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12.12.11

Concurso de Natal 2011- Camelos do Presépio

A notícia é perturbadora mas não surpreendente. Na passada semana, Maria e José já haviam alertado sobre a possibilidade de Belchior, Baltasar e Gaspar terem fugido para parte incerta. Os três reis, pressionados no sentido de distribuir mais equitativamente os presentes de Natal e temendo certamente a vaga de tumultos que alastra por todo o Médio Oriente, poderiam não satisfazer a vontade bíblica. Os pais do futuro messias (que se chamará Jesus) transmitiram a sua preocupação aos jornalistas que os acompanham no trajecto em direção a Belém, afirmando: "Sem incenso e mirra passamos bem, mas sem ouro não nos aceitam nem na Cisjordânia!"
Hoje foi divulgada uma fotografia dos reis alegadamente em fuga. Um beduíno terá captado a imagem no sudoeste da Síria, próximo do oásis Palmira, o que poderá indicar que os magos se encaminham para o Irão. O presidente Ahmadinejad já informou a ONU que o seu país dará abrigo a Baltasar, mantendo reservas relativamente a Melchior e Gaspar.

Os camelos do Gaspar e do Baltasar, alegadamente em fuga pelo deserto

Dadas as circunstâncias, tememos que o Concurso Camelos do Presépio, evento de grande significado organizado pel' A Barbearia do Senhor Luís, só possa contar com esta panorâmica traseira e parcial.
Deixo votos de Feliz Natal para o organizador e para todos os concorrentes admitidos, na esperança de que unidos consigam(os), pelo menos, resolver o mistério que a imagem levanta:  onde está o traseiro do camelo do Belchior, também conhecido por Melchior ou Melquior?

11.7.09

Câmara lenta (não é a municipal)


Cinco situações da minha vida dignas de passarem em câmara lenta... O desafio veio de outro planeta e soa-me a poemas sem palavras, como abraços imensos de mãe ou de filhas pequeninas a fazerem muita força para doer e afinal é apenas tão bom, e elas sabem mas não dizem que sabem que é tão bom... e por isso eu que ando distante para tantas coisas como estes desafios que são a maneira que os grandes inventaram de dizer que não se esqueceram de nós (apesar de poucos alguma vez nos terem olhado nos olhos), (o que me parece tonto e outras vezes comovente)..., eu já estou a rebobinar momentos em câmara lenta a ver se fixo algum para oferecer. ela. eu conheço. ofereceu-me um livro mal me viu e tenho saudades das vezes em que não estivemos juntas.

em câmara lenta...


  • no primeiro dia de escola. que era também o dia em que fazia 6 anos. o corredor era imenso e pareceu-me escuro. os passos ressoavam mas eu sentia que flutuava. todos os gestos eram demasiados rápidos. eu seguia lentamente os gestos e não os apanhava. sentaram-me na fila da frente e houve um momento em que olhei para trás e pareceu-me que estava num palco. o público era uma massa indistinta. então fechei os olhos e pensei na terra que era ainda minha e que ficava em África. eu nem me despedira dela. por não saber o que queria dizer "voltar ao puto". o "puto" tinha uma cor triste e cheirava mal. tinham passado apenas dois meses. eu não apanhava os gestos. eu não sabia onde estava. eu só queria reaver a minha terra.


  • a vizinha à janela. chama por mim, muito doce. diz: rosarinho, nasceu o teu irmão. o hospital ficava a um quarteirão da casa e eu conhecia-o por dentro. cheguei lá primeiro que eu. o meu primeiro bebé, de cabelo em pé.


  • um final de tarde. a minha irmã pôs a cassete no gravador. e então ouvi: Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim/Não me valeu/Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!/O resto é seu/Trocando em miúdos, pode guardar/As sobras de tudo que chamam lar/As sombras de tudo que fomos nós/As marcas de amor nos nossos lençóis/As nossas melhores lembranças/Aquela esperança de tudo se ajeitar/Pode esquecer/Aquela aliança, você pode empenhar Ou derreter... Ah e mesmo se a minha aliança era um fio muito fininho de prata que ele me ofereceu quando fizemos um mês de namoro... (o que aliás me fez ser tão gozada pela minha irmã). tinha acabado. e o Chico Buarque, que eu não conhecia, que eu nunca ouvira, surpreendentemente, naquele dia, cantava só para mim. acabámos muitas vezes. acho que essa nem foi a última vez. mas lembro-me de como fiquei imóvel. ainda fico, quando o ouço. ao Chico!


