5.3.07

Dois anos de Governo: sinais de esperança?


Dois anos após as eleições legislativas que deram, pela primeira vez, a maioria absoluta aos socialistas, poucos devem ter acreditado que seria possível, em tão curto espaço de tempo, inverter as expectativas negativas que se tinham adensado sobra a economia e os governos de Portugal, em particular, no que respeita às finanças públicas e às reformas estruturais incluindo a do estado.

Começa assim o novo artigo de Eduardo Graça, publicado no Semanário Económico de 2/03. E continua:

Em democracia a afirmação do “bom governo” não pode prescindir da crítica ideológica, da oposição política e do contraditório da opinião pública. Nada mais certo. Neste cenário de inevitável refrega política, as reformas vão no bom sentido se visarem recriar um estado que ultrapasse a extraordinária capacidade destruidora da inércia que acumulou ao longo de decénios. Um estado que elimine, ou atenue, o impacto das mensagens negativas lançadas contra aqueles que ousam contrariar o imobilismo.
Um estado que estimule a iniciativa individual dos cidadãos e a auto determinação da sociedade civil. Um estado que assuma o combate à inércia das instituições, em particular, das instituições públicas, irradiando o parasitismo que nelas, de alto a baixo, se instalou sem criar novas formas de parasitismo.
(...)
Vem isto a propósito de um tema antigo e recorrente: o deficit público. Tempos atrás os governos da maioria de direita bradavam contra a pesada herança dos governos de Guterres. Mas os seus arroubos reformistas esfumaram-se em pura propaganda. É bom lembrar que os governos da maioria de direita de José Manuel Barroso/Manuela Ferreira Leite e Santana Lopes/Bagão Félix, ao longo de três (3) anos, deixaram um deficit das contas públicas, em 2005, superior a 6%.
Ora a verdade é que um dia destes o Comissário Joaquín Almunia veio a público dar um forte sinal de confiança na política reformista do Governo socialista confirmando o sucesso do programa de consolidação orçamental que deverá ultrapassar o objectivo previsto do deficit de 4,6%, em 2006, abrindo caminho para alcançar os objectivos de 3,7%, em 2007 e inferior a 3%, em 2008.
É a melhor notícia para a economia porque gera confiança e estimula o crescimento; é a pior notícia para a oposição porque dá credibilidade à política do governo; (...)

Ler mais aqui, aqui e aqui.

4 comentários:

eduardo graça disse...

Obrigado pela atenção às minhas reflexões que, aliás, é recíproca com as que leio no Divas. Mesmo quando se corre o risco de ser mal entendido, ou o entendimento desliza para a comiseração, nada se perde, e tudo se ganha, em dizer, com a máxima clareza possível, no espço e no tempo disponíveis, aquilo que se pensa. Com liberdade.

MRF disse...

Eduardo, acontece-me gostar das suas reflexões e acreditar em muitas. Relativamente a este balanço, percebo o ponto de vista que defende e a necessidade de o afirmar. Mas confesso que neste artigo em particular, tive a impressão de faltarem alguns "mas", até para o artigo não ser facilmente acusado de "propagandístico". Às vezes é preciso saber escutar a voz do povo. Penso que é o Manuel Alegre que o diz e, como pensador, ele é superior ao Sócrates (como Ministro, não creio!)

Terei sempre muito prazer em divulgar - dentro do que me é possível, as suas reflexões.

abraço

kimikkal disse...

Positivo neste governo é a vontade de reformar, negativo é a lentidão das reformas, principalmente na Administração Pública e Justiça.

Estou como o PR: à espera da conclusão das reformas e seus resultados.

O mais triste disto tudo são as alternativas ao Governo(Mendes e Portas) serem tão fraquinhas.

eduardo graça disse...

Terceira tentativa para entrar na caixa de comentários. Tenho consciência dos riscos de escrever um texto de apoio à politica do governo num país com uma tradição de ausência de debate ou de debate crispado. Não se pense que engoli as críticas ou que as omito por uma qualquer conveniência de ocasião. Penso que, mesmo a critica às politicas dos governos, carece de se credibilizar pelo reconhecimento dos aspectos dessas políticas que se considerem bem sucedidos. Estou de acordo que se aguarde, com a serenidade possível, pelos resultados das reformas encetadas pelo governo. Depois fazem-se as contas ... também políticas.