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5.1.13

...de la intolerable opresión de lo sucesivo


Poco diré da la singular "historia de la eternidad" que da nombre a estas páginas. En ele principio hablo de la filosofia platónica; (...) No sé cómo pude comparar a "inmóbiles piezas de museo" las formas de Platón y cómo no entendí, leyend...o a Schopenhauer y al Erígena, que éstas son vivas, poderosas y orgánicas. El movimiento, ocupación de sitios distintos en instantes distintos, es inconcebible sin tiempo; asimismo lo es la inmobilidad, ocupación de un mismo lugar en distintos puntos del tiempo. Cómo pude no sentir que la eternidad, anhelada con amor por tantos poetas, es un artificio espléndido que nos libra, siquiera de manera fugaz, de la intolerable opresión de lo sucesivo?

in JORGE LUIS BORGES, "Historia de la eternidad", Debols!llo, 2011, p. 9  

 (Publicado pela primeira vez em 1936, um ano depois da "História Universal da Infâmia". Uma nova edição anda agora nos escaparates das livrarias portuguesas.)

17.6.12

Hoje, Antígona, Creonte ou o Coro?

Slavoj Žižek. O filósofo esloveno participou na campanha da Syriza. Syrica representará o que designou como a "paixão pelo Real". Como Antígona, diria eu, quando decide transgredir as leis da cidade. Mas não é assim: como o Coro, a voz do povo, afirma Žižek, fazendo corresponder Antígona e Creonte, personagens da peça de Sófocles, aos partidos Pasok e Nova Democracia.
Este discurso vai contra todos os "significantes vazios" desta nossa era.
[Quem nos dera um Žižek num comício eleitoral! Quem nos dera ser o símbolo de qualquer pequena revolta para o merecermos!]

22.5.12

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #3


Antes de continuar, ainda com Aimé Césaire, deixo a sugestão de uma obra que reune diversos artigos centrados em 3 grandes temas: literatura de viagens, multiculturalismo e pós-colonialismo. O título da obra: "The paths of multiculturalism : travel writings and postcolonialism : precedings for the Mossel Bay Workshop of the XVIth Congress of the International Comparative Literature Association" (Lisbon : Cosmos, 2000). Os autores são especialistas de diferentes países de cada continente. Devo dizer que a leitura foi bastante estimulante, permitindo estabelecer pontes entre diferentes conceitos__ e diferentes escritores....

Deixo como exemplo um fragmento do artigo de Peter Merrington, «A staggered orientalism: the Cape-to-Cairo idea»:

"
For Hegel, Africa had no history. (...) He makes an exception, however, for two sites on the Mediterranean seabord of Africa - Phoenician Carthage, and Egypt. (...)
Numerous authors writing of the Cape in the decades of the «new imperialism», roughly from 1870 to the 1920s, imitated this Hegelian structure, in historical speculation, in travel writing, and in fiction
.» [p. 105]

Bem, há um autor português que cabe inteiramente nesta afirmação. Pensem em Eça de Queirós (
De Port Said a Suez, 1869; A Relíquia ,1887; O Egipto ,1926, póstumo).

 A obra que referi teve como coordenadores Maria Alzira Seixo, Graça Abreu, Linda Labuschagne e John Noyes.

Sobre colonialismo e pós-colonialismo #1

Depois de tanto degustar, ocorreu-me sugerir algumas leituras. São vários os autores. Começo por FRANTZ FANON (1925-1961), psiquiatra, militante pela independência da Algéria no FLN, nascido na Martinica e autor de uma obra histórica no que diz respeito à resistência anti-colonialista:

  • Pele Negra, Máscaras Brancas (1952)
  • L'An V de la révolution algérienne (1959)
  • Os Condenados da Terra (1961)
  • Pela Revolução Africana (1964)

Tenho nas mãos "Les damnés de la terre" (prefaciado por Jean-Paul Sartre). Fanon centra-se na psicopatologia da colonização [na origem: «le monde colonial est un monde compartimenté (...) est un monde coupé un deux, habité par des espèces différentes.»] e na questão das identidades nacionais [«la culture nationale est, sous la domination coloniale (...) condamné à la clandestinité»]. No início dos anos 60, a literatura de combate, associada ao conceito de negritude seria a única válida para formar consciências.


