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28.8.09

Outros sonhos

Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava
Quando me via
Sonhei que ao meio-dia
Havia intenso luar
E o povo se embevecia
Se empetecava João
Se impiriquitava Maria
Doentes do coração
Dançavam na enfermaria
E a beleza não fenecia

Belo e sereno era o som
Que lá no morro se ouvia
Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia
De mão em mão o ladrão
Relógios distribuía
E a polícia já não batia

De noite raiava o sol
Que todo mundo aplaudia
Maconha só se comprava
Na tabacaria
Drogas na drogaria
Um passarinho espanhol
Cantava esta melodia
E com sotaque esta letra
De sua autoria
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias

8.6.09

Deixa-me rir



Sou sensível ao infortúnio: «os imóveis de Dias Loureiro estão registados em nome de familiares ou pertencem a sociedades sedeadas em paraísos fiscais. As contas bancárias que tem em seu nome, por outro lado, possuem saldos médios que não ultrapassam os cinco mil euros». O Jorge Palma tem tantas canções a propósito destas desgraças da vida. Animemos o ex Conselheiro de Estado!

É a dança mais pungente
mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente



Adenda 9-06: Caso BPN/Dias Loureiro garante que não tem bens em empresas offshore.
Pronto, passemos a outra canção: À espera do fim

21.3.09

A poesia é uma arma carregada de futuro



Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,
más se palpita y se sigue más acá de la consciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,
que golpea las tinieblas.

Cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades;
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades,
amorosas crueldades.

Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto
para ser y tanto somos, dar un sí que glorifica,
dar un sí que glorifica.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno,
Estamos tocando el fondo,
estamos tocando el fondo.

Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural para los neutrales
que lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no ha tomado partido,
partido hasta mancharse.

Hago mías las faltas.
Siento en mi a cuantos sufren y canto respirando.
Canto y canto y cantando más allá de mis penas
de mis penas personales,
me ensancho, me ensancho.
(...)
No es una poesía gota a gota pensada,
No es un bello producto. No es un fruto perfecto
es lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejen
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno
Estamos tocando el fondo,
Seguimos tocando el fondo!

Poesia: Gabriel Celaya
Interpretação:
Paco Ibáñez

13.9.08



Viens petite fill' dans mon comic strip
Viens faire des bull's, viens faire des WIP !
Des CLIP ! CRAP ! des BANG ! des VLOP ! et
des ZIP !
SHEBAM ! POW ! BLOP ! WIZZ !

N'aies pas peur bébé agrippe-toi CHRACK !
Je suis là CRASH ! pour te protéger TCHLACK !

Ferme les yeux CRACK ! embrasse-moi SMACK !
SHEBAM ! POW ! BLOP ! WIZZ !
SHEBAM ! POW ! BLOP ! WIZZZZZ

Serge Gainsbourg - Comic Strip

27.8.08

To hold dear

Saudades desta luz. e da família. alma de filha e de mana reaquecida. Com o mais novo, horas de prosa e de música. Partilhas, mas sobretudo revelações: Zélia Duncan, Gogol Bordello, Brandi Carlile, Bossa n'Stones, Deolinda, Colbie Caillat, The Pierces, Yael Naim. Dez anos de diferença entre irmãos tem as suas vantagens. O download dos álbuns foi canja (ainda sou presa...).
E de palavra em palavra, acabámos com o som de David Fonseca e Rita (Pereira) Redshoes. Eu não conhecia o começo da carreira da Rita, nem este clip belíssimo. A canção: Hold Still.


Montagem de fotos de Augusto Brázio
Realização de David Fonseca e Augusto Brázio

2.8.08

Zeca Afonso


1983, Coliseu. Eu, entre tantos, a cantar e a bater palmas. Foi o último espectáculo do Zeca Afonso (m. 1987). Há muita emoção nesta memória. Passaram-se quinze anos. Hoje, vivo na terra que viu o Zeca Afonso nascer - a 2 de Agosto de 1929 -, e as minhas filhas sentam-se nas carteiras de uma escola que ele frequentou. Aqui ao lado, uma rua tem o seu nome.

17.5.08

Elvira Rahic


Do álbum "Miraz" (2008).

É o que se anda a ouvir cá em casa em casa. Elvira Rahic, a voz mais amada da nova música popular bósnia. Uma fusão de influências. como o país em que vive.