  • temos vinte anos. na cidade, o verão chegou de repente em março. e decidimos contar o dinheiro: dava para apanhar um autocarro e ir acampar alguns dias no algarve. apanhámos a "linha" mais portuguesa de Portugal. na carripana, uma senhora à nossa frente tinha um pintainho de estimação a quem dava beijinhos e cornetos da Olá. os dois foram todo o tempo a debicar gelados. como não tínhamos lanche, um casal de velhotes decidiu alimentar-nos. comeinde! lembro-me de uma fatia enorme de pão saloio com pedaços gordos de chouriço. e depois houve um momento em que fechei os olhos e senti-me segura como em minha casa. eu já estava apaixonada por ele. mas voltei a apaixonar-me.


  • e agora temos 40 ou falta pouco e aterrámos num sonho de há muito tempo. um vento muito frio corta o ar. envolvemo-nos em cachecóis, luvas e gorros mas continuámos com o corpo em estado de alerta. já nevou. as ruas, as casas, dentro das casas, há decorações de natal. e de repente, chegámos àquele lugar. stop. Times Square. pasmar: olhar para os arranha-céus cintilantes, cintilantes, aqui, ali, este, outro reclamo, teatros, as notícias, nasdaq, megastore, teatros, megastore, vendedores ambulantes, cavalos, táxis amarelos, vummmmmmmmmmm. impossível seguir os movimentos. mas foi tão bom parecer um boi a olhar para um palácio!


e agora, vejam em câmara lenta estes momentos. ou estes. e estes. ou estes. e ainda estes. clic. off.

lá em cima, uma pequena bailarina dança em frente a um quadro (detalhe) de Julião Sarmento no Teatro Aveirense. também é para ver devarinho: o quadro.

7.3.09

Intimidade

Ontem revi Intimidade de Patrice Chéreau (viram este filme?). A dada altura Claire diz «estou a chorar a morte de uma pessoa» e depois esclarece: «fui eu que morri». Outro personagem responde: «ah, eu morri há muitos anos! sabes que no dia em que morremos temos o privilégio de poder finalmente dizer o que nunca dissemos? o que queres tu dizer, que nunca tenhas dito a ninguém?»


É uma pena deixar essas palavras para o último dia. mesmo que se possa morrer e renascer muitas vezes. Por isso vou dizer-vos uma coisa.
É importante saberem que foram as minhas filhas, então com 5 anos, idade em que se nasce quase todos os dias, que, depois de alguma discussão, chegaram a esta fórmula. Pode bem ser que me lembre dela num dos meus últimos dias e que me apeteça então repeti-la. "Quando morrer quero morar no céu abaixo das nuvens, para continuar a ver as pessoas de que gosto. mesmo que fique toda molhada quando chover".


Vocês querem dizer alguma coisa que nunca tenham dito a ninguém?

3.3.08

Palavras VI

Chamo:
-
Anfilófia! Genoveva!

Palavras V


Deliciosamente em surdina:
“Sei, agora, que uma nave espacial o tinha entretanto transportado para outra galáxia (...) onde palavras como óculos, relógio, cama, não tinham préstimo ou sentido, e onde, para designar todos os objectos conhecidos, e os mais que havia ainda por inventar, se aplicava o neologismo extraordinariamente eufónico que V. criara: «simoso».”
(espécie de prefácio de João Lobo Antunes ao livro “De Profundis, Valsa Lenta” de José Cardoso Pires)

Palavras IV

Destreza sem dúvidas:
(a ordem não é aleatória): (1) Encontro, (2) Sandra, (3) Amor, (4) União, (5) Despedida, (6) Ithaca, (7) Distância, (8) Regresso, (9) Juntos, (10) Recomeço, (11) Projecto, (12) Vida.

26.2.08

Palavras III

O fetichismo da mercadoria é o fenómeno pelo qual, na produção capitalista, a mercadoria serve de suporte às relações de produção entre os homens, dando assim a impressão de que as relações sociais de produção são relações entre coisas.

Esta teoria foi criada por Karl Marx. O termo aparece em O Capital (1867), substituindo a Teoria da Alienação que Marx elaborara na sua juventude.

Sem saber, Marx introduzia conceitos que seriam também precursores de uma nova ciência, a semiologia.

Palavras II

(...)
hoje
dentro deste corpo que sentia cansar
pude colidir com o adormecimento que me chama
pude ver meus olhos viajantes
tornarem-se estrangeiros em mim;
e a agressão de um riso,
intenso,
promover-se embriagado
por entre desejos silenciados

(...)

