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2.6.12

Crónica de um mega-problema anunciado

O último diálogo da rainha com Tony Blair no filme The Queen (Stephen Frears, 2006) é sobre educação. Eles conversam enquanto passeiam pelos jardins do palácio. A câmara vai fazendo um plano cada vez mais alargado enquanto Blair comunica a sua Majestade que os mega-agrupamentos estão fora de moda e que vai re-introduzir o conceito da escola de proximidade. Like in old times.

Também nós voltaremos a esse conceito. Com décadas de atraso, como sempre. Até lá, vai haver tempo para concluir da dificuldade de gerir espaços com milhares de alunos de diferentes idades (e várias dezenas/centenas de professores), do agravamento das relações professor/aluno, do aumento do insucesso escolar, da multiplicação dos casos de bulling, enfim, mais stress, stress, stress para toda a população escolar. Vamos ter mais tecnologia e menos afecto, quadros multimedia e assaltos aos cacifos, vigilância sempre insuficiente (nunca houve dinheiro para recrutar "assistentes operacionais" à medida das necessidades de cada escola, e muito menos para os formar), bandos em vez de grupos, e a lei do mais forte a prevalecer.

Tudo isto num contexto em que as crianças com necessidades especiais têm cada vez menos apoio pedagógico (neste país, não existem outros apoios)(neste país, os Agrupamentos podem ter 3000 alunos e um psicólogo).
stop. Rejeito o conceito da fábrica-escola para optimização dos recursos. Valham-nos os professores com vocação.

[Imagem: Paula Rego. Sem título. 1985. Tinta-da-china sobre papel. 34,5 x 25,5 cm]

20.6.09

Batalha das Flores em Aveiro



No dia 18 de Junho a Ria encheu-se de flores. Na origem: uma batalha de flores entre ceboleiros e cagaréus. Prometo descrever com mais pormenor esse evento. Por hoje, fica apenas a moral da história: a Ria não separa, une. as gentes!

15.6.09

D&AD, design art direction

A sociedade Design and Art Direction atribuiu um Lápis Amarelo ao Público, na categoria Magazine & Newspaper Design. No total, a D&AD entregou 50 Lápis Amarelos em categorias que vão de sites publicitários a instalações digitais, passando pelo design de produto. Mas foram entregues apenas quatro Lápis Negros, os mais cobiçados e raros prémios D&AD. Fui conhecer os produtos vencedores do Lápis Preto. O primeiro, na categoria Integrated, é Million, uma espécie de Magalhães do New York City Department of Education. Em 2008, a campanha Million já ganhara o Leão de Titanium em Cannes*.


Million | New York City - Cannes Lions 2008 por brainstorm9 no Videolog.tv.

Vejam o vídeo na íntegra, aqui.
TITANIUM LION - Cannes 2008
Title: MILLION
Advertiser/Client: NEW YORK CITY DEPARTMENT OF EDUCATION
Product/Service: EDUCATIONAL PROGRAM
Entrant Company, City: DROGA5, New York
Country: USA


O segundo Lápis Negro foi também para a Drogas5, na categoria Escrita: o filme chama-se «The Great Schlep» e visava captar votos judeus para Barack Obama. É protagonizado pela comediante Sarah Silverman e é delicious!



O terceiro Lápis Negro foi para uma escultura cinética exposta no museu BMW. Suspensas por fios praticamente invisíveis, esferas dançam soltas no espaço, numa coreografia aparentemente livre. No final elas formam a silhueta de um modelo já antigo da marca. Poético e muito tecnológico.


O quarto Lápis Negro foi para o designer Matthew Dent. No seu site, podem ver as novas moedas da coroa britânica e perceber o conceito do criador. I could imagine the coins being played with, looked at and enjoyed in a way which was foreign to coinage, and could imagine their appeal for kids messing with them in school as much as for folks in a pub.

Enfim, 4 lapinhos, muitas ideias e este parece um mundo mágico!


* O Leão de Titanium (Cannes) pretende premiar projectos inovadores e integrados, ou seja, que envolvam uma convergência dos media, algo que se está a tornar cada vez mais obrigatório para uma comunicação eficiente. Desde que foi criado em 2003, o Titanium tornou-se o prémio mais desejado e disputado do Festival de Cannes. A sua criação deve-se ao famoso e já clássico projecto BMW Films, The Hire. Para quem não se lembra, era uma série de filmes feitos por famosos directores de cinema, como Ridley Scott, John Frankenheimer, Ang Lee e John Woo, onde um modelo da BMW fazia sempre parte da história. A proposta não se enquadrava em nenhuma das categorias tradicionais do festival. Como todos os filmes ultrapassavam os 60 segundos, a BMW decidiu usar todos os meios de comunicação para convidar o consumidor a assisti-los na internet, criando aí a tal convergência.

