No Notícias de Aveiro, já está on-line a Entrevista com Sara Carvalho e Elisa Valério, fundadoras da Escola Pequenas Artes. Viajem até lá.
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16.2.05
Entre a realidade e o sonho

Angela Berlinde
Devido à próxima entrevista - às fundadoras da escola de artes para crianças Pequenas Artes, andei nos últimos tempos a pesquisar sobre o que de melhor existe neste domínio.
Fui recolhendo ideias, grande parte oriundas do Brasil (onde proliferam sites). O que se segue é um conjunto de características delineadoras de um espaço ideal para o desenvolvimento do potencial criativo das crianças no período pré-escolar. O que começou logo por me surpreender foi a não separação da arte e da ciência. No meu modelo, confesso que colocava a ciência noutro campo. Mas de facto, a matemática e a música têm na sua génese o mesmo tipo de raciocínio. E a aprendizagem da linguagem musical favorece a aprendizagem de línguas estrangeiras. E a criatividade artística supõe a mesma colocação de hipóteses, inerente ao pensamento científico. E a experimentação gera contacto com materiais e aproximação à natureza. E todas as valências são importantes para o conhecimento e para o aumento da auto-estima da criança que, assim, ficará mais enriquecida e mais liberta para exercícios de criatividade.
Algumas destas escolas têm um tipo de organização que as aproxima das creches normais ou dos ATL's, mas o seu pendor é mais de especialização no ensino de artes. De qualquer forma, a sensibilização para a arte (e ciência) faz parte das competências destes organismos, pelo que estes modelos podem aplicar-se a todos os espaços cujo objectivo seja o desenvolvimento global da criança.
Cada sala é desenhada para um grupo de idade específico. O material usado e as actividades escolhidas para cada sala é apropriado à faixa etária. Esta é a base.
Existe um centro de escrita com papel, lápis, canetas, carimbos para actividades de pré-escrita. Existe um centro de matemática com material para contar, medir, pesar, combinar, classificar. Um laboratório de Ciências, onde as crianças farão experiências em química, física e biologia. Uma área para brincadeiras dramáticas, de faz de conta. Histórias são contadas e encenadas pelas crianças. Introdução a uma língua estrangeira. Um espaço de Música e Movimento, com instrumentos diversos e aparelhos de som. Brincar com as mãos, dançar, sozinha ou com outras crianças. Canções, que também desenvolvem a memória e o sentido de pertença. Aprendizagem de um instrumento musical, que também desenvolve a coordenação motora e a capacidade de concentração. Sala de computadores. Uma área aconchegante com sofás e travesseiros para leitura de livros, blocos, jogos, etc..
Na sua sala a criança escolhe um dos diversos centros de actividades. A criança tem liberdade para fazer essa escolha.
Um diário é mantido na sala, para as crianças ditarem o que acham importante dizer, fazer ou lembrar.
Cada criança tem o seu portfólio (que permite aos pais acompanharem as realizações e a evolução da criança). Os pais devem levar para casa as "obras de arte" e expô-las.
Existe um período em que as crianças de todas as idades se encontram e convivem.
Deve haver um tempo para compartilhar, ouvir, fazer perguntas, fazer barulho, rir.
As actividades de arte são mais projecto-orientadas para as crianças de 4 e 5 anos enquanto que os mais pequenos, a partir dos 18 meses, são mais orientados para a pura experimentação.
Para os educadores, estas ideias não são novas. E falta referir aqui muitos aspectos relativos à dinâmica dos grupos. Mas se tivessem que assinalar com uma cruz as características presentes no vosso espaço de trabalho, o que é que ficava de fora?
[Este post é dedicado aos 17 golfinhos da prof. Saltapocinhas]
28.1.05
Estranheza familiar

Francis Bacon
Ainda a entrevista ao Gonçalo M. Tavares. Um último instar ao apetite. Como sobrevive um livro ao tempo?
RF: Há uma citação do (Paul) Valéry de que gosto muito. "Os livros têm os mesmos inimigos que o homem – o fogo, a humidade, os bichos, o tempo e seu próprio conteúdo".
GT: O conteúdo é fundamental desde o tempo em que os livros eram memorizados. As pessoas sabiam os livros de cor mas, para isso acontecer, o conteúdo tinha que ser interessante. Aí, a associação entre o homem e o livro ainda era mais evidente.
RF: É engraçado, eu associava o conteúdo ao tempo, saber se um conteúdo pode gerar interpretações válidas em diferentes contextos sociais e históricos. É a questão do que é universal ao longo dos tempos.
GT: O que pode ser universal são aqueles conteúdos que não apresentam uma solução e que hoje já geram várias interpretações. Uma das coisas que mais me agrada é perceber que há diferentes interpretações dos vários livros que escrevi. Os livros que são flexíveis e que duram são os livros que nos deixam sempre pensar que podia ser sobre o dia de hoje.
RF: E não são também aqueles que tocam os sentidos? Que falem de medo ou de amor.
