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5.12.09

A Ilha Nua

Um poema cinemático dedicado a todos os seres humanos que tentam sobreviver em condições terrivelmente agrestes. Filmado no arquipélago Setonaikai (Japão). Não se ouve uma palavra. Não é preciso.

8.5.07

Manuel em Tóquio

The red-and-green flag by the door marks its national affiliation, as does the picture of Prince Henry the Navigator. But it's the cheerful red neon sign overhead and the arched window with its inscription frango assado (grilled chicken) that really tells you what to expect.

Portuguese bistro-casual with a grill, in The Japan Times

28.3.07

Adeus e até ao meu regresso #4

Torre por torre, levo esta... que fica mais longe e sobe 9 metros mais alto. mas não tenho nada contra a original.


[Plano de baixo para cima]

Para não haver dúvidas de que esta não é a famosa Torre Eiffel
mas a Torre Vermelha de Tóquio, contemplem também o templo Zōjō-ji.


Minato, Tóquio
Maio 2006

A Torre foi aberta ao público em 1958

26.3.07

Salazar, pois. Adeus e até ao meu regresso.

Eu lembro-me de estudar as formas do "nacionalismo" no Japão, e a II Guerra Mundial ainda está tão presente, eu sei..., mas depois da votação de ontem no concurso Grandes Portugueses, decidi viajar para longe. Com sorte encontro o Haruki Murakami... numa destas pontes de Tóquio.



Maio 2006
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21.2.07


"Mas não havia maneira de conseguir amá-la. Entre nós não existia aquela intimidade espontânea, quase incondicional, que partilhava amiúde com Sumire. Entre nós interpunha-se um véu fino, transparente. Visível ou não, erguia-se entre nós uma barreira. Por causa disso, não sabia o que lhe havia de dizer quando estávamos juntos - sobretudo quando chegava a hora da despedida, coisa que nunca me acontecera com Sumire. Cada vez que estava com a minha amante, limitava-me a confirmar uma realidade incontornável: precisava, mais do que nunca, de Sumire.

Depois de ela se ter ido embora, fui dar um passeio sozinho. Vagueei sem destino durante algum tempo, entrei num bar (...).
Dei por mim a recordar tempos passados. Quando é que a minha juventude me escapara das mãos? E será que já tinha chegado ao fim? Parecia que ainda ontem era adolescente a caminho da idade madura."


in SPUTNIK Meu Amor, de Haruki Murakami
Ed. Notícias, pp 91-92

19.2.07


"Bebi um trago de cerveja fresca e pus as ideias em ordem.
- O que acontece é que andas à procura do teu lugar no quadro da novíssima ficção. Estás de tal maneira preocupada com isso que nem tens necessidade de expor os teus sentimentos por escrito. Além disso, não tens sequer tempo para isso.
- Não percebi nada. E tu, também tens o teu lugar no quadro da ficção?
- Acho que a maioria das pessoas vive fora da realidade. Eu não sou excepção. Basta pensares na transmissão de um carro. É como se existisse uma transmissão que nos liga à crua realidade da vida, capaz de utilizar a energia do exterior através da embraiagem para que as mudanças engrenem na perfeição. É assim que mantemos o nosso frágil corpinho intacto. Isso faz algum sentido para ti?

(...)
- Que estou numa situação precária também eu sei. Como é que hei-de explicar? Às vezes sinto-me sozinha. É como se ficasse completamente desamparada, depois de ter sido despojada de tudo aquilo que estava habituada a ter à minha volta. Como se a gravidade tivesse deixado de existir, e eu me sentisse flutuar no espaço exterior, à deriva, sem saber para onde estou a ir.
- Como um pequeno Sputnik que andasse perdido?
- Acho que sim."

in SPUTNIK Meu Amor, de Haruki Murakami
Ed. Notícias, pp 76-77

18.10.06

CineEco #6

Ducklee


OBRAS A CONCURSO

Dia 26

15,00
LIFE IS CHANGE, de Eduardo Morais de Sousa, Portugal, 2006, 5’;
RUA 15 – SÂO JOÃO, de António Barreira Saraiva, Portugal, 2005, 42’;
O FOLE – UM OBJECTO DO COTIDIANO RURAL, de Carlos Eduardo Viana, Portugal, 2006, 33’;
RESERVA NATURAL DO ESTUÁRIO DO SADO, de João P. Fernandes, João Dias, Nelson Silva, Portugal, 2006, 20’