11.6.09

Of course, at the moment you're still stronger than I am*

Mário Tendinha
Série ...lá para o Sul..., Bue de cansaço



Na CPLP e na grande diáspora da língua portuguesa, alternamos sempre entre Caliban e Prospero. Acho que até aprecio essa qualidade híbrida, tão portuguesa. Mas, no que diz respeito ao ensino da língua portuguesa, não perdoo. A tempestade que o ministro Pinto Ribeiro ambiciona é bem necessária e não deixa de ser um prazer ouvir o discurso. Mas. Mas. Em França, que eu saiba, para estudar em língua portuguesa, existe apenas o Lycée international de Saint-Germain-en-Laye (secção Portuguesa: Collége Pierre et Marie Curie), acessível a uma mui pequena minoria do milhão de portugueses concentrados à volta de Paris. E não, essa possibilidade não decorre de qualquer iniciativa do Estado português. Conhecemos, é certo, a boa reputação da Escola Portuguesa de Macau. Caso raro! Dito de outra forma, quando pensamos emigrar para um qualquer país que não integre a CPLP, onde podemos encontrar uma escola ou liceu português? Pensemos apenas nas capitais europeias... Deixo-vos todas as informações para a admissão no Lycée Internacional (França). Enviem-me outras relativas a estabelecimentos de ensino existentes por esse mundo fora. Somos um país de emigrantes, a grande diáspora, bla bla bla... Eles devem existir...


Neste mundo globalizado, eu não concebo a educação e formação identitária multicultural dos meus filhos sem esse elemento básico: o conhecimento da língua e cultura maternas. Pelo que nunca é tarde demais, sr. Ministro, mas...



*Palavras de Caliban na peça de Aimé Césaire, Une Tempete: Acto 3, Cena 5.
[Nesta peça, Césaire inspira-se na obra The Tempest de Willian Shakespeare e usa o personagem Caliban como símbolo dos povos colonizados (por oposição, Prospero simboliza o colonizador europeu)]

11.3.09

Afinal que mundo é este?

Os anões não chegam ao multibanco, os surdos não ouvem concertos, as prostitutas existem porque os outros gostam, os toxicodependentes não são confiáveis, enfim, um mundo perfeito... e um conjunto de conferências certamente originais no ano em que o Espaço t comemora 15 anos!

24.6.08

Fiz a Prova 23 - Prova Escrita de Matemática / 1ª Chamada / 2008

Chuva Vasco
Prolegómenos a uma Estética Porcina, 2008
Técnica Mista s/ Tela
180x140cm

Deve ser porque quero acompanhar as minhas filhas nas matérias escolares até bem tarde... A verdade é que me apeteceu fazer a prova de Matemática do 3º Ciclo. No meu tempo, os alunos que escolhiam Humanísticas/Ciências Sociais só tinham Matemática até ao 9º ano. Foi o meu caso. E foi mau, tanto mais que, mais tarde, na Faculdade de Sociologia (UNL) tive que aprender álgebra, probabilidades e estatística, sem boas bases. Aguentei-me e até aprendi a gostar da matéria. Mas nunca dei trigonometria e apenas abordei, ao de leve (ainda no Secundário), geometria.
Acabo de fazer a prova. Demorei 40/45 minutos. Como as fórmulas são dadas, não precisei de esforçar a memória, apenas de as adequar aos enunciados. Depois classifiquei-me com base nos
critérios do ME. Obtive 83 valores (em 100).
Não sei se é bom ou mau. Mas percebi que, para um aluno que acaba de estudar a matéria, este exame se faz em pouco mais de 30 minutos e sem grandes dúvidas. O ME fez corresponder esta prova a uma duração de 90 + 30 minutos de tolerância! Vou estar atenta aos resultados. Dado o baixo nível de exigência, o objectivo foi claramente melhorar (artificialmente) as velhas e desastrosas médias nacionais. Mas..., e se as médias continuarem baixas? Revolução precisa-se! E dirige-se o golpe a que estados?

