participar. O homem Plano descobre que a máquina de produção da realidade é o espectáculo e através da repetição de imagens, numeros de cabaret e circo, o Homem Plano mantem o espectador atento, e consequentemente, mantem-se "real" no mundo 3D, rodeado de cameras de vigilância, espelhos retrovisores e projecções em tempo real.
Por um momento, o mundo obedece mais uma vez, a uma construção paralela do próprio mundo.
Teatro é terrorismo e Terrorismo transforma-se em teatro:
Ambos criam ficção em tempo real!
O homem plano conquista a imortalidade tridimensional através do loop.

O Homem Plano percebe que andam à sua procura e que o rapto dos espectadores não poderá ser sustentado eternamente como planeado.
O Homem Plano liga a rádio e a televisão. Em todos os media se fala dele.
O Homem Plano percebe que para "ser e ser visto" e existir para todo o sempre no mundo "real" o melhor é mesmo ser jornalista e haverá sempre um foco e uma câmara atrás de si.
A partir daqui, a história continua através da televisão

Texto , imagem e coordenação Patricia Portela
Interpretação Anton Skrzypiciel
Design sonoro Christoph de Boeck
Apoio técnico e composição gráfica de clips Flatland I e II Helder Cardoso
Layout e programação do livro, dvd e notícias Irmã Lucia efeitos especiais
Apoio técnico no Lugar Comum Hélio Mateus
Apoio técnico em Antuérpia Peter de Goy
Apoio técnico em Montemor-o-Novo e design luz Flat II Carlos Jorge Carmo
Construção do suporte do livro Antoine Vandewaude
Captação de imagem vídeo, direcção de fotografia Leonardo Simões
Captação Registo espectáculo e assistência Patrícia Bateira
Produção Patrícia Portela e Helena Serra
Participação especial de Luís Gouveia Monteiro
E guest star como telepizza man (todos os dias um convidado diferente)

13.4.07

Lembranças, de Madalena Victorino, no TA

Teatro Aveirense, Sábado, 14 de Abril
Sessões pelas 16:00, 17:30, 21:30 e 23:00

10 carros na Praça Marquês de Pombal. Saltando de carro em carro, dá-se o encontro entre o actor e o espectador, em 10 curtas peças que, localizando-se entre o teatro e a dança, ficcionam, para duas pessoas de cada vez, um mundo insólito de poesia.
Levam cerca de cinco minutos, oferecem uma experiência que não se esquece. 10 actores com qualidades interpretativas especiais apresentam 10 Histórias, que usando as ferramentas do humor, do amor, do terror e acção, divertem, encantam e intrigam.

“Lembranças” é uma criação colectiva de Madalena Victorino com Ana Cloe, Carla Chambel, Carla Galvão, Cláudia Gaiolas, Cláudio Silva, Gonçalo Amorim, José Abreu, Letícia Liesenfeld, Lucília Raimundo, Mafalda Saloio, Paula Diogo, Romeu Costa.

Preço único: 10 Euros.
Lotação máxima por sessão de 20 pessoas.