Foto de Melvin Sokolsky
Mostrar mensagens com a etiqueta Melvin Sokolsky. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Melvin Sokolsky. Mostrar todas as mensagens
21.11.11
14.10.07
Do domínio da luta #n

Se a tendência actual culminar na possibilidade de uma ilha «houllebecquiana» e a reprodução se libertar do sexo, até a Igreja (no plural) sobreviverá ao impacto. Neste campo de batalha - histórico - da esquerda não iremos observar avanços substanciais. Mesmo com os Viagra, Vigorin, Cialis & seus herdeiros, ou com anti-depressivos apurados que não incluam nos efeitos secundários a diminuição do desejo sexual, ou seja, mesmo com a revolução tecnológica a servir não só as técnicas reprodutivas mas também o desempenho sexual. How many times can a man turn his head, pretending he just doesn't see? The answer, my friend, is blowin' in the wind. É a cultura que produz tecnologia. Os ventos trazem-nos o pó contaminado de pecados do passado e as contingências do presente:
When i'm drivin' in my car
And that man comes on the radio
He's tellin' me more and more
About some useless information
Supposed to fire my imagination
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what i say
(...)
I can't get no satisfaction
I can't get no girl reaction
'cause i try and i try and i try and i try
I can't get no, i can't get no
When i'm ridin' round the world
And i'm doin' this and i'm signing that
And i'm tryin' to make some girl
Who tells me baby better come back later next week
'cause you see i'm on losing streak
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what i say
I'm kidding, mas a ficção, ou uma simples canção, traduzem tão claramente o estado do mundo.
[Psst, se o marxismo nasceu da Revolução Industrial, como é que os marxistas não sabem ou esqueceram que os avanços tecnológicos têm consequências ideológicas? O fenómeno da globalização e a revolução tecnológica em curso, com a emergência e extensão do ciberespaço, têm sido esquecidos por essa gente? Não percebi o comentário, talvez por não ser marxista. Mas estarei a ser voluntarista?]
When i'm drivin' in my car
And that man comes on the radio
He's tellin' me more and more
About some useless information
Supposed to fire my imagination
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what i say
(...)
I can't get no satisfaction
I can't get no girl reaction
'cause i try and i try and i try and i try
I can't get no, i can't get no
When i'm ridin' round the world
And i'm doin' this and i'm signing that
And i'm tryin' to make some girl
Who tells me baby better come back later next week
'cause you see i'm on losing streak
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what i say
I'm kidding, mas a ficção, ou uma simples canção, traduzem tão claramente o estado do mundo.
[Psst, se o marxismo nasceu da Revolução Industrial, como é que os marxistas não sabem ou esqueceram que os avanços tecnológicos têm consequências ideológicas? O fenómeno da globalização e a revolução tecnológica em curso, com a emergência e extensão do ciberespaço, têm sido esquecidos por essa gente? Não percebi o comentário, talvez por não ser marxista. Mas estarei a ser voluntarista?]
[Psst, ando fã do Mexia. E, como ele, queria o Nobel para o Philip Roth. A não ser que Doris Lessing tenha escrito um qualquer "O Animal Moribundo" no feminino :) ]
Foto: Melvin Sokolsky
1.10.07
Do domínio da luta #n


«C'était bien... dis-je avec un émerveillement incrédule. C'était vraiment bien.
- Oui, elle était sensuelle, cette fille. Moi aussi, elle m'a bien léché.
- C'est bizarre, les prix du sexe... poursuivis-je avec hésitation. J'ai l'impression que ça ne dépend pas tellement du niveau de vie du pays. Évidemment, suivant le pays, on obtient des choses tout à fait différentes; mais le pris de base, c'est à peu près toujours le même: celui que les Occidentaux sont prêts à payer.
- Est-ce que tu crois que c'est ce qu'on appelle l'économie de l'offre?
- Je n'en sais rien... Je secouai la tête. Je n'ai jamais rien compris à l'economie; c'est comme un blocage.»
in Michel Houellebecq, Plateforme
Flammarion, 2001, pp 223
- Oui, elle était sensuelle, cette fille. Moi aussi, elle m'a bien léché.
- C'est bizarre, les prix du sexe... poursuivis-je avec hésitation. J'ai l'impression que ça ne dépend pas tellement du niveau de vie du pays. Évidemment, suivant le pays, on obtient des choses tout à fait différentes; mais le pris de base, c'est à peu près toujours le même: celui que les Occidentaux sont prêts à payer.