6.6.08

Quando as escolas são geridas por Autarquias...VI

referi aqui a parceria público-privada criada pela coligação PSD-CDS para (re)construção do parque escolar. As notícias mais recentes só tornam mais claro o negócio erro que se continua a defender:

«De acordo com
o plano de saneamento financeiro, a autarquia de Aveiro pagará 36 milhões de euros pelas escolas, para além de perder as receitas dos parques de estacionamento.

De acordo com
a carta educativa, o custo previsto das escolas é de 12.105.900 euros. Se, a exemplo de várias autarquias, a Câmara Municipal de Aveiro concorresse a verbas do QREN com financiamento de 70% a fundo perdido... o custo das escolas para a CMA seria de 3.631.770 euros.

De referir ainda que a avaliação patrimonial das escolas a desactivar - e cujo património pode ser alienado, caso se prove benéfico - é superior a 5 milhões de euros.

Portanto, com o modelo rentista escolhido, a CMA pagará dez vezes mais pelas escolas do que se escolhesse um modelo isento de risco, e pagará três vezes mais que o custo real das obras. O (consórcio) privado, para além destas verbas, recebe ainda as receitas dos parques de estacionamento. Há negócios fantásticos, não há?
»

in
A Ilusão da Visão

17.4.08

Quando as escolas são geridas por Autarquias...V

... que sabem aproveitar as vantagens do QREN, nomeadamente ao nível dos apoios para a requalificação da rede escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-Escolar, fazem-se alguns progressos.

Numa primeira fase (até 31 de Março), estiveram abertas candidaturas para:
a) Construção de raíz de novos centros escolares, integrando preferencialmente o 1º Ciclo e a Educação Pré-Escolar;
b) Ampliação/requalificação das Escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico e dos Estabelecimentos de Educação Pré-Escolar já existentes.

Os beneficiários: Municípios cuja Carta Educativa se encontre devidamente homologada pelo Ministério da Educação.
Financiamento: 70% NR

Em Aveiro, a coligação PSD-CDS preferiu inventar uma parceria público-privada (que parece escapar de todo ao conceito de interesse público). Enfim, resta-nos olhar para o que
outros Municípios vão fazendo e felicitá-los.

PS e BE vão lançando farpas, mas o touro sairá ferido?

Quando as escolas são geridas por Autarquias...IV

Numa sala do terceiro ano da Escola do 1.º Ciclo da Vera Cruz, em Aveiro, há um pó no ar que provém do chão de cimento, que ficou descoberto pela destruição do piso (...).
Na autarquia, Fernando Pereira (Associação de Pais) diz que são «recebidos com agressividade, maltratados e colocados de parte».
(
ler artigo na íntegra)

É só mais uma escola do 1º Ciclo de Aveiro. O pó tem provocado tosse e problemas respiratórios aos alunos.

[Convirá dizer, mesmo que pareça estranho, que
só tenho feito referência às "melhores escolas" do concelho.]

1.4.08

Quando as escolas são geridas por Autarquias...III


(...) Eram 12.20 horas quando uma funcionária afixou na porta a mais recente deliberação da autarquia. Um edital define que a venda de senhas passará a ter lugar também nas sedes dos sete agrupamentos de escolas do concelho, decisão que resulta das reuniões realizadas na última semana.
Os pais que aguardavam há horas pela sua vez não esconderam a sua indignação. «A reunião não foi hoje. Porque é que só agora é que informam?», questionavam. «As pessoas que estão aqui trabalham», atiram, perante uma funcionária impotente. Eles, que estão lá em cima, é que deviam vir aqui explicar a quem está aqui há horas o que é que se passa», defendia António Rodrigues, que continuava com a senha 91 na mão.(...)



Convém ler este artigo do Diário de Aveiro. O desnorte é completo!

Esqueceram que os encarregados de educação dos alunos de S. Jacinto, por exemplo, continuam a ter que se deslocar à cidade de Aveiro. Neste caso, agora podem escolher entre o famoso Gabinete de Atendimento Integrado da CMA ou a Escola João Afonso, sede do Agrupamento de Escolas de Aveiro. Pergunto: as escolas-sedes de Agrupamento, que lutam com falta de recursos (o número de auxiliares de educação é, regra geral, insuficiente) têm capacidade para dar resposta à nova exigência camarária? O vereador Pedro Ferreira ousa sobrecarregar essas escolas com a venda de senhas de refeição - para centenas/milhares de crianças que frequentam todos os estabelecimentos de ensino de cada Agrupamento? Não posso acreditar!