Luis F. Simões

Palavras I


Nudibrânqueo _____ “brânquias a descoberto”, no Cabo dos Ventos.

21.2.08

Palavras aos molhos

Jean Sébastien Monzani
The Still Travelers

Uma nova corrente e, via Absorto, sou apanhada. Doze palavras preferidas.

Lembrei-me
da VIDA secreta das palavras e tive SAUDADES de uma AMIGA. Naquele dia, disse logo: ALGODÃO. e é VERDADE. Algodão é uma palavra bela. e deve haver uma razão__ ou várias, para que esta palavra, e não outra qualquer, tenha saltado logo do topo da minha mente (em inglês, top of mind, é uma expressão que me agrada; em português não é muito musical). é verdade que se chama por ela facilmente: [á]____lgodão. olho outra vez para a palavra. vou olhar imensas vezes para descobrir sentidos____ os que me são familiares e outros estranhos que aparecem sempre que olhamos muito para uma coisa. al__godão alkutum é árabe e gosto do Bi Kidude, rei do taarab. a generosidade de algo__dão contraria o vício capitalista de estimar um preço para tudo. quem dá vai ser____ a senhora da roulotte no parque de diversões, às escondidas do marido que pede 5 euros por algodão azul, rosa ou branco. doce. tenho cinco anos e lambuzo-me de algodão. e trinta anos depois, também. estico o algodão, arranco um pedaço enorme e meto-o na boca. as cores são as da infância. a roupa dos meus bebés. e os tecidos! laváveis a mais de 30°, hipoalergénicos, saudáveis. mas esses não são doces, são macios. estes e os que desmaquilham e lavam feridas.
o que há de universal no algodão: em todos os sentidos da palavra, estica-se na mão. depois de deixar de ser semente. desde a colheita. sendo certo que é melhor evitar falar das plantações. o passado do algodão é negro de escravidão, o presente é transgénico! por outro lado, se o algodão é História, o algodão é rico. oh, nada desvirtua a beleza da palavra! cor, sabor, textura, filamento de sentidos que não se desvanecem com este saber em rama.


Mas, palavra por palavra, hoje, prefiro MILAGRAR, que é uma invenção do poeta Manoel de Barros neste poema:

Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia de formiga e musgo - elas
podem um dia milagrar flores.

(Os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)

Também as latrinas desprezadas que servem para ter
grilos dentro - elas podem um dia milagrar violetas.

(Eu sou beato em violetas.)

Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam
a Deus.
Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!

(O abandono me protege.)


Teorizar: o meu gosto pelas palavras também varia consoante o seu estado: sólido, as que lemos; em processo de solidificação, as que escrevemos; gasoso, as que lançamos ao ar e mais ou menos lentamente se desintegram; líquido, as que fluem em conversas com amigos, amantes, filhos.

MILAGRAR, por exemplo, é palavra sólida. SUSTO também. Os imperativos líquidos divertem-me, são teatrais: Vá, VAI! MACIO gosto em estado gasoso. dizer, ouvir MACCCIO. às vezes não gosto: quando o ccc se aproxima do zzz. Gosto de VOZES. As vozes condicionam o meu gosto pela palavra. Uma palavra pode ser bela e tornar-se feia, ou vice-versa, consoante o seu estado e o seu emissor. Enfim, COMPLICO (palavra sólida e gasosa)! que as há neutras, quase transparentes, como CORES (sem adjectivo nem especificação). ou carregadas de sentido e sofrimento, como TRISTE. e gosto delas.

É claro, as palavras que preferimos são as que (nos) provocam EMOÇÕES. Agora mesmo, em estado sólido, deparei-me com esta sequência: "mamã doime o ouvido esquerdo". E desfaleci de AMOR e de culpa porque não estava no lugar certo no momento certo (odeio CERTO).

[não foi por desgostar de DOZE que acabei por eleger 14 palavras]

A CORRENTE (não gosto em nenhum estado, mas submeto-me: é o poder da palavra!__ os visados podem tentar resistir) passa para:
A destreza das dúvidas - A Ilusão da Visão - A Senhora Sócrates - A Vida O Amor e as Vacas - Bandida - Cabo dos Ventos - Deliciosamente em Surdina - Divino Senão Fosse Humano - E-Konoklasta - Expresso do Oriente - Elypse - Luminescências - O Rasto dos Cometas - Plan(o)alto - Zumbido

[o número que eu mais gosto é 15. até chorei quando fiz 16 anos. juro! (termino com uma palavra que evoluiu, está cada vez mais cómica)]

12.2.08

de Elite


O José Manuel Dias do COGIR nomeou o Divas um "Blogue de Elite" e eu quero agradecer-lhe a bondade____ porque e apesar: porque ele exagera e apesar de nem todas as elites serem recomendáveis.

