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18.6.12

πολύ καλή

simplificando:
Na Grécia, o PASOK foi à vida. Temos novo maior partido da oposição, a Syriza. Não vai haver "união". Como é que se diz "muito bem", em grego?


____πολύ καλή (polú Kalí)! (disse ela)

pas élu...

Estas eleições legislativas, em França, não podem ser lidas sem os não eleitos!

Royal não foi eleita, sendo que, qual novela, a primeira-dama francesa, Valérie Trierweiller, apoiou Olivier Farlorni (que se candidatou apesar de o PS ter escolhido Ségolène Royal para se apresentar naquele círculo eleitoral).

Depois de ter eliminado Jean-Luc Mélenchon (Front de Gauche) na primeira volta, a líder da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, acabou por também falhar a eleição para o Parlamento. Mas felicitou-se pelo “sucesso enorme do seu partido”: a sua sobrinha de 22 anos, Marion Maréchal-Le Pen, conseguiu-o (e, para além dela, apenas mais deputado da FN), tornando-se na mais jovem deputada (um orgulho para o avô, Jean-Marie Le Pen).

François Bayrou, presidente do centrista MoDem, também foi derrotado na circunscrição em que concorria.
 
Claude Guéant, que foi ex-chefe de gabinete e ministro do Interior e se distinguiu por dizer que nem todas as civilizações têm o mesmo valor (falava da civilização árabe), também não obteve o seu lugar de deputado. Enfim, a UMP (o partido de Sarko) foi severamente punida.

Dizer que o PS obteve
maioria absoluta não tem nenhum interesse. Victor Hugo, Balzac, Zola, regressem! Continua a haver imensa matéria de "acusação"!

17.6.12

Hoje, Antígona, Creonte ou o Coro?

Slavoj Žižek. O filósofo esloveno participou na campanha da Syriza. Syrica representará o que designou como a "paixão pelo Real". Como Antígona, diria eu, quando decide transgredir as leis da cidade. Mas não é assim: como o Coro, a voz do povo, afirma Žižek, fazendo corresponder Antígona e Creonte, personagens da peça de Sófocles, aos partidos Pasok e Nova Democracia.
Este discurso vai contra todos os "significantes vazios" desta nossa era.
[Quem nos dera um Žižek num comício eleitoral! Quem nos dera ser o símbolo de qualquer pequena revolta para o merecermos!]

3.5.12

«nouvelles coopérations»

Philippe Douste-Blazy é um homem de centro-direita. Apoiou François Bayrou na primeira volta. Não vai votar em Sarkozy e, num artigo do Le Monde, justifica a sua posição. O que é interessante é o conceito de "fronteira" que defende, assim como o seu ponto de vista sobre a regulação dos fluxos migratórios. Não inova. Mas há, neste artigo, valores que têm andado muito esquecidos.

«...car on ne règlera la question des flux migratoires que par l'aide au développement en inventant de nouveaux mécanismes de solidarité mondiale pour permettre aux plus pauvres de la terre d'avoir accès aux Biens Publics Mondiaux (nourriture, eau potable, accès à la santé, à l'éducation et à l'assainissement). L'accès d'un village au cœur du Mali aux médicaments anti paludisme, ce sont dix candidats de moins à l'exode. C'est ce que nous devrions faire, car on ne règlera pas la plupart de nos problèmes d'injustice sans la réelle mise en œuvre de financements innovants à l'échelle d'abord européenne puis mondiale avec, en pariculier, la mise en œuvre de la taxe sur les transactions financières, seul impôt adapté au monde global. C'est ce que devrait faire la France, pays des Droits de l'Homme, en montrant l'exemple, en proposant de dépasser la notion des vieilles frontières, en créant de nouvelles coopérations à l'échelon européen et mondial plutôt que construire des murs.»

11.10.09

Autárquicas


Nestas eleições serão eleitos 308 presidentes de câmaras municipais e eleitos 4257 presidentes de juntas de freguesia e as respectivas assembleias. Na foto podem apreciar o actual executivo da CMA. Ao centro, o (re)candidato a Presidente da Câmara pela coligação PSD/CDS-PP. Votem no partido que quiserem mas aviso já que, à excepção do bigode, tudo é postiço.

