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16.6.09

BMW e um anúncio que vocês nunca viram



É claro, este filme foi rejeitado pela BMW. Well, they never saw it because they rejected the envelope that contained a copy of it... One day shoot with now famous Guillaume Lemay-Thivierge, around 2002. An idea from the twisted mind of TV writer Barclay Fortin. We did it just for fun...

Mas, quem quiser saber (muito) mais sobre a campanha BMW que levou à criação do Leão de Titanium em Cannes (2003), conduza até ao outro lado do oceano. Destino: Propaganda Interactiva.

15.6.09

D&AD, design art direction

A sociedade Design and Art Direction atribuiu um Lápis Amarelo ao Público, na categoria Magazine & Newspaper Design. No total, a D&AD entregou 50 Lápis Amarelos em categorias que vão de sites publicitários a instalações digitais, passando pelo design de produto. Mas foram entregues apenas quatro Lápis Negros, os mais cobiçados e raros prémios D&AD. Fui conhecer os produtos vencedores do Lápis Preto. O primeiro, na categoria Integrated, é Million, uma espécie de Magalhães do New York City Department of Education. Em 2008, a campanha Million já ganhara o Leão de Titanium em Cannes*.


Million | New York City - Cannes Lions 2008 por brainstorm9 no Videolog.tv.

Vejam o vídeo na íntegra, aqui.
TITANIUM LION - Cannes 2008
Title: MILLION
Advertiser/Client: NEW YORK CITY DEPARTMENT OF EDUCATION
Product/Service: EDUCATIONAL PROGRAM
Entrant Company, City: DROGA5, New York
Country: USA


O segundo Lápis Negro foi também para a Drogas5, na categoria Escrita: o filme chama-se «The Great Schlep» e visava captar votos judeus para Barack Obama. É protagonizado pela comediante Sarah Silverman e é delicious!



O terceiro Lápis Negro foi para uma escultura cinética exposta no museu BMW. Suspensas por fios praticamente invisíveis, esferas dançam soltas no espaço, numa coreografia aparentemente livre. No final elas formam a silhueta de um modelo já antigo da marca. Poético e muito tecnológico.


O quarto Lápis Negro foi para o designer Matthew Dent. No seu site, podem ver as novas moedas da coroa britânica e perceber o conceito do criador. I could imagine the coins being played with, looked at and enjoyed in a way which was foreign to coinage, and could imagine their appeal for kids messing with them in school as much as for folks in a pub.

Enfim, 4 lapinhos, muitas ideias e este parece um mundo mágico!


* O Leão de Titanium (Cannes) pretende premiar projectos inovadores e integrados, ou seja, que envolvam uma convergência dos media, algo que se está a tornar cada vez mais obrigatório para uma comunicação eficiente. Desde que foi criado em 2003, o Titanium tornou-se o prémio mais desejado e disputado do Festival de Cannes. A sua criação deve-se ao famoso e já clássico projecto BMW Films, The Hire. Para quem não se lembra, era uma série de filmes feitos por famosos directores de cinema, como Ridley Scott, John Frankenheimer, Ang Lee e John Woo, onde um modelo da BMW fazia sempre parte da história. A proposta não se enquadrava em nenhuma das categorias tradicionais do festival. Como todos os filmes ultrapassavam os 60 segundos, a BMW decidiu usar todos os meios de comunicação para convidar o consumidor a assisti-los na internet, criando aí a tal convergência.

4.6.09

Publicidade na Poesia #3

Henri Matisse
Decorative Figure on an Ornamental Background1925-26




Apenas Deus os teria contados

mas a publicidade aos produtos Bioscalin
garante inquietantes milagres capilares
e revela
são 130 mil os cabelos da nossa cabeça


José Tolentino Mendonça
in A Estrada Branca
Assírio & Alvim, 2005

2.6.09

Publicidade na Poesia #2

Mário Vitória, O Poder do Pigmaleão
Acrílico sobre tela - 150x150 cm - 2007


Eu, etiqueta

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de baptismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camisola, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu ténis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem — anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registadas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso dos outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
Da sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
Ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou — vê lá — anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objecto pulsante mas objecto
que se oferece como signo de outros
objectos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome rectifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente."