Se o novo regulamento foi motivado por questões jurídico-contabilísticas, que questões (decreto, artigo, alínea) são essas? Se os Agrupamentos podem passar recibos, por que razão não podem as outras escolas fazê-lo?

Arsélio Martins dizia hoje, nas jornadas parlamentares do BE, que certas decisões só têm um nome: são estúpidas. O professor não se referia a este caso mas, para mim, o novo regulamento é simplesmente estúpido. Por favor, deixem ficar as coisas como elas estavam, não mexam mais! Que os pais possam gerir a compra das senhas de refeição consoante a sua possibilidade e disponibilidade, no local de sempre - as escolas que os filhos frequentam! Querendo alterar qualquer coisa, facilitem apenas o processamento da venda e reservas de dia de refeição, criando um programa informático específico (e tão simples!) para as escolas.


Adenda: O que significa isto? Estaca zero?

«Os Agrupamentos de Escolas poderão ainda delegar estas funções noutras entidades que os mesmos acharem convenientes para os encarregados de educação

Artigo completo no site da rádio Terra Nova

26.3.08

Quando as escolas são geridas por Autarquias...II

1. Autarquia suspende alterações nas refeições escolares... apenas durante as duas primeiras semanas?

2. Autarquia não suspende! A Autarquia é que deve emitir os recibos das senhas de refeição? É um argumento novo. Mas porque é que a Gertal podia entregar esses recibos por intermédio da escola - eram entregues mensalmente aos encarregados de educação - e a CMA não o pode fazer?

24.3.08

Quando as escolas são geridas por Autarquias...

... que têm sentido de missão, a coisa resulta. Mas, e quando não é assim?

[Vale a pena ampliar a imagem]


A Câmara Municipal de Aveiro decidiu complicar a vida aos pais e encarregados de educação do concelho de Aveiro (talvez mesmo de vários concelhos do distrito/é um dado a confirmar). A partir de 1 de Abril, estes serão obrigados a comprar as senhas de refeição num único local: o "Gabinete de Atendimento Integrado" da CMA (sito no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro – Cais da Fonte Nova), em vez de o fazer nas escolas que os filhos frequentam. Entre as 8h30 e as 16h, mais de um milhar de pais passarão a dirigir-se a esse local para comprar as refeições dos filhos. Se o novo procedimento se aplicar a todos os Agrupamento de Escolas, para além do de Aveiro (e incluir o de Aradas, Cacia, Eixo, Esgueira, Oliveirinha e S. Bernardo), o novo procedimento vai afectar cerca de 4000 famílias.

Parece demasiado insano para ser verdade, mas eu própria recebi este Aviso da CMA. Certamente para evitar contestações imediatas, o Aviso foi entregue aos pais em período de férias. Na EB1 que as minhas filhas frequentam, esse Aviso foi distribuido a 19/03, dia previsto para a tomada de conhecimento das avaliações.

Eu moro a uma distância curta do dito Gabinete e tenho um horário de trabalho flexível, mas essa não é certamente a situação da maioria dos pais e encarregados de educação. A EB1 de S. Jacinto, por exemplo, pertence ao Agrupamento de Escolas de Aveiro. Quem vai pagar as manhãs ou as tardes de trabalho perdidas em deslocações pelos encarregados de educação?

Terá a CMA consciêcia de que pagar antecipadamente "blocos" de refeições significa também um esforço financeiro acrescido para muitas famílias? Existem alunos isentos desse pagamento, mas quantos dos não isentos vivem em situação de carência?

O novo procedimento, pressionando as famílias a comprar senhas para todo o período lectivo (para evitar várias deslocações ao dito Gabinete), acaba por se tornar num empréstimo dos pais à CMA! É escandaloso!