- Est-ce que tu crois que c'est ce qu'on appelle l'économie de l'offre?
- Je n'en sais rien... Je secouai la tête. Je n'ai jamais rien compris à l'economie; c'est comme un blocage.»
in Michel Houellebecq, Plateforme
Flammarion, 2001, pp 223
A ler:
Do Domínio da Luta (1) e (2).
Partículas soltas:
O "escritor" Michel Houellebecq não entra em enfadonhas «partouzes». A libertação/libertinagem sexual dos anos 60 é completamente arrasada em «As Partículas Elementares». Michel Djerzinski, o protagonista, e o seu meio-irmão Bruno foram abandonados pelos pais hippies. Nesta obra, "o trauma", ferida aberta, revela-se pela incapacidade dos personagens experimentarem qualquer sentimento profundo pelos seus semelhantes - com excepção talvez do que Michel nutre pela sua avó, que o criou, e que simboliza, a seu ver, uma espécie em extinção: "Seres humanos que trabalhavam toda a vida, e que trabalhavam duro, (...) que literalmente davam a vida pelos outros, dentro de um espírito de dedicação e amor." Mas Michel isola-se e Bruno vai enlouquecendo entre sex-shops e sites eróticos.
O erotismo embalado, o sexo néon, omnipresentes, é que são intencionalmente enfadonhos em Houellebecq. Por isso concordo: Houellebecq expõe "com grande inteligência a grande ilusão da esquerda que nasceu em 1968: a ilusão de que a sexualidade é revolucionária."
Em "La Porsuite du Bonheur" (Éditions de la Différence, 1992; Flammarion, 1997 - livro de poesia ainda não traduzido, segundo sei), "A Extensão do domínio da luta", em "Plataforma" ou em "A Possibilidade de uma Ilha" não existem «partouzes». Apenas uma feroz crítica à "economia política do sexo". Baudrillard não esqueceu o sexo como signo e como valor de troca. Em "Plataforma", Houllebecq integra-o no sistema do turismo de massas. Com Valérie, o protagonista entra numas ménage à trois, mas "morre" com ela. Sexista, Houellebecq não é. No mesmo romance, coloca prostitutas e seus clientes ao mesmo nível. Mesmo se a troca é económica, ao nível humano, nada os distingue. Na verdade, tudo os une: carência e anomia.
Em "A Possibilidade...", as «partouzes» surgem como uma aberração e sinal de decadência dos líderes religiosos carismáticos. Nunca é revolucionária.
Enfim, esqueçam as «partouzes», é irrelevante. A associação do deboche a Houellebecq é que não é. A sua "brutalidade pornográfica" não é da ordem dos canais por cabo (coisa que ele não diz, mas pode parecer).
Finalmente, leio: "A esquerda imaginou que o sexo é sinónimo de revolução, ou seja, de «libertação». Mas o sexo, colectivamente entendido, é sinónimo de alienação." /
"Incomodado com a componente «comportamental» da New Left americana e do Maio, Hobsbawn explica que a «libertação» sexual tem uma relação muito duvidosa com a «libertação» social".
Seja. Mas a cultura libertária dos anos 60 e 70 foi certamente um antecedente necessário para nossa actual possibilidade de identificar o Outro comodesafiantemente naturalmente lésbica ou gay, como orgulhosamente Negro ou Índio, conscientemente feminista, e até ecologicamente correcto. Sem essa ilusão (histórica) da esquerda, as farmácias não disporiam de caixas automáticas de venda de preservativos, pais e professores estariam todos de acordo sobre a violência emocional de qualquer programa de educação sexual nas escolas, Bertrand Delanoë não seria o Maire de Paris, etc.. Bons sintomas contra a doença do sexismo, racismo, censura...
[Fotografias de Melvin Sokolsky]
"Incomodado com a componente «comportamental» da New Left americana e do Maio, Hobsbawn explica que a «libertação» sexual tem uma relação muito duvidosa com a «libertação» social".