Carlos Drummond de Andrade
in O Corpo, Editora Record, 1984



Alguém conhece outros poemas abordando a temática da publicidade?

29.5.09

Poesia na Publicidade


Foram vários os poetas que trabalharam em Publicidade. Em 1928, a Coca-Cola entra no mercado português e Fernando Pessoa fica encarregado de criar um slogan para o produto: «Primeiro estranha-se, depois entranha-se». A bebida entranha-se mas a Direcção de Saúde entende que o slogan é o próprio reconhecimento da sua toxidade (enfim, a origem americana também era tóxica para o regime) e é proibida a sua representação em Portugal. Não obstante, o slogan quase se converte num provérbio. O mesmo acontece mais tarde com o famoso «Há mar e mar, há ir e voltar» de Alexandre O'Neill, encomendado pelo Instituto de Socorros a Náufragos. Mas, de O'Neill, desconhecia outros slogans, nomeadamente os que não foram aceites pelas agências ou anunciantes. Por exemplo, para a mesma campanha do ISN, teria havido a versão - «Passe um Verão Desafogado». Absolutamente divinal é o slogan que propôs para uma campanha da Bosch: «Bosch é Brom». Que pena o risco azul! Ou este, que não terá passado de uma brincadeira para o Metro de Lisboa: «Vá de Metro, Satanás».
Ary dos Santos também foi um famoso copy-writer: na memória ficou «Cerveja Sagres, a sede que se deseja» inventado em finais dos anos 1960.


Alguém conhece outros slogans criados por poetas/escritores portugueses?


Publicidade na Poesia #1

Mário Vitória, Anulamento
Acrílico sobre tela - 150x150 cm - 2008



Marketing

Aqui a meu lado o bom cidadão
escolheu Sagres
que é tudo tudo cerveja
a pausa que refresca
a longa pausa de um longo cigarro King Size.
atenção ao marketing.
Eu não gosto de cerveja
mas tenho de gostar que os outros gostem de cerveja
sobretudo da Sagres
para não contrariar os fabricantes de cerveja.
atenção ao marketing.