14.5.12

Mesas redondas difíceis de encontrar

«O Prémio Pessoa é uma iniciativa conjunta do jornal "Expresso" e da empresa "Unysis", cuja primeira edição data de 1987. É um galardão concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que se distinga como protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida literária, artística ou científica do país. Reconhecido como o mais importante prémio atribuído em Portugal na área da cultura, o Prémio Pessoa inspira-se no nome do poeta português Fernando Pessoa e não pode ser concedido a título póstumo. O Professor José Mattoso foi o vencedor da primeira edição, em 1987, e entre os galardoados estão ainda os nomes da pintora Menez (1988), do poeta António Ramos Rosa (1989), da pianista Maria João Pires (1990), do arqueólogo Cláudio Torres (1991), do casal de investigadores Hannah e António Damásio (1992), do Professor Fernando Gil (1993), do poeta Herberto Helder (1994), do escritor Vasco Graça Moura (1995), do Professor João Lobo Antunes (1996), do escritor José Cardoso Pires (1997), do arquiteto Eduardo Souto de Moura (1998), do poeta Manuel Alegre e do fotógrafo José Manuel Rodrigues (1999), do compositor Emmanuel Nunes (2000), do crítico e historiador de cinema João Bénard da Costa (2001), do Professor de Anatomia Patológica Sobrinho Simões (2002),  do jurista e Professor Gomes Canotilho (2003). Foram ainda premiados: Mário Cláudio (2004), Luís Miguel Cintra (2005), António Câmara (2006), Irene Flunser Pimentel (2007), João Luís Carrilho da Graça (2008), D. Manuel Clemente (2009) e Maria do Carmo Fonseca (2010).

Por ocasião da entrega do Prémio Fernando Pessoa a Eduardo Lourenço, a SIC organizou três mesas redondas com alguns destes premiados. Neste vídeo, só temos uma pequena amostra do que será uma emissão televisiva a não perder. De tempos a tempos, gosto da televisão portuguesa!

«os poetas inventaram sempre os mitos de que precisávamos»


Maria Manuel Baptista é Doutorada em Cultura, pela Universidade de Aveiro, com a dissertação «A Paixão de Compreender: A Filosofia da Cultura em Eduardo Lourenço» (2002). Publicou uma vasta bibliografia sobre Eduardo Lourenço. Este fragmento foi retirado da sua intervenção no Congresso Internacional Eduardo Lourenço (Outubro 2008).

"A reflexão de Eduardo Lourenço sobre a importância da arte, do artista, do imaginário e da criação na compreensão da realidade inicia-se já na década de 40 começando por lançar mão de Kant e Leibniz passando por Hegel e Croce. Note-se, porém que, aquilo que Lourenço partilha nesta fase da sua obra com a estética romântica (e também com a estética kantiana) não vai muito além de uma forma mitigada de conceber o ‘génio’, pois que toda a sua atenção está predominantemente voltada para a fenomenologia e a correlativa temática da existência nas suas relações com as essências. Não é surpreendente, pois, que nos seus escritos desta época (finais dos anos 40 einícios dos anos 50) as concepções lourenceanas relativas à fruição estética e à crítica literária se aproximem bem mais de Bachelard do que de Kant. Diríamos mesmo que Lourenço, sobretudo através de Antero de Quental (mas também de Oliveira Martins) participa nesta fase de uma estética romântica, a qual racional e teoricamente, procura de algum modo ultrapassar, recorrendo o quanto possível aos instrumentos teóricos e conceptuais fornecidos pela fenomenologia do acto poético. Nesta altura começa já Lourenço a relacionar a imaginação poética com a criação de mitos, considerando que «os poetas inventaram sempre os mitos de que precisávamos e aos quais recorremos se não temos génio para os ampliar ou inventar outros»."

Para ler o texto na íntegra, seguir este link.

21.4.12

A comunidade inconfessável (Blanchot)

Zhang Dali. Chinese Offspring. 2003-2005

Ontem, no evento "Grandes Autores, Grandes Leitores", co-organizado pela Revista Ler e pela Bertrand (Aveiro), Filipe Nunes Vicente referia «essa nova raça de escritores, imitadores do já feito», os Dan-castanhinhos portugueses, e insistiu no conceito de "comunidade inconfessável" de Maurice Blanchot. Bastou para que comprasse o seu "Mau-Mau" (Quetzal)...

[sobre Blanchot (porque o "Mau-Mau" só vou abrir daqui a pouco):]