GT: Sim, há uma expressão que o Freud utilizava e que gosto muito que é a "estranheza familiar". A estranheza familiar é sentirmos que alguma coisa não está certa mas que, ao mesmo tempo, há uma parte dessa coisa que reconhecemos e que nos é familiar. Sinto-me em casa mas sinto-me ameaçado. Essa sensação pode, eventualmente, ser uma das marcas dos livros que resistem ao tempo. O familiar permite que exista essa ligação porque, se não houver um fio que me ligue, aquilo é outro mundo. Mas, se me é totalmente familiar, já não interessa, já está assimilada.
Esse conceito do estranho familiar é isso: há uma parte que me agarra mas há também outra parte que ainda não entendi. E é essa parte que ainda não entendi, que me permite continuar a olhar para o livro. Como escritor, uma coisa que também adoro é – e os livros saíram há pouco tempo – dizerem-me "já li este livro várias vezes". Prefiro ter releitores que muitos leitores.
Esse conceito do estranho familiar é isso: há uma parte que me agarra mas há também outra parte que ainda não entendi. E é essa parte que ainda não entendi, que me permite continuar a olhar para o livro. Como escritor, uma coisa que também adoro é – e os livros saíram há pouco tempo – dizerem-me "já li este livro várias vezes". Prefiro ter releitores que muitos leitores.
(mais do GT ali ao lado, na coluna da direita)
As guerras são quase naturais

Francis Bacon
Ontem, dia 27, despertamos a nossa memória colectiva. Evocamos a máquina do horror e celebramos o seu fim. Há 60 anos o campo de concentração Auschwitz-Birkenau foi libertado pelo exército soviético. Lia A Fábrica e recordava-me da entrevista com o Gonçalo M. Tavares. A bestialidade é um mistério. O horror não foi exterminado. Este mundo continua em guerra. Decidi transcrever aqui parte dessa entrevista. Até para me "despedir" do Gonçalo, uma vez que na próxima semana vai ser lançada nova entrevista. Neste fragmento ele levanta algumas questões. Todos os domínios do conhecimento congregados - mas sobretudo a biologia e a genética, poderão decifrar o mistério e libertar-nos?
RF: Vamos falar de algumas das tuas constantes. Escreveste vários livros (Um Homem: Klaus Klum; A Máquina de Joseph Walser; Jerusalém) centrados no tema da guerra e parece que vão sair ainda outros ("livros negros").
GT: Interessa-me perceber o fenómeno.
RF: Um pouco como o personagem do médico Theodor em Jerusalém…, ele especializava-se no horror!
GT: Perceber por que é que é quase natural aparecerem as guerras é algo que me interessa, e é uma estranheza. Parece ser algo cíclico mesmo que, em cada momento, pensemos que não é aceitável. Em cada geração, as pessoas surpreendem-se mas é quase como nos surpreendermos com o nascimento de uma criança. Parece inevitável, natural.
RF: E no pós-guerra, que mudanças podem ocorrer? Nos teus livros ficamos com a impressão de que nada avança, de que tudo se mantém. Pode haver mobilidade – as pessoas são peões, mas a estrutura mantém-se. A guerra não provoca revoluções.
GT: Só o facto de as guerras se irem sucedendo, por maior que seja a evolução tecnológica e intelectual, é já uma demonstração de que não há avanço. Se lermos qualquer tragédia grega centrada numa guerra, percebemos que as causas desses tempos são semelhantes às de hoje.
RF: O Edgar Morin falava muito bem disso, mantêm-se as questões de definição de território.
GT: Há a sensação de que existem dois mundos em desenvolvimento: o mundo material, em que claramente, o homem progride. O homem tem cada vez menos dor e vive de uma forma mais confortável de modo geral. Todo o progresso evolui no sentido de aumentar o tempo de vida com menos dor. Temos pois, de um lado o desenvolvimento da cidade, no seu conjunto. A grande invenção humana não é nenhuma tecnologia, é o conceito de cidade, o conceito de pessoas a viver juntas não se matando umas às outras.
Depois, paralelamente a isto, há o indivíduo sozinho. O que sinto é que se pensarmos no progresso desde há 2000 anos, houve nitidamente uma grande evolução ao nível material mas individualmente – em termos do que é o homem, dos medos que tem, da agressividade – quase que podemos traçar uma linha recta. Platão compreenderia perfeitamente o homem de hoje mas ficaria muito espantado com um frigorífico. E eu acho que este é um dos grandes mistérios.
Depois, paralelamente a isto, há o indivíduo sozinho. O que sinto é que se pensarmos no progresso desde há 2000 anos, houve nitidamente uma grande evolução ao nível material mas individualmente – em termos do que é o homem, dos medos que tem, da agressividade – quase que podemos traçar uma linha recta. Platão compreenderia perfeitamente o homem de hoje mas ficaria muito espantado com um frigorífico. E eu acho que este é um dos grandes mistérios.
RF: Do ponto de vista biológico, neurológico, não progredimos!