Adenda 12-10: Nos próximos anos, este blogue vai desenvolver a rubrica «Eu avisei!» (alternada pontualmente com outra intitulada «Olha que bem!»)(porque a esperança não quer morrer)

28.9.09

Voto portentoso


Ontem passei o dia numa secção de voto. a nº 1 de uma freguesia de Aveiro. ou seja, a mesa das pessoas recenseadas há mais tempo. a mesa dos mais velhos. Quando entrava alguém com bengala, sabíamos que ia votar na nossa mesa. Dos 950 eleitores inscritos, votaram 704. A abstenção foi de 26%, muito abaixo da média. Chegaram cedo. Houve um período em que a fila tinha 200 pessoas. um sem parar de números e nomes lidos em voz alta. Muitos destes votantes apresentavam dificuldades de mobilidade, mãos trémulas, desorientação espacial. alguns vinham acompanhados de cônjuges, filhos, netos que os auxiliavam. Fomos a mesa que bateu o recorde de participação. e fiquei a saber que a tradição é essa. A secção de voto nº 1 é sempre a mais concorrida.

Não pude deixar de pensar nas razões que motivam as pessoas mais idosas a votar de forma tão maciça. Será a memória viva do tempo em que não podiam exercer esse direito? Será um sentido de dever arraigado a uma mentalidade de respeito pelas instituições do Estado?

O que é certo é que fiquei com vontade de registar aquela afluência. Imaginei uma câmara, sequências de imagens - full shots, seguidos de close up sobre rostos e mãos enrugadas, inserts centrados nos olhares e gestos tantas vezes hesitantes ou determinados. Vi aquele espaço como uma passerelle de eleitores exemplares, modelos de participação cívica e política, que merecia projecção. Combater a indiferença dos mais ou menos jovens com o filme que ontem, de forma espontânea, todos os actores inscritos na secção de voto nº 1 realizaram.

No final, contamos 7 votos nulos e 9 votos em branco. Foram 16 votos de protesto (os primeiros não se deveram a enganos mas a raivas. vertidas pelo traçar de riscos de alto a baixo no boletim de voto). Quem foram esses homens ou mulheres? Qual dos modelos se dirigiu ali, e com que esforço, para dizer "Não"?



[Imagem: René Magritte. Les Jours gigantesques. 1928. Oil on canvas. 116x81 cm]

27.9.09

Sonhos a votos

Cruzeiro Seixas
Sonho, 2001
Desenho s/ papel, 21x29,5 cm


Peguem nos vossos sonhos e levem-nos para a cabine de voto. Deixem o derrotismo fechado em casa.

20.9.09

Políticas Culturais: Que futuro para Aveiro?

MESA REDONDA/DEBATE
ESTÚDIO PERFORMAS - DIÁRIO DE AVEIRO
DIA 29-09. ÀS 21:30

O poder autárquico democrático, que em Portugal teve início em 1976, tem vindo a expandir as suas áreas de intervenção: se há 33 anos se esperava que as Câmaras Municipais se ocupassem da pavimentação das ruas, do fornecimento de água e, eventualmente, do saneamento básico, hoje as atribuições próprias das autarquias são muito mais extensas e há quem veja nesse reforço de competências uma condição essencial para o aprofundamento da democracia e da participação cívica.

A intervenção cultural constitui uma dessas áreas que os municípios chamaram à sua responsabilidade, em alguns casos com grande sucesso. Factor preponderante para o desenvolvimento local em cidades de pequena e média dimensão e um efectivo elemento para a avaliação da qualidade de vida das populações, a actividade cultural, na maior parte das vezes, emerge da sociedade civil, organizada em colectividades ou associações sem fins lucrativos que carecem de apoio público e, sobretudo, de directrizes sócio-políticas.

Às políticas culturais cabe pois o papel de definir as prioridades, regulamentar o apoio público, a articulação com outras áreas sócio-políticas relevantes (educação, juventude, inserção social, p.ex.) e a decisão sobre a intervenção directa dos órgãos públicos.

Aveiro não parece ser o melhor exemplo de uma autarquia com políticas culturais coerentes e consequentes. Entre os agentes culturais, a comunidade artística e, de forma geral, os munícipes, grassa o descontentamento quanto à forma como, ao longo dos anos, os diferentes executivos autárquicos têm lidado com a cultura.

Neste momento de plena discussão cívica e reflexão político-eleitoral importa saber quais as propostas que os diferentes candidatos à autarquia têm neste domínio e confrontá-las e debatê-las com os cidadãos, num diálogo aberto e informal.

A iniciativa conjunta do Diário de Aveiro e do Estúdio Performas pretende reunir os representantes das várias forças políticas concorrentes à Câmara Municipal de Aveiro numa mesa-redonda / debate a decorrer no auditório do Estúdio Performas no dia 29 de Setembro (3ª feira) pelas 21h30.