«La question de la communauté est devenue pressante à l'époque où commençait à s'effondrer le modèle appelé communiste. A la mesure de cet effondrement, il est apparu nécessaire à plusieurs d'entre nous de reprendre, de reprendre radicalement, la question de l'être en commun, et c'est ainsi qu'en 1983 par exemple Blanchot pouvait écrire que la réflexion sur l'exigence communiste, comme il disait, ne l'avait jamais abandonné. 
L'écriture et la littérature selon Blanchot, sont inséparables de l'être en commun et de la communication. L'écriture n'est pas pour Blanchot, un objet formel et fermé , ce n'est pas un objet esthétique ni autistique, mais l'écriture c'est le rapport d'adresse par lequel non seulement un moi s'adresse à un toi, mais par lequel il y a seulement un moi et un toi, un un et un autre et par lequel seulement il peut y avoir une solitude et un dehors de la solitude, une expression, ou pour reprendre le mot de Bataille une extase. L'écrivain et le lecteur se font l'un l'autre, et se faisant l'un l'autre, ils se déplacent l'un l'autre et ils se déplacent l'un par rapport à l'autre. Ils n'ont pas quelque chose à se communiquer, ils n'ont pas un message à se transmettre, ce qu'ils partagent, l'écrivain et le lecteur, c'est à dire aussi l'un et l'autre en général dans la communauté, ce qu'ils partagent c'est la puissance et la passion de se communiquer et à ceux qui attendent de l'écriture en ce sens une signification déterminable et communicable. Il vaut mieux dire qu'il n'y a rien à communiquer, mais ce rien à communiquer n'a rien de nihiliste. Il n'y a pas moins nihiliste que Blanchot. Blanchot est celui qui écrit d'ailleurs les pessimistes n'écrivent pas et donc la communauté est immontrable, imprésentable. Elle ne peut pas elle-même devenir un terme donné, elle ne peut pas être mise en Oeuvre contrairement à ce qu'ont voulu les totalitarismes et contrairement à ce que veut sans doute toute volonté qui n'est que politique. Mais pour autant la communauté n'est pas une abstraction, ni un idéal flottant en l'air; la communauté est elle-même ce mouvement ce rapport sans cesse en déplacement; la communauté est le mouvement de l'écriture.

Lorsque Blanchot parle dans la communauté inavouable (éd. Minuit, 1983), du fond sans fond de la communication, il n'y a là aucune acrobatie verbale, aucun mysticisme. Ce fond sans fond de la communication nous savons tous très bien ce que c'est, c'est ce sans fond auquel tout échange aboutit non pas comme à une impasse mais comme à l'ouverture qui est précisément l'ouverture de l'un de sur l'autre ou l'ouverture de l'un à l'autre. Cet échange étant celui dont Blanchot dit aussi – seule en vaut la peine la transmission de l'intransmissible – et la peine que vaut la transmission de l'intransmissible on pourrait dire que c'est la peine infinie qu'il y a à comme ont dit couramment se faire comprendre, ce à quoi on aboutit jamais. Mais dans ce non-aboutissement du se faire comprendre il y a en même temps tout le mouvement de l'ouverture de la communication, c'est à dire aussi tout le mouvement par lequel un moi sort de son moi et de ses petites préoccupations, c'est à dire aussi le seul mouvement par lequel on existe véritablement.»

4.4.12

Os dados estão lançados

Jean-Paul Sartre (1905–1980) escreveu um romance genial e delicioso de ser lido, “Os dados estão lançados” (1947). Seria excelente se o livro fosse reeditado em Portugal! Esta obra-prima, manifesto de consciência de classe, tratado de metafísica, furioso arranca-corações, livro de culto, guião de cinema (filme realizado por Jean Delannoy), anda desaparecida há tanto tempo...

Muito sucintamente, é a história de uma mulher burguesa e de um chefe de uma "Liga" de resistência que se apaixonam perdidamente um pelo outro mas, porque se encontram apenas após a sua morte (ambos foram assassinados), não podem consumar o seu amor. No céu, não são tangíveis...

«Olham-se e dançam em silêncio por um momento.
- Diga-me - pergunta Pedro de repente -, o que é que se passa? Não pensava senão nos meus aborrecimentos há bocado e agora estou aqui. Danço e não vejo senão o seu sorriso... Se isto fosse a morte...
- Isto?
- Sim, dançar consigo sempre, só a ver a si, esquecer tudo o resto...
- E depois?
- A morte valia mais que a vida. Não acha?
- Aperte-me com força - diz ela baixinho.
Os rostos estão muito perto um do outro. Dançam ainda um instante e ela repete:
- Aperte-me com mais força...
Bruscamente, o rosto de Pedro entristece-se. Pára de dançar, afasta-se um pouco de Eva e exclama:
- É uma comédia. Nem sequer cheguei a tocar a sua cintura...»
[in Sartre, Jean-Paul, "Os dados estão lançados", Ed. Presença, 1983, pp 72-73]

Decidem então dirigir-se a Deus, reclamar e obter autorização para voltar à Terra. Deus é misericordioso e aceita que regressem para viver o amor e a vida em comum que lhes havia sido indevidamente frustrada. Mas impõe uma condição: têm 24 horas para ultrapassar todas as barreiras inerentes à diferença da sua condição social. Se forem bem sucedidos, esquecerão o episódio da morte; se falharem, voltarão ao céu.
__________

Muitas das ideias do político e do filósofo estão contidas neste pequeno livro, pelo que não é difícil imaginar o final. Sartre milita activamente no partido comunista e virá a aproximar-se cada vez mais do marximo, integrando-o no existencialismo (La Critique de la raison dialectique, 1960). Em 1952 rompe publicamente a amizade com Camus, devido à publicação de "O Homem Revoltado" no qual Camus ataca criticamente o Estalinismo.
E o que dizer da nova oportunidade oferecida a Pierre e Eve: será o destino mais forte que o livre-arbítrio? A liberdade dá ao homem o poder de escolha, mas está sujeita às limitações do próprio homem?