GT: Sim e, nesse aspecto, uma das coisas mais familiarmente estranhas, porque muito ameaçadoras e perigosas mas, ao mesmo tempo, mais estimulantes, é realmente a questão de mexer na genética. O que se percebeu até agora é que, por mais que se mexa na parte exterior, material, ou no acesso à cultura e educação, a conflitualidade e a agressividade não desaparecem. Pela primeira vez agora, vai haver uma junção entre a biologia e a genética. Esta possibilidade tanto assusta como entusiasma.
RF: No limite, se se pudesse fazer uma pequena manipulação genética para que não nos matássemos uns aos outros, tu concordarias?
GT: Sim, não me choca. Choca-me mais as pessoas estriparem-se umas às outras. E não percebo as resistências às alterações genéticas porque o homem está sempre a ser alterado – com antibióticos, corações artificiais, etc.. Se alterarem a nossa biologia para as pessoas viverem melhor no seu conjunto, eu concordo.
(Se quiserem continuar a leitura usem os links à direita, "entrevistas on line")
12.1.05
Lançamento da entrevista a Gonçalo M. Tavares
A morte aumenta a alma. Projecto: Aumentar a alma sem MORRER.
É um prazer conversar com o Gonçalo M. Tavares. A palavra. Como nos seus livros, abrimos uma página, uma frase, e queremos guardá-la. Abrir assim, ao calhas. E gostamos.
Podemos começar a ler esta entrevista pelo fim, pelo meio e finalmente chegar ao princípio. Somos nós que definimos a arquitectura.
20.12.04
Guardem bem o meu blogue

Doisneau - Musicien in the rain
Caras divas, digo, caros leitores, guardem bem o meu blog'inho durante esta semana em que estarei ausente .
Para que ele não se molhe, já arranjei um senhor. Ele passou, e não sei se foi por causa da boina, mas percebi logo que gostava de música. Olhei para ele daquela maneira. Disse-me que sim.
Mas depois, quem vai cuidar dele? É preciso alimentá-lo, dar-lhe uns mimos. A Elis Regina, porque não sabia rezar, mostrava o olhar, o olhar. Como eu não posso olhar, não sei como vos pedir.
Decidi então fazer-vos uma proposta. que também pode servir como um jogo para este Natal. Já ouviram falar do Retrato Chinês? Um grupo decide que se vai falar de uma determinada pessoa mas não dão essa informação a um dos seus membros; este tem que adivinhar de quem se trata colocando perguntas projectivas: se ela fosse um livro, se ela fosse um animal, etc., qual seria?
Nos estudos (qualitativos) de mercado utiliza-se muitas vezes este jogo como técnica projectiva para conhecer, por exemplo, o perfil imaginado do consumidor de uma marca. Lembrei-me de o adaptar à série de entrevistas que estou a fazer para o Notícias de Aveiro. No final das entrevistas, peço que preencham um pequeno questionário. E é esse questionário que vos vou deixar aqui. Chamo-lhe Retrato X-Net e é assim:
Se eu fosse...
01. um livro
02. uma canção
03. uma urgência
04. um gesto
05. um ditador
06. um vírus
07. uma palavra
08. uma irritação
09. uma crença
10. uma fobia
11. uma parte do corpo
12. uma cicatriz
13. uma arte
14. um objecto
15. um herói
16. uma paixão
17. um lugar em Aveiro (pois claro!)
18. um sonho
19. um pesadelo
20. um blogue
O que vos vou pedir é que, desta vez, sejam vocês a responder ao questionário. O espaço está aberto às vossas respostas (aqui nos comentários ou via email). Respondam a todas as alíneas ou, se a preguiça fôr grande, apenas às que mais gostarem. No dia 1 do novo ano, os resultados serão apresentados. No dia 3 será divulgado quem é o Grande Vencedor do Retrato X-Net. Espero encontrar nas vossas respostas: originalidade, irreverência, poesia, sentido de humor, espírito crítico, enfim, criatividade.
Bom Natal, minhas Divas!
15.12.04
Para os nossos amores
As fadas são muito bonitas. e voam. usam vestidos de bailarina mas não têm frio. quando tomam banho, a pintura não sai dos olhos e o cabelo não fica molhado.
Se eu tomar banho e a tinta desaparecer, é porque não sou fada.
São as cores. paixão de luz com sonoridades e sentidos. génese da imaginação. Os nossos amores criam as suas histórias, interpretam personagens, viajam no mundo dos sentidos, inventam jogos musicais, cantam, partem para o grande país da fantasia.
A infância e a imaginação criadora. e expressões de arte que ampliam esta inspiração. Música, Expressão Plástica, Dança, Poesia, Teatro.
Nos dois últimos anos abriram na cidade novas escolas ou academias de arte para os mais pequenos. Os nossos amores podem agora fazer a aprendizagem destas expressões de arte de uma forma divertida . o princípio do prazer.
A academia Pequenas Artes foi a pioneira. As suas fundadoras, Sara Pereira e Elisa Valério, fizeram o Conservatório e licenciaram-se em Ensino da Música na UA. A Sara completou o Doutoramento em Composição na Universidade de York em 2001. Idealizaram para Aveiro este espaço de desenvolvimento artístico.