18.9.09

Coloful Ensemble

Wassily Kandinsky. Coloful Ensemble. 1938.


I. Segundo Raul Proença, é no direito individual, e não no direito do número, que reside a essência da Democracia (Páginas de Política - 1929, vol. I, Lisboa, 1972, p. 197). Para este «intelectual político», o conceito de individualismo é validado, é «útil», se associado ao requisito de «solidariedade» entre membros da intelligentia. Em vez de individualismo, no artigo «O Determinismo e a Apatia Nacional», publicado na revista Alma Nacional em 1910, Raul Proença usa o termo «personalista». Afirma: «Somos personalistas nisto: que é das pessoas que esperamos a reorganização das energias colectivas, e não esperamos de braços cruzados o milagre que nos levante (…), e pensemos que o indivíduo não é um escravo que meramente obedece – mas uma força da natureza em exercício». Uma nova elite, com uma nova mentalidade, seria a peça central da estratégia de salvação do regime republicano-democrático. A «terapêutica do espírito» levaria à criação de uma opinião pública nacional capaz de impor aos dirigentes políticos, pela via persuasiva, as reformas institucionais, económicas e educativas necessárias, por cima dos interesses das oligarquias financeiras, das classes sociais e dos partidos.

Eliminando o pendor (muito) elitista que contamina estas reflexões, não deixo de me rever em parte deste ideário. Que bom seria se dirigidos e dirigentes fossem mais "esclarecidos"! Que bom seria, ao nível da sociedade civil, poder "persuadir" a elite política e económica, em vez do automatismo de "obedecer" ou "combater". E se a estratégia fosse, por princípio, a da não-estratégia! E se o sentido de "serviço público" existisse no público e no privado (ou associativo)... (sem estratégia)?

Às vezes já é assim.e quero crer que eu, cidadã, me esforço para que esse país exista.

II. As legislativas aproximam-se. Em vez de uma maioria absoluta, desta vez vai haver maior equilíbrio na representação das várias correntes de opinião no parlamento. Como Stuart Mill (Representative Government, 1861), prefiro um sistema político e eleitoral que favoreça esse tipo de cenário. O bipartidarismo é redutor. Consultando os registos da
Actividade Parlamentar e Processo Legislativo da AR, percebemos a importância da presença do PCP, CDS-PP, BE e PEV. Não podem existir apenas duas vozes com direito a microfone. José Sócrates e Manuela Ferreira Leite não exigiram maioria absoluta mas sabemos que acreditam nas palavras de Joseph Schumpeter: «este sistema pode impedir a democracia de se dotar de governos eficientes e pode assim revelar-se perigosa em períodos de tensão» (Capitalisme, Socialisme et Démocracie, Paris, 1963, p. 371).

II. No próximo dia 27 de Setembro saberemos como o eleitorado pondera estas questões tão antigas. Vamos votar no projecto político com o qual mais nos identificamos, rezando para que o direito individual coincida com o direito do número (e aceitando que eventualmente assim não seja)(porque é essa a essência da democracia), ou vamos tentar reduzir o eventual efeito da "ingovernabilidade"?
Já agora, identificamo-nos de facto com algum projecto político? Conhecemos e diferenciamos os programas de cada partido? Ou votamos por amor e o amor é cego ou faz de conta que é...

Será certo que sem maioria absoluta haverá maior instabilidade? Não compete aos líderes partidários, homens com sentido de Estado, encontrar plataformas de entendimento no sentido de tornar viável o governo que venha a ser formado? (Como "dirigida", gostaria de os persuadir nesse sentido.)

8.6.09

Rumo ao novo Parlamento

Não gosto desta cor

Eleições Europeias - Portugal
Gráfico DN


Desta vez concordo com o Alberto João Jardim. Ele recomenda prudência ao PSD. Eu também. Nem pensem que esta mancha laranja se vai manter nas Legislativas. Era mau demais.

Enfim, há boas notícias: a subida (esperada) do BE colocou-o como a terceira força política do país. O BE merece. e o país também.

Em Aveiro, e já pensando nas Autárquicas, o cenário tornar-se-ia muito mais interessante (parabéns, Nelson) se o risco de termos mais do mesmo não se repetisse. O CDS tem mesmo que se agarrar à Coligação com o PSD (e parece que já tem a aliança assegurada/se o PSD imaginasse este resultado eleitoral, talvez não fosse assim). Mas o PS, o PS vai agarrar-se a quê? Dada a lógica dominante, os meus caros concidadãos vão acabar por reeleger Élio Maia... para penalizar Sócrates! É mau demais.