Como me parece que estou a falar com um conterrâneo, e ando em maré de presentes fotográficos, ofereço-lhe uma série de bugas parisienses___ com a nota de que o conceito chegou cá primeiro, em Paris é novidade. Enfim, tínhamos tudo para ser uma cidade de elite... (já me calei).

Mas poderia um cinéfilo recusar tão gentil pedido!

LA, obrigada pela resposta. Poderia um cinéfilo recusar tão gentil pedido! É verdade que, no que me diz respeito, sou péssima a responder a desafios blogosféricos... mas olha, não é por falta de amizade.
Há uns tempos, em Salamanca, tirei esta foto a pensar em ti. Lamentavelmente, não posso enviar-te os churros que se comiam neste estabelecimento. Também não é coisa que te faça bem à saúde, mais vale a certeza de que o cinema anda por aí à solta e até se serve às mesas. O FAMAFEST e o CINE ECO, que diriges, são mais uma prova. Haja apetite para as centenas de filmes oriundos de todo o mundo, com as mais diversas linguagens e temáticas, disponíveis nos menus que elaboras tão bem. Cinéfilo e maître au cinema (sim, porque na cozinha é só de ouvir dizer), poderias lá recusar o meu pedido! É um nada face ao labor que exige a organização destes festivais de cinema! Cá em Aveiro, aproxima-se a extensão do Cine Eco 2007; em Famalicão, o Famafest 2008. Haja apetite!


19.10.07

Corrente da página 161 e outras


Eduardo Graça, do Absorto, não sabe que eu estou em falta com alguns bloggers por causa desta coisa das correntes e pôs-me na roda. Faltam-me listar livros, filmes e mais uns desafios! Eu prometi responder e respondo, mas faço como o Estado em matéria de pagamentos: levo 60, 90, 120 dias. Ainda bem que os credores não precisam de mim para nada! O "meme" da página 161 exigiu poucos dos meus recursos, bastou estender o braço, e por isso foi mais difícil adiar. A lógica é a seguinte:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.

Vamos a isso:
1ª) Máscaras de Salazar de Fernando Dacosta, Casa das letras, 22ª edição, 2007 (1ª edição em 1997)

2ª/3ª/4ª) Vou ter que recuar à página 160, para poderem compreender o sentido do extracto. Na página 161 existem apenas sete linhas que são a conclusão de um grande parágrafo.

"As famílias pobres tornaram-se as primeiras a empurrar os filhos, sobretudo rapazes (não engravidam, não dão nas vistas), para a rua. «Mais de 6000 jovens prostituem-se, às claras, em Lisboa. Tendo cada um nove clientes, em média, veja-se a dimensão do problema», anota-me o responsável por um centro de assistência a adolescentes em crise. (...)
Havia um frenesim de sensualidade e neurose na Lisboa do final do fascismo, como havia na do final das Descobertas. O número dos que tinham vidas duplas disparava.
Alguns dos que se prostituíam procuravam nos que os procuravam o pai, a mãe, inexistentes. Era, aliás, frequente terem clientes certos, com quem criavam laços de amizade, de afecto, de protecção, de confidência. A parte afectiva surge com mais frequência do que se supõe. E nas circunstâncias mais inimagináveis.
Salazar sabia que esse era o cimento secreto da união nacional dos portugueses - que nada tinha a ver com a União Nacional do regime. Por isso jamais se atreveu a intrometer-se-lhe."

5ª) Este é o livro que ando a ler e ainda não tinha chegado a esta passagem. Fiquei surpreendida com a violência do que é exposto. Por agora, familiarizo-me com a fidelíssima D. Maria de Jesus e com a filosofia de vida privada e pública do presidente do Conselho.


6ª) Cinco novos seleccionadores de página:


Os meus credores de correntes (para lhes dar a oportunidade de equilibrar a balança de pagamentos de correntes): Bilhas, o bom da fita; Maria Eduarda Colares, que detesta sopa; Carlos Araújo Alves, do Ideias Soltas, que acaba de abrir um Forum para debate da Educação Artística (e todos estão convidados a participar!).

