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24.5.12

Fôssemos merecidos de água, de chão, de rãs, de árvores, de brisas e de graças!


Manoel de Barros agradece prémio da Casa da América Latina com Poema inédito:

Fôssemos merecidos de água, de chão, de rãs, de árvores, de brisas e de graças!
Nossas palavras não tinham lugar marcado. A gente andava atoamente em nossas origens.
Só as pedras sabiam o formato do silên...
cio. A gente não queria significar, mas só cantar.
A gente só queria demais era mudar as feições da natureza. Tipo assim: Hoje eu vi um lagarto lamber as pernas da manhã. Ou tipo assim: Nós vimos uma formiga frondosa ajoelhada na pedra.
Aliás, depois de grandes a gente viu que o cu de uma formiga é mais importante para a humanidade do que a Bomba Atômica.

23.4.12

A última entrevista de Guimarães Rosa

Uma preciosidade histórica da língua portuguesa: a entrevista realizada pelo escritor e jornalista português Arnaldo Saraiva, em 24 de novembro de 1966. Guimarães Rosa morreria menos de um ano depois de tê-la concedido.


«Minha família do lado Gui­marães é de Trás-os-Montes. Em Minas o que se vê mais é a casa minhota, mas na região em que eu nasci havia uma “ilha” transmontana. (...) Conheci Aquilino (Aquilino Ribeiro), mas acidentalmente. Eu entrei numa livraria, não sei qual, do Chiado (presumo que a Bertrand) e, quando pedi al­guns livros dele, o empregado per­guntou-me se eu queria co­nhecê-lo, pois estava ali mesmo. Respondi que sim, e desse modo obtive dois ou três autógrafos de Aquilino, com quem conversei alguns instantes. Voltei a estar com ele, mais tarde, num jantar que lhe foi oferecido enquanto de sua vinda ao Brasil. Mas ele, naturalmente, não se recordava de mim (porque eu não me apresentara como escritor), e eu também não lhe falei do assunto. (...) Em relação a mim, houve por aqui (no Brasil) muitos equívocos, que ainda hoje não desapareceram de todo e que, curiosamente, ao que parece, não houve em Por­tugal. Pensaram alguns que eu inventava palavras a meu bel-prazer ou que pretendia fazer simples erudição. Ora o que sucede é que eu me limitei a explorar as virtualidades da língua, tal como era falada e entendida em Minas, região que teve durante muitos anos ligação direta com Portugal, o que explica as suas tendências arcaizantes para lá do vocabulário muito concreto e reduzido. Talvez por isso que ainda hoje eu tenha verdadeira paixão pelos autores portugueses antigos. Uma das coisas que eu queria fazer era editar uma antologia de alguns deles (as antologias que existem não são feitas, como regra, segundo o gosto moderno), como Fernão Mendes Pinto, em quem ainda há tempos fui descobrir, com grande surpresa, uma palavra que uso no “Grande Sertão”: amouco. E vou dizer-lhe uma coisa que nunca disse a ninguém: o que mais me influenciou, talvez, o que me deu coragem para escrever foi a” História Trágico-Marítima” (coleção de relatos e notícias de naufrágios, acontecidos aos navegadores portugueses, reunidos por Ber­nardo Gomes de Brito e publicados em 1735). Já vê, por aqui, que as minhas “raízes” es­tão em Portugal e que, ao contrário do que possa parecer, não é grande a distância “linguística” que me se­para dos portugueses.»

19.4.12

Mergulhar

«Renda-se, como eu me rendi.
Mergulhe no que você não
conhece como eu mergulhei

Clarice Lispector


Bernard Plossu, Californie, 1974

30.4.08

Rio de Paz


A violência no Brasil mata mais do que qualquer doença epidémica. Por isso respeito tanto as iniciativas do Movimento RIO DE PAZ. Uma das activistas viveu muitos anos em Portugal e é uma daquelas pessoas que nunca esquecemos. Quando estive no Rio de Janeiro (já faz tanto tempo!), tive oportunidade de a rever. Lembro-me de falarmos sobre segurança. Os portugueses estranham a necessidade de gradeamentos bloqueando as entradas dos prédios, ou a ideia de não poder viajar com a janela do carro aberta! Um simples passeio no Rio, a pé ou de automóvel, implica um risco (elevado) de assalto com violência. A certa altura, um amigo dela, carioca, disse: "a gente se habitua". Fiquei na dúvida. É verdade que o ser humano se adapta a todas as situações e até acredito que, felizmente, todos conhecemos mal os nossos limites, até onde conseguimos resistir em situações de adversidade ou dor. Mas banalizar a violência, integrá-la sem resistência no nosso quotidiano, é acéfalo.

