Why would a part of the brain known to be important for the processing of pain and disgust turn out to the most important area for the appreciation of art?
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16.5.14
1.7.12
Herta Müller
A escritora romena Herta Müller (n. 1953) ganhou o Nobel de Literatura em 2009. Foi perseguida durante a ditadura de Ceausescu. O seu processo na Polícia de Segurança estatal chegou às 914 páginas. Na exposição sobre a vida e obra da escritora, organizada pelo Centro de Cultura Contemporánea de Barcelona, promovida pelo Goethe Institute, há documentos desse processo que são revelados ao público. O El País (que anda um dislate nestes tempos de Euro 2012) lá cumpriu o seu papel e foi ao encontro de Müller. O artigo é óptimo!
«...la dura tristeza de Müller embiste con el lenguaje, desde el mismo título de la conferencia: El idioma como patria. “Ese epígrafe no es mío: la lengua no es una patria, nunca lo es; las lenguas no causan las catástrofes… Un escritor cubano hablará la misma lengua que sus carceleros pero esa lengua habrá dejado de ser su patria”.»
«“Mis preferencias por escribir prosa o lírica son intuitivas. Cuando iba hacia los interrogatorios de la Securitate solía recitarme poesías, me daban fuerza… El miedo a la muerte no elimina nuestros sentimientos; con el miedo no se pierde la fantasía, sino que ella y tú misma te vuelves un poco más loca, los ojos se te hacen más grandes… Lo he vivido; la poesía es más pragmática para sobrevivir, te da más tranquilidad; por eso el amor desmesurado por la poesía en las dictaduras”.»
«Tras El hombre es un gran faisán en el mundo (1986), el acoso de los interrogatorios, el cerco a sus amistades, escuchas y censura de sus textos la colocan al borde del abismo. Y la obligan en marzo de 1987 a buscar desesperadamemte un permiso de salida que le costó 8.000 marcos al gobierno alemán y otros tantos a su familia en sobornos.»
«...la dura tristeza de Müller embiste con el lenguaje, desde el mismo título de la conferencia: El idioma como patria. “Ese epígrafe no es mío: la lengua no es una patria, nunca lo es; las lenguas no causan las catástrofes… Un escritor cubano hablará la misma lengua que sus carceleros pero esa lengua habrá dejado de ser su patria”.»
«“Mis preferencias por escribir prosa o lírica son intuitivas. Cuando iba hacia los interrogatorios de la Securitate solía recitarme poesías, me daban fuerza… El miedo a la muerte no elimina nuestros sentimientos; con el miedo no se pierde la fantasía, sino que ella y tú misma te vuelves un poco más loca, los ojos se te hacen más grandes… Lo he vivido; la poesía es más pragmática para sobrevivir, te da más tranquilidad; por eso el amor desmesurado por la poesía en las dictaduras”.»
«Tras El hombre es un gran faisán en el mundo (1986), el acoso de los interrogatorios, el cerco a sus amistades, escuchas y censura de sus textos la colocan al borde del abismo. Y la obligan en marzo de 1987 a buscar desesperadamemte un permiso de salida que le costó 8.000 marcos al gobierno alemán y otros tantos a su familia en sobornos.»
29.5.12
Pequena Nota dirigida ao Público
O Público não aceita, censura, um comentário/questão simples ao artigo «Para descobrir efeito do mercúrio no chumbo dos dentes - Reportagem da RTP reacende polémica sobre estudo com crianças da Casa Pia»: «por que razão não está este artigo em destaque?»
A notícia sobre o "Casa Pia study" não aparece na front page do Publico on line. Não se lê ou vê o link para a notícia. Critérios editoriais não se discutem? - Não. Critérios sobre aprovação de mensagens? - Claro que sim!
2.5.12
Cegueira branca no 1º de Maio
Ler:
"...quando se encontrou diante de um supermercado. Lá dentro o aspecto não era diferente, prateleireas vazias, escaparates derrubados, pelo meio vagueavam os cegos, a maior parte deles de gatas, varrendo com as mãos o chão imundo, esperando encontrar ainda algo que se pudesse aproveitar, uma lata de conserva que tivesse rsistido às pancadas com que tentaram abri-la, um pacote qualquer, do que fosse, uma batata, mesmo pisada, um naco de pão, mesmo feito pedra."
JOSÉ SARAMAGO, in Ensaio sobre a Cegueira
ou:"...quando se encontrou diante de um supermercado. Lá dentro o aspecto não era diferente, prateleireas vazias, escaparates derrubados, pelo meio vagueavam os cegos, a maior parte deles de gatas, varrendo com as mãos o chão imundo, esperando encontrar ainda algo que se pudesse aproveitar, uma lata de conserva que tivesse rsistido às pancadas com que tentaram abri-la, um pacote qualquer, do que fosse, uma batata, mesmo pisada, um naco de pão, mesmo feito pedra."
JOSÉ SARAMAGO, in Ensaio sobre a Cegueira
"... Alexandre Soares dos Santos (...) revelou que 1.500 dos funcionários do grupo têm os salários penhorados por dívidas e alguns até roubam nas lojas Pingo Doce para matar a fome. (...) Soares dos Santos sabe que pode contar com a pobreza daqueles a quem paga."
O assunto é o mesmo.
23.4.12
A última entrevista de Guimarães Rosa
Uma preciosidade histórica da língua portuguesa: a entrevista realizada pelo escritor e jornalista português Arnaldo Saraiva, em 24 de novembro de 1966. Guimarães Rosa morreria menos de um ano depois de tê-la concedido.
