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30.7.12

"Você é feliz?" [Cinema-verité]

Sai documento histórico. Crónica de um Verão (1961) de Edgar Morin & Jean Rouch.

Observação: para assistir com LEGENDA em PORTUGUÊS, active LEGENDA "cc" no canto inferior direito do vídeo.



«Il y a deux façons de concevoir le cinéma du réel : la première est de prétendre donner à voir le réel ; la seconde est de se poser le problème du réel. De même, il y avait deux façons de concevoir le cinéma-vérité. La première était de prétendre apporter la vérité. La seconde était de se poser le problème de la vérité
Edgar Morin

1.6.12

História contada a uma criança

Do prefácio: «(...) O jovem professor de física e química, com interesses intelectuais muito mais vastos, era pai de uma criança de sete anos acabada de entrar na escola primária. Foi esse filho o destinatário...».

Como presente da minha comunhão solene, recebi uma Bíblia Ilustrada, o livro "O Porquê das Coisas" e "As Origens de Portugal", entre outros presentes que esqueci. Li, reli estes três
livros imensas vezes. Há poucos anos, descobri que o meu primeiro grande livro de História tinha sido reeditado pela Calouste Gulbenkian. É uma edição muito cuidada e belíssima. Foi a vez das minhas duas filhas receberem o seu primeiro grande livro de História. Infelizmente, esta História de Portugal termina cedo, com Afonso II. Cá em casa, houve muitas noites de leitura, à medida que elas avançavam na matéria de História na escola, e na medida do sono que tardava sempre a chegar. A ideia de que um pai tinha escrito aquela História para o filho, um menino da idade delas, ajudou a encarar a grandeza do livro. E depois, o autor tutua, o que facilita o diálogo. Logo no início, houve uma grande discussão a propósito destas afirmações: "Tu és português porque nasceste em Portugal. O teu pai e a tua mãe também nasceram em Portugal...". É que nenhum dos pais (delas) nasceu em Portugal. Se o Rómulo de Carvalho soubesse isso, teria escrito outra coisa... só para elas.

Feliz dia para as nossas crianças!

22.5.12

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #3


Antes de continuar, ainda com Aimé Césaire, deixo a sugestão de uma obra que reune diversos artigos centrados em 3 grandes temas: literatura de viagens, multiculturalismo e pós-colonialismo. O título da obra: "The paths of multiculturalism : travel writings and postcolonialism : precedings for the Mossel Bay Workshop of the XVIth Congress of the International Comparative Literature Association" (Lisbon : Cosmos, 2000). Os autores são especialistas de diferentes países de cada continente. Devo dizer que a leitura foi bastante estimulante, permitindo estabelecer pontes entre diferentes conceitos__ e diferentes escritores....

Deixo como exemplo um fragmento do artigo de Peter Merrington, «A staggered orientalism: the Cape-to-Cairo idea»:

"
For Hegel, Africa had no history. (...) He makes an exception, however, for two sites on the Mediterranean seabord of Africa - Phoenician Carthage, and Egypt. (...)
Numerous authors writing of the Cape in the decades of the «new imperialism», roughly from 1870 to the 1920s, imitated this Hegelian structure, in historical speculation, in travel writing, and in fiction
.» [p. 105]

Bem, há um autor português que cabe inteiramente nesta afirmação. Pensem em Eça de Queirós (
De Port Said a Suez, 1869; A Relíquia ,1887; O Egipto ,1926, póstumo).

 A obra que referi teve como coordenadores Maria Alzira Seixo, Graça Abreu, Linda Labuschagne e John Noyes.

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #2

A Negritude transforma-se num movimento literário, afro-franco-caribenho (a partir do início da década de 1930) baseado na concepção de que há um vínculo cultural compartilhado por africanos negros e seus descendentes onde quer que eles estejam no mundo. O termo "negritude" apareceu provavelmente pela primeira vez no poema de Aimé Césaire, «Cahier d'un retour au pays natal» (1939).


Aqui, link para prefácio da edição de 1947 de "Cahier d'un retour au pays natal", escrito por André Bréton.