Seja. Mas a cultura libertária dos anos 60 e 70 foi certamente um antecedente necessário para nossa actual possibilidade de identificar o Outro como
[Fotografias de Melvin Sokolsky]
17.3.07
5.7.06
20.1.06


Eu conhecia a capa do álbum, ela encontrou uma foto da série original e assim fiquei a saber que as duas fotos são do Melvin Sokolsky. A música é de Chet Baker que ora se irrita com o nosso voyerismo ora adormece indiferente a tudo o que o rodeia, de coração afinado. Conheci-o quando veio a Portugal fazer o que seria o seu último concerto. Não me lembro se ele tocou Almost Blue, mas acho que não, não ia esquecer se o ouvisse cantar. Ela deixa-nos ouvir a voz de Chet Baker. E fala de solidão, daquela solidão que dura demasiado tempo e enlouquece. Vão lá, antes que ela se deite.
21.12.05
"Novas mulheres"
Talvez por ser mulher, sinto mais dificuldade em identificá-las. O processo inverte-se, quem me salta à vista são as que pressinto ainda "velhas". "Velhas" são as que fazem poesia a rimar e passam o tempo todo a queixar-se dos homens que as deixaram. São as que põem melodias Midi nos blogs. E as que simulam, ou não, susceptibilidade face a meia dúzia de palavrões ou contra-tabus. Ora essa! As "novas" são flexíveis. As "novas" re-inventam tudo, mesmo o que é velho. Conseguem elevar-se e observar-se no seu quotidiano, mesmo assumindo a continuidade de tarefas seculares, que rompem com reflexões, ironia e humor qb. Ou seja, as "novas mulheres" não são um produto da alteração efectiva dos papéis tipicamente masculinos ou femininos. As "novas mulheres" são uma nova atitude. Os franceses inventaram o nome certo para este exercício de inteligência: autoderision. É a autoderision que nos faz sorrir quando juntamos às actividades assalariadas uma carga não reduzida de trabalho doméstico. ou quando somos pais e mães porque o pai só sabe ser pai. ou quando perdoamos o que não nos perdoam. ou nada disso, se tivermos coragem para remar sozinhas contra a corrente. É também à custa desta autoderision que novas escritoras têm emergido. na blogosfera e na literatura. Não vos falo de blogs de gaijas. ou de literatura light, tão mais associada às mulheres que aos homens (mas o que é aquilo que o Paulo Coelho industrializou?). Isso é de "velhas". Falo-vos de uma escrita em que se evoca a intimidade, que parte do ser para o mundo, do onto para o cosmos. Dizem os críticos que, nos últimos anos, essa corrente se tem reforçado graças às mulheres. Concordo. Mas nada de confusões, não se reduza intimidade a sexualidade. É que o despudor ou a linguagem erótica (coisas já distintas) na escrita notabilizam mais facilmente as mulheres que os homens. Dizem que é novo. Novo porque convém, ou esqueceram a Anais Nin. Como ela dizia, nós não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos. E nós somos ainda essa imagem que se quer da mulher. complexa mas imaculada. polifacetada mas convexa. inocente mas, ou sobretudo com, picante.
14.11.05
IV Edição do Escritor Famoso. Lote 1. Inspirem!
1. Win de Jonge (weak as i am)Poema do Carlos de Alameda dos Oceanos,
Afinal eu também escrevo poemas se...
3. Tine DrefahlPoema de Fausta Paixão, Verdes Anos
4. David GazzottiPoema de Solteirão do (Diário de um)Ex-Solteirão,
La sicciliana
5. mrf (Roma)ROMA ou o AMOR ao contrário do Vítor do Conversas Escritas
6. mrf (Paris)
7. Tine Drefalh (kleinekappe)Poema da J.P. do Faz de Conta
8. Sokolsky (hand mushroom)Poema da Palavras em Linha
10. Bertrand De Girardier (Serralves)Reflexões de um louco internado na realidade
por mariavaialone do Estórias do Bicho da Seda
Outra noite por Finurias do Ministério da Soltura
E ainda outro poema à noite, da Palavras em Linha (extra-concurso)
[Lote lançado a 2 de Nov]
Etiquetas:
David Gazzotti,
Ernesto Timor,
Fotografia,
IV EscritorFamoso,
Melvin Sokolsky,
Poesia,
Tine Drefalh,
Win de Jonge
9.8.05
Infidélités

Sokolsky
- in Antoine et Consuelo de Saint Exupéry, un amour de légende, de Alain Vircondelet (textes) et José Martinez Fructuoso (archives), Ed. les arènes:
(Consuelo) Elle dans son ombre, le laisse vivre ses passions et accepte ses errances: elle sait secrètement qu'elle a la part la plus belle. (...)
