Pierre Boulez com Ensemble InterContemporain.
29.11.09
Le marteau(!) du maître
Pierre Boulez com Ensemble InterContemporain.
27.11.09
Mishima
In 25th November, 1970, Yukio Mishima, in the ritual act of Seppuku, knelt on a carpet and plunged a dagger into his abdomen. Mishima had sacrificed his own life, a gesture of defiance against the violation of his country's dignity.
Mishima designed his life as a drama; in his books he plotted out his life down to the last chapter. A twentieth century writer of the highest acclaim, Yukio Mishima generated more than 30 novels, in addition to numerous plays and movies. He was truly a renaissance man and was not only Japanese, but a world figure.
23.11.09
À escuta #89
S - ... pois, mas como eu quero VER o beijinho, vou aí agora!
Caderno de Memórias Coloniais

«Manuel deixou o seu coração em África. Também conheço quem lá tenha deixado dois automóveis ligeiros, um veículo todo-o-terreno, uma carrinha de carga, mais uma camioneta, duas vivendas, três machambas, bem como a conta no Banco Nacional Ultramarino, já convertida em meticais.
Quem é que não foi deixando os seus múltiplos corações algures? Eu há muitos anos que o substituí pela aorta.»
Pode descolonizar-se um país. Mas é impossível descolonizar-se a alma.
20.11.09
Ace in the Hole (1951)
No cinema seria melhor! still...
19.11.09
Retalhos da vida de um médico
[O CD de homenagem a Ary dos Santos foi distribuído na última edição da Visão e do Expresso]
Serras, veredas, atalhos,
Estradas e fragas de vento,
Onde se encontram retalhos
De vidas em sofrimento
Retalhos fundos nos rostos,
Mãos duras e retalhadas
Pelo suor do desgosto,
Retalha as caras fechadas
O caminho que seguiste,
Entre gente pobre e rude,
Muitas vezes tu abriste
Uma rosa de saúde
Cada história é um retalho
Cortado no coração
De um homem que no trabalho
Reparte a vida e o pão
As vidas que defendeste,
E o pão que repartiste,
São lágrimas que tu bebeste
Dos olhos de um povo triste
E depois de tanto mundo,
Retalhado de verdade,
Também tu chegaste ao fundo
Da doença da cidade
Da que não vem na sebenta,
Daquela que não se ensina,
Da pobreza que afugenta
Os barões da medicina
Tu sabes quanto fizeste,
A miséria não segura,
Nem mesmo quando lhe deste
A receita da ternura
Mário Barradas (1931-2009)
«O encenador Mário Barradas “marcou o teatro de toda a segunda metade do século XX português”, disse o director da Companhia de Teatro de Almada. Joaquim Benite sublinhou "o papel importante que [Barradas] desempenhou na descentralização do teatro, tendo marcado a cena portuguesa pós 25 de Abril".(...) Empenhou-se muito na descentralização, à qual votou toda a sua vida, aliás esta opção fez-se notar quando assumiu funções como director-geral das Artes, cuja acção se sente hoje no tecido teatral português"...»
«Nascido em Ponta Delgada, em 1931, Mário Barradas fundou em Janeiro de 1975, no primeiro projecto de descentralização teatral em Portugal, o Centro Cultural de Évora, antecessor do CENDREV, e uma escola de formação teatral.»
Cinco anos
... Se Hannah Arendt tiver razão, a liberdade depende da acção (action). Homens livres. Através da sua obra e do seu pensamento, eles empenham-se em transformar o nosso mundo. Enveredaram por caminhos arriscados ou pouco explorados, seguindo o princípio da fidelidade ao sonho. Ou a um sonho. Porque é possível.
Alguns são Divas e todos os reconhecemos. Outros são fantásticos Contrabaixos, instrumentos que as boas orquestras não dispensam mas em que nem sempre reparamos.
Eu queria falar desses Homens.