«Minha família do lado Guimarães é de Trás-os-Montes. Em Minas o que se vê mais é a casa minhota, mas na região em que eu nasci havia uma “ilha” transmontana. (...) Conheci Aquilino (Aquilino Ribeiro), mas acidentalmente. Eu entrei numa livraria, não sei qual, do Chiado (presumo que a Bertrand) e, quando pedi alguns livros dele, o empregado perguntou-me se eu queria conhecê-lo, pois estava ali mesmo. Respondi que sim, e desse modo obtive dois ou três autógrafos de Aquilino, com quem conversei alguns instantes. Voltei a estar com ele, mais tarde, num jantar que lhe foi oferecido enquanto de sua vinda ao Brasil. Mas ele, naturalmente, não se recordava de mim (porque eu não me apresentara como escritor), e eu também não lhe falei do assunto. (...) Em relação a mim, houve por aqui (no Brasil) muitos equívocos, que ainda hoje não desapareceram de todo e que, curiosamente, ao que parece, não houve em Portugal. Pensaram alguns que eu inventava palavras a meu bel-prazer ou que pretendia fazer simples erudição. Ora o que sucede é que eu me limitei a explorar as virtualidades da língua, tal como era falada e entendida em Minas, região que teve durante muitos anos ligação direta com Portugal, o que explica as suas tendências arcaizantes para lá do vocabulário muito concreto e reduzido. Talvez por isso que ainda hoje eu tenha verdadeira paixão pelos autores portugueses antigos. Uma das coisas que eu queria fazer era editar uma antologia de alguns deles (as antologias que existem não são feitas, como regra, segundo o gosto moderno), como Fernão Mendes Pinto, em quem ainda há tempos fui descobrir, com grande surpresa, uma palavra que uso no “Grande Sertão”: amouco. E vou dizer-lhe uma coisa que nunca disse a ninguém: o que mais me influenciou, talvez, o que me deu coragem para escrever foi a” História Trágico-Marítima” (coleção de relatos e notícias de naufrágios, acontecidos aos navegadores portugueses, reunidos por Bernardo Gomes de Brito e publicados em 1735). Já vê, por aqui, que as minhas “raízes” estão em Portugal e que, ao contrário do que possa parecer, não é grande a distância “linguística” que me separa dos portugueses.»
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20.4.12
Tabu
Miguel Gomes, o mesmo realizador de "Aquele Querido Mês de Agosto" (2008), realizou "Tabu" (2012) e venceu o prémio da crítica em Berlim. O que leio no Público é suficiente para nos sentar a todos na sala de cinema. É o que vou fazer logo à noite...
«Um filme "desconcertante", diz a Variety; "encantadoramente excêntrico", na versão da Hollywwod Reporter. Miguel Gomes está perto de se tornar "muito maior", garante o El Mundo. (...) Dividido em duas partes, o filme a preto e branco evoca e invoca ao mesmo tempo a presença portuguesa em África e o cinema clássico, passado entre a Lisboa dos nossos dias e os anos de 1960 no sopé do Monte Tabu. (..) O Hollywood Reporter escreveu que “Tabu” é um exercício “encantadoramente excêntrico” na meta-ficção, explicando que o realizador explora as suas personagens sem seguir qualquer regra narrativa, tornando lugares e experiências comuns “num estranho entretenimento contemporâneo”. “A liberdade de Gomes em trabalhar com peças familiares vai novamente ganhar elogios da crítica para o realizador que foi crítico”, acrescentou. No espanhol El Mundo, o crítico Luis Martínez comparou “Tabu” de Miguel Gomes ao “Tabu” do realizador alemão F. W. Murnau (1888-1931), por “ser um desses filmes” que leva “irremediavelmente” à melancolia. Para o crítico espanhol, Miguel Gomes, realizador de “Aquele Querido Mês de Agosto” ficou mais perto de se tornar “muito maior” do que aquilo que era antes da exibição do filme em Berlim. O filme tem já estreia assegurada em vários países – nos co-produtores (Portugal, Alemanha, Brasil e França), e no Canadá, Grécia, Suíça, Áustria, Sérvia, Bósnia, Montenegro, Austrália, Estados Unidos da Améria, Reino Unido, México e Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo).»
"Tabu" de Miguel Gomes estreou nas salas de cinema - Cultura - Notícias - RTP
1.4.12
«modernidade mutilada»
Souhayr Belhassen, activista tunisina dos direitos humanos, :
«A Tunísia tinha todos os ingredientes para fazer esta revolução. Temos a primeira Constituição do mundo árabe, o primeiro sindicato operário em África e no mundo árabe, o primeiro código de estatuto oficial evoluído, a primeira liga de direitos humanos no mundo árabe. A Tunísia foi o país que escolheu fazer da educação e não das armas a sua prioridade. Temos 90% da população escolarizada. A organização da justiça e do ensino determinava que o país tivesse escolhido a modernidade. Tinha todos os elementos de modernidade, mas essa modernidade estava mutilada. Porque tínhamos modernidade económica e social, mas não política. E esta modernidade mutilada serviu de terreno aos islamistas.»
