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23.11.06

Do Brasil


Já faz tempo. Mas foi por causa de memórias que olhei para uma foto de (E)Nildo Amaral e me emocionei. Depois o fotógrafo descobriu essa minha fraqueza. Do Brasil, enviou-me mais fotos. Explosões de cor. E revelou-me uma Brasilia que eu desconhecia. Dizia que apesar do concreto e da aparente organização da cidade, se olharmos bem de perto veremos que Brasília pulsa. Enfim, de assombros da tecnologia que transformou em postais ilustrados, ao Vale do Amanhecer, (E)Nildo Amaral deu-me a conhecer o seu Brasil e a sua arte de jogar com o real e a imagem.

Agora voltei a ter notícias. Nildo Amaral aderiu à blogosfera. Vão lá ver esse espaço da alma.

13.3.05

De Brasília III


Enildo Amaral

Não me surpreende que os brasilienses tenham feito desta ponte um novo local de visita. Diz Enildo Amaral: A ponte foi inaugurada há menos de dois anos e gerou uma série de polémicas quanto ao seu custo elevado, mas o facto é que ficou bonita e virou ponto turístico da cidade.

Tenho que enviar ao E.A. uma foto da Ponte Vasco da Gama, outro assombro de engenharia, que também gerou polémica, mas de que nos orgulhamos.

À noite, a beleza estética da ponte é posta em evidência pela iluminação (foto seguinte). Obrigada pela partilha, é um privilégio ter um fotógrafo amigo do outro lado do mar! Sinto-me a cantar um fado tropical.

Enildo Amaral

17.2.05

De Brasília II


Enildo Amaral, O Vale do Amanhacer, Templo - Tia Neiva

"O Vale do Amanhecer é uma seita criada por Tia Neiva, que já morreu, ou desencarnou, como dizem por lá. Ela foi quem criou o templo e tudo o que existe por lá, desde as roupas das pessoas, a decoração do lugar, dos templos e também as entidades que ela incorporava e que passaram a fazer parte da vida do lugar. A Tia Neiva, como já disse, foi camionista, fotógrafa e depois tornou-se uma espécie de médium e, como tal, participava nas diversas etapas que fazem parte das cerimónias do templo. A seita é uma mistura de espiritismo, xamanismo, cristianismo, crenças em seres extraterrestres etc.. Só vendo para crer. E. Amaral "
A comunidade religiosa do Vale do Amanhecer tem um forte apelo milenarista e é marcada por um intenso hibridismo religioso. Fundada em 1968 e localizada a 6 km de Planaltina, cidade satélite de Brasília, teve sua criação diretamente associada à vida da sergipana e ex-caminhoneira Neiva Chaves Zelaya, mais conhecida como Tia Neiva, e às supostas aparições de uma entidade indígena chamada Pai Seta Branca, seu mentor espiritual.
Em 1957 Tia Neiva, de acordo com os adeptos, passou a ver e ouvir espíritos. Um cacique enfeitado com plumas brancas e falando espanhol foi o primeiro a se manifestar. Identificando-se como Pai Seta Branca, essa entidade estaria a serviço de uma grande missão aqui na Terra. Uma vez que não mais poderia encarnar, teria escolhido Tia Neiva como sua substituta na criação de uma doutrina que, através da prática da cura espiritual, iria preparar a humanidade para a chegada do terceiro milênio. Época em que não existiriam dor e sofrimento. (...) Contam os adeptos que todos os seres humanos descendem dos habitantes de um planeta chamado Capela, cujos moradores seriam bastante desenvolvidos nos planos físico, científico e espiritual. A estes seres teria cabido a missão de colonizar a Terra. No entanto, como suas constituições físicas não lhes permitiam a adaptação ao novo planeta, tiveram que passar por uma espécie de mutação. Transformaram-se, assim, nos equitumans, seres semidivinos que, além de andróginos, mediam de três a quatro metros de altura (Cavalcante, 2000: 50).
A Seita apresenta-se aqui.
E nunca mais se queixem das nossas Santinhas, que são virgens, ou aleijadinhas, sempre pobrezinhas e humildes!
(ou sim, queixem-se, porque pelo menos a Tia Neiva dá provas de uma imaginação e bom gosto fantásticos! equitumans? uma santa fotógrafa? verdadeiro pós-modernismo!)

16.2.05

De Brasília


Enildo Amaral, O Vale do Amanhecer, Templo

A resposta de Enildo Amaral sobre Brasília:
Quando me mudei para cá em 1977, vindo do interior do país, também achava a cidade fria. Entretanto, passados todos esses anos, Brasília mudou muito. Hoje a cidade já conta com gerações de pessoas nascidas aqui, com raízes próprias, que as diferenciam de outras pessoas do resto do meu país. Essas novas gerações criaram suas próprias gírias, formas de vestir-se, de se comportar e de se relacionar. Brasília na década de 80/90, quando o Brasil vivia a sua pior crise político-económica, foi a responsável por lançar para o resto do país uma música politizada e contestatária, destacando-se as bandas Legião Urbana, cujo vocalista era o Renato Russo, e a Capital Inicial. Nessa época, as bandas se reuniam para ensaiar nas garagens e pagavam para tocar. Eu mesmo participei de uma banda chamada Korpo Delito. Apesar do concreto e da aparente organização da cidade, se olharmos bem de perto veremos que Brasília pulsa. São muitas as opções: bons restaurantes com culinária nacional e internacional, bares, boites, cinemas, shopping centers etc.. Sem contar com as regiões próximas, dotadas de abundante natureza, a exemplo da Chapada dos Veadeiros, Pirenópolis, Lagoa Formosa. Tem a Brasília mística repleta de rituais e segredos, como por exemplo, o Vale do Amanhecer, criado por Tia Neiva, que antes de ser vidente foi camionista e fotógrafa e, depois de desencarnar, se transformou numa das entidades de culto da seita que ajudou a criar. Também existe a Brasília política, das grandes articulações e negociações que têm impacto em toda a população brasileira e cuja existência é complicada de entender. Enfim, é preciso vir com calma para conhecer Brasília. E. Amaral