"Comer marisco ou sopa rica de peixe! Enquanto o homem que a adora fica numa sala à prova de som e não faz outra coisa senão pensar nela, com um instrumento disforme entre as mãos, do qual nem um, nem um único som é capaz de tirar, dos que ela canta! ...Sabem do que é que eu preciso? Preciso sempre de uma mulher que nunca hei-de ter. Enquanto eu não a tiver, não preciso de nenhuma outra."
Patrick Süskind (1984). O Contrabaixo . Ed. Difel: pp 53-54
Eu também preciso do que nunca hei-de ter. para além de me ser indispensável o que já tenho.
18.11.09
Semântica...
,+oil+on+canvas,+70cm+x+70cm,+2009.jpg)
The real world does no longer exist, 2009
Ordeno ao ordenador que me ordene o ordenado
Ordeno ao ordenador que me ordenhe o ordenhado
Ordinalmente
Ordenadamente
Ordeiramente.
Mas o desordeiro
Quebrou o ordenador
E eu já não dou ordens
coordenadas
Seja a quem for.
Então resolvo tomar ordens
Menores, maiores,
E sou ordenado,
Enfim --- o ordenado
Que tentei ordenhar ao ordenador quebrado.
--- Mas --- diz-me a ordenança ---
Você não pode ordenhar uma máquina:
Uma máquina é que pode ordenhar uma vaca.
De mais a mais, você agora é padre,
E fica mal a um padre ordenhar, mesmo uma ovelha
Velhaca, mesmo uma ovelha velha,
Quanto mais uma vaca!
Pois uma máquina é vicária (você é vigário?):
Vaca (em vacância) à vaca.
São ordens...
Eu então, ordinalmente ordeiro, ordenado, ordenhado,
Às ordens da ordenança em ordem unida e dispersa
(Para acabar a conversa
Como aprendi na Infantaria),
Ordenhado chorei meu triste fado.
Mas tristeza ordenhada é nata de alegria:
E chorei leite condensado,
Leite em pó, leite céptico asséptico,
Oh, milagre ordinal de um mundo cibernético!
17.11.09
My Story
O objectivo do projecto "MyStory – Democracia à altura das crianças” é dar voz às crianças angolanas, como é o direito delas (declaração da ONU dos direitos das crianças, artigos 12 e 13).
O objectivo é estimular a capacidade das crianças de comunicar oralmente, usando as suas próprias histórias como o meio para atingir esse fim.
O projecto “MyStory – Democracia à altura das crianças” nasceu de uma colaboração entre a organização dinamarquesa Gi en Historie e a Save the Children Denmark.
O objectivo, a longo prazo, da Gi en Historie é criar uma plataforma global na internet chamada MyStory, que pretende reunir histórias contadas por crianças oriundas das mais variadas partes do mundo.
14.11.09
1-0, 1-1, 1-2, n-n
11.11.09
10.11.09
4.11.09
lembrar Malraux
André Malraux
(Paris, 3 de novembro de 1901 — Créteil, 23 de novembro de 1976)
3.11.09
Claude Lévi-Strauss (1908-2009)

Lévi-Strauss par Lévi-Strauss
[Entrevista de 1984 por Bernard Pivot na célebre emissão Apostrophes]
Anthropologues et universitaires se sont joint, mardi 3 novembre, aux politiques pour rendre hommage au "plus grand anthropologue du XXe siècle", "source inépuisable de méditation et de tolérance"(...). Claude Lévi-Strauss mettait l'accent sur le fait qu'il ne fallait pas chercher des ressemblances entre des sociétés, mais comprendre en quoi les sociétés sont différentes les unes des autres. C'est toujours très nouveau.
[Foto: Lévi-Strauss no Brasil em 1934]
2.11.09
Marie NDiaye
Marie NDiaye, Trois femmes puissantes
Frédéric Beigbeder

Comecei por o ver como crítico literário no programa de Thierry Ardisson, o fantástico «Rive Droite, Rive Gauche», que passava no Paris Première (fins de 90, até 2002). Depois achei por bem ler os seus romances (inaugurais). O escritor ficava sempre aquém das aspirações do crítico. As obras, assentes numa ideia-tema (e sátira) forte, eram sobretudo divertidas e "irreverentes".
Se quiserem ler breves notas, mini-recensões sobre alguns dos seus anteriores romances, vão ao arquivo do Divas. Para conhecer a marca Beigbeder, visitem o "site não oficial" do escritor, S.N.O.B. (e este título quer dizer alguma coisa, sim).

P.S.: Não sei se não haverá mais surpresas nesta rentrée...
Adenda: reacção do escritor ao Prémio Renaudot
Découvrez Frédéric Beigbeder prix Renaudot 2009 pour "Un roman français"
1.11.09
À escuta #88
- Bem aventurados os pobres, bem aventurados os que choram,...
A.:
- ...os que choram? mesmo se for uma birra?