Faço parte da Direcção da Associação de Pais da Escola das minhas filhas e por isso não me tenho pronunciado aqui, em nome pessoal. Hoje vou fazê-lo. Sou mãe e devo reclamar pelos direitos das minhas filhas! A maior escola EB1 do concelho não tem biblioteca nem um recinto desportivo digno desse nome! A maior escola só tem um vigilante a controlar entradas e saídas de (350) alunos porque a Associação de Pais se bateu por isso. Da CMA conseguimos apenas o favor de uma contribuição no valor de 100 euros mensais para o salário do funcionário que contratámos. A Junta de Freguesia (Glória) dá outros 100 euros e a Associação de Pais vende louça, faz quermesses, para garantir que a pessoa em causa receba pelo menos o salário mínimo nacional. Em Dezembro passado, pedimos uma banca à CMA para recolher alguns desses fundos: nas fotos podem verificar o apreço que a CMA revelou pela iniciativa. Ao sol, ao vento e à chuva, vendemos material que algumas fábricas da região nos ofereceram. O salário e a vigilância estão agora assegurados, mas só até ao final do ano lectivo.


O rol de queixas seria interminável. Eu sei que a responsabilidade do executivo camarário actual começa apenas no período a partir do qual foi eleito, mas em dois anos o que prevalece é uma atitude autista e fracos valores. Recentemente foi estabelecida uma parceria público-privada para construção/recuperação do parque escolar. Todos temos consciência de que por trás disso se esconde um negócio pouco claro - apareceu uma única candidatura que foi logo aceite. Não há conhecimento de pormenor nem garantias relativamente a essa parceria que vai condicionar o futuro do concelho em termos de educação. A coligação PSD-CDS tem a maioria e decidiu sozinha sobre uma matéria fundamental.

Por tudo isto, duvido que um regulamento "caricato" vá abanar a cidade. Mas era importante dar a entender a quem governa esta cidade que não estamos todos a dormir.

É o mínino poder comprar as senhas de refeições dos nossos filhos na própria escola e poder gerir a sua compra em função da nossa disponibilidade. Que ideia estapafúrdia é essa de obrigar pessoas que trabalham a se deslocarem propositadamente a um edifício da CMA para reservar "de atacado" almoços para os filhos?

Enviei uma cópia do Aviso da CMA a representantes de todos os partidos políticos (Distrital do PSD incluída). Raul Ventura Martins (PS) reagiu já no seu
Margem Esquerda. O BE enviou um Comunicado à Imprensa (que destacarei quando for possível).

Espero que os pais e as Direcções dos Agrupamentos de Escolas se unam contra o novo procedimento que a CMA pretende instaurar. É uma questão de bom senso.




Adenda II: Notícias nos Media - OLN, Terra Nova, Aveiro FM, Notícias de Aveiro

8.3.08

Dia da Mulher

Hoje, tenho que lhe dedicar o dia. Apesar do seu fracasso político, não tenho dúvidas de que é o bode expiatório de décadas de políticas de educação desconexas plenas de medidas assistemáticas que fragilizaram todo o sistema, professores incluídos. Não tenho dúvidas de que vai pagar pela oportunidade que deu à oposição de manipular a insatisfação de uma classe profissional, mesmo se a necessidade de avaliação dos professores _ cuja introdução no sistema é tão tardia, seja matéria de consenso entre partidos políticos (e até, dizem, entre professores). Vai pagar por muitos anos de vícios de forma e conteúdo nunca sancionados ou controlados. Vai pagar porque exige autonomia mas não há cultura nem motivação para uma autonomia responsável. Os professores querem autonomia mas não querem julgar os seus pares. Não gostam do modelo de avaliação, não têm tempo (argumentos válidos), mas também não têm vontade (a avaliação implica esforço e desconforto, gera com frequência tensões e injustiças mas, caros professores, em todos os sectores, é prática corrente). A Ministra vai pagar pelo país que temos. Quer delegar mas não há condições socio-culturais ou económicas para delegar. A um outro nível a Ministra delegou também responsabilidades - a autarquias. Fê-lo quando a maioria das autarquias estão falidas e, por isso (ou porque há sempre alguns empresários a quem convém agradar), por sua vez, as autarquias vão delegar a responsabilidade a consórcios privados (mais ou menos duvidosos) cuja preocupação maior será sempre a rentabilidade financeira e não a execução das cartas educativas homologadas pelo ME. Em Aveiro, uma parceria público-privada já foi aceite - mesmo se o QREN 2007/2013 prevê, por exemplo, Programas para Requalificação da Rede Escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-Escolar (com 70% de financiamento comunitário). Em Aveiro, Escolas e Parques de Estacionamento foram metidos num mesmo saco ou negócio e, curioso, só apareceu uma candidatura que foi logo aceite pela CMA.