Para que os nossos amores tenham acesso a um mundo mais alargado e cresçam felizes.
Depois só vai ser preciso convencê-los a tomar o banhito... Mas quem não quer ser uma fada?
(A entrevista com a Sara Pereira e a Elisa Valério será publicada no Noticias de Aveiro no próximo mês)
12.12.04
Passagem pela China II
Sobre a RPC ou Tschung Hua Jen-Min Kung-Ho (Império Popular das Terras Fluorescentes do Centro).
Segundo João Paulo Oliveira, A República Popular da China vai assumir-se como uma das potências deste novo século. "Quando pensamos na China, pensamos em produtos baratos, de baixa qualidade e cópia. Isso era o que se dizia do Japão nos anos 60 e o Japão é hoje sinónimo de qualidade e de inovação. Daqui a alguns anos a China vai ser tão forte quanto o Japão. A flexibilidade é um ponto forte deles." E a verdade é que o país já começou a demonstrar o seu poder como membro da OMC em disputa com o Japão - por exemplo no que diz respeito às exportações para os EUA. O novo estatuto da China preocupa outros países asiáticos e europeus, que temem perder mercado com a expansão das exportações chinesas.
Mas que desafios tem a China pela frente? Controlar a corrupção - alargada a todos os sectores de actividade; reformar as indústrias estatais - que têm um grau de eficiência muito baixo; criar novas infraestruturas e diminuir o grau de burocracia; e assegurar a unidade política e social - a abertura progressiva fez emergir uma China consumista e mais "liberal", e como re-coordenar o poder central com os novos poderes locais?
Quando João Paulo Oliveira chegou a Cantão encontrou precisamente uma empresa estatal com uma cultura instalada de ineficiência. "Era complicado, uns trabalhavam, outros não. A qualidade nem se discutia, era uma coisa que não havia. Se o produto tinha uma fuga de gás ia na mesma para o mercado". E deparou-se também com o sistema de corrupção generalizado. "O modelo comunista está completamente deturpado. Quem não pertence ao Aparelho não tem oportunidades nenhumas. Mas as empresas têm que pagar facturas de restaurantes e karaokes a quem pertence ou tem ligações no Aparelho. Havia um director comercial que apresentava facturas de 1000/2000 €... e isso representava o salário de vários meses de muitas pessoas!" JPO teve dificuldade em lidar com este tipo de problemas. "Dois anos na China causam mossa".
Para JPO, a abertura da China ao exterior acontece porque já não havia outra alternativa. "A própria sociedade pôde perceber outra forma de vida e isso influenciou as aspirações das pessoas". O seu pensamento insere-se na linha de Eric Hobsbawm para quem a aceitação do comunismo não depende das convicções ideológicas, mas de como julgam as massas o que a vida sob os regimes comunistas faz por elas, e de como comparam a sua situação com a de outros. Não sendo possível o isolamento, o contacto e o conhecimento de outros países torna os seus julgamentos mais cépticos.
Mas JPO salienta que a abertura ao investimento estrangeiro visa essencialmente a aquisição de know-how. "Quase todos os negócios que foram abertos na China a pensar no mercado chinês não resultaram. O lema é - na China mandam os chineses e na China vendem os chineses". E as multinacionais adaptam-se a essas características locais. "Há uma divisão da Bosch que produz para o mercado chinês, mas quem comercializa é uma empresa chinesa. Se não fosse assim, teríamos que entrar no negócio das comissões - eles chamam comissões ao que nós cá chamamos corrupção".
Mas todos os negócios que conheceu, que foram para a China para utilizar mão de obra barata e exportar, tiveram sucesso.
A entrada na OMC pode conduzir a mudanças. A China deve agora diminuir as restrições ao mercado de capitais e melhorar o acesso a produtos e empresas estrangeiras.
Mas o que dizer da necessidade de transformar toda a estrutura de governo e a sua forma de actuação nos diversos quadrantes da sociedade?
JPO considera-se um democrata mas arrisca dizer que "seria um caos se se tentasse democratizar a China" à luz dos nossos modelos. Fala-nos de interiorização de hierarquias. São séculos de subjugação e, por agora, tem a impressão de que as coisas não funcionariam se cada um pudesse escolher o seu próprio destino.
Todos têm papeis "absolutos" atribuídos. Em Hong Kong ouviu uma conferência que não esqueceu. Um americano tentava explicar Tian'anmen. Em 1989, a Praça foi ocupada por um movimento estudantil. Durante dias não houve um único disparo, acabou com milhares de mortos. "A Polícia na China é apenas uma polícia de verificação, não atacou. Mas quando perceberam que tinham perdido o controlo da situação, chamaram o exército. Normalmente a sociedade chinesa não precisa de exército, mas quando ele aparece é terrível. O exército está no extremo, é sanguinário. O resultado foi o que se viu!".
Fica a reflexão.
E Obrigada ao eng° João Paulo Oliveira pela longa entrevista. A partir de hoje no Notícias de Aveiro.