Este Movimento RIO DE PAZ decidiu resistir e combater - se não o flagelo, pelo menos a apatia. Têm organizado
acções carregadas de simbolismo que lembram os mortos e evidenciam o carácter massivo do fenómeno. Neste momento, estão também empenhados em criar redes de apoio psicológico para os familiares das vítimas.

Essa minha amiga chama-se Simone Villas Boas e eu sinto orgulho e comoção por a ver (e sentir) tão envolvida nessa batalha. Ela tem um blogue,
[correio electrônico], que reflecte as suas preocupações sociais. Alguém me dizia que reflectir sobre o tecido urbano e social implicava vários tipos de conhecimento erudito mas, sobretudo, um enfoque na ecologia da alma. Simone é a minha ecologista da alma preferida. Já agora, vejam-na aqui e aqui. O mote: «Via Crucis - O Aterro do Flamengo amanheceu com duas mil cruzes brancas simbolizando o número de mortos por assassinato neste ano».

29.6.07

16.6.07

BS #5 Bocochê

Elis Regina no Fino da Bossa ao vivo (gravações dos anos 65, 66 e 67)
- Download dos 3 álbuns aqui.


A TV Record, interessada em catalizar toda a movimentação à volta da música popular brasileira, resolveu fazer um programa, O Fino da Bossa, convidando Elis Regina e Jair para apresentadores. Gravavam ao vivo, nos dois teatros da TV Record, o Consolação e o Record Centro. Com a sua política de convidar novos e antigos, O Fino da Bossa mostrou a obra e, pela primeira vez, o rosto, da constelação de astros que estava à frente da música brasileira. Elis, então em início de carreira, apenas com 20 anos, mostrou que também podia comandar um show de televisão daquela envergadura. O programa de estreia foi gravado a 17 de Maio de 1965 e pode ser escutado no volume 1.

Para todos, havia já o pressentimento de que algo histórico estava a acontecer. Zuza Homem de Melo, responsável pela sonoplastia dos programas, fala da febre de compôr que se vivia na época, "instigada ainda pelas reinvindicações da classe artística, consequência da situação política vivida pelo Brasil pós 64". O tema do genérico era um trecho instrumental de
Terra de Ninguém: "Quem trabalha é que tem/Direito de Viver/Pois a terra é de ninguém".

Surgiam novas músicas semanalmente. O Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes, foi terminado num ensaio. Elis cantava, escolhia o que cantar, e tornava-se assim a porta-voz da classe musical brasileira.

A canção
BOCOCHÊ (Baden Powell - Vinicius de Moraes), da minha banda sonora, pertence ao volume 2 estas gravações originais No Fino Da Bossa.

Menina bonita pra onde "quo´cê" vai
Menina bonita pra onde "quo´cê" vai
Vou procurar o meu lindo amor
No fundo do mar
Vou procurar o meu lindo amor
No fundo do mar

É onda que vai
É onda que vem
É vida que vai
Não volta ninguém

Foi e nunca mais voltou
Nunca mais! Nunca mais!
Triste, triste me deixou

(Nhem, nhem, nhem)
É onda que vai
É onda que vem
(Nhem, nhem, nhem)
É vida que vai
Não volta ninguém
Menina bonita não vá para o mar
Menina bonita não vá para o mar
Vou me casar com meu lindo amor
No fundo do mar
Vou me casar com meu lindo amor
No fundo do mar

(Nhem, nhem, nhem)
É onda que vai
É onda que vem
(Nhem, nhem, nhem)
É a vida que vai
Não volta ninguém
Menina bonita que foi para o mar
Menina bonita que foi para o mar
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá
Dorme, meu bem
Que você também é Iemanjá




Bónus:

ÁGUAS DE MARÇO (ELIS E TOM JOBIM)

PENTE QUE PENTEIA

15.6.07

Elis

Foi por acaso, mas acontece que ela anda por cá, vestida de Lady Macbeth: Marília Gabriela, actriz, cantora, e uma entrevistadora famosíssima no Brasil. Neste vídeo, ela conversa com Elis Regina. Era a estreia do Tv Mulher. Ano:1980. (1ª e 2ª Parte). Menos de dois anos depois, Elis, a Pimentinha, deixaria este mundo. Tinha 36 anos. Faz já 25 anos. Mas esta entrevista ainda me faz chorar. Elis continua a ser uma das minhas divas maiores. E ouçam, espreitem a mulher, que não é sabiá.