Immature, il continue à la tromper impunément mais exige d'elle en retour la plus stricte fidélité.
- in Paris Match n° 2880, Entrevista a Noëlle Adam, mulher de Serge Reggiani:
PM: Etiez-vous jalouse de ses conquêtes féminines?
NA: Non, je sais qu'il m'a aimée comme un fou. (...) Il aimait séduire, c'est vrai, mais il ne se trouvait pas beau (...). Jamais je ne me suis sentie en concurrence ou menacée par une autre. Même pas par Romy Schneider avec laquelle il avait eu une relation de six mois. (...) En revanche, lui était d'une grande jalousie et avait peur de me perdre.
- in Paris Match n° 2884, Entrevista a Francine Distel, mulher de Sacha Distel:
PM: Et vous, vous étiez jalouse?
FD: Honnêtement, non. Vous savez, c'est difficile de mettre un gourmand en permanence devant des gateâux, sans qu'il croque deux ou trois.
PM: Vous le saviez?
FD: J'ai une intuition d'infer! Je voyais la chose arriver, je savais qu'elle allait arriver et qu'elle aller passer. Pour moi, la femme est l'ancre d'un bateau. Flottante ou fixe. Flottante lorsque le bateau va à la dérive, fixe lorsqu'il résiste. Lorsqu'on a des enfants, il faut vraiment essayer de tenir la route.(...) Il était jaloux comme un tigre, tendance possessif. Il me demandait où j'étais allée, ce que j'avais fait.
23.7.05
Maná For The People

Uma imagem vale mais que mil palavras e esta traduz bem o que sinto quando ouço o pastor Maná (link). Comecem por ver a primeira sessão, e depois a segunda, e a terceira, gosto particularmente das 4ª, 5ª e 6ª, e chegam ao fim num instante. São ensinamentos que não podemos perder! E que devemos transmitir aos nossos filhos, mesmo se (ou sobretudo se) não os tivermos!
1.7.05
Bloguérrima

Sokolsky
Ontem foi um dia em que o número de visitas esteve acima da média. E a que se deveu o frenesim no sitemeter? A uma gata referenciada, a um traseiro hipnótico e a um score de "sexidade" miserável num programa informático! Fiquei com a alma nua.
A minha gata nem tem idade para participar no Baile de Debutantes deste Verão e, pelo que tenho apreciado, nunca vai querer meter-se nessas coisas. Ela é mais estilo retrossexual - ao contrário do lindo, espantoso e muito metrossexual Capitão Nemo! Não obstante, os leitores do Amor e Ócio quiseram saber quem era a prometida do gatinho do VIP Rui Baptista.
O traseiro não é nada mau, mas também não é o da Keyla. (enfim, mesmo a posteriori, e à laia de retribuição de amabilidades, dedico-o ao Rui) Apesar disso, os visitantes da distinta Associação também fizeram questão de vir conhecer a grande benfeitora Divas.
Quanto às reacções ao score, poderiam ter-me levado a mudar de nome, não fosse o trabalhão que tive a reconstituir tudo desde que me deram cabo da template. Ávidos para conhecer aquela que ficara no fim da lista, apareceram uns tantos blogotinhos!
Enfim, foi assim que dei comigo a pensar em audiências e a compreender a razão por que todos os directores de media acabam secundarizando a qualidade (né?). E acabei descobrindo um nicho de mercado virgem. Com espanto! Alguém me explica como é que ainda não há uma Net-Caras ou Net-Gente, ou uma BlogoVIP ou BLux?
Enfim, foi assim que dei comigo a pensar em audiências e a compreender a razão por que todos os directores de media acabam secundarizando a qualidade (né?). E acabei descobrindo um nicho de mercado virgem. Com espanto! Alguém me explica como é que ainda não há uma Net-Caras ou Net-Gente, ou uma BlogoVIP ou BLux?
Rui, qual interesse Público qual quê, o que é preciso é ser amigo do público!
16.6.05
Sedução

Sokolsky
A sedução talvez seja uma arte. Eu acredito que é quase um poder inato ou então uma reminiscência do Homem no seu estado mais primário. Supostamente mascarado, supostamente mais elaborado, o homem quando seduz utiliza a verdade dos animais. Expondo as penas de pavão ou o canto de acasalamento, o Homem é mais Animal quando seduz e, por mais paradoxal que possa parecer, mais verdadeiro.