9.5.08

Miss Sarajevo


U2 - Miss Sarajevo

Is there a time for keeping your distance
A time to turn your eyes away
Is there a time for keeping your head down
For getting on with your day

Is there a time for kohl and lipstick
A time for curling hair
Is there a time for high street shopping
To find the right dress to wear

Here she comes
Heads turn around
Here she comes
To take her crown

Is there a time to run for cover
A time for kiss and tell
Is there a time for different colours
Different names you find it hard to spell

Is there a time for first communion
A time for East Seventeen
Is there a time to turn to Mecca
Is there time to be a beauty queen

Here she comes
Beauty plays the clown
Here she comes
Surreal in her crown

Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come il fiume
Come il fiume...
L'amore giungerà
L'amore...
E non so più pregare
E nell'amore non so più sperare
E quell'amore non so più aspettare

[Translation of the above]
You say that the river
finds the way to the sea
and like the river
you will come to me
beyond the borders
and the dry lands
You say that like a river
like a river...
the love will come
the love...
And i don't know how to pray anymore
and in love i don't know how to hope anymore
and for that love i don't know how to wait anymore

[End of Translation]

Is there a time for tying ribbons
A time for Christmas trees
Is there a time for laying tables
And the night is set to freeze

O lijepa, o draga, o slatka slobodo,
[dar u kom sva blaga višnji nam bog je do...]


Gostaria de ter visto este filme de Bill Carter... que regista cenas da vida quotidiana em Sarajevo, durante o cerco de 1994/95. Sitiada durante 44 meses, a capital bósnia foi palco do mais longo cerco na Europa desde o final da Segunda Guerra Mundial.
Cenas que não vimos na TV. Cidadãos tentando levar uma vida normal, determinados em manter o convívio social e em saborear a vida, apesar de serem os civis os principais alvos. O filme faz a crónica de um dos mais bizarros acontecimentos durante a guerra - quando vários artistas montaram um sofisticado concurso de beleza. A câmara segue os organizadores através de túneis e de ruas de Sarajevo que estavam debaixo de fogo. Humor negro ou testemunho de uma recusa firme por parte da população de Sarajevo em ser desmoralizada. O surrealismo contra o fanatismo. Ou, como dizia, Godard, a arte de viver.

30.4.08

Piano voador enamorado de uma voz. para a Lúcia



_____ Piano suspenso, notas suspensas, seguras. arrebatador. Chove uma canção chamada Beatriz. ensemble (Edu Lobo/Chico Buarque)(Mário Laginha/Maria João). Tinha que fazer a oferenda: à Lúcia, pois.

1.2.08

El cementerio indio

Juan Luis Guerra - La Llave De Mi Corazon (2007)


Shakira - La Tortura (2006)


Alejandro Sanz - Tú no tienes alma (2005)


Alejandro Sanz - No es lo mismo (2004)


Juanes - Es Por Ti (2003)


Alejandro Sanz - Y Solo Se Me Ocurre Amarte (2002)


Alejandro Sanz - El Alma En Al Aire (2001)


Marc Anthony - Dímelo (I Need To Know) (2000)



Eis os "Grammy Latino de Canção do Ano" desde o ano 2000 (Marc Anthony) até 2007 (Juan Luis Guerra), passando por Sanz e Sanz e Sanz... Ontem, depois do Swing, o zapping ofereceu-me a Cerimónia de Entrega dos Prémios em Las Vegas (falada em espanhol, dobrada em inglês e legendada em português!). A versão latino-americana dos prémios Grammy é pior que as novelas mexicanas! Mas trágico mesmo é que o gosto musical a la Grammy Latino é um insulto à cultura ibero americana. Dónde esta el alma?

2.11.07

Youcali

Ou um post dedicado à Claudia Sousa Dias:



É quase no fim do mundo
Que meu barco errante
Vagueando pelas ondas
Me conduziu um dia
A ilha é pequena
Mas a fada que lá vive
Gentilmente nos convida
A um passeio por ali

Youkali
A terra dos desejos
Youkali
A alegria, o prazer
Youkali
É o lugar onde esquecemos os problemas
É em nossa noite como uma fresta de luz
A estrela que seguimos
É Youkali

Youkali
É a honra dos juramentos perdidos
Youkali
A terra do amor correspondido
É a esperança
Que há em todo coração humano
A libertação do que esperamos para o amanhã

Youkali
A terra de nossos desejos
Youkali
É alegria, é prazer
Mas é um sonho, uma insensatez
Não há
Youkali"

-Kurt Weill

Youkali é um "Tango Habanera" composto por Kurt Weill durante o seu exílio em França. Na verdade, Weill escrevera a música em 1934 (para a peça Marie Galante) e só em 1946 Roger Fernay criou esta letra. Música e poema invocam uma ilha paradisíaca e o desejo de fuga de uma Europa ameaçadora, em vias de entrar na II Guerra Mundial. Um ano depois de ter composto esta canção, Weill deixou a França em direcção aos EUA, escapando assim à perseguição nazi.