A casa da Elis Minha casa
A morte de Elis Regina

8.5.07

Vieira da Silva no Brasil

As Bandeiras Vermelhas
1939


A vida e a obra de Vieira da Silva

CAMILA MOLINA

A artista Maria Helena Vieira da Silva nasceu em Lisboa, Portugal, em 13 de junho de 1908. Na sua família, todo mundo gostava de arte. Seu avô era dono de um importante jornal chamado O Século e estar em contato com artistas, obras e livros era natural para Maria Helena. Ela uma vez chegou a dizer que não tinha muitas distrações quando criança, que uma de suas diversões preferidas era ver peças de teatro. Maria Helena não era muito chamada pelo nome, mas pelo sobrenome: Vieira da Silva. Tinha olhos grandes, verdes.

Com 20 anos, se mudou para Paris, França, cidade que nas primeiras décadas do século 20 se transformou num importante centro de arte porque artistas de todo o mundo se mudaram para lá. Jovem, fez parte de um grupo conhecido como Escola de Paris. Nessa época, conheceu o pintor húngaro Arpad Szenes, com quem se casou.

Nos primeiros anos da década de 30, Vieira da Silva começou a fazer obras abstratas. Num dos quadros expostos no MAM, Ateliê Lisboa, feito em 1934/35, a artista pintou na tela uma espécie de quarto vazio misterioso e nele passa um trenzinho no chão. Ela também gostava de usar o tema do jogo de xadrez (o tabuleiro com quadrados pretos e brancos) para criar obras abstratas. Vieira da Silva foi ficando famosa ainda jovem.

História Trágico-Marítima
1944


Nos tempos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tempos difíceis na Europa, ela e seu marido se mudaram para o Brasil porque Szenes era judeu e tinha de fugir do nazismo. Chegaram em 1940 ao Rio.

Fizeram alguns amigos, entre eles a poeta Cecília Meirelles. No Brasil, Vieira da Silva pintou figuras de seu cotidiano, fez desenhos sobre a paisagem do Rio, ilustrou livros. Mas ela não foi feliz aqui. Em 1947, eles voltaram para a França (ela até se naturalizou francesa). Continuou famosa durante toda a sua vida. Morreu em Paris em 1992.


O Quarto Cinzento
1950

A pintura cantada de Vieira da Silva

JULIA CONTIER

Como seria o seu desenho se você estivesse ouvindo uma música? Será que ele seria diferente se você o desenhasse em silêncio? A artista portuguesa Vieira da Silva sempre pintava seus quadros ouvindo músicas clássicas.

Pensando nisso, o maestro Henrique Lian preparou uma trilha sonora para a exposição Vieira da Silva no Brasil, em cartaz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), até o dia 3 de junho. Ele selecionou algumas músicas que a artista ouvia enquanto pintava, como Villa-Lobos e J. S. Bach.

A exposição começa com desenhos do período em que a artista esteve no Brasil e produziu desenhos mais figurativos, ou seja, que representam figuras. A paisagem do Rio e amigos dela estão retratados nos desenhos de nanquim.

No espaço seguinte, fica o grande painel da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro que está sendo restaurado pelo artista Antônio Sarasá (leia mais sobre restauração ao lado). A obra tem três metros de altura e três de largura e retrata, em sua parte principal, duas meninas colhendo frutos de uma laranjeira.

No decorrer do espaço, as pessoas podem conferir outras obras de Vieira e perceber a mistura que a artista faz entre figuração e abstração, entre figura e traços não definidos. No quadro A História Trágico Marítimo, por exemplo, existe uma variedade de cores e um movimento das linhas e das pinceladas que nos deixam na dúvida se as pessoas estão caindo do barco ou entrando nele. Outro quadro bem abstrato, com muitas linhas, é Londres. Ele foi pintado em 1959 e ganhou o Grande Prêmio na 6ª Bienal Internacional de Artes de São Paulo.

Além dos quadros, os visitantes podem conferir duas poesias de Murilo Mendes, fotografias, ilustrações para livros e recortes de jornal com comentários de época sobre as mostras realizadas pela artista no período em que aqui viveu.

As Grandes Construções
1956

O que é restauração?

O Painel de Azulejos foi pintado em 1943 por Vieira da Silva. Esta é uma das obras mais importantes da artista, já que foi o único painel de azulejos criado por ela em sua carreira.

Ele foi encomendado para decorar o refeitório da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e fica lá até hoje, mas estava começando a ficar todo desgastado.

Alguns azulejos estavam com cores diferentes, outros estavam quebrados e até faltavam algumas peças. O mural foi ficando cada vez mais diferente da pintura original.

Os organizadores da exposição Vieira da Silva no Brasil aproveitaram o evento para restaurar o painel, ou seja, para consertar o que não estava em um bom estado.