10.12.04
A Segunda Entrevista do Divas & Contrabaixos
João Paulo Oliveira
A entrevista com o Administrador da Vulcano Termodomésticos e Mister Bosch em Portugal saiu hoje no Notícias de Aveiro. Para facilitar a leitura, deixo algumas notas:
- I - É a introdução
- II - Entrevista centrada na Vulcano, como Centro de Competência Internacional da Bosch
- III - Pontos fortes e fracos da região de Aveiro para atrair investimento; propostas de sinegias com as empresas da região; humanizar a Administração; preocupações ambientais
- IV - Entrevista "marketeer"
- V - Entrevista de identidade. O percurso pessoal e profissional do eng° João Paulo Oliveira
Façam os vossos comentários aqui ou na coluna do jornal. E obrigada a todos os leitores.
Passagem pela China
1995, Cantão, Sul da China, ou Guangzhou - se utilizarmos a transcrição pinyin dos caracteres chineses, imposta pela China Popular (Mao Tsé-Tung será pois Mao Zedong). O Grupo Bosch faz uma joint venture com a empresa chinesa Guandong Shenzhou para desenvolver e fabricar esquentadores. João Paulo Oliveira revela-se o homem certo para liderar esse projecto. Jiang Zemin está no poder. O que encontra é a herança do maoísmo (ainda) e do anti-maoísmo iniciado por Deng Xiaoping. Neste espaço, registo das impressões que ficaram da China nessa longa marcha que durou dois anos.
Mas antes, alguns dados históricos (centrados no ambiente económico):
1950/51: Campanha para "eliminação dos elementos contra-revolucionários". São lançados sucessivamente os movimentos dos "Três Anti" (contra a corrupção, o desperdício e a burocracia) e dos "Cincos Anti" (contra os subornos, a fraude, a evasão fiscal, a prevaricação e a divulgação de segredos de Estado - visando a burguesia). As empresas são obrigadas a pôr a nu as suas contabilidades e são esmagadas pelos impostos. Campanha de "reforma do pensamento" - visando intelectuais, que serão "reeducados".
Consequências "certificadas": 3000 detenções numa noite, 38000 num mês - apenas em Xangai; 220 execuções públicas num só dia em Pequim; 89000 detenções, das quais 23000 resultaram em condenações à morte, em 10 meses, em Cantão. Cerca de 450000 empresas privadas são sujeitas a inquérito; Um terço dos patrões e quadros são dados como culpados, normalmente por evasão fiscal e punidos - cerca de 300000 com penas de prisão.
O próprio Mao Zedong, em 1957, referindo-se a este período, indicou o número de 800000 contra-revolucionários liquidados.
1953, Nov.: Os patrões são forçados a abrir o seu capital ao Estado.
1955: Os Patrões são obrigados a filiarem-se em sociedades públicas de abastecimento (o racionamento estava generalizado); em Outubro são novamente submetidos a uma investigação geral.
1956: Os patrões não resistem mais de 2 semanas quando, neste ano, lhes "propõem" a colectivização a troco de uma pequena renda vitalícia e, por vezes, o lugar de director técnico nas suas antigas empresas (promessas que a Revolução Cultural renegará).
1958: As empresas do Estado contratam 21 milhões de novos operários (crescimento de 85% num único ano).
1959: Taxa de acumulação de capital pelo Estado - 43.4% do PIB.
1959-1961: "O Grande Salto em Frente". A maior fome da História. Sobremortalidade: entre 20 (número semi-oficial na China) e 43 milhões de pessoas.
1966-1975: A Revolução Cultural. Campanha contra as "Quatro Velharias" (velhas ideias, velha cultura, velhos costumes, velhos hábitos).
1966, Nov.: Autorização para a criação de grupos de Guardas Vermelhos nas fábricas. Aos "rebeldes revolucionários" (na sua maioria estudantes e liceais) juntam-se grupos de trabalhadores industriais - na sua maioria trabalhadores sazonais, tarefeiros, sem garantia de emprego nem protecção sindical - que exigem melhores salários e contratos permanentes; e jovens quadros, outrora punidos por qualquer razão, que entrevêem a ocasião inesperada de uma carreira rápida ou de uma vingança.
1977: Discurso de Deng Xiaoping: " A chave para a modernização é o desenvolvimento da ciência e da tecnologia (...) precisamos de ter conhecimentos e pessoal qualificado (...) Agora parece que a China está uns bons vinte anos atrás dos países desenvolvidos em ciência, tecnologia e educação."
1978, Dez.: Início da era Deng Xiaoping. Reformas privilegiam a economia. Expansão de empresas individuais e privadas.
1986: Pedido de adesão da China ao Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio (GATT)
1989: Os estudantes de Pequim ocupam a Praça de Tian'anmen. Reinvindicam democracia e têm o apoio da população. Após várias semanas, o poder decide usar a força. Os tanques tomam posição e na noite de 4 de Junho destroem o acampamento de estudantes.
1993, Março: Jiang Zemin é eleito Presidente da República Popular da China.