E ainda: A Elisa, de Um dia a menos para a morte e o João Ventura, autor de O que cai dos dias.
Todos têm uma sensibilidade artística e humana fora de comum. Que livros terão em cima da mesa?

[Fotografia de Jean Sébastien Monzani]

30.5.07

Horrores do Afinador

Depois do Livro que continua à espera dos vossos Princípios, do inteligente Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz que já chegou aos sem cem, O Afinador de Sinos lançou a Casa dos Horrores. O melhor pior é que estas casas são mais familiares que estranhas!

(...) A polícia organizou uma demonstração de como deve a população reagir em caso de sequestro dentro de um autocarro. Alguns polícias faziam de sequestradores, populares faziam de utentes, os restantes polícias faziam de si próprios. O exercício iniciou-se e uma metralhadora começou a disparar balas verdadeiras.(...) [aqui]

17.5.07

O Livro dos Bons Princípios continua depois do adeus


Talvez não tenham chegado ao último parágrafo, mas deixei-vos lá um convite, em meu nome e em nome do Afinador de Sinos. A proposta é a seguinte: depois dos nossos 50 Princípios de romances, sejam agora vocês a milagrar inícios tramas enredos que estimulem a imaginação dos leitores e os levem, quiça, a continuar a história.

A Ivamarle foi a primeira a responder ao desafio. O início do seu texto é assim:

"De repente estacou, ao aperceber-se que caminhava como quem tem pressa. Que disparate, pressa de quê ou para quê? Nem os seus dias tinham pressa, passavam devagar e pausadamente; ele sempre achou que destoava do resto da multidão, precisamente pela calma dos seus passos."

Para o ler do princípio até ao fim-que-não-o-é, já sabem, devem ir à página 51 do Livro.

14.5.07

Meme

Uma Simples Cubata levou-me a ler umas coisas sobre memética... ao desafiar-me para reproduzir um meme. Pois bem, um meme é aquilo a que eu chamava gene cultural (termo que inventei ou me ocorreu de imediato ao ler a auto-biografia da Filomena Mónica).

O elemento ambiental do meme é, por norma, outro humano, a partir de quem a informação de um certo comportamento é obtida e imitada, mas também existem ambientes inanimados geradores de memes. Estas fontes inanimadas de informação são designadas pelo termo "sistemas retentores", e é esse o caso dos livros ou dos blogues.

Isso quer dizer que, de forma mais ou menos consciente, os visitantes do sistema retentor Divas & Contrabaixos têm andado a captar "ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma", desde Novembro de 2004, data de início do blog. ---- o que me parece uma boa razão para não propagar agora nenhuma ideia potencialmente memética.

--- mas como estou com dificuldade para me despedir do universo de Teolinda Gersão, de quem li quase toda a obra recentemente, vou deixar uma citação, que traduz bem a minha ideia da História das civilizações--- e da pequena história de cada um:

"Precisávamos de tempo mas o tempo cercáva-nos, cada pedra começava milénios atrás e tudo, segundo o guia, era digno de menção e de memória."

Fragmento de Roma, in A Mulher que Prendeu a Chuva de Teolinda Gersão
Sudoeste Editora, Março 2007



Devo passar o desafio a outros seis blogues--- que nos-transmitem-excelentes-memes-todos-os-dias (pelo que nem espero resposta)(convidar e desobrigar de imediato também é um comportamento memético emergente): [Correio Eletrônico], O que cai dos dias, Roubarte, Rendez-vous (CSD), Tabacaria, Voz Oblíqua,

19.1.07

Desafio no Ministério

FORMAS, DEGRAUS, ÁGUA, ESPELHO, SEXO, MORTE, PELE, ECO, RETALHOS, AUDÁCIA, TELA, NEGRUME, CAFÉ, GESTOS, NORTE, VOZ, VIDA, PEDRA, SENTIDOS.

Nunca uma ordem ministerial foi tão poética. Apetece mesmo cumprir!

Todas as formas que a saudade veste, os retalhos da vida que ela vai buscar, os gestos, os medos, chegam até mim, como se os arrancasse à tela.
Passei de lado, atrás das colunas, adivinhando algo que me trouxesse o eco da tua morte. Mas depois um esgar. E era um espelho. Os degraus que subi, um a um, eram já uma ponte. Ouvi água correr em todas as direcções. E talvez a tua voz.
Estou diante da tela. E então sei que por um momento, por um prolongado momento, os teus sentidos se amotinaram, quebraram a pedra que te deu consistência e norte e que, afastado o negrume, libertaste gota a gota a pele que cheirei e toquei. Respiro-te, e naquele canto onde pintaste a mancha castanha, há um odor a café e torradas pela manhã. Ali, à direita, os traços cruzam-se e suas raiva e trabalho. Mas aqui, frente ao meu peito, sabes a sexo e sussuros.
Voltei-me. Marca-me sempre a audácia que nunca tive. para rasgar-te todo.