7.6.09

Eleições


Vá, toca a votar! Se esqueceu o número de eleitor e não sabe a freguesia de recenseamento, sabe de certeza o seu nome, nº do BI e data de nascimento. Digite aqui e o caso fica resolvido. quer dizer, quase.



[Imagem: Duarte Vitória - In Side I - Óleo s tela - 120x100 cm - 2007]

6.6.09

Parlorama


Segundo o Parlorama.eu, Ilda Figueiredo (CDU), Paulo Casaca (PS), Pedro Guerreiro (CDU), Ana Gomes (PS) e Jamila Madeira (PS) foram os deputados europeus mais activos no conjunto da representação portuguesa no Parlamento Europeu. A nota de cada membro do Parlamento europeu é atribuída em função do número de presenças e do número de actividades desenvolvidas. No cálculo, este último aspecto é valorizado face ao primeiro*. Alguns exemplos:

Ilda Figueiredo é vice-presidente da Comissão de Emprego e Assuntos Sociais, membro da Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros, participou em 93% das sessões plenárias, apresentou 17 questões para debate, 461 questões escritas, 9 opiniões, 2 declarações escritas, 7 relatórios, 48 moções.

Paulo Casaca não consta da actual lista de candidatos mas, enquanto foi deputado europeu, integrou três comissões (Orçamentos, Pescas, Relações com o Irão), participou em 93% das sessões plenárias, apresentou 5 questões para debate, 225 questões escritas, 2 opiniões, 9 declarações escritas, 7 relatórios, 22 moções.
O desempenho de Vital Moreira, logo veremos. Já
Edite Estrela é a número dois da lista socialista apesar de Ana Gomes, Jamila Madeira, Elisa Ferreira, Emanuel Jardim Fernandes, Capoulas dos Santos ou Manuel dos Santos terem ficado melhor posicionados no «ranking dos deputados portugueses no PE». Na verdade, dos candidatos que se mantêm na lista do PS, só Armando França e Joel Hasse Ferreira apresentam índices de actividade (bastante!) inferiores aos de Edite Estrela. Como pode Joel Hasse apresentar-se na lista à frente de Jamila Madeira? (sendo que Armando França deve voltar a Ovar, de onde não deveria ter saído)

Dos actuais 7 eurodeputados social-democratas, só Carlos Coelho se mantém. A renovação era urgente se tomarmos em consideração as notas obtidas pelos seus colegas (excepção: Vasco Graça Moura). A lista que os conselheiros nacionais do PSD aprovaram tem como quatro primeiros nomes Paulo Rangel, Carlos Coelho, Graça Carvalho e Mário David. Regina Bastos, actual presidente da Assembleia Municipal de Aveiro, é a 7ª da lista, estando assim numa posição elegível (dizem que por cá não vai deixar saudades). Para além de Carlos Coelho, não há dados para antecipar o que será a prestação dos representantes portugueses na ala PPE-DE. Pelo CDS-PP, (também) saiem José Ribeiro e Castro e Luís Queiró; vamos ver se entra Nuno Melo.

Miguel Portas, do BE, é membro da Comissão dos Negócios Estrangeiros, participou em 74% das sessões plenárias, apresentou 5 questões para debate, 3 opiniões e uma declaração (Gaza, Guantanamo) , um relatório sobre a integração dos imigrantes na Europa, através de escolas e de um ensino multilingue. Integra o grupo GUE (Gauche Unitaire Européenne)/NGL com os representantes da CDU. Seria bom se levasse a número 2 da lista do BE consigo, Marisa Matias.

Não baseamos as nossas escolhas políticas nestes dados - quantitativos e qualitativos (uma vez que é possível lermos, on line, o conteúdo das questões e relatórios). Mas eles são importantes para aprofundar o nosso conhecimento sobre a actividade dos deputados europeus e, dessa forma, sobre os debates e resoluções do PE. que parecem tão distantes do nosso quotidiano, mas não estão. ou seja, excelente para acabar com as ideias fixas.


Sugestão: replicar o modelo e divulgar o registo de presenças e actividades dos deputados na Assembleia da República. para acabar com as práticas fixas.



* Ficha técnica sobre o processo de classificação dos eurodeputados, que inclui uma nota de presença, uma nota de actividade e a soma de ambas (nota geral, aplicando o coeficiente de 1 à n. de presença e o coeficiente de 2 à n. de actividade): aqui.


[Imagem: René Magritte. L'Idée fixe. 1928. Oil on canvas. 81 x 116 cm]