1999, Nov.: Acordo comercial assinado entre a China e os EUA.
2001, Dez.: China entra oficialmente na OMC (Organização Mundial do Comércio). É a plena integração da China no sistema comercial internacional e o início de uma nova fase de abertura da China ao exterior.
Fontes: (1)Courtois, Stéphane; Werth, Nicolas; Panné, Jean-Louis; Paczkoxski, Andrzej; Bartosek, Karel; Margolin, Jean-Louis, O Livro Negro do Comunismo, Ed. Quetzal, 1997; (2) Hobsbawm, Eric, A Era dos Extremos, Ed. Presença, 1996
4.12.04
O Senhor Tavares
"Há pressupostos literários que não têm nada a ver com a literatura"
Acabo de chegar d' O Navio de Espelhos, onde assisti à sessão de lançamento dos novos livros do Gonçalo M. Tavares. Quem consultou a Agenda Cultural da CMA (agora relançada) pôde lêr que se tratava do lançamento de "O Senhor Brecht" e de "O Senhor Juarroz". Quem já ouviu falar um bocadinho do escritor, não vai ficar surpreendido com a notícia de que, afinal, havia outros dois novos livros: uma compilação de vários livros de poesia num único volume (pelo que, na verdade, ele lançou mais do que 4 livros) e um estranho "A Perna Esquerda de Paris seguido de Roland Barthes e Robert Musil".
Entrevistei o Gonçalo há duas semanas... É capaz de ser mais exacto dizer que conversamos (o Gonçalo gosta da palavra exactidão - ... e de muitas outras). Inexactamente, sobre a sua escrita e os seus vícios de escritor. Ainda este mês, a entrevista vai ser editada no jornal que conhecem.
Mas hoje foi bom revê-lo e re-ouvi-lo. (eu posso inventar palavras). O Gonçalo Tavares, assim num tom muito rouco e simples, alertou-nos para os falsos pressupostos literários: por exemplo, o de que um bom romance deve ter mais de 100 páginas ou o de que um bom livro de poesia deve ter menos de 100 páginas. ou que não se devem lançar 5 livros num ano. ou o que diz que uma página em branco é um espaço de liberdade.
O Gonçalo violou todos estes falsos pressupostos.
Vamos centrar-nos na falsa liberdade da folha em branco.
Nunca escrevemos em folhas já escritas ou desenhadas ou traçadas . Mas a forma condiciona a escrita. (por exemplo, gosto de pontos finais seguidos de palavras em letra minúscula).(e de parêntesis entre pontos finais). (e os conteúdos variam consoante a forma). O Gonçalo decidiu criar tabelas literárias e escrever sobre elas. Assim, insert tables - número de colunas? - 2, 3, 4 (nós decidimos) - e escreve-se um texto, obrigando o leitor a saltar de coluna em coluna.
E por que é que, num texto, uma frase deve ser consequente da frase anterior? Por que precisamos de uma cadeia de frases que quase podemos numerar, primeira-segunda-terceira-... ?
O Gonçalo Tavares decidiu romper um pouco com esse nosso conforto num dos seus livros (o do Barthes). Através desse exercício de literatura reflectiu e leva-nos a reflectir sobre os condicionalismos da escrita e da leitura. Formas e normas adquiridas. Não inatas. Mas por que parece anti-natural lêr de cima para baixo, ou da direita para a esquerda?
Não li ainda o livro que mais estranhei, ouvi o seu autor. mas já em 1953, Roland Barthes esperava que "O Grau Zero da Escrita" fosse uma testemunha de uma certa dificuldade da literatura, condenada a significar-se sempre a si própria através de uma escrita que não pode ser livre. Cinquenta anos mais tarde, com "A Perna Esquerda de Paris...", Gonçalo Tavares responde a Barthes. Vou precisar de lêr o livro para perceber como, exactamente.
(e, é claro, o livro ainda tem a Perna e o Musil)
Os dois , o Senhor Tavares e Barthes, dizem-nos que não há linguagem escrita sem um rótulo. Por gozo (agrada-me pensar assim), os dois criaram livros difíceis de catalogar.
Por gozo, o Gonçalo Tavares não lança um livro por ano. Lança os que já marinaram tempo suficiente.
E, na adega literária lá de casa, sei que há muitos livros a amadurecer.
Aceitar Desafios
João Paulo Oliveira, o próximo entrevistado de Divas & Contrabaixos
Veio para Aveiro em 1989 e pensava só ficar cá durante dois ou três anos. Recém formado em Engenharia de Gestão Industrial, integrou os quadros da Vulcano Termodomésticos para adquirir alguma experiência na indústria. Hoje, é o Administrador Industrial desta empresa e o Mister Bosch em Portugal. O mais importante, diz, é que nunca deixaram de lhe proporcionar desafios. Nesta entrevista fala-nos do seu percurso profissional, explica-nos a importância que tem o facto de a Vulcano ser o Centro de Competência Internacional da Bosch (para o produto esquentadores) e apela à criação de sinergias entre as empresas da região.