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #1

Depois de tanto degustar, ocorreu-me sugerir algumas leituras. São vários os autores. Começo por FRANTZ FANON (1925-1961), psiquiatra, militante pela independência da Algéria no FLN, nascido na Martinica e autor de uma obra histórica no que diz respeito à resistência anti-colonialista:

  • Pele Negra, Máscaras Brancas (1952)
  • L'An V de la révolution algérienne (1959)
  • Os Condenados da Terra (1961)
  • Pela Revolução Africana (1964)

Tenho nas mãos "Les damnés de la terre" (prefaciado por Jean-Paul Sartre). Fanon centra-se na psicopatologia da colonização [na origem: «le monde colonial est un monde compartimenté (...) est un monde coupé un deux, habité par des espèces différentes.»] e na questão das identidades nacionais [«la culture nationale est, sous la domination coloniale (...) condamné à la clandestinité»]. No início dos anos 60, a literatura de combate, associada ao conceito de negritude seria a única válida para formar consciências.


14.5.12

Mesas redondas difíceis de encontrar

«O Prémio Pessoa é uma iniciativa conjunta do jornal "Expresso" e da empresa "Unysis", cuja primeira edição data de 1987. É um galardão concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que se distinga como protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida literária, artística ou científica do país. Reconhecido como o mais importante prémio atribuído em Portugal na área da cultura, o Prémio Pessoa inspira-se no nome do poeta português Fernando Pessoa e não pode ser concedido a título póstumo. O Professor José Mattoso foi o vencedor da primeira edição, em 1987, e entre os galardoados estão ainda os nomes da pintora Menez (1988), do poeta António Ramos Rosa (1989), da pianista Maria João Pires (1990), do arqueólogo Cláudio Torres (1991), do casal de investigadores Hannah e António Damásio (1992), do Professor Fernando Gil (1993), do poeta Herberto Helder (1994), do escritor Vasco Graça Moura (1995), do Professor João Lobo Antunes (1996), do escritor José Cardoso Pires (1997), do arquiteto Eduardo Souto de Moura (1998), do poeta Manuel Alegre e do fotógrafo José Manuel Rodrigues (1999), do compositor Emmanuel Nunes (2000), do crítico e historiador de cinema João Bénard da Costa (2001), do Professor de Anatomia Patológica Sobrinho Simões (2002),  do jurista e Professor Gomes Canotilho (2003). Foram ainda premiados: Mário Cláudio (2004), Luís Miguel Cintra (2005), António Câmara (2006), Irene Flunser Pimentel (2007), João Luís Carrilho da Graça (2008), D. Manuel Clemente (2009) e Maria do Carmo Fonseca (2010).

Por ocasião da entrega do Prémio Fernando Pessoa a Eduardo Lourenço, a SIC organizou três mesas redondas com alguns destes premiados. Neste vídeo, só temos uma pequena amostra do que será uma emissão televisiva a não perder. De tempos a tempos, gosto da televisão portuguesa!

25.4.12

Donos de Portugal


Donos de Portugal from Donos de Portugal on Vimeo.

Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.

Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.

No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.

Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves.

A estreia televisiva teve lugar na RTP2 a 25 de Abril de 2012. Desde esse momento, o documentário está disponível na íntegra em
donosdeportugal.net.

Donos de Portugal é baseado no livro homónimo de Jorge Costa, Cecília Honório, Luís Fazenda, Francisco Louçã e Fernando Rosas, editado em 2011 pela Afrontamento e com mais de 12 mil exemplares vendidos.

9.3.12

THE KHAN ACADEMY

É um site fantástico para estudantes e curiosos de todas as idades (desde que compreendam a língua inglesa). Eu ando a ver, aos poucos, as lições audio-visuais de História da Arte. É um deleite (e um vício).

Se gostarem de biologia, matemática ou economia, correm o risco de se tornarem igualmente fãs...

«With a library of over 3,000 videos covering everything from arithmetic to physics, finance, and history and 317 practice exercises, we're on a mission to help you learn what you want, when you want, at your own pace.»

11.12.11

48

O que pode uma fotografia de um rosto revelar sobre um sistema político?
O que pode uma imagem tirada há mais de 35 anos dizer sobre a nossa actualidade?
Partindo de um núcleo de fotografias de cadastro de prisioneiros políticos da ditadura portuguesa (1926-1974), "48" procura mostrar os mecanismos através dos quais um sistema autoritário se tentou auto-perpetuar durante 48 anos. Depois de Natureza Morta - Visages d'une Dictature (filme galardoado a nível internacional e exibido em festivais e mostras em cinco continentes), Susana de Sousa Dias volta a centrar-se na época do Estado Novo, utilizando um dispositivo cinematográfico inovador. Numa altura em que a temática da tortura atinge uma nova actualidade a nível mundial, "48" leva-nos a reflectir sobre o legado português nesta matéria e sobre as suas consequências nos dias de hoje.