“A importância da restauração é que sempre vem com uma pesquisa histórica, então você junta valores histórico-culturais”, explica o restaurador Antônio Luis Sarasá. “O restauro serve para deixar a obra em bom estado por muito mais tempo. Depois de pronta devemos conservá-la”, completa.


PASSO-A-PASSO


O Museu de Arte Moderna (MAM) exibe o processo de restauração do painel em tempo real, direto do Estúdio Sarasá, através de um vídeo, onde podemos ver os artistas pintando e consertando os azulejos.

À medida que as peças ficam prontas, elas são coladas em uma parede no Museu, até que o painel fique completo no final da exposição.

Os visitantes ainda podem conferir uma grande mesa com diversos materiais e ferramentas utilizados em restauração, como pincéis feitos de crina de cavalo e diversas misturas de tintas.

Além de acompanhar o processo de restauro em um monitor de plasma localizado no espaço da exposição, o público pode acessá-lo pela internet, no site do museu .



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Artigos do jornal O Estado de São Paulo
Imagens de obras pertencentes ao CAM da Fundação C. Gulbenkiam e à Tate Gallery (O Quarto Cinzento)
Chamada de atenção para esta exposição no MAM de São Paulo pela minha amiga carioca Simone Villas Boas --- que agora tem o blog [correio electrônico]

23.4.07

Jardim da Morte

Ela escreveu: Você já sabe o quanto sou revoltada com a omissão do brasileiro que suporta todo o tipo de injustiça, o Estado abandonou a população, se não fossem grandes brasileiros anônimos que lideram Ongs que fazem a diferença, não sei o que seria. Graças a iniciativas individuais, projetos de inclusão social tem mudado a vida de muitos, ao contrário dos projetos assistencialistas do governo que apenas mantém um vínculo de dependência e porque não dizer, humilhação.

Minha amiga Simone é voluntária do movimento Rio de Paz. No dia 19 passou a madrugada abrindo botões de rosas para um protesto intitulado Jardim da Morte, realizado na praia de Copacabana. Ela aparece neste vídeo, logo no início. Por todas as razões, fiquei muito emocionada.



23.11.06

Do Brasil


Já faz tempo. Mas foi por causa de memórias que olhei para uma foto de (E)Nildo Amaral e me emocionei. Depois o fotógrafo descobriu essa minha fraqueza. Do Brasil, enviou-me mais fotos. Explosões de cor. E revelou-me uma Brasilia que eu desconhecia. Dizia que apesar do concreto e da aparente organização da cidade, se olharmos bem de perto veremos que Brasília pulsa. Enfim, de assombros da tecnologia que transformou em postais ilustrados, ao Vale do Amanhecer, (E)Nildo Amaral deu-me a conhecer o seu Brasil e a sua arte de jogar com o real e a imagem.

Agora voltei a ter notícias. Nildo Amaral aderiu à blogosfera. Vão lá ver esse espaço da alma.

29.10.06

CineEco #9___ Os Filmes Premiados

O ATAQUE DO TIGRE do realizador Sasha Snow
é o grande vencedor do Festival



O Ataque do Tigre fala de um caçador inexperiente e insensato, que nas florestas do Leste Russo, provoca uma infame série de ataques de tigres nas pessoas do vilarejo. As autoridades locais convocam os serviços de Yuri Trush, um especialista em seguir e eliminar os tigres que perderam o seu medo do homem. O filme mostra a mais notável perseguição de Yuri a um tigre comedor de gente como base de um documentário de suspense.

Sasha Snow era fotógrafo de arquitectura antes de surgir como montador na BBC, em 1991. Em 1997 ganha o BAFTA/Post Office Scholarship para Melhor Filme de Estudante, com “Peace Under A Power Station”, enquanto estuda realização documental The National Film & Television School. Em 2002 diploma-se com o seu primeiro filme rodado na Rússia, “A St. Petersburg Symphony”. Seguem-se ‘Arctic Crime & Punishment’ e ‘Conflict Tiger’.

O Ataque do Tigre arrecada assim o Grande Prémio Cine’Eco atribuído pela Câmara Municipal de Seia, no valor de € 3.750 Euros, além da campânula de ouro, símbolo máximo do festival.


Outro dos grandes vencedores do festival é o filme “Ainda Há Pastores?” de Jorge Pelicano, que ganhou o Prémio Lusofonia, no valor de € 2.500 Euros e a respectiva campânula.

O Prémio Educação Ambiental foi atribuído ao filme “Ouro Branco – O Verdadeiro Preço do Algodão” de Sam Cole (Reino Unido, 2005), por ter sido considerada a obra que melhor abordou, do ponto de vista didáctico - pedagógico os temas a concurso.

O Prémio Água foi para o filme “Águas Agitadas” do jornalista da SIC Bernardo Ferrão (Portugal, 2005) por ser a obra a concurso a promover melhor o tema dos recursos hídricos.