A Ministra vai pagar pelo que fez, sem dúvida, mas também pelo que nunca foi feito e urge fazer, para além do que outros com um sentido ético duvidoso farão a partir das suas directrizes.

Eu tenho vontade de manifestar desagrado, mas não apenas pela Ministra. Mais do que descer uma rua com milhares de colegas motivados por sabe-se lá que razões, talvez não as minhas,__ eu gostaria mesmo era de arrancar cabelos a professores que não não têm ou perderam vocação e/ou competência e vão ensinar os meus filhos, a autarcas que adiam o arranjo do telhado da escola A e se sentem aliviados por não ser obrigatório que as escolas sirvam refeições a crianças do 1º ciclo, a pais cujos filhos frequentam escolas sem biblioteca ou recinto desportivo e nunca comparecem a reuniões das Associações de Pais__ nem a reuniões individuais com professores.

O dia de hoje, que se quer "histórico", será histórico porquê? O que vai mudar no país? No Agrupamento a que pertence a Escola que as minhas filhas frequentam, existe apenas um psicológo para um universo de cerca de 2 milhares de alunos. A escola das minhas filhas, frequentada por 347 alunos dos 6 aos 10 anos, não tem vigilante no portão de entrada (o conceito "Escola Segura" quer dizer o quê?). Em tempo de "Plano Nacional de Leitura" as minhas filhas não foram uma única vez a uma biblioteca pública e o estabelecimento que frequentam também não tem biblioteca escolar. Eu gostaria de ter visto os professores mobilizar-se de forma tão massiva pelos direitos dos seus alunos. Estaria lá com eles, teria entrado no autocarro 45 do distrito de Aveiro.

Mas enfim, que a jornada seja proveitosa e que o governo aprenda a planear e a implementar reformas. A ânsia reformadora não vale por si. Vimos isso na Saúde, hoje vamos ter a prova que faltava no domínio da Educação. E sobretudo, que o governo
aprenda a calar-se. É que a Ministra da Educação não deveria ter de pagar pelos discursos emocionados e inoportunos dos Ministros com outras pastas. A manifestação dos professores é o exercício de um direito inalienável.

Eles estão a chegar ao Parque Eduardo VII

Manhã passada ao telefone com amigos professores - todos em viagem, metidos em autocarros, dirigindo-se a Lisboa para a manifestação. Do distrito de Aveiro partiram 44 autocarros. E ouço, consternada, que a Ministra da Educação conseguiu o que parecia ser impossível: unir a classe. Não discuto os objectivos da reforma mas é inegável que falhou no método e na comunicação.

[44 x cerca de 50 professores por autocarro = 2200]

18.9.07

Notas sobre uma escola

A escola do 1º Ciclo que as minhas filhas frequentam é uma das maiores, em número de alunos, do país. O ano passado, 320 alunos frequentavam este estabelecimento de ensino. Depois de mais de trinta anos sem obras de melhoria das instalações sanitárias, o novo ano escolar começou com a inauguração de dois blocos de casas de banho novinhos, graças à pressão da Associação de Pais e à existência de uma verba antiga, já aprovada pela CMA, destinada exactamente a essas obras (não imaginem que foi simples passar do plano à prática).

A escola continua sem um pavilhão desportivo adequado e sem biblioteca. Teria sido possível, e foi planeado, adaptar algumas salas (duas), de forma a poder instalar-se uma biblioteca. Teria sido possível integrar esta escola e seus professores no projecto
Theka/Gulbenkian. Mas nada disso foi feito. No segundo ano após a criação do Plano Nacional de Leitura, o Plano para desenvolver hábitos de leitura nesta escola limitou-se à fixação de uma lista com algumas dezenas de livros adequados à faixa etária dos nossos filhos, livros que devemos comprar ou requisitar na biblioteca municipal para eles lerem em casa. Quanto às duas salas não ficaram vazias: a sede do agrupamento criou mais duas turmas. Este ano serão 370 os alunos sem biblioteca nem condições adequadas para a prática de desporto.