ninguém contraria os fabricantes da Opel e da Super Silver
nem os fabricantes de alcatifas para panaceias
nem as panaceias nem os códigos e os édredons macios
nem as mensagens de natal dos estadistas
nem os negociantes de armas da Suíça
nem o homem da capa negra que virou costas ao Palmolive.
Está tudo perfeito e deito-me no conforto de um Lusospuma
a ver as procissões a passar mesmo sem anjos mesmo sem anjos
que são agora selvagens e voam numa Harley.
Deito-me e obedeço aos fabricantes do Clarim
que é uma alta onda ou uma onda alta
sem esquecer as fitas do John Wayne e a chama viva do Butagás
e se calhar sentir fome terei toda a frescura serrana
numa fatia de pão.
atenção ao marketing.
Vitonizo-me desodorizo-me atravesso as ruas nas passagens de peões
louvo quem me dizem para louvar e desconfio dos negros americanos
e dos blousons noirs que não usam Lux
e não compram um frigorífico a prestações
e com o meu escudo invisível
protejo-me dos vírus subversivos
sou um bom cidadão sou um bom cidadão
obedeço ao marketing à General Motors e ao Pentágono.
Dantes tinha problemas era o odor corporal
e eu não o sabia até me higienizar seis vezes ao dia com o sabonete das estrelas
e as paradas marciais e os 5-3 do Eusébio à Coreia
e o talco Cadum que ama demoradamente roucamente tepidamente
os corpos que merecem ser amados…
Obedeço ao marketing não contrario.
Ninguém contraria os fabricantes das ideias e os fabricantes do Fula
que é o da cor do sol
ninguém pisa os riscos brancos do tráfego
nem chama os bombeiros sem concorrer ao sorteio
concorro concorro e vejo nos sinaleiros o pai natal vestido de Scotchgard
ninguém sai do emprego antes de assinar o ponto a horas fixas
e gastar o dinheiro da semana sábado à tarde
no Dardo que é tudo a prestações e é mesmo em frente da Música no Coração.
Fazendo Portugal mais alegre com o folclore da TV e a tinta Robbialac
não contrario obedeço obedeço e meto os meninos na cama
quando me dizem vamos dormir.
atenção ao marketing.
Sagres é uma boa cerveja
e eu acabarei por gostar da Sagres
como gosto do Rexina.
Sagres é a pausa que refresca e tem vitaminas
todas as bebidas da televisão têm vitaminas
mesmo as do programa literário que é detergente
e eu uso-as e sou um cidadão perfeito
e até já consigo adormecer com hipnóticos
depois de tomar o Tofa descafeinado
e no Verão visto calções de banho de fibras sintéticas
para me banhar na Torralta
cidadão perfeito perfeitamente bronzeado com o Ambre Solaire.
Também vou arear as caçarolas e os nervos e os miolos
com um pó azul de que não me lembra o nome
não me lembra mas a culpa já não é minha
porque na mesma noite
massajado com Aqua Velva
fiz a barba com Gillette e Schick e Nacet
e fui não sei aonde com a mesma lâmina
e oito dias depois (eu era actor ou toureiro?)
a lâmina ainda me escanhoou mais uma barba
antes de eu descer no aeroporto
onde me esperava um agente de marketing.
Os produtores viram-se à descida do avião
primeiro julgaram que era o filho da Sophia Loren
ou o Onassis mas era eu
e gostaram da minha barba bem feita.
(Da barba bem feita
ou do casaco Dralon que não se amarrotara
durante a viagem da Polinésia para Lisboa?)
Confesso que já não me lembra mas a culpa não é minha
pois na mesma noite
fui o homem de não sei quê que marca o rumo
por vestir regras ou camisas ou calças que não se enrugam
e fartei-me de assistir a discursos e a inaugurações
e fartei-me de comer chocolates Regina e pescada congelada
e de lavar a roupa com Ajax e com o Rino
e de me banhar com Omo ou seja uma onda de brancura
e fiz-me mecânico de automóveis
só para que o cavaleiro da armadura branca
me tocasse com a sua lança mágica
e me pusesse branco branco branco
três vezes branco como as páginas do Reader’s
de cérebro irrepreensivelmente lexivizado
pelos locutores da televisão pela oratória dos políticos
e passado a ferro com um ferro eléctrico automático
que talvez fosse — ou não? — uma enceradora Philips.
Tudo coisas admiráveis e desesperadamente necessárias
que eu devo ao marketing
e me são cozinhadas num abrir e fechar de olhos
nas panelas de pressão
de todo o bom cidadão.
E no intervalo bebi café puro o do gostinho especial
Sical Sical que é um luxo verdadeiro
por pouco dinheiro.
Vitonizado esterilizado comprando e concorrendo
esqueci-me de amar do amor das árvores e do rio
esqueci-me de mim tão entretido estava a admirar a Lisnave
esqueci-me do rio e dos barcos
e da saudade de pedra do Fernando Pessoa
e esqueci-me de sonhar que era marinheiro.
Concorra concorra foi por isso que não reparei
que uma rapariga cortou as veias
talvez fosse com uma Diplomatic
que tem o fio e o silvo de uma espada a degolar avestruzes.
No programa só havia bombeiros
nem uma rapariga a cortar as veias (não não era a Caprília)
nem o rio nem o amor nem a raiva da Venezuela.
Se mágoa sentia era a de ter esquecido
dar murros no espião da Missão Impossível
(atenção ao marketing)
e já não saí de casa para ver o rio
só pelo gosto de me aquecer com uma Ignis.
E na mesma noite noite boa noite branca
fumei Estoril Valetes Kayakes e bebi Compal
depois da Salus e da Schweppes
fumei quilómetros e quilómetros de prazer
quilómetros e mais quilómetros — há um Ford no meu futuro —
mais facturas mais fomes mais prazer
e agora já não sei qual dos cigarros com filtro
me soube melhor.
Foram todos foram todos de certeza
pois se me dizem que preciso do Omo
do Ajax do Estoril do Dralon
do esquentador e das alcatifas sem nódoas
não me preocupo não te preocupes
o Meraklon não preocupa ninguém
mando para o diabo o amor e o rio e a rapariga que cortou as veias
não me preocupo não me preocupo
digo pois pois ao Jota Pimenta e ao Escort
e hei-de virar-me do avesso para os possuir.
Os corpos que merecem ser amados merecem o talco Cadum.
Numa onda de brancura obedeço ao marketing. Sou um bom cidadão.
E na mesma noite
vi umas bombas que caíam muito ao longe
numa lonjura mais longe que a Lua
onde as pessoas podiam estar quietas a fumas Marialvas
e a lavarem-se com Rino que lava lava lava
lava três vezes mais lava ou mata que se farta
e me ajuda a ser bom cidadão.
atenção ao marketing.
Vi uns homens a inaugurarem estátuas
e vi fardas e paradas e conferências
e crianças a sorrir
para os homens sorridentes que inaguravam estátuas
e vi homens que falavam e pensavam por mim
a escolherem por mim o bom e o mau
de modo a que eu não possa ser tentado
a confundir o mau com o bom ou vice-versa ou vice-versa.
Deitado no conforto de um Lusospuma
vi os porcalhões dos hippies nas ruas de Estocolmo
bem longe nas ruas de Estocolmo
mesmo a pedirem uns safanões
dos homens que acariciam crianças
e têm todas as verdades na mão
só para que eu seja um bom cidadão.
É isto: marco o rumo. As minhas cuecas marcam o rumo.
Preciso e gosto de uma data de coisas
e só agora o sei.
Menos da Sagres. Mas acabarei por gostar.
Ninguém contraria o marketing por muito tempo.
Ninguém contraria os fabricantes de bem fazer
o bom cidadão.
E tudo graças ao marketing.