"Uma Alquimia em Verde", de Dave Dawson (Nova Zelândia, 2005) venceu o Prémio Vida Natural, por ser a obra a concurso que no entender do júri melhor promove o tema da conservação da natureza e da bio-diversidade.

O Prémio Polis foi atribuído ao filme “Atingido” do realizador Michael Trabitzsch (Alemanha, 2005/2006), por ter sido considerado o melhor a promover o tema da requalificação urbana e valorização ambiental.

O Prémio Antropologia Ambiental foi atribuído ao documentário “O Cavalo Operário” de Alain Marie (França, 2006) por ser a obra a concurso que melhor promove o tema da inserção do homem no seu quotidiano.

O Prémio Vídeo Não Profissional foi conquistado pelo filme “Muitchareia” de Uliana Duarte (Brasil, 2006).

O Prémio Camacho Costa foi para o filme “Giovanni e o Mito Impossível das Artes Visuais”, de Gabriele Gismondi & Ruggero Di Maggio (Itália, 2005).

O Júri Internacional presidido pelo Professor Fernando Catarino atribuiu ainda Menções Honrosas aos seguintes filmes: - “O Amendoim da Cutia” de Komoi Panará e Paturi Panará (Brasil, 2005); “Da Pele à Pedra”, de Pedro Sena Nunes (Portugal, 2005); “Feridas Atómicas” de Marc Petitjean (França, 2005).


O Júri da Juventude
atribuiu por sua vez os seguintes prémios:

“Grande Prémio” para o filme “Feridas Atómicas” de Marc Petitjean (França, 2005);
“Melhor Animação” para o filme de animação “49”, de Ichiro Iwano (Japão, 2006);
“Prémio Verde” para o filme “Uma Alquimia em Verde”, de Dave Dawson (Nova Zelândia, 2005);
“Melhor Curta metragem” para o documentário “Giovanni e o Mito Impossível das Artes Visuais”, de Gabriele Gismondi & Ruggero Di Maggio (Itália, 2005);
“Prémio Verdade Inconveniente” ao filme “Os Filhos da Montanha” de Juan S. Betancor (Espanha, 2005);
“Prémio Humanidade” ao filme “Os Refugiados do Planeta Azul” de Jean Philippe Duval e Heléne Choquette (França e Canadá, 2006);
Menções Honrosas para: “O Ataque do Tigre”, do realizador Sasha Snow (Russia, 2005); “Terras A Separam-se: Uma Saga Islandesa” de Zoltán Török (Hungria e Suécia, 2005); “Ouro Branco” de Sam Cole (Reino Unido, 2005); “H2O – Água à Venda”, de Leslie Frank (Alemanha, 2005) e “Ainda Há Pastores?” de Jorge Pelicano (Portugal, 2006).

16.10.06

CineEco #5

Daniel Saphatie


OBRAS A CONCURSO

Dia 25

15,00
EXTRA CONCURSO

18,00
WUTE UND WIEBKE, de Leonore Poth, Alemanha, 2005, 8’;
CIUDAD DORIDA, de Henrique Rodriguez, Espanha, 2005, 10’;
O PONTAL DO PARANAPANEMA, de Chico Guariba, Brasil, 2005, 52’;
QUANDO A ECOLOGIA CHEGOU, de Pedro Novaes, Brasil, 2006, 50’

22,00
DIM, de Vladimir Perivic, Montenegro, 2006, 26’;
AN ALCHEMY IN GREEN, de Dave Dawson, Nova Zelândia, 2005, 50’;
CONFLIT TIGER, de Sasha Snow, Rússia, Inglaterra, 2005, 62’.



12.10.06

CineEco #3


Bea Emsbach


OBRAS A CONCURSO

Dia 22

15,00
EXPEDIÇÕES AMAZÓNIA: SOS AMAZÓNIA, de Pedro Saldanha Werneck (filho da jornalista Paula Saldanha e do biólogo Roberto Werneck), Brasil, 2005, 26’;
O PROFETA DAS ÁGUAS, de Leopoldo Nunes, Brasil, 2005, 83’

18,00
DISSOLUTION, de Milesh Bell- Corsia, Inglaterra, 2006, 14’;
MI HISTORIA ES TU HISTORIA, Colectivo, Venezuela, 2006, 22’;
NAKKALA, de Peter Ramseier, Suiça, 2005, 88’
GEDREYEN DOOR WIND / DRIVEN BY WIND, de Janna Dekker, Holanda, 2005, 13’;
KITUI SAND DAMS, de Eva Zwart e Hans van Westerlaak, Holanda, 2005, 15’;
LES TOMATES VOIENT ROUGE, de Andréa Bergala, França, 2006, 52’;
LES HERITIERS DU GUARANA, de Denecheau Remi, França, Brasil, 2005, 52’.