Abstenho-me de comentários sobre o
Projecto Petiz. No primeiro dia de aulas, os pais (e muitos professores) ainda desconheciam a orgânica do mesmo e o conteúdo das actividades. De resto, hoje, só estou a par dos horários. Desconheço o programa, o significado de siglas como OAE, em que consistem as AE (actividades artísticas) ou a EF (expressão física) a até o currículo dos professores. Vai ser difícil cumprir o ponto 3 desse projecto:

3. Informação aos Pais
É fundamental que os pais intervenham nos centros onde funciona o PETIz.
Pretende-se criar uma cultura científica e cívica de intervenção nas iniciativas propostas. Para isso:
1. Devem estar informados de todas as actividades.
2. Apoiar as actividades, colaborando com os professores nos aspectos organizativos.
3. Valorizar os aspectos da Aprendizagem, incentivando os filhos a uma cultura científica alargada.
Os Pais terão um contacto privilegiado com os Coordenadores Pedagógicos de cada área de intervenção.

3.10.06

Sagrado & profano

Ana Koudella


Eu lembro-me da primeira vez que pequei. Até aí, portava-me mal, se batesse na minha irmã, por exemplo, ou lhe atirasse com os cubos de madeira dos puzzles infantis. Corria o ano de 1972. Um a um fomos confessar-nos. Estávamos na véspera do dia da Primeira Comunhão. De certeza que o padre me mandou rezar uns Pai-Nossos e duas Avé-Marias, ou o Acto de Contricção Meu Deus Porque Sois Tão Bom. Eu levava a sério o que os adultos me diziam e temia as ameaças, em especial se fossem lançadas por homens imponentes vestidos de batina negra. Nesse mesmo dia, experimentámos também, pela primeira vez, aquela partícula de pão ázimo que se transformaria em hóstia sagrada no Domingo seguinte, na missa a sério. "Ele" disse: quem morder a hóstia ofende o corpo de Cristo e isso é um pecado. E sem querer mordi a hóstia-que-ainda-não-o-era! Lembro-me perfeitamente do pânico que senti, estava condenada, de corar imenso e depois, já a sentir-me muito cobarde, de calar a culpa. Nunca esqueci esse episódio. Adolescente, quando compreendi de quem era o pecado, zanguei-me.

Recentemente, essas recordações voltaram à superfície. As minhas filhas chegaram à idade de frequentar a catequese. Desde há muito tempo que elas assistem curiosas ao rodopio dos miúdos em frente à Sé de Aveiro. Passamos por lá muitas vezes. Ficar a conhecer a vida de Jesus, o menino do presépio de Natal, parece-lhes bem, sobretudo se depois se pode correr e saltar no adro da Igreja. O mistério da catequese aumentou recentemente quando, assistindo a uma cerimónia religiosa, perceberam que só poderiam participar na eucaristia depois de fazerem a Primeira Comunhão. A ideia de poder tomar a hóstia, um dia, com solenidade, como os adultos, compreendendo o sentido do acto, motivou-as imenso.

Talvez possam saber (assim muito rapidamente) que hoje sou mais uma "católica não praticante" (é uma categoria nova, pós-moderna)(parece um novo dado do BI, irremediável, como o local de nascimento ou a altura). No meu caso, isso quer dizer que me foi dada uma educação religiosa católica mas que, actualmente, raramente vou à missa, não me confesso, e não acredito no Deus configurado católico que me foi inculcado. No entanto, quando menos espero, descubro em mim marcas da educação que tive e laivos de religiosidade. Respeito, obviamente, quem é crente, e não me sinto estranha nos lugares do meu culto. Mais, com o tempo, passei a encarar a fé como o mais válido dos anti-depressivos (e não há aqui nenhuma ironia).

Uma coisa é certa: não aceito que, no meu país, a Igreja (as Igrejas) ou os seus representantes, imponham restrições ao conhecimento (num sentido amplo) dos seus seguidores, ou tentem condicionar os comportamentos de natureza secular dos fiéis ou infiéis.

Apesar dos meus pequenos traumas, não me oponho de todo a que as minhas filhas frequentem a catequese. Acho mesmo que esta, bem orientada, pode enriquecê-las.
E, assumindo que as introduzo tão jovens numa comunidade religiosa particular, a minha, a do pai, dos avós, contava comigo e com o meio que as rodeia para relativizar dogmas.

Eis-me pois, cheia de intenções e apreensões, face a um grupo de cinco pessoas que recepcionam as inscrições - sentadas em fila numa espécie de "mesa de voto" - e que organizam o serviço da catequese na Sé de Aveiro. Problema imediato: o horário não é compatível com as actividades escolares. A catequese para os mais pequenos acontece à segunda-feira, às 16h. E não há nada a fazer.