4.2.12
Amazonas
é o mais certo. mesmo que Pentesileias e batalhas com Ulisses, mesmo que arco-flecha e lança, de seios comprimidos queimados cortados, nunca seremos a-mazós amazonas mulheres sem peito. varonis e robustas em Termodonte batalhas que perdemos, vingamo-nos com sangue e inocência. movidas pelo desespero da beleza
MRF, dezembro 2005
16.10.11
António Lobo Antunes
"É o poder económico que manda [nos partidos políticos]. (...) A Cultura é a base de tudo, para além da bondade, da tolerância. (...) Os países mais cultos da Europa não estão em crise [Suécia, Noruega, Alemanha, Finlândia]. Quem está em crise são os países onde a cultura é menos desenvolvida e foi menos apoiada. É a Grécia, Portugal..., isto é tão evidente! Se se comparar a taxa de leitura [dos países referidos] com a taxa de leitura dos portugueses, a diferença é brutal! (...) Os grandes autores não estão nas livrarias. Se for procurar Camões ou Fernão Lopes, eles não têm. Têm livros de auto-ajuda. (...) É preciso estar muito perdido para acreditar numa pessoa assim [Alberto João Jardim]. (...) Achava impossível poder-se construir um ser humano assim. O André Brun que foi um dos grandes humoristas portugueses nunca conseguiu construir uma personagem assim. O problema é a desgraça que essas pessoas podem trazer atrás delas.(...) O consumo do pão baixou 30 a 40%, isto é inadmissível. Quem foram os malandros que fizeram isto ao meu país?"
António Lobo Antunes, «[quando esteve doente] estava grávido da morte». «Ninguém está preparado para morrer e o drama é que também muito poucas pessoas estão preparadas para viver. Nós vivemos muito mal.»
[quando esteve doente], «a pessoa que me ajudou mais foi o Júlio Pomar, ele teve o mesmo cancro que eu tive, e a frase que ele me disse foi "aguenta-te"». «A maçada da morte é que se fica morto muito tempo».
11.9.11
The losses of 9/11 by numbers
A decaying photo on a decaying plywood wall, perhaps one of the last family memorials remaining in Manhattan, 10 years after Sept.11. Photo The New York Times
15.12.10
e assim acontece
E assim acontece. Carlos Pinto Coelho morreu. A foto é dele__chamou-lhe "Interdito". mas é o fim de um caminho.
17.7.10
Kem esk?
«K: No essencial, o que o separa do CDS e do PS?
Custa-me a responder a essa pergunta. Não sei bem o que são hoje esses partidos e mesmo o que é o próprio PSD. Não há conjuntos coerentes de ideias identificáveis como a ideologia do CDS, ou do PS, ou do PSD. Há uma interpenetração. O PSD defende algumas políticas que o CDS defende e políticas que o PS também defende. Parte das minhas políticas passa por ser de Esquerda e outra parte por ser de Direita. E, para não ir mais longe, olhe que até o PS (...) propõe pontes privadas. Hoje, na prática, prevalece o pragmatismo e a credibilidade pessoal dos governantes.»
Se quiserem saber quem é o autor destas palavras, registadas em 1991, (re)leiam a K.
Custa-me a responder a essa pergunta. Não sei bem o que são hoje esses partidos e mesmo o que é o próprio PSD. Não há conjuntos coerentes de ideias identificáveis como a ideologia do CDS, ou do PS, ou do PSD. Há uma interpenetração. O PSD defende algumas políticas que o CDS defende e políticas que o PS também defende. Parte das minhas políticas passa por ser de Esquerda e outra parte por ser de Direita. E, para não ir mais longe, olhe que até o PS (...) propõe pontes privadas. Hoje, na prática, prevalece o pragmatismo e a credibilidade pessoal dos governantes.»
Se quiserem saber quem é o autor destas palavras, registadas em 1991, (re)leiam a K.
5.1.10
Lhasa de Sela: A nómada não canta mais
Lhasa de Sela: A nómada não canta mais
Ípsilon - 05.01.2010 - João Bonifácio
Lhasa de Sela, cantora de culto americana-mexicana que vivia no Canadá, morreu no primeiro dia deste ano, aos 37 anos. A mulher misteriosa dos discos era uma rapariga doce e esquiva, movida por um ímpeto criativo muito distante das normas habituais da indústria
Tão repentinamente como surgiu também assim partiu: Lhasa de Sela, cantora e compositora nascida em Nova Iorque, mas profundamente influenciada pela cultura mexicana, faleceu no dia 1 de Janeiro deste ano, aos 37 anos de idade, de um cancro da mama, contra o qual lutava há 21 meses. Deixou pai, mãe, irmãos, sobrinhos, e um culto de fãs indefectíveis, reflectido no milhão de cópias que os seus três discos venderam.
Desde a primeira vez que a sua voz se ouviu em disco que Lhasa surgiu aos melómanos como um ser vindo de outro mundo. Do seu álbum de estreia, La Llorona, composto a meias com o magnífico músico Yves Desroisiers, constavam apenas baladas cambaleantes, que versavam mitos pagãos mexicanos, amores de faca e alguidar, o sangue, a morte e as cartas que trazem a fortuna e a desgraça e nos traçam o destino.
Era um disco centrado na guitarra acústica de Desroisiers, com apontamentos de acordeão e banjo, mas que estava longe de ser "bonitinho", muito por força da voz de Lhasa, que dominava - ou assombrava, se quisermos ser exactos - cada canção: possuidora de uma voz grave mas ampla, Lhasa tão depressa conseguia soar ébria como apaixonada como vingativa como sensual. La Llorona cantava os mais velhos dos assuntos e Lhasa cantava-os como se existisse desde sempre, como se aquelas canções estivessem ali, há séculos, à espera de serem ouvidas. Não parecia ter 26 anos: parecia ser mais velha que Chavela Vargas, a diva mexicana com quem na altura foi comparada. Podia ter uma voz de veludo, mas aquele veludo conhecia todo o tipo de nódoas.