4.11.11

Cantigas Medievais Galego-Portuguesas


Boa nova! Foi criado este novo site onde poderão ler 1700 cantigas medievais galego-portuguesas, ver os respectivos manuscritos, ouvir mais de 300 versões musicais das mesmas, de compositores e intérpretes tão heterogéneos como Lopes Graça, Frederico de Freitas, José Mário Branco, D. Dinis, Amália, etc.. O trabalho científico foi da Profª. Graça Videira Lopes. Responsável pela área musical: Manuel Pedro Ferreira. Programação do site: Pedro Diniz Sousa.

11.9.11

uma provocação insuportável a um Estado que se tinha por quase inexpugnável


«O 11 de Setembro não foi, simplesmente, um ato terrorista que vitimou uns milhares de pessoas. Foi uma provocação insuportável a um Estado que se tinha por quase inexpugnável e para o qual, um ato deste tipo, colocava em causa a sua própria imagem como orgulhoso poder incontestado à escala global. E não deixa de ser importante lembrar, uma vez mais, para se perceber a sequência do que sucedeu depois, que os Estados Unidos viviam já sob uma nova administração, onde prevalecia uma liderança muito ideológica, com uma clara componente “jingoísta” (uma expressão que não parece existir em português mas que o Oxford English Dictionary refere como “extreme patriotism in the form of agressive foreign policy”).»

Ler texto completo, correspondente à intervenção de Francisco Seixas da Costa na conferência “11 de Setembro: um mundo diferente?”, organizada pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, no Grémio Literário, em Lisboa, em 12 de abril de 2011.

The losses of 9/11 by numbers

A decaying photo on a decaying plywood wall, perhaps one of the last family memorials remaining in Manhattan, 10 years after Sept.11. Photo The New York Times

Salvador Allende



«Seguramente ésta será la última oportunidad en que pueda dirigirme a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Postales y Radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura sino decepción Que sean ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron: soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino, que se ha autodesignado comandante de la Armada, más el señor Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al Gobierno, y que también se ha autodenominado Director General de carabineros. Ante estos hechos sólo me cabe decir a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que hemos entregado a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.

Trabajadores de mi Patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley, y así lo hizo. En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección: el capital foráneo, el imperialismo, unidos a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara el general Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.

Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la abuela que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la Patria, a los profesionales patriotas que siguieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clases para defender también las ventajas de una sociedad capitalista de unos pocos.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente; en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo lo oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de quienes tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.

Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz ya no llegará a ustedes. No importa. La seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la Patria.

El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
Trabajadores de mi Patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.»

5.10.10

A República começou antes de o ser e a Monarquia ainda é uma pose.

António José de Almeida em São Tomé e Príncipe, 1896-1903

[Não percam a exposição que o Museu da Presidência da República promove com as fotografias oficiais e oficiosas de todos os nossos PR. Esta foto pertence ao espólio do MPR.]

1.3.10

Colegas de liceu


___ um filme de Diana Andringa. Mais recentemente, a jornalista e realizora apresentou DUNDO, MEMÓRIA COLONIAL.



Dundo vai chegar a Aveiro. com Diana Andringa. No dia 24 de Abril. reflectir sobre o silêncio na memória colectiva. Silêncio. em Abril. Schiuuu...

5.10.09

Há 100-1 anos

Governo Provisório de 5 de Outubro de 1910 a 30 de Setembro de 1911

Teófilo Braga (Presidente), António José de Almeida (na pasta do Interior, antigo ministério do Reino); Afonso Costa (na Justiça e Cultos); José de Mascarenhas Relvas (nas Finanças); Bernardino Machado (nos Estrangeiros); António Luís Gomes (no Fomento); coronel António Xavier Correia Barreto (na Guerra); comandante Amaro Justiniano de Azevedo Gomes (na Marinha).


Para ler: Decreto de 31 de Dezembro de 1910, com força de lei, que regula a posse pelo Estado dos bens das extintas corporações religiosas.