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14.5.12

Mesas redondas difíceis de encontrar

«O Prémio Pessoa é uma iniciativa conjunta do jornal "Expresso" e da empresa "Unysis", cuja primeira edição data de 1987. É um galardão concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que se distinga como protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida literária, artística ou científica do país. Reconhecido como o mais importante prémio atribuído em Portugal na área da cultura, o Prémio Pessoa inspira-se no nome do poeta português Fernando Pessoa e não pode ser concedido a título póstumo. O Professor José Mattoso foi o vencedor da primeira edição, em 1987, e entre os galardoados estão ainda os nomes da pintora Menez (1988), do poeta António Ramos Rosa (1989), da pianista Maria João Pires (1990), do arqueólogo Cláudio Torres (1991), do casal de investigadores Hannah e António Damásio (1992), do Professor Fernando Gil (1993), do poeta Herberto Helder (1994), do escritor Vasco Graça Moura (1995), do Professor João Lobo Antunes (1996), do escritor José Cardoso Pires (1997), do arquiteto Eduardo Souto de Moura (1998), do poeta Manuel Alegre e do fotógrafo José Manuel Rodrigues (1999), do compositor Emmanuel Nunes (2000), do crítico e historiador de cinema João Bénard da Costa (2001), do Professor de Anatomia Patológica Sobrinho Simões (2002),  do jurista e Professor Gomes Canotilho (2003). Foram ainda premiados: Mário Cláudio (2004), Luís Miguel Cintra (2005), António Câmara (2006), Irene Flunser Pimentel (2007), João Luís Carrilho da Graça (2008), D. Manuel Clemente (2009) e Maria do Carmo Fonseca (2010).

Por ocasião da entrega do Prémio Fernando Pessoa a Eduardo Lourenço, a SIC organizou três mesas redondas com alguns destes premiados. Neste vídeo, só temos uma pequena amostra do que será uma emissão televisiva a não perder. De tempos a tempos, gosto da televisão portuguesa!

17.4.07

As mãos

Gonçalo Bènard
2003



Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

Obrigada, Pedro!

14.12.05

Amália Rodrigues


Demorei anos até gostar mesmo dela. Acho que foi por excesso de portugalidade. dela. Mas depois chegou o tempo das primeiras audições despidas de preconceitos. Ouvir pela primeira vez um fado que já ouvira milhares de vezes. Ai Mouraria da velha rua da Palma onde eu um dia deixei presa a minha alma... Ai Mouraria do homem do meu encanto que me mentia mas eu adorava tanto. E mesmo sem tristeza ou fado no coração, a voz grave e aqueles volteios fizeram o seu efeito. Comprei o primeiro álbum na era dos cd's, Estranha Forma de Vida.

E então fixei vários, muitos fados, e alguns fados-canção. Aqui, podereis ouvir
Fado Português (oferenda de um marinheiro). Que estando triste cantava. Esse verso é tão bonito. ou Ai que lindeza tamanha. Falo das palavras e do acorde a saber a choro. Confesso que este poema de José Régio não me agrada no todo, e (quase) fugimos do tempo desta portugalidade. Mas a forma como Alain Oulman o musicou e a mestria da fadista tornam-no delicioso. Mas Amália cantou David Mourão-Ferreira, Alexandre O'Neill, Pedro Homem de Melo, Ary dos Santos, Manuel Alegre... excelentes poetas, que escreveram já a pensar na sua voz.

Os meus fados favoritos são os de Alberto Janes. Cheios de fatalismo (Foi Deus) ou de brejeirice popular (Vou dar de beber à dor), adoro cantá-los com Amália. Foi no domingo passado que passei à casa onde vivia a mariquinhas mas está tudo tão mudado.... Mas para me verem parar a sentir cada batida, ponham-me o Barco Negro (de Caco Velho-Piratini-David Mourão-Ferreira). Acordei tremendo deitada na areia. Mas logo os meus olhos disseram que não e o sol penetrou no meu coração... e o teu barco negro dançava na luz. Vi teu braço acenando entre as velas já soltas. Dizem as velhas da praia que não voltas. São loucas! São loucas!