Irrequietude natural O êxito de La Llorona foi rápido e surpreendente, em particular tendo em conta que em 1997 o mundo não estava propriamente virado para canções acústicas cantadas em espanhol. Mas além das canções, a própria Lhasa contribuiu para o sucesso do disco: não só era tremendamente bonita como tinha igualmente uma história pessoal incomum que contribuiu, nesses dias pré-YouTube, para o mito de "mulher misteriosa" que sempre a seguiu.
Filha de pai mexicano e mãe americana-judia-libanesa, Lhasa não cresceu como a maior parte das raparigas. Os seus pais eram nómadas, e ela passou os primeiros anos de vida com eles e os irmãos on the road entre os Estados Unidos e o México. Todas as noites, em vez de ver televisão, os irmãos faziam um teatrinho ou cantavam. Isto marcou-a ao ponto de após a digressão de La Llorona se ter juntado a um circo em França.
A sua história de vida valeu-lhe o epíteto "cantora nómada", mas quem teve oportunidade de privar com ela tem a impressão de o nomadismo não se dever a uma qualquer mania aventureira, antes a uma irrequietude natural e à incapacidade de conviver com a indústria musical. Numa entrevista à Roots World, na altura do lançamento do seu segundo disco, The Living Road, em 2003, Lhasa confessava que depois da digressão do primeiro disco abandonara tudo para ir para França porque se sentia "a morrer". "Fiz tudo menos rapar o cabelo e tornar-me freira", acrescentou. A vida no circo, rodeada de alguns dos irmãos, era simples e repleta de tarefas, o que lhe agradava: "Acordo todos os dias com a minha sobrinha a dizer-me que me ama", dizia, com candura.
The Living Road era um disco mais complexo, com guitarras, banjos, melódicas. Mesmo sendo um disco mais opulento, com arranjos imaculados, soava ainda a uma carroça a desconjuntar-se na beira de uma estrada poeirenta, e voltou a merecer os encómios da crítica.
[Continuação do artigo]
Ípsilon - 05.01.2010 - João Bonifácio
Lhasa de Sela, cantora de culto americana-mexicana que vivia no Canadá, morreu no primeiro dia deste ano, aos 37 anos. A mulher misteriosa dos discos era uma rapariga doce e esquiva, movida por um ímpeto criativo muito distante das normas habituais da indústria
Tão repentinamente como surgiu também assim partiu: Lhasa de Sela, cantora e compositora nascida em Nova Iorque, mas profundamente influenciada pela cultura mexicana, faleceu no dia 1 de Janeiro deste ano, aos 37 anos de idade, de um cancro da mama, contra o qual lutava há 21 meses. Deixou pai, mãe, irmãos, sobrinhos, e um culto de fãs indefectíveis, reflectido no milhão de cópias que os seus três discos venderam.
Desde a primeira vez que a sua voz se ouviu em disco que Lhasa surgiu aos melómanos como um ser vindo de outro mundo. Do seu álbum de estreia, La Llorona, composto a meias com o magnífico músico Yves Desroisiers, constavam apenas baladas cambaleantes, que versavam mitos pagãos mexicanos, amores de faca e alguidar, o sangue, a morte e as cartas que trazem a fortuna e a desgraça e nos traçam o destino.
Era um disco centrado na guitarra acústica de Desroisiers, com apontamentos de acordeão e banjo, mas que estava longe de ser "bonitinho", muito por força da voz de Lhasa, que dominava - ou assombrava, se quisermos ser exactos - cada canção: possuidora de uma voz grave mas ampla, Lhasa tão depressa conseguia soar ébria como apaixonada como vingativa como sensual. La Llorona cantava os mais velhos dos assuntos e Lhasa cantava-os como se existisse desde sempre, como se aquelas canções estivessem ali, há séculos, à espera de serem ouvidas. Não parecia ter 26 anos: parecia ser mais velha que Chavela Vargas, a diva mexicana com quem na altura foi comparada. Podia ter uma voz de veludo, mas aquele veludo conhecia todo o tipo de nódoas.
Irrequietude natural O êxito de La Llorona foi rápido e surpreendente, em particular tendo em conta que em 1997 o mundo não estava propriamente virado para canções acústicas cantadas em espanhol. Mas além das canções, a própria Lhasa contribuiu para o sucesso do disco: não só era tremendamente bonita como tinha igualmente uma história pessoal incomum que contribuiu, nesses dias pré-YouTube, para o mito de "mulher misteriosa" que sempre a seguiu.
Filha de pai mexicano e mãe americana-judia-libanesa, Lhasa não cresceu como a maior parte das raparigas. Os seus pais eram nómadas, e ela passou os primeiros anos de vida com eles e os irmãos on the road entre os Estados Unidos e o México. Todas as noites, em vez de ver televisão, os irmãos faziam um teatrinho ou cantavam. Isto marcou-a ao ponto de após a digressão de La Llorona se ter juntado a um circo em França.
A sua história de vida valeu-lhe o epíteto "cantora nómada", mas quem teve oportunidade de privar com ela tem a impressão de o nomadismo não se dever a uma qualquer mania aventureira, antes a uma irrequietude natural e à incapacidade de conviver com a indústria musical. Numa entrevista à Roots World, na altura do lançamento do seu segundo disco, The Living Road, em 2003, Lhasa confessava que depois da digressão do primeiro disco abandonara tudo para ir para França porque se sentia "a morrer". "Fiz tudo menos rapar o cabelo e tornar-me freira", acrescentou. A vida no circo, rodeada de alguns dos irmãos, era simples e repleta de tarefas, o que lhe agradava: "Acordo todos os dias com a minha sobrinha a dizer-me que me ama", dizia, com candura.