11.1.07

Quando for grande quero ser...

Este é um TPC atrasado. Ele pediu mas fui deixando passar o tempo porque não sabia o que responder. Agora acabo de ver escritas estas palavras, "a arte do movimento sobre pontas", e decidi. Quero ser bailarina.

Quando eu era pequenina:


Quando eu for grande:


... mas também pode ser assim:

13.12.06

Poemas

O Blogue Poemas do Mundo lançou um concurso de poesia. Os amigos do Escritor Famoso e da escrita estão a par desta iniciativa? Até 15 de Dezembro, podem enviar os vossos poemas. Just do it!

16.9.06

Conversa da treta

Desafios são desafios e neste devemos escrever aleatóriamente seis coisas sobre nós, passando depois o testemunho a outros seis bloguistas.

1. Nasci no Dundo e ninguém nasce e abandona o lugar onde nasceu impunemente (quem é que dizia isto?). Quando em 1971 cheguei a Portugal, estranhei o país. Às vezes revivo essa impressão.
2. Por essa altura, lembro-me de que queria muito aprender a ler. Fixei, como uma fotografia, uma imagem em que estou sentada no colo do meu pai enquanto ele lê o jornal, na nossa sala que tinha as paredes verdes, e vou apontando as letras do alfabeto. Mas o que mais me fascinava era a rapidez com que os adultos falavam e a sua capacidade de dizer palavras difíceis sem hesitações. Os pivots dos telejornais eram os meus ídolos. Eles sabiam ler, fixavam tudo, e por isso tinham sido escolhidos para contar a toda a gente o que se passava de importante no mundo. Hoje, enquanto assisto às notícias penso muitas vezes que é só conversa da treta!
3. Entrei para a escola primária no exacto dia em que fiz seis anos mas, desse dia, a única imagem que guardo é a de um longo corredor, escuro, onde os meus passos ecoavam. Tudo o que me rodeava parecia mover-se em câmara lenta. Existem momentos, hoje, em que essa sensação se repete.
4. As minhas filhas, gémeas, têm seis anos, e eu sei que elas não vão esquecer o bruar da sua nova escola com quase trezentos alunos. No primeiro dia, uma delas, não conseguiu largar-me a mão. A outra aguentou o impacto mas, à noite, só queria colo. Eu também.
5. Quando estava grávida das minhas filhas encontrei a minha professora da primária e conversámos imenso. Disse-me que, menina, eu só falava quando tinha a certeza de que estava certa e que olhava para ela como se a contemplasse. Era boa aluna mas mas era difícil comunicar comigo. Hoje, não há nada que me dê mais prazer que conversar. Contudo, dou comigo muitas vezes a ter conversas da treta, pelo que perdi uma boa qualidade. Mas conservo o espanto e ainda há quem se queixe da reserva.
6. Depois de três dias de aulas, as minhas filhas estão mais confiantes. Uma delas, à saída da escola, disse-me que já sabia escrever, porque é isso que ela mais anseia (suspeito que os desenhos que tem feito não satisfaçam a pressa que tem de ser grande). A outra, que eu imaginava igualzinha a mim aos seis anos, surpreendeu-me. Trocando impressões com a sua professora fiquei a saber que, afinal, ela não é nada tímida, mas a alegria que a põe a saltar à minha volta no regresso a casa, diz-me que, lá no fundo, o que ela mais sente é alívio face à avaliação que supunha fosse acontecer quotidianamente na nova escola. Uma coisa é certa, gostaria que guardassem uma memória feliz deste tempo. Sabes, as recordações são uma espécie de claras em castelo. Bem batidas, muito firmes, fazem com que cresçamos bem. As minhas, envolvo em cremes doces, e às vezes sabem bem, outras vezes nem por isso... enfim, conversa da treta!


Passo a palavra aos blogues:
Não compreendo os homens
Não compreendo as mulheres
Farinha Amparo (Didas ou Rosarinho)
Meditassões do Jakim
mEIA vOLTa e...
Voz em Fuga