11.2.05

Do Brasil III


Enildo Amaral, Brasília

Spectrum: Brasília. Primeiro plano: Congresso Nacional (arq. Oscar Niemeyer). O meu punctum: o céu de Brasília.
O fotógrafo vive nesta cidade. Eu não conheço Brasília mas a imagem que tinha, de ouvir dizer, era a de uma capital fria, geométrica, burocrática e engravatada. talvez pela finalidade com que foi construída. Mas Enildo fala com paixão da sua cidade. E outro dia, comentando a foto "Explosão de Cores", disse-me que a tinha tirado na Feira do Artesanato da Torre da TV, local que visita com regularidade, devido às suas cores e sabores populares.
A propósito de Pirenópolis (a 150 km) diz que é uma região turística e muito bela, com muitas cachoeiras e rios.
Eu só conheço o Rio de Janeiro e área envolvente (lindo, Angra dos Reis!). queria voltar ao Brasil. não ficamos com mais vontade de conhecer o sonho de Dom Bosco?

Do Brasil II


Enildo Amaral, Cavalhadas, 2004

Sim, já viram esta fotografia. Mas volto a colocá-la aqui com o devido enquadramento. Acho que vale a pena saber que a 150 Km de Brasília, há uma localidade que festeja o Divino Espírito Santo por influência dos portugueses. A cidade é Pirenópolis.
E nessa mesma cidade também é tradição a festa das Cavalhadas. A origem das Cavalhadas remonta ao século VI: Carlos Magno, um guerreiro cristão, travou uma batalha épica contra os sarracenos, de religião islâmica, pela defesa de um território. "A Batalha de Carlos Magno e os 12 pares da França", como ficou conhecido o conflito, acabou tornando-se um símbolo da resistência e avanços da religião cristã na luta por terras e novos fiéis. No século XVIII, motivada por novos conflitos religiosos, a rainha Isabel, de Portugal, instituiu uma representação teatral a ser encenada por cavaleiros. Introduzida no Brasil pelos padres jesuítas com a função de catequizar índios e escravos, a festa das Cavalhadas é uma tradição que, desde 1820, mobiliza e emociona a população de Pirenópolis.
Mais uma vez, o meu obrigada a Enildo Amaral.

9.2.05

Sol ou Sombra


A foto que Enildo Amaral me presenteou.
Não, não me parece que tenha sido captada numa tourada. Mas cada um oferece a sua paixão. que a minha não é de festa brava. mas de palavras como estas. Quando esta canção foi composta Portugal e o Brasil permaneciam carentes de Primavera.

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro aos milhões.
E diz o inteligente
que acabaram as canções.

[Música: Fernando Tordo (composta em 1972); Letra: Ary dos Santos]

7.2.05

Do Brasil


Explosão de Cores

A imagem fotográfica é plena, carregada, íntegra, e no entanto, eu insisto em acrescentar-lhe algo. Normalmente, neste espaço, a imagem acrescenta sinais às palavras, é cúmplice do texto. Enildo Amaral é o autor de uma das fotografias que usei como aviso, "atenção, o tema hoje é...". Escreveu-me e disse-me "fotografia é paixão". Deixou um presente que infelizmente não consegui postar aqui (hei-de fazê-lo). Mas porque ele não é parco em interpretações da vida, encontrei uma explosão de cores.
Enildo, hoje, vou pegar na sua alegria e, mesmo sem a folia que se vive por ora no seu país, desejar a todos, BOM CARNAVAL!
Muito obrigada a você.

31.1.05

Dormir Acordado III


Enildo Amaral

Memórias. de letras e de histórias.

... trouxe-me à memória a infância feliz que tive. Morava, naquela altura, no Algueirão, pequena localidade no sopé de Sintra, onde as estações do Ano se sentiam como em mais lado nenhum. Fui sempre de compleição miúda, por isso, não era difícil ao meu Pai, colocar-me em cima do nosso enorme cão (naquela altura, parecia-me mais um pónei que um cão...) e rumavamos encosta acima. Debaixo do braço, levava sempre um livro e, chegados ao local de sua preferência, um jardim enorme, de que não me recordo o nome, sentava-me nos joelhos e lia-me uma história... foi assim que comecei a amar as palavras.

do Jorge:
Lembro-me que a partir dos 2 anos, passei muito tempo a desenhar. deitado no chão, horas a fio. a riscar. tentar copiar, passar por cima, pintar. uma das coisas que mais cedo comecei a gostar de desenhar foram letras. copiava-as, pintava-as, e talvez me perguntasse que coisas eram aquelas que, ao contrário dos pássaros ou dos aviões, que via para além dos bonecos onde pintava, não existiam em mais lado nenhum sem ser nos livros de onde as copiava. bom, não devo ter pensado estas coisas. mas a memória do prazer daquelas tardes sem tempo, de cores e traços, essa está aqui de onde a transcrevo.