Bastet do Sol&Tude
A sedução talvez seja uma arte. Eu acredito que é quase um poder inato ou então uma reminiscência do Homem no seu estado mais primário. Supostamente mascarado, supostamente mais elaborado, o homem quando seduz utiliza a verdade dos animais. Expondo as penas de pavão ou o canto de acasalamento, o Homem é mais Animal quando seduz e, por mais paradoxal que possa parecer, mais verdadeiro.
Bastet do Sol&Tude
15.6.05
Máscara Sim

Sokolsky
E nós Bloggers, usamos a Técnica da Máscara ou não?
Eu costumo falar em 2 segundos de antecipação que permitem, num ápice, decidir sobre a acção e agir sobre a 'espontaneidade'.
Enquanto blogger, creio demorar mais do que os tais 3 segundos, e advogo das máscaras que "não existe melhor máscara que nos esconda do que aquela com que nos mostramos". A verdade oferecida é sempre tão inverosímil que funciona melhor do que a mais arquitectada mentira.
MJM
Não sei se a técnica é a da máscara, mas a blogosfera é um palco especial. A virtualidade confere-lhe o cunho confidencial de quem representa incógnito. A arte que demonstra chega a camuflar a própria autenticidade. O trigo e o joio andam juntos, quase sem se reconhecerem.
Amaral
Eu acho que todos os bloggers têm uma máscara de vez em quando, basta ver que há certos aspectos das vidas dos ditos bloggers que são meio escondidos ou camuflados. O mais engraçado é essa ideia de estar incógnito. Não sei até que ponto isso é mesmo assim...
Ananda
É possível, sim senhoras.
Pessoalmente, o retrato espelhado no 7 Meses ao início era mais fiel do que agora.
kimikkal
É possível. E, para além da máscara, o uso do coturno também se manifesta com frequência.
OLima
A blogosfera é um mundo diferente do teatro.
Pelo menos, assim o vejo, assim o sinto.
Quanto às máscaras, quem não as usa, mesmo que de forma inconsciente, nesta e noutras situações?
Há aqui de tudo, como na farmácia.
rita
É inevitável que a usemos.
Como diria o Régio..."há coisas que terei pudor de contar seja a quem for"!
mfc
Eu uso... um bocadinho.
80% do que escrevo é verdade. O resto... é do "K@".:-)
Resta saber o que é que é "80%" e o que é que é "o resto"...!
He He!
K@
Se partirmos do princípio que a vida é um palco, todos usamos, bloggers ou não!
Deves, como eu, ter lido Goffman! Está lá tudo...como se fosse impossível inventar algo de novo nesta matéria!
PS: acabei de pensar que vou escrever um post sobre Goffman: "a apresentação do eu na vida de todos os dias".
Maria Heli
Não estamos sempre mascarados?
francis
Agora que penso nisso, sim, quase sempre.
batatas
Pois é, eu cá acho que sim, apesar de tb estar identificada com nome.
Às vezes a máscara pode estar tão colada que nem damos por isso.
ângela
É possível usar essa técnica nos blogs. Mas analisar os blogs pelas técnicas do teatro, penso que seria reducionismo inútil. Há que fazer-se uma análise a partir de seus elementos próprios.
Santos Passos
Sua perguntinha é providencial...pensando aqui.
Ilidio Soares
E nós Bloggers, usamos a Técnica da Máscara ou não?
Eu costumo falar em 2 segundos de antecipação que permitem, num ápice, decidir sobre a acção e agir sobre a 'espontaneidade'.
Enquanto blogger, creio demorar mais do que os tais 3 segundos, e advogo das máscaras que "não existe melhor máscara que nos esconda do que aquela com que nos mostramos". A verdade oferecida é sempre tão inverosímil que funciona melhor do que a mais arquitectada mentira.
MJM
Não sei se a técnica é a da máscara, mas a blogosfera é um palco especial. A virtualidade confere-lhe o cunho confidencial de quem representa incógnito. A arte que demonstra chega a camuflar a própria autenticidade. O trigo e o joio andam juntos, quase sem se reconhecerem.