Existe uma versão disponível on line, tradução portuguesa, que poderão gravar/imprimir enquanto esperam (!) pela publicação de uma nova edição. 

8.3.12

Beau-voir

© Foto de Art Shay.
A filósofa existencialista e ícone feminista Simone de Beauvoir.
Chicago. 1952.

«O fotógrafo Art Shay fez essa célebre foto em Chicago em 1952. Simone de Beauvoir era filósofa existencialista e ícone feminista. Art Shay era amigo de seu amante da época, o escritor Nelson Algren. O fotógrafo viu a cena pela porta entreaberta da sala de banho e a eternizou para sempre. “Como jovem fotógrafo da Life Magazine, eu sempre levava minha Leica comigo. E esse dia não era exceção. Estritamente falando, sim essa fotografia foi roubada, segundo uma ótica feminista. Eu me encontrava então nessa situação, fotógrafo estagiário da Life Magazine (inicialmente contratado para carregar as sacolas e escrever as legendas), quando eu vi Beauvoir sair do banho e ficar se penteando na frente do espelho. Eu rapidamente tirei duas ou três fotos e ela escutou os cliques. "Você é um rapaz malvado", ela me disse. No entanto, ela nem me pediu para que eu parasse de fotografar, nem fechou a porta para mim, Madame não era "uma instituição" nessa época, era acima de tudo a amante estrangeira do meu amigo”, afirmou o fotógrafo em entrevista para a revista francesa “Le Nouvel Observateur” em 2008.»

3.12.10

Quién mató a Walter Benjamin...

Após 70 anos, a causa da morte do filósofo alemão Walter Benjamin permanece um mistério. O autor de "A Obra de Arte na Era de sua reprodutibilidade técnica" (WB analisa a sua existência na era da cópia, da fotografia) conseguiu atravessar a fronteira franco-espanhola mas, na cidade catalã de PortBou, ter-se-á suicidado. É possível ver o documentário on line (depois de preencher um formulário simples enviam-nos o endereço e password por email) via: http://www.whokilledwalterbenjamin.com/watch.html



Acabei de ver o documentário. A investigação que realizaram e que fundamenta toda a narrativa, é excelente. A selecção dos entrevistados é primorosa, seja ao nível dos testemunhos da gente de Portbou seja ao nível dos académicos. Encontraram pessoas-chave. Desde Tiedemann a Gary Smith. Apreciei em particular o prof. Stéphane Mosés: um homem douto, sábio, que nos dá o pensamento de Walter Benjamin. De resto, é a única crítica que faço: temos a biografia, naturalmente centrada aqui nos últimos dias da sua existência, mas são poucos os minutos dedicados à sua obra. Este documentário procura ser uma espécie de porta por onde o "Messias" poderia entrar. Conseguiram-no de alguma forma. Em Setembro de 1940, ou hoje, saberíamos desde o princípio quem matou WB: foi a História, num momento de recuo à barbárie. O que é intimidante é que pode sempre acontecer (penso na Bósnia, anos 90, por exemplo). Ouvindo os noticiários deste mundo, todos os dias, somos todos colocados, de certa forma, qual anjo de Klee, na direcção do abismo. É claro, há o riso. que nos distrai e agarra à vida. Mas é bom não perder a consciência. «Quíén mató a Walter Benjamin...» é um alerta pertinente. Um texto de História, no sentido benjaminiano.

3.12.09

Killing in Sarajevo


Acabo de ler O Violoncelista de Sarajevo de Steven Galloway (um autor/livro que o marcas d'água me fez conhecer). São várias as descrições de percursos, ruas, praças que reconheço, calcorreados pelas personagens. Poderia ilustrar algumas dessas passagens do livro com fotografias que tirei recentemente (talvez o faça noutra altura). A enorme diferença é que eu percorri uma cidade liberta, tranquila, sem ameaças de morteiros e de balas de atiradores furtivos ao virar de qualquer esquina. O que motivou esta leitura foi a possibilidade de conhecer a Sarajevo anterior às marcas que encontrei: a Sarajevo cercada. Numa obra que evoca ainda uma Sarajevo mais distante, inteira, mesmo se nunca imaculada. Através da leitura, pude sobrepor três tempos próximos uns dos outros, do ponto de vista cronológico, e completamente fragmentados, em termos de memória colectiva. centrados num mesmo espaço. Era o que queria. e o livro cumpriu esta promessa (não outras, mais literárias). O espaço físico confunde-se com o espaço psicológico. As feridas, os buracos, a destruição, as barreiras, atingem paredes, casas, ruas, pessoas, como se as últimas fossem feitas da mesma matéria morta e anónima, ou simbólica e singular: um peão, uma casa; um violoncelista, a histórica Biblioteca Municipal (detalhe na foto abaixo). unidos no mesmo destino. o de ruir. com maior ou menor dignidade.