10.10.06

CineEco #2

Hiroshi Wanatabe
Lotus flower

OBRAS A CONCURSO

Dia 21

15,00
OS 4 ELEMENTOS, de Janek Pfeifer e Joaquim Pavão, Portugal, 2006, 20’;
NEUE GARTENKUNST – IM KOSMOS VON CHARLES JENCKS, de Christoph Schuch, Alemanha, 2005, 26;
AINDA HÁ PASTORES?, de Jorge Pelicano, Portugal, 2006, 80’

18,00
PEIXE FRITO, de Ricardo George de Podestá, Brasil, 2006, 7’;
AVÁ-CANOEIRO, A TEIA DO POVO INVISÍVEL, de Mara Lúcia Alencastro Veiga, Brasil, 2006, 70’


24.5.06

São Paulo

Relato de Paulo José Miranda sobre São Paulo

"Segunda-feira (relato de um recolher obrigatório informal ou o dia em que a cidade que não pára, PAROU, devido aos ataques do PCC – Primeiro Comando da Capital)

Após um fim de semana de violentos ataques a esquadras da polícia, dos bombeiros, autocarros, metro e civis, revoltas em inúmeras prisões, a chegada da segunda-feira e a necessidade dos cidadãos terem de ir trabalhar, levou a que este dia São Paulo tenha assistido ao pior dia da sua história. Nunca os cidadãos desta cidade se tinham sentido reféns do terror, do medo, como nesta segunda-feira. De madrugada inúmeros autocarros e carros foram incendiados, agências bancárias destruídas e havia manchas de sangue espalhadas por muitas partes da cidade. Quando os cidadãos mais pobres se dirigem às paragens de autocarro para irem trabalhar deparam-se com a inexistência de circulação de autocarros. Até ao momento tinham sido destruídos mais de 50 e as empresas não arriscaram enviar mais veículos para as ruas. Devido a isto, o rodízio municipal foi anulado (sistema de circulação de viaturas, por número de matrícula), permitindo que circulasse quem quisesse, independentemente da matrícula do carro. Depois do almoço, numa entrevista na TV, Marcola, chefe do PCC, diz ao director do DEIC, da polícia, que vai matá-lo, que ele pode entrar na sua delegacia para matá-lo, mas este não pode entrar na prisão e fazer-lhe o mesmo. A tensão atinge então a sua máxima amplitude. Ninguém se sente seguro. Os estabelecimentos comerciais fecham suas portas às 3 e meia da tarde. Os serviços públicos também param; os funcionários são enviados para casa. O metro, que de madrugada tinha sido alvo de explosões, deixa de trabalhar. Neste recolher obrigatório informal a casa, São Paulo assiste ao record máximo de fila de carros: 212 km de fila de carros, às 4 da tarde. 212! O método usado pelo PCC nos seus ataques é, fundamentalmente, através de motoqueiros; muitos deles são devedores de dívidas de droga, e se não fizerem esses ataques, morrem. Entre morrer às mãos dos traficantes ou às balas dos policiais, preferem a última hipótese, pois ela ainda pode representar uma esperança, junto do PCC. Outros ataques, são ataques mais cirúrgicos: um dos comandos se aproxima de um policial em particular e dispara a arma na sua nuca, ou nos seus familiares. Em frente a uma padaria, na zona sul da cidade, um policial, com sua mulher ao lado, ajoelhou-se diante de dois comandos e foi executado. Os bandidos comunicam as suas instruções por telemóvel; a maioria vem de dentro dos presídios. Um telemóvel mata mais que um revólver ou que uma AK.
Às 7 da tarde as ruas estão desertas e, a essa mesma hora, o comandante da polícia militar de São Paulo, Sancler, dá uma conferência de imprensa onde acusa os órgãos de comunicação social de exagerar o que estava a acontecer; acusa também os comerciantes de se precipitarem a fechar os estabelecimentos mais cedo e acusa ainda os responsáveis pelas escolas e faculdades de terem tomado a decisão de enviar os alunos para casa e fecharem as portas. Às 9 da noite a cidade está mergulhada num escuro inimaginável. Um escuro que a cidade de São Paulo desconhecia que tinha dentro dela. Na zona norte da cidade, um condomínio onde vivem vários familiares de policiais começa a ser atacado. A troca de tiros continua, as mortes aumentam. Na zona oeste, onde vivo, um homem é baleado neste mesmo instante, não se sabe se policia ou bandido. Numa das zonas mais ricas da cidade, aqui perto, dois bandidos são baleados. São 185 ataques até ao momento. Até ao fim, até ao acordo que o Governo de São Paulo não admite ter feito, serão 200 ataques, mais de 60 autocarros queimados, 52 criminosos mortos, 43 policiais e civis mortos. Os canais de TV mantêm helicópteros a sobrevoar a cidade toda noite, em comunicação com comandantes da polícia, vamos assistindo à noite, a uma imensa noite desconhecida. Um homem, ao fim do dia, de regresso a casa, dizia “estou com medo dessa bandidagem; ninguém sabe quem é quem, essa é que é a verdade”. Num programa de debate, num dos canais, o presidente dos juízes de São Paulo diz que a legislação deve mudar, deve ser mais severa; é a favor da pena de morte. “A nossa democracia não é mais desenvolvida do que a dos EUA.” Por seu lado, o responsável máximo pela investigação policial, Rebouças, diz que “quando o bandido sente que o governo é fraco, fica forte” Oiço o apresentador do programa dizer: FORAM CONVIDADOS PARA O PROGRAMA O SECRETÁRIO DA DEFESA DO GOVERNO DE SÃO PAULO, O GOVERNADOR DE SÃO PAULO E A RESPOSTA FOI “NÃO VAMOS ENVIAR NINGUÉM!” Perante isto, não sei o que dizer disto, sinceramente. O apresentador, profundamente comovido e indignado, diz: ISTO NÃO É CRIME ORGANIZADO É QUADRILHA ORGANIZADA. Julgo excelente esta contra-posição; esta é a diferença entre as cidades de Istambul ou de Hong Kong e a de São Paulo; quadrilha organizada não poderia funcionar num estado organizado, embora crime organizado exista em estados organizados; quadrilha organizada só pode funcionar em estados desorganizados (não identificar estado organizado com país desenvolvido). Não defendo o crime organizado, mas, apesar de tudo ele é um mal menor, menor do que o das quadrilhas organizadas. O crime organizado não afecta o cidadão comum, nem os policiais. O crime organizado é organizado. “Nós temos as leis mais brandas do mundo” , acrescenta o Juiz. Termino com um curioso episódio. No dia das mães, dia 14 de Maio, no fim de semana dos motins, foram liberados 2000 presidiários para visitarem suas mães. Sei que parece piada, mas é verdade. As prisões estão caóticas, a cidade sitiada e 2000 presos vão festejar este dia especial com as mães. Assim que saíram dos estabelecimentos prisionais onde se encontravam, foram directamente ao PCC buscar armas para poderem combater. Dos 39 bandidos mortos, no fim de semana, 15 eram parte desses visitantes de mães. Por conseguinte, 15 só no domingo. Perante tudo isto, entre comédia e tragédia, o problema é que os pensamentos de direita e de esquerda mais radicais começam a emergir, parecendo fazer sentido a quem os escuta. Perante tudo isto, entre comédia e tragédia, é muito difícil pensar contrariá-los, quer á direita, quer à esquerda. A segunda-feira de São Paulo.