Fernando Namora
in Marketing
Publicações Europa-América, 2002, pp. 11-16



Alguém conhece outros poemas abordando a temática da publicidade?

25.3.09

If

A campanha de promoção da Antena 1, concebida pela agência BBDO, foi lançada no início do mês. Não tenho dúvidas de que foi um sucesso para o anunciante! Uma nova versão já foi lançada. Qual preferem? Eu acho que ambas ligam Portugal...


17.6.08

Momento pub

Um espanto de filme, a servir um novo posicionamento para a marca. Associar aos «momentos autênticos da vida» uma marca (bastante conhecida, sempre portuguesa) mas rejuvenescida.

ANÚNCIO JÁ NÃO ESTÁ ON LINE - Agência Strat - Director Criativo: José Campos / Produção: Ministério dos Filmes - Realizador: José Pedro Sousa / Música: "The Story", de Brandi Carlile / Portugal


FICA A MÚSICA DO ANÚNCIO:


Brandi Carlile - The Story
Enviado por Mdkart. - Clipes, entrevista dos artistas, shows e muito mais.

29.9.07

Tentações, marcas, tradições, novo design e saudades do meu avô



Quero igual para a Joalharia Nacional, em especial para a joalharia de autor. Ana de Lima, Bruno da Rocha, Célia Vitor, Cláudia Afonso, Cristina Costa, Eric Majoral, Fátima Lopes, Filipe Caracol, Gabriel Ribeiro, Joana Caldeira, Meister, Paula Cabral, Rocha Carvão, Susana Martins, Susana Nunes, e tantos outros. Quero a nossa potencial grammy girl Mariza a promover a Gatto, marca criada em 1989 pela Diamanjóia. Quero. Conceito de produto alargado, marca, novo design, investimento em comunicação, notoriedade.