Se existem falta de meios (salas, catequistas), e dizem-me que sim, eu estranho e lamento. Mas o que eu ouvi da parte desta "comissão organizadora" (onde não constava nenhum padre) é digno dos meus tempos de catequese, e não destes!
Este ano as escolas são obrigadas a ter ATL's (que incluiem desporto, inglês, música, etc.), pelo que as crianças saiem às 17h30. Mas, para esta "comissão", os pais não são obrigados a pô-las no ATL. Às 16 horas, as crianças da escola mais próxima têm inglês. Reacção: os pais têm que fazer opções, que decidam o que é mais importante, inglês ou catequese. Face a uma sugestão para alterarem os horários, perguntaram-me se pedi o mesmo à escola (que, por acaso, é uma das maiores do país em número de alunos: são 320). Quando manifestei desagrado face a tanta rigidez, deixaram claro que o serviço é gratuito. Quem não paga, não pode reclamar!

Mas eu reclamo. Os conteúdos das escolas e Igrejas não podem competir entre si. A escola ensina letras e números, humanidades e ciências. A Igreja instrui sobre a vida de Cristo e os ensinamentos dos livros sagrados.
De ambos eu espero que complementem a formação das minhas filhas em termos cívicos.

Para mim, esta conversa na ala paroquial da Sé de Aveiro é uma reprodução (se for optimista serão apenas resquícios) da mentalidade católica saloia em que fui obrigada a crescer. As minhas filhas vão ter que esperar. Não encontrei o ambiente certo para elas, nesta idade em que acreditam em tudo o que os adultos lhes dizem e que levam a sério as ameaças. O pecado vai continuar a morar ao lado.

Outras famílias mais temerosas a Deus sacrificarão o inglês. As suas crianças terão que esperar também.


P.S.: Enquanto escrevia isto fiquei com outra impressão: a de que, para a maior parte das pessoas, será incoerente defender o princípio da laicidade no regulamento das instituições públicas, viver pessoalmente com distanciamento os rituais da Santa Sé e optar por dar uma formação religiosa aos filhos. Mas é isso mesmo que eu faço e parece-me uma escolha válida. E este post é uma reclamação: a suposta liberdade que nos assiste hoje é sempre limitada por uma qualquer (muito antiga) pequena imbecilidade ou desorganização.

12.1.06

Idioma Português na ONU

Chamo a vossa atenção para uma petição que tem por objectivo tornar oficial o idioma português na ONU, à semelhança do que já sucede com o Árabe, o Chinês, o Espanhol, o Francês, o Inglês e o Russo.

A petição pode ser subscrita aqui (e divulguem-na):
PETIÇÃO PARA TORNAR OFICIAL O IDIOMA PORTUGUÊS NAS NAÇÕES UNIDAS


Depois, parece-me que esta petição só tem sentido se assinarmos uma outra: PETIÇÃO PELA DIGNIDADE DO ENSINO EM PORTUGAL

15.12.04

Para os nossos amores

As fadas são muito bonitas. e voam. usam vestidos de bailarina mas não têm frio. quando tomam banho, a pintura não sai dos olhos e o cabelo não fica molhado.
Se eu tomar banho e a tinta desaparecer, é porque não sou fada.


São as cores. paixão de luz com sonoridades e sentidos. génese da imaginação. Os nossos amores criam as suas histórias, interpretam personagens, viajam no mundo dos sentidos, inventam jogos musicais, cantam, partem para o grande país da fantasia.
A infância e a imaginação criadora. e expressões de arte que ampliam esta inspiração. Música, Expressão Plástica, Dança, Poesia, Teatro.
Nos dois últimos anos abriram na cidade novas escolas ou academias de arte para os mais pequenos. Os nossos amores podem agora fazer a aprendizagem destas expressões de arte de uma forma divertida . o princípio do prazer.
A academia Pequenas Artes foi a pioneira. As suas fundadoras, Sara Pereira e Elisa Valério, fizeram o Conservatório e licenciaram-se em Ensino da Música na UA. A Sara completou o Doutoramento em Composição na Universidade de York em 2001. Idealizaram para Aveiro este espaço de desenvolvimento artístico.
Para que os nossos amores tenham acesso a um mundo mais alargado e cresçam felizes.
Depois só vai ser preciso convencê-los a tomar o banhito... Mas quem não quer ser uma fada?


(A entrevista com a Sara Pereira e a Elisa Valério será publicada no Noticias de Aveiro no próximo mês)