Em O Violoncelo de Sarajevo ninguém sobrevive. mesmo quando o corpo se ergue e aparentemente domina o espaço: o da vida interior e o que o rodeia. Todos foram forçados a vestir outra personalidade. Flecha, a atiradora furtiva que procura defender a cidade, personifica essa deslocação do ser.

«Perceber que a vida é maravilhosa e que não durará para sempre é uma dádiva rara. Por isso, quando Flecha aperta o gatilho e acaba com a vida de um dos soldados que tem na mira, fá-lo não porque queira vê-lo morto - embora não possa negar que quer - mas porque os soldados a privaram, e a quase todas as outras pessoas que vivem na cidade, dessa dávida. O facto de a vida ter um fim tornou-se tão evidente por si mesmo que perdeu todo o significado.» [pp. 20-21]

Pensei então no (pre)conceito moral dominante segundo o qual matar inimigos, em situação de guerra, não é condenável. O direito à vida pode, nesse contexto, ser violado. Mesmo a propósito, leio (via
Crítica: blog de filosofia) que Jeff McMahan defende em Killing People a teoria de que as condições em guerra não são pertinentes para definir o que a moralidade permite ou não, e que as justificações para matar pessoas são as mesmas em todos os contextos. Por exempo: em caso de legítima defesa. Todos poderíamos, face à percepção dessa ameaça, vestir a pele de Flecha. ou a de um soldado sérvio. e matar. Nesta obra, McMahan acaba defendendo uma visão que põe em causa a teoria da "guerra justa". Para o autor, na maioria dos casos, é moralmente errado lutar numa guerra... que é injusta. No meu ponto de vista, lutar no Iraque, lutar no Afeganistão, ter combatido nas ex-colónias, seria então imoral. Mas quem pode definir de forma objectiva "a justiça" de uma guerra! Muitos nomearão os ataques no Afeganistão "moralmente" aceitáveis.

Sobre a necessidade de libertação de Sarajevo havia unanimidade. Não obstante, a intervenção da NATO foi adiada. Nos 44 meses do cerco, o terror contra Sarajevo e seus moradores variaram de intensidade, mas o propósito sempre foi o mesmo: infligir o maior sofrimento possível aos civis a fim de forçar as autoridades bósnias a aceitar as exigências sérvias. O Exército da República Srpska cercou a cidade, colocando tropas e artilharia nas colinas circundantes. Civis foram atacados durante quase quatro anos. Estima-se que mais de 12.000 pessoas foram mortas e 50.000 feridas durante o cerco, sendo que 85% das vítimas eram civis.

«-
Se ficarmos, vão disparar sobre nós das colinas até estarmos todos mortos (...).
- O mundo nunca permitirá que isso aconteça. Terão que nos ajudar mais tarde ou mais cedo (...) - diz Emina.
Dragan não consegue perceber, pelo tom de voz dela, se acredita naquilo que diz. Não sabe como poderia acreditar. Certamente, ambos vêem a cidade desintegrar-se diante dos seus olhos
.» [p. 66]

A justiça tardou. Raramente se discute a imoralidade da observação passiva.


Obras referidas:
- Steven Galloway (2009). O violoncelo de Sarajevo. Lisboa. Editorial Presença
-
Jeff McMahan (2009). Killing in War. Hardback

15.7.09

Entre nós e o mundo



Toda a viagem é iniciática – do mesmo modo que qualquer iniciação não deixa de ser uma viagem. Antes, durante e depois descobrem-se verdades essenciais que estruturam a identidade.



Michel ONFRAY, Teoria da Viagem – Uma Poética da Geografia
Quetzal Editores, Lisboa, 2009, p. 81



Outra qualquer voltará daqui a algumas semanas. Até lá ! :)



Fotos MRF 2008

22.6.07

Qu'est-ce que...