Não fora eu neta de um ourives de Gondomar que, com mãos de ouro, dava forma à filigrana. A memória. Sentado num banco de madeira, curvado sobre a mesa, o avô colocava a barra de ouro nas roldanas de uma máquina e, lentamente, a barra ia ficando mais estreita até se transformar em centenas de metros de fio. Havia sempre um aprendiz que segurava a ponta e esticava. O fio atravessava o pátio, trespassava o portão, chegava ao meio da rua. Era a primeira imagem que se via, olha o aprendiz, chegámos! "É assim que tudo começa na ourivesaria", dizia ele, abanando a cabeça se me via com um anel ou pulseira de fantasia.

Armani agora é "fantasia", é produto para massas, como a bela Beyoncé. Mas a joalheria portuguesa de autor, e os meus caros artigos da filigrana - uma arte em extinção, ainda cheiram a metal e a fogo, a luvas sujas, unhas escurecidas. São mais brutos que os diamantes que também por aqui se incrustam nas peças. Diamantes ou safiras. safiras brancas como a que vi há dias num anel Gatto (fixem a marca) na Crisálida.

O anel ficou lá, na montra, com muita pena minha. Crisálida é uma termo derivado da coloração metálico-dourada encontrada nas pupas de muitas borboletas (grego: χρυσός (chrysós) significa ouro).
As borboletas adultas emergem das crisálidas e expandem as suas asas para bombear sangue pelas veias. Esta rápida e brusca mudança é chamada metamorfose. Face à Crisálida, aqui em Aveiro, apetece-me ser borboleta. Não é para todas as bolsas mas esta ourivesaria aposta em criadores portugueses.

Acabei mesmo por perder a cabeça com outra peça - da Cristina Costa. Ao lado havia Armani, mas quem é que quer usar Armani? [Mesmo se a Beyoncé está fabulosa neste filme publicitário e a produção seja um luxo.]
[eu não sou sócia nem tampouco tenho descontos especiais na ourivesaria que aqui referi: é uma galeria de criadores portugueses, concerteza, e isso basta]

21.6.07

Casa a mexer IV

Depois dos teasers: T0, T1 ou Duplex, a uma velocidade impressionante! Sem teste prévio. Mas a campanha é excelente. Créditos para a JWT Lisbon.



2.3.07

Marketing infantil


Ana Côrte Real é especialista em marketing infantil. Esta entrevista foi publicada na MKTONLINE.NET.

MktOnline.net - [As Crianças] são mais exigentes ou menos exigentes do que os adultos?

Ana Côrte-Real - Os padrões de exigência são diferentes. A grande diferença é que os critérios de compra, à medida que as crianças crescem, vão aumentando e o processo de decisão altera-se em face desses critérios. Por isso, eu acho que as crianças são diferentes na medida em que é um bocadinho de acordo com o comportamento de consumidor.
As crianças usam muito mais regras de decisão disjuntivas, isto é, baseiam-se num dois ou três critérios para tomar a sua decisão e nós adultos, normalmente, temos um padrão mais de regras conjuntivas, ou seja, somos sensíveis à marca, mas também somos sensíveis ao preço, mas também somos à embalagem. Temos mais critérios. Nessa perspectiva, os adultos tornam-se mais exigentes. As crianças podem-se focar num único critério: gostam da marca, gostam do boneco, gostam do brinde, gostam do produto e decidem.

(...)
MktOnline.net - Em termos de campanhas de publicidade pode dar um bom exemplo e um mau exemplo?