18.10.07

BS #11

O seu mentor foi Georges Brassens. Foi poeta, pintor-desenhador, cantor de cabaret. Tornou-se um músico fantástico. mais um que Portugal não importou em vida: Claude Nougaro (1929-2004)(aproveitem para ver no site a «ficção musical»).

CINEMA


TOULOUSE


TU VERRAS


ARMSTRONG

6.10.07

Boris Vian, Le Déserteur


Le Déserteur é uma das canções mais célebres contra a guerra. Uma canção antimilitarista mas não "pacifista": os versos finais originais cantavam «Prévenez vos gendarmes, que je serai en arme et que je sais tirer». A canção nasce num contexto particular em França: a guerra da Indochina tinha terminado há pouco tempo e a guerra da Algéria começava.
O manuscrito da canção data de 15 de Fevereiro de 1954. Marcel Mouloudji foi o seu primeiro intérprete - numa emissão da Europe 1 (rádio) a 4 de Março de 1954 (com o último verso já modificado e com as referências ao «Président» substituídas por vagos "Messieurs»). Foi um escândalo.

Em Janeiro de 1955, Paul Faber, conselheiro municipal da cidade de Paris, reclama a censura da canção e consegue que Le Déserteur não volte a ser transmitido na Rádio. Boris Vian reage com ironia: declara que a sua canção é "nullement antimilitariste, mais, je le reconnais, violemment pro-civile". Envia uma
carta aberta a Paul Faber em que, entre outras coisas, reflecte sobre a expressão "Ancien combattant". Ainda hoje, este estatuto tem um peso considerável na sociedade francesa (o meu sogro, um "ancien combattant" obrigado a participar na guerra da Argélia, recebe, como tantos outros, bombons do Maire de Paris pelo Natal !). Segundo Boris Vian, os antigos combatentes não deveriam vangloriar-se de ter feito a guerra, mas antes lamentar a sua participação - "un ancien combattant est mieux placé que quiconque pour haïr la guerre". Boris Vian declarou ainda que a maioria dos verdadeiros desertores eram "anciens combattants" que não tiveram força para ir até ao fim do combate. "Et qui leur jettera la pierre ? Non. si ma chanson peut déplaire, ce n'est pas à un ancien combattant, cher monsieur Faber."

Censurada ou boicotada pela Rádio e pelas editoras, Le Déserteur caiu quase no esquecimento; Boris Vian morre em 1959; Marcel Mouloudji é banido da chanson française e condenado a uma espécie de exílio artístico que dura dez anos.

Será apenas em 1966, com a vaga de canções de protestos que se seguiram à revolta na universidade Berkeley contra a guerra no Vietname, que Le Déserteur é redescoberto por Peter, Paul and Mary (com o título The Pacifist), que a cantam em francês com uma curta introdução em inglês. Le Déserteur transforma-se no símbolo do movimento e dá a volta ao mundo.

Desde então, têm sido vários os intérpretes da canção. Serge Reggiani, Joan Baez - apenas para falar dos meus preferidos - cantaram Le Déserteur. Por cá, foi José Mário Branco que a cantou, entre 1966 e 1974, numa versão traduzida para a língua portuguesa.






Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer


Letra de Boris Vian - Música de Boris Vian e Harold Berg - 1954

[Download do mp3 aqui]

23.9.07

Romy Schneider. apeteceu-me. em dia de aniversário.



Le Vieux Fusil, Robert Enrico, 1975
Romy e Philippe Noiret. que se nos arrebatam...



Les Choses de la Vie, Claude Sautet, 1970
Romy e Piccoli. que nos cantam Hélène, uma primeira vez...



La Piscine, Jacques Deray, 1969
Romy e Delon. que se amam...


[Romy Schneider. Viena, 23 de setembro de 1938 — Paris, 29 de maio de 1982]

11.9.07

The windows of the world

«The Windows of the World era o nome do restaurante situado no 107° piso da Torre Norte do WTC. Estavam 171 pessoas nesse restaurante (incl. 72 empregados) no momento do choque do Boeing. The Windows of the World é também o título de uma canção de Burt Bacharach e Hal David, interpretada por Dionne Warwick em 1967. A canção foi escrita contra a guerra no Vietname mas a mensagem ainda é válida e sê-lo-á durante muito tempo.» (ver aqui o Post de 2005)


The windows of the world are covered with rain,
Where is the sunshine we once knew?
Everybody knows when little children play
They need a sunny day to grow straight and tall.
Let the sun shine through.

The windows of the world are covered with rain,
When will those black skies turn to blue?
Everybody knows when boys grow into men
They start to wonder when their country will call.
Let the sun shine through.