Amaral
Eu acho que todos os bloggers têm uma máscara de vez em quando, basta ver que há certos aspectos das vidas dos ditos bloggers que são meio escondidos ou camuflados. O mais engraçado é essa ideia de estar incógnito. Não sei até que ponto isso é mesmo assim...
Ananda
É possível, sim senhoras.
Pessoalmente, o retrato espelhado no 7 Meses ao início era mais fiel do que agora.
kimikkal
É possível. E, para além da máscara, o uso do coturno também se manifesta com frequência.
OLima
A blogosfera é um mundo diferente do teatro.
Pelo menos, assim o vejo, assim o sinto.
Quanto às máscaras, quem não as usa, mesmo que de forma inconsciente, nesta e noutras situações?
Há aqui de tudo, como na farmácia.
rita
É inevitável que a usemos.
Como diria o Régio..."há coisas que terei pudor de contar seja a quem for"!
mfc
Eu uso... um bocadinho.
80% do que escrevo é verdade. O resto... é do "K@".:-)
Resta saber o que é que é "80%" e o que é que é "o resto"...!
He He!
K@
Se partirmos do princípio que a vida é um palco, todos usamos, bloggers ou não!
Deves, como eu, ter lido Goffman! Está lá tudo...como se fosse impossível inventar algo de novo nesta matéria!
PS: acabei de pensar que vou escrever um post sobre Goffman: "a apresentação do eu na vida de todos os dias".
Maria Heli
Não estamos sempre mascarados?
francis
Agora que penso nisso, sim, quase sempre.
batatas
Pois é, eu cá acho que sim, apesar de tb estar identificada com nome.
Às vezes a máscara pode estar tão colada que nem damos por isso.
ângela
É possível usar essa técnica nos blogs. Mas analisar os blogs pelas técnicas do teatro, penso que seria reducionismo inútil. Há que fazer-se uma análise a partir de seus elementos próprios.
Santos Passos
Sua perguntinha é providencial...pensando aqui.
Ilidio Soares
15.5.05
À escuta #3
21.4.05
Destinatário II

Sokolsky
Camille Laurens, Dans ces bras-là, sobre a relação com os leitores. Continuação.
Houve um tempo em que, sem dúvida, eu esperava uma resposta. Que vocês me explicassem, que vocês me dissessem. Eu interrogava os homens dos livros, poetas, personagens, imaginava que um dia a vida correria sob a ponte dos nossos braços. E depois li esta história que consagra o mundo à escrita: a de um rapazinho que quer que a sua mãe o beije antes de se deitar e que apenas recebe, como resposta à sua carta de amor, estas palavras de solidão: "Não há resposta".
O sentido foi-me comunicado dessa forma, libertando-me também de tanta ausência, de tanta espera. Eu não escrevo para que vós me respondais, não: eu escrevo porque não há resposta. Eu jamais estarei nos vossos braços - nem vocês nos meus - nunca abraçados.
Às vezes, no entanto, sonho com uma forma de nos unirmos. A dormir, sobretudo - Morfeu embala-me e imagino como prolongar este sono amoroso em que o deus é um homem. E então eu vejo-vos - estais na fronteira do esquecimento mas vejo-vos, estendeis os braços para mim, e eu avanço, avanço na direcção de vós que me estais destinado - meu destinatário. Quem disse que sois uma mulher ? Que loucura ! A morte terá os vossos olhos, e é sobre o vosso tronco que inclinarei a minha cabeça, tenho a certeza, e sobre os vossos ombros colocarei as minhas mãos. Sois vós, sois mesmo vós na margem oposta, e a distância entre nós a reduzir-se, logo logo a anular-se, dancemos, eu aproximo-me e tu estreitas-me - ah aperta-me, leva-me - como estamos bem, sim, como estamos bem nestes braços!
Se tu me esqueces

Sokolsky
Quero que saibas
uma coisa
Tu sabes como é:
se contemplo
a lua de cristal, os ramos rubros
do outono lento na minha janela,
se toco
ao pé do lume
a impalpável cinza
ou o corpo enrugado da lenha,
tudo a ti me conduz,
como se tudo o que existe,
aromas, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam
em direcção às tuas ilhas que me esperam.
Ora bem,
se a pouco e pouco deixas de amar-me,
deixarei de amar-te a pouco e pouco.
Se de repente
me esqueceres,
não me procures,
que já te terei esquecido.