18,00
GIOVANNI E IL MITO IMPOSSIBILE DELLE ARTI VISUELE, de Ruggero Di Maggio, Itália, 2006, 19’;
49, de Ichiro Iwano, Japão, 2006, 10’;
TERRE IN MOTO, de Michele Citoni, Ângela Landini, Ettore Sinlschlchi, Itália, 2006, 80’

22,00
LA REVOLUTION DES CRABES, de Arthur de Pins, França, 2005, 5’;
TESHUMARA, LES GUITARES DE LA RÉBELLION TOUAREG, de Jérémie Reichnbach, França, 2005, 51’;
LE CHEVAL OUVRIER, de Alain Marie, França, 2005, 62’;
PARTING LANDS – An Icelandia Saga, de Zoltan Torok, Hungria, 2005, 52.


20.9.06

Hoje, às 22h no Mercado Negro

Ciclo de cinema LOOK THE BOOK

Hiroshima, Mon Amour
de Alain Resnais

a partir do livro de Marguerite Duras
(França/Japão, 1959, legendas em espanhol)

entrada livre

Associação Cultural Mercado Negro
R. João Mendonça, 17, 3800-200 Aveiro

22.6.06

Mundial #12

JAPÃO


Fotos daqui [e leiam a excelente entrevista a Oe]

Um testemunho de vida (manipulado Pró-Vida, mas esqueçamos esse detalhe(se quiserem). do escritor japonês Kenzaburo Oe, Nobel de Literatura de 1994.

Quando Oe vê o recém-nascido, fica profundamente confuso: uma criatura monstruosa, parecendo ter duas cabeças. Metade do cérebro saía do crânio, envolvido em faixas ensangüentadas... Na boca um grito que não conseguia sair.
Oe narra esta dramática experiência, anos mais tarde, no seu romance Uma questão pessoal: "Como Apolinário, o meu filho foi ferido em um campo de batalha escuro e solitário, um campo para mim totalmente desconhecido. E chegou até nós com a cabeça enfaixada. Terei que sepultá-lo como um soldado que morreu na guerra". Mas as coisas tomaram um outro rumo para Oe e a sua família. "As lágrimas fáceis de um funeral prematuro – é sempre Oe que narra – não resolviam a questão. A criança iniciava uma luta feroz e desesperada para viver."(sobre Uma Vida que Renasceu)


BRASIL



Vinicius de Moraes escreveu e Ney Matogrosso cantou um dos mais bonitos poemas sobre as vítimas de Hiroshima: Rosa de Hiroshima.(para ouvir, olha ali a coluna à direita)


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

5.6.06

Sol nascente poente

Foto MRF

- Aqui são horas de levantar mas no Japão já são horas de lanchar...
- Oh que sorte que nós temos, dormimos até mais tarde e ainda ficamos com mais horas para brincar!
- Não, o que se passa é que lá são mais 8 horas que aqui. Quando estamos a jantar eles já estão a dormir há muito tempo...
- Coitados! Mas os meninos ouvem histórias antes de dormir?
- Sim, as pessoas vivem como nós, mas é como se os relógios estivessem adiantados 8 horas.
- E se eles atrasassem os relógios?
- Eles vivem noutro sítio do planeta Terra, o Sol aparece mais cedo...
- Sortudos!

25.7.05

Bou de vacances



Eu gostaria bastante de vos dizer que o meu próximo destino era este. Mas vou ficar-me pela mensagem da Expo 2005, "A Sabedoria da Natureza". E assim eu, ela e respectivas famílias, vamos para (estes) banhos nesta encosta, neste rio. Alguém conhece? só ela ?