NOTA: PCC começou na prisão como time de futebol e chamava-se Comando da Capital. Mais tarde, passaram a ser uma organização de defesa dos direitos dos presos e das suas famílias. Por fim, já enquanto quadrilha, adicionaram o Primeiro, tornando-se o PCC."

Paulo José Miranda
São Paulo, 16 de Maio de 2006


|Relato que talvez já tenham lido aqui|

24.3.06

e façam amor... mas vejam lá aonde! :))

Do Brasil chega também uma nu-tícia muito peculiar. Dois soldados vão ser julgados por fazer amor dentro do quartel, um crime classificado no Código Penal Militar como "pederastia ou acto de libidinagem". A lei prevê prisão de seis meses a um ano para quem pratica sexo dentro de uma unidade militar. Como a dupla estava de serviço, a pena deve ser aumentada em caso de condenação.

Os réus admitiram o acto. Só que o mais velho (25 anos) disse que foi forçado a fazer sexo, enquanto o mais jovem (20 anos) declarou que seu colega de farda estava se insinuando para ele. Que pena eles não se entenderem! Eu acho que é só por isso que merecem castigo! ;)

22.3.06

O novo lugar das palavras

Minha amiga Simone continua a mandar-me notícias do Brasil. Na verdade, entre as duas, criámos uma espécie de pacto de lusofonia. Desta vez ela informa-me que foi inaugurado no dia 20 de Março, em São Paulo, um Museu da Língua Portuguesa. Em exposição temos um acervo imaterial, sensorial, sonoro e afectivo. É o primeiro museu do mundo dedicado a uma língua.
Para compreenderem melhor, anexo o artigo de Norma Curi, publicado no Jornal do Brasil.