Ana Côrte-Real - Houve duas campanhas que vão um bocadinho contra os princípios éticos, uma é esta do McDonald’s. Depois há outra que acho que é do Panrico, em que a criança vê um conjunto de pratos como peixe, carne, fruta e diz sempre que não quer e depois aparece uma sande de Panrico e a criança diz que quer. Isto é complicado, é, no fundo, pôr a criança perante aquilo que é saudável e aquilo que é menos saudável, embora eu ache que possa fazer parte da alimentação da criança, agora não se pode é dizer à criança que aquela opção é válida.

Depois questões mais positivas, tudo o que está associado a uma alimentação saudável como, por exemplo, o Danoninho. Não é que seja um produto, em termos nutricionais, completamente equilibrado mas, de facto, consegue dizer à criança que ao comer vai crescer.

(...)
MktOnline.net - [Sobre a criação de personagens, como Noddy ou Floribella] Não é então uma questão programada, é uma questão…

Ana Côrte-Real - Nós temos aqui duas questões distintas. Uma é gerir uma mascote ou uma personagem como estratégia da própria marca e temos os casos do Quicky, do Rick e Rock, ou seja, são questões que são estratégicas e criadas pela marca. Depois temos a outra questão que é as marcas usarem estas personagens como estratégia de comunicação, daí vão buscar personagens que já tenham esse percurso de notoriedade e afectividade para alavancarem mais depressa os resultados. Claro que uma é muito mais uma estratégia de médio/longo prazo, que é pensar nas mascotes e nas personagens de forma estratégica, e outra é muito mais a curto prazo, que é ir buscar personagens que são fortes para alavancar a marca, num curto espaço de tempo.

(...)
MktOnline.net - A publicidade muitas vezes cria desejos desnecessários. É ético criar esses desejos nas crianças?

Ana Côrte-Real - A publicidade cria desejos ou desperta necessidades latentes nas crianças e nos adultos. O princípio da publicidade é criar notoriedade à marca e, simultaneamente, estimular associações que sejam favoráveis a essa marca e eu acho que aí não podemos cair no exagero de dizermos que a publicidade não quer criar desejo ou que não quer criar associações favoráveis.

Para mim não é tanto a importância de criar, acho que criar pressupõe o princípio de mas é a forma como se pode criar ou não esse tipo de ilusões.

Até onde poderão ir os profissionais de marketing quando possuem produtos e serviços que têm como público-alvo as crianças?

Desde logo, têm que respeitar aquilo que são as questões legais. Aí a DECO acho que faz um bom trabalho porque muitas vezes nós somos confrontados com campanhas de comunicação de marcas de referência que não cumprem as normas legais.

Começar pela base, primeiro, as marcas devem cumprir aquilo que legalmente lhes é imposto e depois a partir daí têm que adoptar um princípio ético de responsabilização, no fundo no processo de socialização da criança.

No âmbito do marketing, não é que haja muito escrito sobre as normas éticas mas há um princípio que até foi denominado por síndrome de Pôncio Pilatos que é uma metáfora, é um bocadinho aquela questão das marcas lavarem as mãos, eu cumpri as normas legais, eu cumpri tudo o que me é imposto legalmente, por isso, lavo daqui as minhas mãos, porque estou dentro da lei. Eu acho que isto é um falso sentido ético, nós sabemos que podemos estar a cumprir a lei e estar a estimular algum tipo de comportamento que não seja desejável nas crianças.

Aí eu acho que as marcas devem ser socialmente responsáveis. Primeiro, cumprir os requisitos legais mas, se calhar, depois irem mais além desses requisitos legais e tentarem ver até que ponto é que são responsáveis.

(...)
MktOnline.net - De que forma as novas tecnologias e hábitos de acesso das crianças às TIC alteraram as relações entre marcas e crianças?

Ana Côrte-Real - No fundo, todas essas formas de comunicação têm o mesmo princípio em relação aos adultos. Aproximaram as marcas das crianças, é mais uma forma de expor a marca à criança. A internet promove ainda por cima a interacção. Já sabemos que comportamentos de interacção geram maior afectividade, maior proximidade, por isso, no fundo, isso são tudo questões que aproximaram as marcas do segmento infantil.