13.1.05

Chamaremos a Deus, o tubo

Serge Gainsbourg: "O Homem criou deus. O inverso ainda não foi provado"



E finalmente quem é este deus de que fala Amélie Nothomb na sua Metafísica dos Tubos? É a própria Amélie, em bébé.


"Os médicos diagnosticaram uma apatia patológica, sem se darem conta de que havia uma contradição nas palavras: A vossa filha é um legume. É muito preocupante." Neste livro, autobiográfico, Amélie descreve o estado em que permaneceu até aos dois anos. E "como explicar este nascimento dois anos após o parto? Nenhum médico virá a descobrir a chave do mistério. Foi como se tivessem sido necessários dois anos de vida extra-uterina para se tornar operacional." Depois desenvolve uma personalidade muito especial. A ama japonesa exercerá uma influência enorme sobre a criança Amélie, que começa a acreditar que é Deus. "Chegara finalmente o dia do meu terceiro aniversário.(...) Nishio-san foi perfeita: ajoelhou-se em frente da criança-deus que eu era e felicitou-me por essa proeza. Ela tinha razão: ter três anos não está ao alcance de qualquer um."


Amélie Nothomb é espantosa na descrição da sua infância (no Japão) e consegue fazer-nos compreender e mergulhar nas percepções e estratégias mentais de uma menina de dois/três anos. Com contextos narrativos e históricos completamente distintos, essa capacidade literária de situar o leitor no mundo imaginado (mas credível) da sua infância, já me fez ficar rendida a outros escritores - como Albert Camus, em O Primeiro Homem, ou Simone Beauvoir, em Memórias de uma Menina Bem Comportada.

E agora, porquê esta alusão a Serge Gainsboug? Pelas respostas que foram dadas à pergunta "quem imaginam que seja Deus?", a partir do primeiro capítulo da Metafísica dos Tubos. De alguma forma, o pensamento da maioria enquadra-se nesta frase de Gainsbourg.



O Contrabaixo é atribuido ao Bhixma, que deu a resposta mais correcta (bébé). A menção honrosa vai para o Abulafia que cita John Lennon: "Deus é um conceito através do qual medimos a nossa dor".

11.1.05

Temor e Tremor


Amélie Nothomb


No início dos anos 90, a belga Amélie-san é contratada pela Yumimoto, uma grande empresa japonesa. Ela vai então descobrir o implacável rigor das hierarquias e o sentido de autoridade da organização japonesa. Depara-se com códigos de comportamento que lhe parecem indecifráveis. Domina a língua japonesa mas não deve revelá-lo para que a empresa não perca a confiança dos seus clientes. A sua superiora hierárquica directa é Mori Fubuki, pelo que não deve falar com o senhor Tenchi, mesmo que este tenha um projecto em que ela pode ser útil. E não esquecer que o superior hierárquico de Fabuki é o Senhor Saito, e o deste, o Senhor Omochi, e o deste o Senhor Heneda,...
Dia após dia, vai somando erros, faltas e fracassos e, como num pesadelo, vai descendo degraus na hierarquia. Até chegar ao nível de supervisora de casas de banho, a derradeira humilhação.
Absurdo, cómico, angustiante, este romance ou esta sátira valeu a Amélie Nothomb o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa em 1999. O livro já foi adaptado ao cinema por Alain Corneau.
Em Portugal o livro foi editado pela Bizâncio.


- Mademoiselle Mori?
- Chame-me Fubuki.
Eu já não ouvia o que ela me dizia. Mademoiselle Mori media pelo menos um metro e oitenta, altura que poucos homens japoneses atingem. Ela era esbelta e graciosa, arrebatadora mesmo, apesar da dureza japonesa a que tinha de sacrificar essa beleza. Mas o que me petrificava era o esplendor do seu rosto. (pp 13, traduzido do original da Albin Michel)
Gritam-me em cima. Abro os olhos e vejo detritos. Volto a fechá-los.
Volto a cair no abismo.
Ouço a voz meiga de Fubuki:
- Eu conheço-a bem. Ela cobriu-se de lixo para não ousarmos sacudi-la. Ela tornou-se intocável. É assim o seu feitio. Não tem nenhuma dignidade! ( pp 85-86, idem)