The Living Road era um disco mais complexo, com guitarras, banjos, melódicas. Mesmo sendo um disco mais opulento, com arranjos imaculados, soava ainda a uma carroça a desconjuntar-se na beira de uma estrada poeirenta, e voltou a merecer os encómios da crítica.
[Continuação do artigo]
24.12.09
13.12.09
Temos de criar esse futuro
Mais uma excelente entrevista de Alexandra Lucas Coelho no Ípsilon (10-12-09). Caetano aos 67 anos. A infância da velhice, diz ele. Ouçamos o canto:
«Há algo muito importante no facto de Lula ser pouco ilustrado do ponto de vista formal, no facto dele continuar falando como no ambiente de pessoas, em geral analfabetas, onde ele cresceu. Isso é relevante, e mais ainda do que possamos pensar. Não conheço nenhum caso. Não posso imaginar o que aconteceria na França se um homem que usasse os verbos todos errados em relação aos sujeitos chegasse a se candidatar a presidente, e a ganhar as eleições. Que escândalo não seria na Argentina. Então, o facto de um homem ignorante nas letras e na informação escolar ter-se tornado presidente - e ser um presidente importante, relevante, e sob muitos aspectos bom, embora sob outros muito mau também -, é algo que diz muito sobre o Brasil, sobre a informalidade brasileira, sobre um caso extremo de não-vigência do preconceito linguístico.
Gente!, este homem foi eleito Presidente da República dizendo "as porta", sem fazer o plural, a concordância! Então, os brasileiros são um povo que não demonstrou preconceito quanto a isso. Nem sequer as classes altas o fizeram. Porque se houve quem o comentasse, isso não atrapalhou a eleição, e muito menos atrapalha a aprovação que ele tem, recorde em qualquer época no Brasil, e um dos maiores índices de qualquer presidente em qualquer país do mundo.
O Brasil é muito especial quanto a isso também. Ou seja, eu olho para Lula e vejo um número enorme de coisas de que posso me orgulhar, e são características do Brasil.»
«Uma vez, fiquei uns 20 dias na África, sobretudo na Nigéria e na Costa do Marfim. Nunca tinha estado lá. Passei pelo Senegal, que achei muito bonito, mas em Lagos era terrível.
E conversando com o professor Agostinho [da Silva], dessa segunda vez, eu disse para ele: "Professor, sabe que eu me senti mal na África? Achei que nos dá a sensação de que lá não há futuro. Não há futuro possível. É terrível dizer isso." E ele falou: "Mas é, não há mesmo. Por isso temos de fazer mais fortemente o que fazemos. Temos de criar esse futuro." Acho isso muito bonito.
E a ideia de que Portugal civilizou a Ásia, a África e América e falta civilizar a Europa é muito bonita, porque é muito desabusada, e na contramão do óbvio. Portugal é justamente o país da Europa Ocidental que ficou mais para trás na história.
Mas acontece que o pensamento dele desde sempre foi que terá sido uma benção Portugal ter ficado para trás quando a Inglaterra entrou nesse mundo que o fez como o conhecemos hoje, e a França, e a Alemanha. Ele era muito erudito e muito inteligente, e ao mesmo tempo tinha esse pensamento de que eu gostava muito.»
«Na história que se ensina no Brasil, os professores tendem a ir para a esquerda, e os livros passaram a tender também, e muitas vezes toda a história de Portugal, da descoberta, da colonização brasileira, é apresentada como um mau sucesso. D. João VI seria um sujeito que ainda estava ligado às ideias católicas medievais, seria uma corte que não se modernizou, e isso teria levado para o Brasil um negócio atrasado.
Isso é que o professor Agostinho, e acho que Fernando Pessoa também, viam como uma vantagem, A minha vantagem, e talvez eu me identifique muito com essas pessoas, foi sempre considerar as desvantagens como uma oportunidade.»
«No livro "Verdade Tropical", o momento mais criticado foi eu dizer que o Brasil deveria ser ateu. E criticado com razão. Não há o menor indício de que o Brasil tenha vocação para isso.
Mas o ateísmo filosófico moderno, que tem a ver com a experiência do mundo moderno que vimos vivendo, não pode ser simplesmente negado. Eu não acredito na nova religiosidade, e acho que isso é um problema imenso, que tem de ser transposto. O Brasil tem tarefas imensas, e uma virada grande tem de incluir isso [o ateísmo].»
«Há algo muito importante no facto de Lula ser pouco ilustrado do ponto de vista formal, no facto dele continuar falando como no ambiente de pessoas, em geral analfabetas, onde ele cresceu. Isso é relevante, e mais ainda do que possamos pensar. Não conheço nenhum caso. Não posso imaginar o que aconteceria na França se um homem que usasse os verbos todos errados em relação aos sujeitos chegasse a se candidatar a presidente, e a ganhar as eleições. Que escândalo não seria na Argentina. Então, o facto de um homem ignorante nas letras e na informação escolar ter-se tornado presidente - e ser um presidente importante, relevante, e sob muitos aspectos bom, embora sob outros muito mau também -, é algo que diz muito sobre o Brasil, sobre a informalidade brasileira, sobre um caso extremo de não-vigência do preconceito linguístico.