A entrevista vai ser editada brevemente no www.noticiasdeaveiro.pt.
20.11.04
Vlasta já dorme

O set das gravações
E pronto, chegou ao fim a entrevista, e a tarde. "Vlasta já dorme. Pobre pequena. De vez em quando, ligeiramente, ressona. Tudo dorme em nossa casa. E eu estou estendido, largo, comprido, grande, e penso como estou sem força"*. Não, não foi assim.
* Kundera, Milan, A Brincadeira, Don Quixote, 1987
Making Of
Entrevista a Sónia Sequeira e Jorge Ferreira, gerentes de O Navio de Espelhos
Momento 1:
- Jorge, estou a pensar fazer uma série de entrevistas que serão publicadas no Noticias de Aveiro. O Júlio Almeida, editor do jornal, mostrou-se interessado quando lhe apresentei a ideia.
Estarias disponível?
- Claro que sim!
(correcção: como ainda não nos conhecíamos, não tutuava, pelo que devo ter dito "Estaria disponível?")
Momento Duas ou Três Conversas Mais à Frente, Dia da Entrevista:
- Era mais fácil se nos tratássemos por tu, não era?
- Ah, claro!
Cenário:
A livraria. Estamos numa segunda-feira que é o dia de descanso semanal. A única pessoa que não descansa hoje é a senhora da limpeza. Desorganizamos a desordem: as cadeiras que estavam em cima da mesa, voltam para o chão e sentamo-nos, como num café. O Jorge parece a escultura do Fernando Pessoa na Brasileira em Lisboa. Tem óculos e cruza a perna. Eu tiro o material: guião, folhas, gravador, máquina fotográfica.
Warming-up:
Diz-me que a Sónia deve chegar mais tarde. Andam cansados. Está a decorrer o SET e têm uma banca com livros no Salão Nobre do Teatro Aveirense. O fim de semana teve muitas horas.
Digo-lhe que fiz muitas dezenas de entrevistas mas que esta é a minha primeira entrevista jornalística. Todas as outras foram realizadas no âmbito de investigações sociológicas ou para estudos de mercado. Sendo diferente o objectivo, decidi não alterar muito a abordagem: o pressuposto é o de que não há respostas certas ou erradas. Deixo-o expressar-se livremente para compreender como ele pensa e o que o move. Raramente vou assumir o princípio do contraditório. E o meu guião é apenas uma orientação, não é um questionário. Vou seguir o fluir do seu discurso.
Durante:
O meu entrevistado é óptimo. porque tem muitas coisas para dizer. e essas coisas são interessantes.
O que ele disse, podem lêr no www.NoticiasdeAveiro.pt .
A Sónia chegou entretanto. Ouve a entrevista do Jorge, enquanto arruma livros. Não consegue estar parada. As botas que martelam o soalho podem causar ruído na gravação? Tira as botas. Botas caladas. A senhora da limpeza saíra. Para datas e outros pormenores, o Jorge consulta a Sónia. E depois é a vez da Sónia.
- Aviso já que hoje não sei bem quem sou! Não é um bom dia para entrevistas...
Eu disse-lhe que entendia. Era o que devia dizer mas Sónia, eu entendo mesmo.
E depois, afinal, era um bom dia. Já sabem onde devem clicar para lêr o que ela disse.
No final, a conversa foi a três.
Como o Jorge já tinha sido bastante claro quanto ao conceito e à história da criação da livraria, a Sónia aprofundou a questão dos programas de incentivo à leitura ou a preocupação com a secção de literatura infantil.
Uma nota: os dois estão em completa sintonia.
Outra nota: o poema que o Jorge declama tão bem é do Mário Césariny (A Cidade Queimada, O Navio de Espelhos XIII); o Jorge não precisou de o lêr - o poema estava dentro da sua caixa de memória viva.
O Tratamento da Entrevista:
Foi transcrito todo o material gravado, e este é reproduzido quase integralmente. Por razões de economia de espaço e para maior facilidade de leitura, agreguei as respostas dos dois entrevistados por assuntos (apresentação, percurso escolar, leituras feitas) como se a entrevista tivesse sido sempre simultânea. Perdoem-me este artifício na forma.
A Análise:
Pela primeira vez não tenho que mergulhar numa análise de conteúdo post-entrevista. Ou, se o fizer, posso guardá-la só para mim. Como vocês.
Momento 1:
- Jorge, estou a pensar fazer uma série de entrevistas que serão publicadas no Noticias de Aveiro. O Júlio Almeida, editor do jornal, mostrou-se interessado quando lhe apresentei a ideia.
Estarias disponível?
- Claro que sim!
(correcção: como ainda não nos conhecíamos, não tutuava, pelo que devo ter dito "Estaria disponível?")
Momento Duas ou Três Conversas Mais à Frente, Dia da Entrevista:
- Era mais fácil se nos tratássemos por tu, não era?
- Ah, claro!