Se consideras longo e louco
o vento de bandeiras
que percorre a minha vida
e decidires
deixar-me à margem
do coração em que tenho raízes,
pensa
que nesse dia,
nessa hora,
levantarei os braços
e as minhas raízes irão
procurar nova terra.
Mas
se em cada dia,
em cada hora,
sentes que a mim estás destinada
com doçura implacável.
Se cada dia em teus lábios
nasce uma flor que me procura,
ai, meu amor, ai, minha,
todo esse fogo em mim se renova,
em mim nada se apaga nem esquece,
o meu amor do teu amor se nutre, amada,
e enquanto viveres continuará nos teus braços
sem abandonar os meus.
Pablo Neruda
19.4.05
O destinatário

Sokolsky
Camille Laurens falava assim da sua relação com os leitores em Dans ces bras-là. Vou tentar uma tradução razoável. (juro que este post já estava previsto, dia 23 é o dia do livro..., disfarço bem?)
O destinatário recebe o que lhe damos. Ele cala-se, ele não responde. O destinatário não é um correspondente, ele está destinado a calar-se, a permanecer na sombra deste silêncio em que, no entanto, sabemos que ele nos ouve. O acordo por parte do destinatário em relação a este seu destino discreto é essencial, é importante que ele nunca o ponha em causa.
Escrevo para vocês, escrevo-vos. (...) É a vocês [homens] que eu falo, falo-vos de vocês, de vocês e de mim. Não sei quem sois, mas vejo-vos, adivinho-vos, pinto-vos, falo-vos, invento-vos: escrevo-vos.
Quem sois vós? Ignoro-o. Não vos conheço.
Acima de tudo, não me respondais. É inutil. Nós não podemos corresponder-nos, não há correspondência possível entre nós. Vós estais longe, vós sois o outro, vós sois o homem. Aceitei esta distância que flutua entre nós como o trajecto de uma carta que viaja. Não escrevo para que me respondais, e no entanto escrevo-vos. Não fiqueis admirados: eu renunciei a agarrar-vos, mas não ao gesto de vos agarrar. A escrita é esse gesto; escrevo na vossa direcção. É como a mão que agitamos quando o combóio está a partir: inútil, sem que seja vã.
[P.O.L éditeur, 2000, pp 308-309]
Camille Laurens falava assim da sua relação com os leitores em Dans ces bras-là. Vou tentar uma tradução razoável. (juro que este post já estava previsto, dia 23 é o dia do livro..., disfarço bem?)
O destinatário recebe o que lhe damos. Ele cala-se, ele não responde. O destinatário não é um correspondente, ele está destinado a calar-se, a permanecer na sombra deste silêncio em que, no entanto, sabemos que ele nos ouve. O acordo por parte do destinatário em relação a este seu destino discreto é essencial, é importante que ele nunca o ponha em causa.
Escrevo para vocês, escrevo-vos. (...) É a vocês [homens] que eu falo, falo-vos de vocês, de vocês e de mim. Não sei quem sois, mas vejo-vos, adivinho-vos, pinto-vos, falo-vos, invento-vos: escrevo-vos.
Quem sois vós? Ignoro-o. Não vos conheço.
Acima de tudo, não me respondais. É inutil. Nós não podemos corresponder-nos, não há correspondência possível entre nós. Vós estais longe, vós sois o outro, vós sois o homem. Aceitei esta distância que flutua entre nós como o trajecto de uma carta que viaja. Não escrevo para que me respondais, e no entanto escrevo-vos. Não fiqueis admirados: eu renunciei a agarrar-vos, mas não ao gesto de vos agarrar. A escrita é esse gesto; escrevo na vossa direcção. É como a mão que agitamos quando o combóio está a partir: inútil, sem que seja vã.
[P.O.L éditeur, 2000, pp 308-309]
6.4.05
Os dados estão lançados II

Sokolsky
- Ah!, ei-los!... Estão atrasados cinco minutos.
- Não nos teríamos enganado? - pergunta Pedro - Esperava-nos?
A velha senhora abre o livro grande numa página que está marcada com um sinal, e começa a ler com uma voz de escrivão, fria e sem timbre:
- Artigo 140: Se, em consequência de um erro unicamente imputável à direcção, um homem e uma mulher, destinados um ao outro, não se tenham encontrado em vida, poderão pedir e obter autorização de voltar à terra sob certas condições para aí poderem amar-se e viver a vida em comum de que tenham sido injustamente privados.