Gente!, este homem foi eleito Presidente da República dizendo "as porta", sem fazer o plural, a concordância! Então, os brasileiros são um povo que não demonstrou preconceito quanto a isso. Nem sequer as classes altas o fizeram. Porque se houve quem o comentasse, isso não atrapalhou a eleição, e muito menos atrapalha a aprovação que ele tem, recorde em qualquer época no Brasil, e um dos maiores índices de qualquer presidente em qualquer país do mundo.
O Brasil é muito especial quanto a isso também. Ou seja, eu olho para Lula e vejo um número enorme de coisas de que posso me orgulhar, e são características do Brasil.»
«Uma vez, fiquei uns 20 dias na África, sobretudo na Nigéria e na Costa do Marfim. Nunca tinha estado lá. Passei pelo Senegal, que achei muito bonito, mas em Lagos era terrível.
E conversando com o professor Agostinho [da Silva], dessa segunda vez, eu disse para ele: "Professor, sabe que eu me senti mal na África? Achei que nos dá a sensação de que lá não há futuro. Não há futuro possível. É terrível dizer isso." E ele falou: "Mas é, não há mesmo. Por isso temos de fazer mais fortemente o que fazemos. Temos de criar esse futuro." Acho isso muito bonito.
E a ideia de que Portugal civilizou a Ásia, a África e América e falta civilizar a Europa é muito bonita, porque é muito desabusada, e na contramão do óbvio. Portugal é justamente o país da Europa Ocidental que ficou mais para trás na história.
Mas acontece que o pensamento dele desde sempre foi que terá sido uma benção Portugal ter ficado para trás quando a Inglaterra entrou nesse mundo que o fez como o conhecemos hoje, e a França, e a Alemanha. Ele era muito erudito e muito inteligente, e ao mesmo tempo tinha esse pensamento de que eu gostava muito.»
«Na história que se ensina no Brasil, os professores tendem a ir para a esquerda, e os livros passaram a tender também, e muitas vezes toda a história de Portugal, da descoberta, da colonização brasileira, é apresentada como um mau sucesso. D. João VI seria um sujeito que ainda estava ligado às ideias católicas medievais, seria uma corte que não se modernizou, e isso teria levado para o Brasil um negócio atrasado.
Isso é que o professor Agostinho, e acho que Fernando Pessoa também, viam como uma vantagem, A minha vantagem, e talvez eu me identifique muito com essas pessoas, foi sempre considerar as desvantagens como uma oportunidade.»
«No livro "Verdade Tropical", o momento mais criticado foi eu dizer que o Brasil deveria ser ateu. E criticado com razão. Não há o menor indício de que o Brasil tenha vocação para isso.
Mas o ateísmo filosófico moderno, que tem a ver com a experiência do mundo moderno que vimos vivendo, não pode ser simplesmente negado. Eu não acredito na nova religiosidade, e acho que isso é um problema imenso, que tem de ser transposto. O Brasil tem tarefas imensas, e uma virada grande tem de incluir isso [o ateísmo].»
15.10.09
Magnetricidade
Talvez hoje se tenha feito História. Talvez os nossos netos ou bisnetos venham a ter que aprender na escola as descobertas de Steve Bramwell e colegas do University College de Londres (UCL), publicadas hoje na revista "Nature", dando conta de que as cargas magnéticas podem circular como as cargas eléctricas:
«A experiência realizada por estes investigadores “prova a existência de ‘cargas magnéticas’, do tamanho de um átomo, que se comportam e interagem como as familiares cargas eléctricas”, explica ainda o documento. “E também mostra que existe uma simetria perfeita entre electricidade e magnetismo”».
«A experiência realizada por estes investigadores “prova a existência de ‘cargas magnéticas’, do tamanho de um átomo, que se comportam e interagem como as familiares cargas eléctricas”, explica ainda o documento. “E também mostra que existe uma simetria perfeita entre electricidade e magnetismo”».
O fenómeno foi baptizado de magnetricidade. Não percebo nada de Física mas adoro a expectativa à volta destas revelações científicas. É uma sensação "magnétrica"! (ah, pois, contemos com a apropriação/adaptação/deturpação rápida do conceito pela literatura e ciências sociais)
Observatório arrasa justiça portuguesa
Vivian Maier«...Observatório Permanente da Justiça traça um quadro crítico da organização do Ministério Público, acentua a falta de especialização de procuradores e magistrados judiciais e defende ser necessária uma nova cultura judiciária. Ao legislador é apontado o dedo pela falta de preparação das reformas e pela inexistência de um período adequado de adaptação.
No plano legislativo, o grupo de investigadores dirigido por Boaventura de Sousa Santos propõe mudanças já esperadas em áreas como a prisão preventiva, os prazos de inquérito e consequente preservação do segredo de justiça, além da a realização de julgamentos sumários. Mas acaba por dar igual destaque a recomendações de carácter não legislativo e considera indispensáveis para se conseguirem ganhos de eficácia.
Lembrando que a justiça "é chamada a desempenhar um papel central" num contexto de crise, em que os cidadãos se vêem "cada vez mais confrontados com um conjunto vasto de injustiças sociais", o relatório sustenta que "os poderes político e judicial têm que assumir um alto compromisso com os cidadãos". E esse compromisso passa sobretudo pelo combate à criminalidade grave e à corrupção. "A verdade é que, até agora, a justiça portuguesa não conseguiu que um único caso de criminalidade económico-financeira grave, que envolvesse pessoas poderosas, tivesse chegado ao fim com uma condenação transitada em julgado." Razão para que parte do relatório final, já entregue em Julho ao Ministério da Justiça mas não divulgado, analise as causas dessa falta de resultados.»