O novo livro e o álbum TWELVE de Patti Smith chegou a França. Ela também, para actuar no Olympia. Tem 60 anos mas ainda se emociona com a vida. Na sua primeira viagem a Paris, com a irmã, ao passar pelo boulevard des Capucines fotografou o mais antigo Music Hall da cidade e era Edith Piaf que actuava. Sorri. Se lhe dissessem que um dia cantaria no Olympia, não acreditaria.
Uma dezena de escritores apresentando os seus romances, discutindo o (seu) mundo e motivações, revelando indícios de ficções ou memórias escritas. Max Gallo, Jacques Séguéla, Eric Emptaz.
Um debate sobre alta competição desportiva e doping. Com Jacques Attali, Eric Besson, Pascal Bruckner, Bernard Stiegler, Jacques Julliard, Laurent Joffrin, Michel Wieviorka, Sylvain Bourmeau e Philippe Tesson, que também apresentaram os seus livros recentemente editados.
Uma entrevista a
Alain Finkielkraut que falou sobre o nosso tempo. de ingratidão, face às heranças do passado. do tempo em que as línguas latinas derivam, com a nossa aprovação, pela crença no progresso. do tempo em que não se chora a perda de (bons) hábitos, dado o deslumbramento pela inovação. do tempo em que os líderes políticos se exibem fazendo jogging para vender uma imagem de juventude e vigor. mesmo se a juventude não é uma qualidade mas uma característica, e o vigor, em política, uma arte. Churchill ou Roosevelt resistiriam a estes tempos de jogging político? Ninguém tem saudades dos tempos das longas e pausadas caminhadas?
Remate com Andrew Bird e ARMCHAIR APOCRYPHA. Ouver Imitosis foi a última dádiva deste programa de Guillaume Durand, ESPRITS LIBRES.

Às quintas, na
TV5 Monde. E eu pergunto: "Qu'est-ce que le Portugal?" Putain!

8.3.07

Baudrillard. 27 de Julho de 1929 - 6 de Março de 2007

Auto-retrato
Jean Baudrillard

Quem me falou pela primeira vez de JB foi o meu professor de semiologia da Universidade Nova, Pedro Frade, que andava a elaborar a sua tese de mestrado sobre fotografia, ou sobre como o nosso espanto gera formas acríticas de relação com o complexo industrial-técnico-científico-cultural (em 1992, a ASA publicou Figuras do Espanto, de Pedro Frade). A imagem fotográfica afasta ou atrai a população da realidade? - esta foi a questão que Baudrillard levantou (e que mais tarde inspiraria os irmãos Wachowski na criação de Matrix) (o hacker Neo/Keanu Reeves guarda os seus programas de paraísos artificiais no fundo falso do livro Simulacros e Simulação, de Baudrillard) (filmes que ele não gostou de ver, até porque hoje, tudo é efeito especial). Qual o impacto da comunicação e dos media na sociedade e cultura contemporâneas? Baudrillard estuda, decompõe, desmistifica a hiper-realidade (a realidade construída).

Sobre si dizia que era um dissidente da verdade. Não acreditava na ideia de um discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvia uma teoria irónica que tinha por finalidade formular hipóteses. Examinava a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Aliás, JB era também um fotógrafo.

Os primeiros livros que li, O Sistema dos Objectos e Para uma Economia Política dos Signos, estariam já ultrapassados, segundo o próprio Baudrillard. Nessas obras, escritas nos anos 60, ele analisava o papel do valor dos signos nas trocas humanas. Actualmente, cada signo tende a transformar-se num objecto em si mesmo, tendo valor de uso e de troca em simultâneo. Para ele, o relativismo dos signos resultou numa espécie de catástrofe simbólica.

E a arte. A arte integrou-se no ciclo da banalidade. Ela voltou a ser realista, a desejar a restituição da reprodução clássica. A arte quer cumplicidade do público e gozar de um status especial de culto, situação prefigurada nas sinfonias de Gustav Mahler. Claro que há excepções, mas, em geral, os artistas renderam-se à realidade tecnológica. Desde os ready-mades de Marcel Duchamp, a importância da arte diminuiu, porque a obra de arte deixou de ter um valor em si. Os signos soterraram a singularidade. Os artistas submetem-se a imperativos políticos, e já não seguem ideais estéticos. A arte já não transforma a realidade e isso é muito grave.

Foi acusado de cair no relativismo mais absoluto. Mas Baudrillard limitou-se a descodificar. Não por acaso, o Libération anuncia a sua morte com o título: Fini de décoder.

[Ver Dossier sobre Jean Baudrillard no Le Monde]
[Ler artigo no Fígaro: Jean Baudrillard l'inclassable]

6.1.05

Sócrates

Dei a entender por que motivos fascinava Sócrates: parecia ser um médico, um salvador. É necessário mostrar ainda o erro que havia na sua fé na "racionalidade" a qualquer preço? - É um auto-engano por parte dos filósofos e moralistas acreditarem que se livram da décadence pelo facto de lhe moverem guerra. O escapar-lhe é algo que está para além da sua força: o que eles escolhem como remédio, como salvação, não é por seu lado mais que uma outra expressão da décadence - modificam a sua expressão, porém não a eliminam.*

Felizmente era Nietzsche que escrevia assim, há já muito tempo, de Sócrates, o filósofo grego. Não, não era sobre o futuro primeiro-ministro de Portugal!


