10.10.05

O Escritor Famoso. Faltam 4 horas para o fim do prazo de entrega de textos.

... Mas entretanto chegaram mais 5 textos e alguns dos autores são estreantes no Clube. Espero que apareçam todos no próximo dia 14 de Outubro na Navio de Espelhos para o encontro com o Escritor!

13. de
Lino Centelha, A casa dos espirros:
"Sentado nos bancos castanhos da casa branca, ouvi um catequista cinzento, com olhos azuis e cabelo ruivo, vestido de verde, com um livro negro nas mãos rosadas, dizer, numa quarta-feira de cinzas, entre dentes amarelos, que éramos pó e em pó haveríamos de nos tornar. O catequista cataclísmico não fumava. Também não bebia. Não fazia nada a não ser dizer-nos que haveríamos de ser pó. E tossia muito lançando perdigotos azulados sobre o meu horizonte de observação.
Foi esta questão do pó e dos perdigotos que me empurrou definitivamente para a engenharia. (...)" Contin.
aqui.

14. de
Prólogo, O coito:
"Quando andava à procura da forma perfeita, encontrei a esfera. Sei que não é universal, que haverá quem goste mais do cubo ou do fantástico tetraedro, mas eu prefiro uma coisa sem vértices nem arestas, elementar o suficiente para parecer mais do que é e onde a proximidade do toque é sempre pontual.
Talvez por isso, na infância, passasse o meu tempo a esquadrinhar obsessivamente o arcaico globo terrestre que ainda está cá em casa. Incomodava-me saber da enorme sorte que me calhara de, dado que estava sempre numa óbvia vertical, o resto da humanidade viver numa estranha e incómoda obliquidade, para não falar nos antípodas que permaneciam eternamente de pernas para o ar. (...)" Contin.
aqui.

15. de Finúrias do
Ministério da Soltura, Carta à insónia:
"Cinco minutos depois das 6, canta a noite sem sono. E mais uma noite ! Deambulo pela casa já de madrugada , uma insónia que tome conta de min . Certamente, quando só no silêncio próprio da noite , inconscientemente acabamos por pensar , e pensar , e pensar ...com ou sem sentido , o que gostaríamos de ter feito, e deixamo-nos cair no esquecimento da hora. É nestas alturas que sentimos a vontade de tudo agarrar, e recriar ...os castelos de criança, já esmagados pelo tempo , falar àqueles que o próprio tempo fez desencontrar, reencontrar o amigo imaginário que fazia companhia quando a mãe apagava a luz do quarto. O medo do escuro deixava de existir ! (...)" Contin.
aqui.

16. de Caiacaina do
Bis morgen, O Escritor Famoso e os elos do passado:
"Levantei-me e dei passos à toa pelas veredas do jardim da minha infância. Voltei a olhar o baloiço e lentamente atravessei o jardim de todas as minhas recordações. Os meus passos ressoavam no saibro solto e por entre a folhagem da velha árvore, parecia-me ver os olhos de Helena a admirarem-me.Em passos lentos dirigi-me à minha casa. Cruzei os arcos de pedra cansada pelos anos que seguravam as ogivas.(...)" Contin.
aqui.

17. de Francisco del Mundo, Mestre, que p. de vida:
"Mestre, certas pessoas tem toda a legitimidade para dizer "Que puta de vida!"... Walter Herrman é uma delas! Este homem, com um H muito grande, tem 25 anos e é um basquetebolista argentino. É um atleta tremendo que tem provado a vitória na derrota e a derrota na vitória. Mas contemos a sua estória...Em Julho de 2003, estava ele em La Plata no estágio quando, ao ligar para casa, descobriu que a sua namorada tinha perdido a vida num acidente. Para quem já passou por isto, sabe que a dor (e impotência) é tão grande que se amaldiçoa a vida. (...)" Contin. aqui.

3 comentários:

K@ disse...

Só pra dizer...


I'M BACK!!

:)

Seila disse...

Voto no Lino Centelha conto 13 A casa dos espirros
Gosto muito da maioria mas, este é um conto bem estruturado, com alguma magia, humor e de leitura/escrita solta e tema bem encadeado.
PS para o óximo espero participar! ontem foi de todo impossível...ainda escrevi uns paraágrafos, mas ... na deu...

Seila disse...

e ainda sobre o conto achei piada à alusão indiraecta a outros títulos A casa dos espíritos A casa do pó o que me parece delicioso