[Ler artigo completo no i]
No plano legislativo, o grupo de investigadores dirigido por Boaventura de Sousa Santos propõe mudanças já esperadas em áreas como a prisão preventiva, os prazos de inquérito e consequente preservação do segredo de justiça, além da a realização de julgamentos sumários. Mas acaba por dar igual destaque a recomendações de carácter não legislativo e considera indispensáveis para se conseguirem ganhos de eficácia.
Lembrando que a justiça "é chamada a desempenhar um papel central" num contexto de crise, em que os cidadãos se vêem "cada vez mais confrontados com um conjunto vasto de injustiças sociais", o relatório sustenta que "os poderes político e judicial têm que assumir um alto compromisso com os cidadãos". E esse compromisso passa sobretudo pelo combate à criminalidade grave e à corrupção. "A verdade é que, até agora, a justiça portuguesa não conseguiu que um único caso de criminalidade económico-financeira grave, que envolvesse pessoas poderosas, tivesse chegado ao fim com uma condenação transitada em julgado." Razão para que parte do relatório final, já entregue em Julho ao Ministério da Justiça mas não divulgado, analise as causas dessa falta de resultados.»
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25.9.09
Esmiuçar os jornais do dia...

... e ficar com vontade de ser uma gatinha fedorenta! :)
O que dá tanta lavoura!
O número três do partido de Portas à Câmara de Moura foi apanhado pela GNR. Estaria a desviar palha de uma herdade (...). Somos democratas-cristãos e está explícito na Bíblia que quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Não é por meia dúzia de fardos velhos que vamos tirar a pessoa da lista, neste momento. Cabe à Justiça e a Deus julgarem o acto", diz a líder centrista em Beja.
O Papa é meu!
Ontem, os bispos congratularam-se com a anunciada visita do Papa a Portugal, mas não deixaram de sublinhar que preferiam que o anúncio tivesse sido feito, por um lado, em conjunto com a Conferência Episcopal Portuguesa e, por outro, após as Legislativas de domingo.
D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, é da opinião de que 'o anúncio após as eleições teria sido mais ajustado'. Já o patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, fez saber que 'gostava' que o anúncio tivesse sido conjunto. 'Se me pergunta se eu gostava que tivesse sido simultâneo, gostava. Não aconteceu, e não há problema', afirmou.
Descontrolo de doenças:
"Uma médica disse-me sempre que ele não tinha gripe A, mas hoje ouvi a mesma médica na televisão a dizer que tinha. Não percebemos", lamentou Augusta. Mas a confusão não se limita à família. Segundo explicou a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, como a morte não foi causada pelo H1N1, de acordo com a informação dada pelos médicos, este óbito não será comunicado à Organização Mundial de Saúde (OMS) ou ao Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), que monitorizam a evolução da pandemia no mundo. Apesar disso, o relatório de ontem do ECDC já contabilizava uma morte em Portugal. Paulo Moreira, do ECDC, explica que devido ao anúncio da ministra, reproduzido na comunicação social, o Centro resolveu actualizar os dados.
Tenho mesmo de ouvir isto?
A dada altura, desenvolvemos um currículo de educação sexual baseado nos jogos de clarificação de valores, o que incluía actividades em que as crianças eram convidadas a falar abertamente sobre sentimentos e desejos de natureza sexual.
Experimentámos esta nova técnica nas escolas dirigidas pela ordem do Imaculado Coração, na Califórnia. No início da experiência, a ordem tinha 58 escolas e 600 freiras. Em 2002, a BBC exibiu um documentário sobre a nossa experiência e o balanço que fazia era este: «O efeito da experiência foi um verdadeiro cataclismo. Em menos de um ano, 300 freiras - metade do convento - pediram ao Vaticano para serem dispensadas dos seus votos e, seis meses depois, o convento fechou as portas. Tudo o que restou foi um pequeno grupo de freiras… que se tornaram lésbicas radicais».
O número três do partido de Portas à Câmara de Moura foi apanhado pela GNR. Estaria a desviar palha de uma herdade (...). Somos democratas-cristãos e está explícito na Bíblia que quem nunca pecou que atire a primeira pedra. Não é por meia dúzia de fardos velhos que vamos tirar a pessoa da lista, neste momento. Cabe à Justiça e a Deus julgarem o acto", diz a líder centrista em Beja.
O Papa é meu!
Ontem, os bispos congratularam-se com a anunciada visita do Papa a Portugal, mas não deixaram de sublinhar que preferiam que o anúncio tivesse sido feito, por um lado, em conjunto com a Conferência Episcopal Portuguesa e, por outro, após as Legislativas de domingo.
D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, é da opinião de que 'o anúncio após as eleições teria sido mais ajustado'. Já o patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, fez saber que 'gostava' que o anúncio tivesse sido conjunto. 'Se me pergunta se eu gostava que tivesse sido simultâneo, gostava. Não aconteceu, e não há problema', afirmou.
Descontrolo de doenças:
"Uma médica disse-me sempre que ele não tinha gripe A, mas hoje ouvi a mesma médica na televisão a dizer que tinha. Não percebemos", lamentou Augusta. Mas a confusão não se limita à família. Segundo explicou a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, como a morte não foi causada pelo H1N1, de acordo com a informação dada pelos médicos, este óbito não será comunicado à Organização Mundial de Saúde (OMS) ou ao Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), que monitorizam a evolução da pandemia no mundo. Apesar disso, o relatório de ontem do ECDC já contabilizava uma morte em Portugal. Paulo Moreira, do ECDC, explica que devido ao anúncio da ministra, reproduzido na comunicação social, o Centro resolveu actualizar os dados.