*in Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos, Guimarães Editores, pp31

30.11.04

Hannah Arendt

o primeiro post. as promessas são para cumprir. porque precisamos de certezas. (ilusões!). deixo alguns apontamentos sobre esta grande senhora

Nome: Hannah Arendt
Vita: 1906-1975
Origem: Alemanha
Religião: Judaísmo
Domínio: Filosofia, Teoria Política
Enfoque: Totalitarismo, Revoluções, Natureza da Liberdade, Pluralidade

A sua obra A Condição Humana* foi escrita em 1958. Arendt analisa o processo através do qual emergiu a moderna alienação. Apesar de reconhecer o pensamento como a actividade mais humana, esta obra centra-se no que ela designa por vita activa. Ela considera três actividades humanas: labor, trabalho (work) e acção (action). "Trata-se de actividades fundamentais porque a cada uma delas corresponde uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao homem" (p. 19)
" O labor assegura não apenas a sobrevivência do indivíduo, mas a vida da espécie. O trabalho e o seu produto, o artefacto humano, emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal e ao carácter efêmero do tempo humano. A acção, na medida em que se empenha em fundar e preservar corpos políticos, cria a condição para a lembrança, ou seja, para a história." (pp 20-21)
" A acção, a única actividade que se exerce directamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, corresponde à condição humana da pluralidade..." (p. 20)

" A tarefa e a grandeza potencial dos mortais têm a ver com a sua capacidade de produzir coisas - obras e feitos e palavras - que mereceriam pertencer, e pelo menos até certo ponto, pertencem à eternidade, de modo que, através delas, os mortais possam encontrar o seu lugar num cosmos onde tudo é imortal, excepto eles próprios." (p. 31)

* publicada pela Relógio d'Agua, 2001

A Condição Humana III

Sobre a Ciência

"Nem as especulações dos filósofos, nem a imaginação dos astrónomos chegaram alguma vez a constituir verdadeiros acontecimentos. (...) as ideias vêm e vão, duram algum tempo, podem até alcançar uma certa imortalidade própria, dependendo do seu poder de iluminar e esclarecer (...) O que Galileu fez e que ninguém tinha feito antes foi usar o telescópio..." p. 323

"Se hoje os cientistas nos dizem que podemos presumir com igual validade que a Terra gira à volta do Sol ou que o Sol gira em torno da Terra, que ambos os pressupostos se aplicam a fenómenos observados, e que a diferença está apenas na escolha do ponto de referência (...) Significa, antes, que transferimos o ponto de vista arquimediano um pouco mais além da Terra, para um ponto do universo onde nem a Terra nem o Sol são o centro de um sistema universal. (...) No que diz respeito às realizações práticas da ciência moderna, esta mudança do antigo sistema heliocêntrico para um sistema sem centro fixo é, sem dúvida, tão importante como a mudança original do conceito de um mundo geocêntrico para o de um mundo heliocêntrico. Só agora nos afirmamos como seres universais..." p. 327

" o tremendo aumento do poder humano de destruição (...) não menos terrível e não menos difícil de compreender é o novo poder de criar (...) povoar o espaço à volta da Terra com estrelas feitas pelo homem (...) Emprego deliberadamente a palavra criar para indicar que estamos, na verdade, a fazer aquilo que todas as eras antes de nós julgavam ser a prerrogativa exclusiva da acção divina." pp 333-334

"A história mostra claramente que a moderna tecnologia resultou não da evolução daquelas ferramentas que o homem sempre havia inventado para o duplo fim de atenuar o labor e de erigir o artifício humano, mas exclusivamente da busca de conhecimento inútil, inteiramente desprovido de senso prático. Assim, o relógio (...) inventado exclusivamente para a finalidade teórica de realizar certas experiências com a natureza. É certo que esta invenção, logo que a sua utilidade prática foi percebida, mudou o ritmo e a própria fisionomia da vida humana; mas isso, do ponto de vista dos seus inventores, foi um mero acidente. (...) é pouco provável que o nosso mundo condicionado à técnica pudesse sobreviver, e muito menos continuar a desenvolver-se, se conseguíssemos convencer-nos de que o homem é, antes de tudo, uma criatura prática." p. 355

" A mudança do por que e do o que para o como implica que os verdadeiros objectos do conhecimento já não são coisas ou movimentos eternos, mas processos, e portanto o objecto da ciência já não é a natureza ou o universo mas a história - a história de como vieram a existir a natureza, a vida ou o universo. (...) o processo de evolução, conceito-chave das ciências históricas, tornou-se o conceito central também das ciências físicas." p. 363