Cenário:
A livraria. Estamos numa segunda-feira que é o dia de descanso semanal. A única pessoa que não descansa hoje é a senhora da limpeza. Desorganizamos a desordem: as cadeiras que estavam em cima da mesa, voltam para o chão e sentamo-nos, como num café. O Jorge parece a escultura do Fernando Pessoa na Brasileira em Lisboa. Tem óculos e cruza a perna. Eu tiro o material: guião, folhas, gravador, máquina fotográfica.
Warming-up:
Diz-me que a Sónia deve chegar mais tarde. Andam cansados. Está a decorrer o SET e têm uma banca com livros no Salão Nobre do Teatro Aveirense. O fim de semana teve muitas horas.
Digo-lhe que fiz muitas dezenas de entrevistas mas que esta é a minha primeira entrevista jornalística. Todas as outras foram realizadas no âmbito de investigações sociológicas ou para estudos de mercado. Sendo diferente o objectivo, decidi não alterar muito a abordagem: o pressuposto é o de que não há respostas certas ou erradas. Deixo-o expressar-se livremente para compreender como ele pensa e o que o move. Raramente vou assumir o princípio do contraditório. E o meu guião é apenas uma orientação, não é um questionário. Vou seguir o fluir do seu discurso.
Durante:
O meu entrevistado é óptimo. porque tem muitas coisas para dizer. e essas coisas são interessantes.
O que ele disse, podem lêr no www.NoticiasdeAveiro.pt .
A Sónia chegou entretanto. Ouve a entrevista do Jorge, enquanto arruma livros. Não consegue estar parada. As botas que martelam o soalho podem causar ruído na gravação? Tira as botas. Botas caladas. A senhora da limpeza saíra. Para datas e outros pormenores, o Jorge consulta a Sónia. E depois é a vez da Sónia.
- Aviso já que hoje não sei bem quem sou! Não é um bom dia para entrevistas...
Eu disse-lhe que entendia. Era o que devia dizer mas Sónia, eu entendo mesmo.
E depois, afinal, era um bom dia. Já sabem onde devem clicar para lêr o que ela disse.
No final, a conversa foi a três.
Como o Jorge já tinha sido bastante claro quanto ao conceito e à história da criação da livraria, a Sónia aprofundou a questão dos programas de incentivo à leitura ou a preocupação com a secção de literatura infantil.
Uma nota: os dois estão em completa sintonia.
Outra nota: o poema que o Jorge declama tão bem é do Mário Césariny (A Cidade Queimada, O Navio de Espelhos XIII); o Jorge não precisou de o lêr - o poema estava dentro da sua caixa de memória viva.
O Tratamento da Entrevista:
Foi transcrito todo o material gravado, e este é reproduzido quase integralmente. Por razões de economia de espaço e para maior facilidade de leitura, agreguei as respostas dos dois entrevistados por assuntos (apresentação, percurso escolar, leituras feitas) como se a entrevista tivesse sido sempre simultânea. Perdoem-me este artifício na forma.
A Análise:
Pela primeira vez não tenho que mergulhar numa análise de conteúdo post-entrevista. Ou, se o fizer, posso guardá-la só para mim. Como vocês.
19.11.04
O Navio de Espelhos
Quando entramos na livraria temos vontade de ficar por lá a namorar os livros. E gosto de saber que a Sónia e o Jorge gostam de assistir a esse jogo romântico.
Começamos pelas mesas da entrada, damos a volta, as voltas, passamos a outra mesa, repetimos a dança, olhamos as estantes..., até que devagarinho chegamos lá ao fundo. Piruetas, dégagés, ronds de jambe, pliés e demi-pliés, adage com arabesque e a cabeça um pouco à roda. Eu sugiro que nos deixem molhar a sola dos sapatos e as pontas dos dedos numa bacia de tinta para que fique em exposição a coreografia dos nossos apetites.
Na rede vão caindo peixes, pedras, conchas, algas, piratas... Alguns agarramos bem, são tesouros raros, golpes de paixão, cheiros familiares, algodão doce, medo das bruxas, já sabem a saciedade.
Outros deixamos que escorreguem, hei-de apanhar-te na próxima, ... e se me esqueço?
- Os Capitães sabem desses volteios, por isso guardam-nos os amores.
Começamos pelas mesas da entrada, damos a volta, as voltas, passamos a outra mesa, repetimos a dança, olhamos as estantes..., até que devagarinho chegamos lá ao fundo. Piruetas, dégagés, ronds de jambe, pliés e demi-pliés, adage com arabesque e a cabeça um pouco à roda. Eu sugiro que nos deixem molhar a sola dos sapatos e as pontas dos dedos numa bacia de tinta para que fique em exposição a coreografia dos nossos apetites.
Na rede vão caindo peixes, pedras, conchas, algas, piratas... Alguns agarramos bem, são tesouros raros, golpes de paixão, cheiros familiares, algodão doce, medo das bruxas, já sabem a saciedade.
Outros deixamos que escorreguem, hei-de apanhar-te na próxima, ... e se me esqueço?
- Os Capitães sabem desses volteios, por isso guardam-nos os amores.
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