31.1.07

Mkt do livro #7

Em Portugal, o número de leitores é reduzido e as taxas de leitura e de compra de livros evoluiram muito lentamente na última década. Segundo dados de 2004 (Quantum/APEL), apenas 44% da população com idade compreendida entre os 15 e os 65 anos declara ser leitor de livros. O número médio de livros lidos por ano não chega aos 9.

Seria interessante centrarmo-nos no conjunto de livros mais vendidos, e aferir a correlação que existe entre o número de exemplares vendidos e o correspondente investimento em comunicação (melhor ainda, fazer uma análise qualitativa das diferentes estratégias de comunicação adoptadas, ponderando o target de cada livro).

29.1.07

Mkt do livro #6


A promoção dos livros via internet aumenta em larga escala. Este canal permite maior fluidez na troca de informações, pelo que os editores têm todo o interesse em fomentar, e também em auscultar, as conversas dos leitores e potenciais leitores internautas. Mais de 50% dos livros são comprados por conselho de familiares, amigos ou conhecidos, e agora, uma elevada parte desses influenciadores residem na net. Em 2004, segundo os dados do estudo que a APEL encomendou à Quantum, 25% dos leitores de livros - com internet em casa ou no trabalho, procuravam informações sobre livros na internet.

Atento a essa realidade, Javier Celaya, editor e responsável de comunição do Grupo DosDoce de Comunicación, criou uma revista on line que nació en marzo de 2004 con el propósito de convertirse en un nexo entre todos los profesionales del sector de la comunicación, ya sean periodistas, responsables de comunicación institucional y empresarial, y el público en general interesado en la interacción entre la comunicación, el arte y la literatura. (...) Durante sus dos primeros años la revista ha publicado más de 100 artículos de opinión sobre el impacto de la cultura de masas en la sociedad, la pérdida de credibilidad de los medios de comunicación, la responsabilidad social de las empresas y el impacto de las nuevas tecnologías en el sector cultural, entre otros. Por otra parte, ha elaborado cerca de 300 reseñas de libros de reciente publicación.(link)

Mais recentemente, constatando o papel cada vez mais importante da internet como canal de informação e opinião dos seus leitores, a DosDoce lançou o Buscador Cultural que rastreia os conteúdos de mais de 150 blogues e de outros media digitais que normalmente publicam crítica literária, assim como o Agregador Cultural, com 50 blogues culturais, e que visa facilitar a tarefa de gestão da informação aos editores.

Saímos definitivamente do modelo piramidal de produção de informação, em que as estratégias de comunicação editoriais assentavam na produção de informação dirigida aos media tradicionais (notas de imprensa, envio de exemplares, entrevistas), para um modelo que contempla a ampla participação dos leitores e potenciais leitores na formação de uma opinião sobre o livro. Toda a informação produzida pelo editor deve ter um formato digital que facilite a divulgação. Uma das consequências da Web 2.0, ou da possibilidade dos usuários da rede poderem criar conteúdos, é também esta: já obrigou as empresas a rever as suas estratégias de comunicação. Como/quem pode/deve orientar depois o utente da web, de forma a que ele não se perca na maré de informações, é outra questão.

27.1.07

Mkt do livro #5

Por exemplo...


(Anúncio descoberto em La Bodega Recôndita)

Mkt do livro #4

A literatura não se confunde com os sinais exteriores de literatura. Um escritor não são "500 000 livros vendidos", "traduzido em mais de 20 línguas", ou "vai já na 7 edição".

Mas quantos livros não precisam de um sinal exterior apelativo para que mais leitores o descubram? A promoção dos bons livros é uma prioridade, e não pode ser exclusiva dos best sellers intraduzidos [intradução: importação literária sob a forma de tradução].