"Retemos ainda a capacidade de agir, pelo menos no sentido de desencadear processos, muito embora esta capacidade se tenha tornado prerrogativa dos cientistas, que ampliaram a esfera dos negócios humanos ao ponto de extinguir a consagrada linha divisória e protectora entre a natureza e o mundo humano. (...) parece bem mais justo que os feitos desses cientistas tenham assumido maior valor como notícia e maior importância política que os feitos administrativos e diplomáticos da maioria dos chamados estadistas." p. 394

"Mas a acção dos cientistas, que intervém (...) não com a textura das relações humanas, não tem o carácter revelador da acção nem a capacidade de produzir histórias e tornar-se histórica - carácter e capacidade que, juntos, constituem a própria fonte do sentido que ilumina a existência humana." p. 394


in Arendt, Hannah, A Condição Humana, Relógio d' Agua, 2001

Aos 35 investigadores da Unidade de Desenvolvimento de Produto da Vulcano

29.11.04

A Condição Humana II

Sobre a Bondade

"A bondade num estilo absoluto, em contraposição à utilidade ou à excelência na antiguidade greco-romana, apenas se tornou conhecida na nossa civilização com o advento do cristianismo." p. 87

"A única actividade que Jesus ensinou, por palavras e actos, foi a bondade; e a bondade contém, obviamente, uma certa tendência para evitar ser vista e ouvida. (...) Quando a bondade se mostra abertamente já não é bondade, embora possa ser útil como caridade organizada ou como acto de solidariedade. Daí: Não dês as esmolas diante dos homens, para seres visto por eles." p. 88

"Talvez seja esta curiosa qualidade negativa da bondade, a ausência do fenómeno visível da aparência, o que torna o surgimento de Jesus de Nazaré na história um acontecimento tão profundamente paradoxal" p. 88

"Por que me chamais bom? (...) toda a vida de Jesus parece atestar que o amor à bondade resulta da compreensão de que nenhum homem pode ser bom." p. 88

"E, no entanto, o amor à bondade, ao contrário do amor à sabedoria, não se limita à experiência de poucos, da mesma forma que o isolamento, ao contrário da solidão, está ao alcance da experiência de todos os homens. Em certo sentido, portanto, a bondade e o isolamento têm muito mais relevância para a política que a sabedoria e a solidão." p. 90

"Talvez ninguém tenha percebido tão claramente essa qualidade destrutiva da bondade como Maquiavel que, numa passagem famosa, tem a ousadia de ensinar os homens a não serem bons. (...) A bondade que sai do seu esconderijo e assume papel público deixa de ser boa: torna-se corrupta nos seus próprios termos..." p. 91


in Arendt, Hannah, A Condição Humana, Relógio d' Agua, 2001

A Condição Humana I

Privacidade

" O amor é, pela sua própria natureza, não verbal, e é por essa razão que ele é não só apolítico como também anti-político. O amor é talvez a mais poderosa de todas as forças humanas anti-políticas"

"O amor, por exemplo, em contraposição à amizade, morre ou, antes, extingue-se assim que é trazido a público." p. 66

"Sempre que falamos de coisas que só podem ser experimentadas na privacidade ou na intimidade, trazemo-las para uma esfera na qual assumirão uma espécie de realidade que, apesar da sua intensidade, jamais poderiam ter tido antes." pp 64-65

"O sentimento mais intenso que conhecemos - intenso ao ponto de eclipsar todas as outras experiências, ou seja, a experiência de grande dor física - é, ao mesmo tempo, o mais privado e menos comunicável de todos." p. 65

" O primeiro eloquente explorador da intimidade - e até certo ponto, o seu teorizador - foi Jean-Jacques Rousseau; e é significativo que ele seja o único grande autor ao qual ainda hoje nos referimos frequentemente pelo primeiro nome. (...) A intimidade do coração, ao contrário da intimidade da moradia privada, não tem lugar objectivo e tangível no mundo..." p. 53

"[Ascenção do Social] O surpreendente florescimento da poesia e da música, a partir de meados do século XVIII até quase ao último terço do século XIX, acompanhado do surgimento do romance, a única forma de arte inteiramente social, coincidindo com um não menos surpreendente declínio de todas as artes mais públicas, especialmente a arquitectura, constitui testemunho suficiente de uma estreita relação entre o social e o íntimo." p. 53

" Finalmente, a actividade de pensar (...) ainda é possível, e sem dúvida ocorre, onde quer que os homens vivam em condições de liberdade política. Infelizmente, e ao contrário do que geralmente se supõe quanto à proverbial torre de marfim dos pensadores, nenhuma outra capacidade humana é tão vulnerável; de facto, numa tirania, é muito mais fácil agir que pensar." p. 395


in Arendt, Hannah, A Condição Humana, Relógio d' Agua, 2001


Ao Gonçalo Tavares, defensor da intimidade do coração, da moradia privada, e da linguagem privada (Wittgenstein).