Tenho mesmo de ouvir isto?
A dada altura, desenvolvemos um currículo de educação sexual baseado nos jogos de clarificação de valores, o que incluía actividades em que as crianças eram convidadas a falar abertamente sobre sentimentos e desejos de natureza sexual.
Experimentámos esta nova técnica nas escolas dirigidas pela ordem do Imaculado Coração, na Califórnia. No início da experiência, a ordem tinha 58 escolas e 600 freiras. Em 2002, a BBC exibiu um documentário sobre a nossa experiência e o balanço que fazia era este: «O efeito da experiência foi um verdadeiro cataclismo. Em menos de um ano, 300 freiras - metade do convento - pediram ao Vaticano para serem dispensadas dos seus votos e, seis meses depois, o convento fechou as portas. Tudo o que restou foi um pequeno grupo de freiras… que se tornaram lésbicas radicais».
[Imagem: Silvia Faini]
22.9.09
Entra paranóia, sai bode
I.
«...como pode o Presidente fazer declarações altruístas sobre a situação nacional e ao mesmo tempo caucionar (se não mesmo instigar) ataques abaixo da cintura lançados de Belém sobre São Bento?
(...)
Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do Presidente da República minar a relação institucional (ou a “cooperação estratégica”) com o governo.»
Assina: Joaquim Vieira, O Provedor dos Leitores do Público
(...)
Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do Presidente da República minar a relação institucional (ou a “cooperação estratégica”) com o governo.»
Assina: Joaquim Vieira, O Provedor dos Leitores do Público
P.S.: Ouçam ainda os comentários do "ilustre aveirense" (vivíssimo da silva, para variar), Rui Baptista (via Absorto).
Primeiro passo para Cavaco Silva continuar a ser um chefe de governo "muito acarinhado": arranjar um bode expiatório. Fernando Lima passa ao estado de animal que é separado do rebanho e deixado só na natureza selvagem. For Cavaco is a jolly good fellow, for he's a jolly good fellow...
[Imagem: William Holman Hunt, The Scapegoat, 1854]
21.9.09
Deveria passar a ser obrigatório...
Daniel GarciaUn dia más
...umas noções de métodos de investigação sociológica nos cursos de jornalismo. mesmo se não acredito na inocência desta notícia. na verdade, o que é chocante é a total falta de ética jornalística. ok, acrescentemos pós-graduações em «Relacões com a Administração - Como manter a independência sem perder o emprego». Expresso, 21 de Setembro:
José Sócrates é apontado pelos portugueses como o pior primeiro-ministro desde que Portugal entrou na União Europeia. A sondagem exclusiva da Exame/Gemeo-IPAM indica também que Cavaco Silva é o chefe do Governo mais acarinhado dos cinco políticos que governaram Portugal a partir de 1985.
e não. a culpa não é da sondagem. é de quem a encomenda em período pré-eleitoral e a utiliza sem pudor. experimentem aplicar o mesmo questionário quatro ou cinco anos depois de José Sócrates ter deixado o cargo de primeiro-ministro. quanto a Cavaco Silva, convém não esquecer que depois de passar pela Presidência, Mário Soares se tornou "o pai de todos os portugueses".
No mesmo jornal também apreciei o grande título: «Bloco é contra...mas Louçã investiu em PPR». O dirigente do BE veio a público explicar (ver JN)... mas o quê? que desaprova os benefícios fiscais de um produto financeiro que já adquiriu (sim, essa foi a notícia bombástica)? Ainda vão descobrir que o Jerónimo foi umas vezes à missa e que o Paulo Portas não tem cilícios em casa (é verdade, já todos esqueceram que PP foi director de uma empresa de sondagens. até os Gatos Fedorentos! se calhar é porque a tal empresa nunca fez sondagens).
José Sócrates é apontado pelos portugueses como o pior primeiro-ministro desde que Portugal entrou na União Europeia. A sondagem exclusiva da Exame/Gemeo-IPAM indica também que Cavaco Silva é o chefe do Governo mais acarinhado dos cinco políticos que governaram Portugal a partir de 1985.
e não. a culpa não é da sondagem. é de quem a encomenda em período pré-eleitoral e a utiliza sem pudor. experimentem aplicar o mesmo questionário quatro ou cinco anos depois de José Sócrates ter deixado o cargo de primeiro-ministro. quanto a Cavaco Silva, convém não esquecer que depois de passar pela Presidência, Mário Soares se tornou "o pai de todos os portugueses".
No mesmo jornal também apreciei o grande título: «Bloco é contra...mas Louçã investiu em PPR». O dirigente do BE veio a público explicar (ver JN)... mas o quê? que desaprova os benefícios fiscais de um produto financeiro que já adquiriu (sim, essa foi a notícia bombástica)? Ainda vão descobrir que o Jerónimo foi umas vezes à missa e que o Paulo Portas não tem cilícios em casa (é verdade, já todos esqueceram que PP foi director de uma empresa de sondagens. até os Gatos Fedorentos! se calhar é porque a tal empresa nunca fez sondagens).
e não. não posso acreditar que a culpa seja dos jornalistas. mas que é de quem mete dinheiro lá dentro, tenho a certeza.
por que raio não assumem os jornais, de vez, o seu alinhamento político?
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