Terminada a leitura, levanta a cabeça e olha através do lorgnon o casal pasmado.
- É mesmo por isso que estão aqui?
Pedro e Eva olham-se e no seu espanto há uma grande alegria.
[in Sartre, Jean-Paul, Os dados estão lançados, Ed. Presença, 1983, pp 75]
Poder sonhar com essa possibilidade!... ou não ser necessário por, eventualmente, no nosso caso, a direcção não ter caído no erro descrito no Artigo 140! (esqueço-me que ainda estou na Terra e que acredito pouco no destino)
- Ah!, ei-los!... Estão atrasados cinco minutos.
- Não nos teríamos enganado? - pergunta Pedro - Esperava-nos?
A velha senhora abre o livro grande numa página que está marcada com um sinal, e começa a ler com uma voz de escrivão, fria e sem timbre:
- Artigo 140: Se, em consequência de um erro unicamente imputável à direcção, um homem e uma mulher, destinados um ao outro, não se tenham encontrado em vida, poderão pedir e obter autorização de voltar à terra sob certas condições para aí poderem amar-se e viver a vida em comum de que tenham sido injustamente privados.
Terminada a leitura, levanta a cabeça e olha através do lorgnon o casal pasmado.
- É mesmo por isso que estão aqui?
Pedro e Eva olham-se e no seu espanto há uma grande alegria.
[in Sartre, Jean-Paul, Os dados estão lançados, Ed. Presença, 1983, pp 75]
Poder sonhar com essa possibilidade!... ou não ser necessário por, eventualmente, no nosso caso, a direcção não ter caído no erro descrito no Artigo 140! (esqueço-me que ainda estou na Terra e que acredito pouco no destino)
18.2.05
Encontro de Bloggers
12.1.05
Livro da Dança

Sokolsky
Aqui ficam alguns fragmentos do Livro da Dança, o primeiro livro que Gonçalo M. Tavares publicou. Quando o escreveu, o autor não pensou "vou escrever um livro de poesia". Mas, mesmo quando ele escreve um romance, eu penso em poesia. e em filosofia. E vocês?
42.
Claro que podemos errar e não voltar atrás para corrigir o erro porque o erro não é o ERRO o erro só começa no corrigir, errar e avançar não é errar: é avançar; errar e corrigir não é corrigir: é errar.
Claro que podemos errar e não voltar atrás para corrigir o erro porque o erro não é o ERRO o erro só começa no corrigir, errar e avançar não é errar: é avançar; errar e corrigir não é corrigir: é errar.
46.
O sexo é a fenda dos Filhos
mas é também o jardim dos brinquedos.
Quem dança deve lembrar a Fenda quando exibe os brinquedos e os brinquedos quando exibe a Fenda.
O sexo é a fenda dos Filhos
mas é também o jardim dos brinquedos.
Quem dança deve lembrar a Fenda quando exibe os brinquedos e os brinquedos quando exibe a Fenda.
54.
Exibição do que TAPA.
Exibição da CORTINA.
Exibição do PUDOR.
Exibir o pudor é violência.
o corpo que só é corpo e não é tudo o resto é um corpo que tapa que é cortina e um corpo que exibe o Pudor.
É violento violento violento.
Exibição do que TAPA.
Exibição da CORTINA.
Exibição do PUDOR.
Exibir o pudor é violência.
o corpo que só é corpo e não é tudo o resto é um corpo que tapa que é cortina e um corpo que exibe o Pudor.
É violento violento violento.
65.
Ouvi isto uma vez cá dentro, antes da dança (um pedido):
- Por favor, dê-me um exemplar de deus!
Ouvi isto uma vez cá dentro, antes da dança (um pedido):
- Por favor, dê-me um exemplar de deus!
83.
Dobrar-se de modo ao ouvido se encostar às próprias costas e ao Peito; ouvir o coração com o próprio ouvido.
Não é acrobacia. Não é Flexibilidade.
É colocar no átomo o "conhece-te a ti mesmo".
Dobrar-se de modo ao ouvido se encostar às próprias costas e ao Peito; ouvir o coração com o próprio ouvido.
Não é acrobacia. Não é Flexibilidade.
É colocar no átomo o "conhece-te a ti mesmo".
(Livro da Dança foi editado pela Assírio & Alvim)
Subscrever:
Mensagens (Atom)