SÃO PAULO - Caetano Veloso gosta de sentir a sua língua roçar a de Camões e Fernando Pessoa dizia que sua pátria era a língua portuguesa. Que língua é essa? José de Alencar afirmava em 1872 que o povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba não pode falar uma língua com o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco, a nêspera. Mas, aos ouvidos da poeta lusa Sophia de Mello Breyner, o coqueiro, na boca de uma brasileira, fica mais vegetal. Que português é esse? De onde veio, perdido entre 6 mil idiomas no mundo e mesclado de heranças indígenas, africanas, europeias, asiáticas e reciclado? Recheado de doações dos Tupinambá, como o sabiá que Gonçalves Dias e Chico Buarque cantaram, e legados africanos, como a capoeira, a babá, o beleléu?
Esqueça os livros, a gramática, os erros e os acertos e venha penetrar surdamente no reino das palavras, como Carlos Drummond de Andrade propôs em Rosa do povo. Entre num dos museus mais bonitos de São Paulo e não procure objetos, pois o acervo é imaterial, sensorial, sonoro, afetivo, argamassa mutante, senha e signo. No Museu da Língua Portuguesa que inaugura hoje na Estação da Luz, a de trens, o acervo é a palavra lúdica, púdica, erótica, culta e inventada, da boca erudita para a boca do povo. Esqueça as monótonas aulas de português e deixe a palavra grudar em você, feito fetiche.
Já na subida do elevador panorâmico, com vista para a Árvore da Palavra, de 16m, erguida com fibra de vidro, Arnaldo Antunes faz um jogo com os vocábulos ''língua'' e ''palavra'' e a sonoridade de um mantra. Depois alcança-se a Praça da Língua, que um basculante transforma em planetário único, um céu de palavras e um chão de estrelas vocabulares onde o público pisa, distraído. Ouvindo poemas, o canto de Dorival Caymmi, a voz do diretor Zé Celso Martinez Corrêa.
No andar de baixo, o telão ganhou 106m com 11 filmes simultâneos para explicar que festa é galhofa, gandaia, rega-bofe, tem canjica, mugunzá e pamonha, gente tocando mambembe e agogô. Ali, a danada da cachaça engasga-coração.
Anho, inho, na Sala das Palavras Cruzadas. Elas saltam das lanternas interativas. Basta tocar que as telas falam, dão o som e a origem, as culturas que geraram nosso maior patrimônio, o português. Uma linha do tempo que acaba no Mapa dos Falares explica tudo, a raiz indo-européia, que encontrou a língua tupi em 1500, quando Pero Vaz de Caminha tentou contar tudo ao rei de Portugal. Dos Sermões de Vieira, em 1638, ao ''quem não se comunica se trumbica'', de Chacrinha, muita língua rolou. E quem não ficar satisfeito que invente outra nas mesas do Beco das Palavras, feito para ensinar a etimologia dos termos e criar neologismos.
É imperdível a exposição temporária dedicada aos 50 anos de Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Dentro do museu tecnológico, a artista plástica Bia Lessa escolheu tecnologia rudimentar e orgânica para espalhar pelo teto bandeiras de algodão onde imprimiu o original das 400 páginas da primeira edição do livro, com as correções de Rosa, uma relíquia da biblioteca de José Mindlin. Para baixar as 200 ''bandeiras'', basta acionar o contra-peso de saquinhos com terra de Minas, onde nasceu o escritor.
São sete veredas dedicadas a Diadorim, Riobaldo, ao diabo, ao interlocutor, e pontos-chave da obra, feitos de latões que são decifrados com leitura espelhada. Ou de painéis de letras que só fazem sentidos se vistos do ângulo certo, através de lupas vazadas, monóculos embutidos na parede. O resto dos textos está escrito sobre terra, no chão, em tijolos fragmentados bordados em vermelho sobre madeira e espalhados pelas pastilhas vitrificadas de um banheiro de cujas torneiras jorra tinta vermelha, sangue da luta no sertão.
Num telão Bethânia respira e lê as 14 últimas páginas do livro, que vai ser reeditado em forma de caixa dobrável pela José Olympio, em maio, com capa bordada, CD com voz da cantora baiana e sons do sertão, por R$ 110.
- Rosa dizia que o indivíduo só existia a partir da linguagem. Não podia ser melhor o tema de abertura desta exposição - diz Bia Lessa.
O visitante vai sair se perguntando por que ele achava Guimarães Rosa tão difícil e a língua portuguesa tão maçante. E vai concordar que foram muito bem gastos os R$ 37 milhões investidos na realização do projeto, realizado pela Fundação Roberto Marinho e a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
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