5.4.12

La Beauté

La Beauté triste de Charles Baudelaire (Fleurs du mal). Finito.



Je suis belle, ô mortels! comme un rêve de pierre,
Et mon sein, où chacun s'est meurtri tour à tour,
Est fait pour inspirer au poète un amour
Eternel et muet ainsi que la matière.

Je trône dans l'azur comme un sphinx incompris;
J'unis un coeur de neige à la blancheur des cygnes;
Je hais le mouvement qui déplace les lignes,
Et jamais je ne pleure et jamais je ne ris.

Les poètes, devant mes grandes attitudes,
Que j'ai l'air d'emprunter aux plus fiers monuments,
Consumeront leurs jours en d'austères études;

Car j'ai, pour fasciner ces dociles amants,
De purs miroirs qui font toutes choses plus belles:
Mes yeux, mes larges yeux aux clartés éternelles!

— Charles Baudelaire

Les Fleurs du mal

E finalmente: Charles-Pierre Baudelaire por Léo Ferré.

Para quem quiser: TUDO

Les Assis

Arthur Rimbaud, «Les Assis», musicado e cantado por Léo Ferré. Ao vivo!
Antes, Ferré divaga... bem!


Âme te souvient-il

Léo Ferré pegou num gravador e em sua casa gravou dezenas e dezenas de poemas de Rimbaud e de Verlaine. Por vezes, musicava os poemas. A voz e o seu piano. Só depois da sua morte foram encontradas todas gravações (que não são de grande qualidade técnica). Imaginar esses momentos. enternece. Aqui, um registo muito belo. Comecemos por Paul Verlaine.

4.4.12

Para quando uma reedição?


O meu livro, uma (5ª) edição de 1983. Eu suspeito que "Os dados estão lançados" não é reeditado há quase 30 anos!

Os dados estão lançados

Jean-Paul Sartre (1905–1980) escreveu um romance genial e delicioso de ser lido, “Os dados estão lançados” (1947). Seria excelente se o livro fosse reeditado em Portugal! Esta obra-prima, manifesto de consciência de classe, tratado de metafísica, furioso arranca-corações, livro de culto, guião de cinema (filme realizado por Jean Delannoy), anda desaparecida há tanto tempo...

Muito sucintamente, é a história de uma mulher burguesa e de um chefe de uma "Liga" de resistência que se apaixonam perdidamente um pelo outro mas, porque se encontram apenas após a sua morte (ambos foram assassinados), não podem consumar o seu amor. No céu, não são tangíveis...

«Olham-se e dançam em silêncio por um momento.
- Diga-me - pergunta Pedro de repente -, o que é que se passa? Não pensava senão nos meus aborrecimentos há bocado e agora estou aqui. Danço e não vejo senão o seu sorriso... Se isto fosse a morte...
- Isto?
- Sim, dançar consigo sempre, só a ver a si, esquecer tudo o resto...
- E depois?
- A morte valia mais que a vida. Não acha?
- Aperte-me com força - diz ela baixinho.
Os rostos estão muito perto um do outro. Dançam ainda um instante e ela repete:
- Aperte-me com mais força...
Bruscamente, o rosto de Pedro entristece-se. Pára de dançar, afasta-se um pouco de Eva e exclama:
- É uma comédia. Nem sequer cheguei a tocar a sua cintura...»
[in Sartre, Jean-Paul, "Os dados estão lançados", Ed. Presença, 1983, pp 72-73]

Decidem então dirigir-se a Deus, reclamar e obter autorização para voltar à Terra. Deus é misericordioso e aceita que regressem para viver o amor e a vida em comum que lhes havia sido indevidamente frustrada. Mas impõe uma condição: têm 24 horas para ultrapassar todas as barreiras inerentes à diferença da sua condição social. Se forem bem sucedidos, esquecerão o episódio da morte; se falharem, voltarão ao céu.
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Muitas das ideias do político e do filósofo estão contidas neste pequeno livro, pelo que não é difícil imaginar o final. Sartre milita activamente no partido comunista e virá a aproximar-se cada vez mais do marximo, integrando-o no existencialismo (La Critique de la raison dialectique, 1960). Em 1952 rompe publicamente a amizade com Camus, devido à publicação de "O Homem Revoltado" no qual Camus ataca criticamente o Estalinismo.
E o que dizer da nova oportunidade oferecida a Pierre e Eve: será o destino mais forte que o livre-arbítrio? A liberdade dá ao homem o poder de escolha, mas está sujeita às limitações do próprio homem?

Existe uma versão disponível on line, tradução portuguesa, que poderão gravar/imprimir enquanto esperam (!) pela publicação de uma nova edição. 

3.4.12

o guizo do poente da infância

"Quando te sentas, à porta da noite, e recordas o guizo do poente da infância, três gazelas vermelhas vêm ter contigo."

Tiago Veiga, "Mamma, Why Did You Awake Me?" (Colectânea inédita)



No final de um dia cheio. Elas hoje fizeram 12 anos! 

«entre o planeta e o sem-fim a asa de uma borboleta»

«No misterio do sem-fim equilibra-se um planeta. E no planeta um jardim e no jardim um canteiro no canteiro uma violeta e sobre ela o dia inteiro entre o planeta e o sem-fim a asa de uma borboleta.»

Cecília Meireles

Tine Drefahl

1.4.12

O discurso de Souhayr Belhassen. ou:

Imagem: Jean Gaumy.
Treino de mulheres voluntárias nas milícias iranianas em Teerão,
Irão, 1986.

«modernidade mutilada»

Souhayr Belhassen, activista tunisina dos direitos humanos, :

«A Tunísia tinha todos os ingredientes para fazer esta revolução. Temos a primeira Constituição do mundo árabe, o primeiro sindicato operário em África e no mundo árabe, o primeiro código de estatuto oficial evoluído, a primeira liga de direitos humanos no mundo árabe. A Tunísia foi o país que escolheu fazer da educação e não das armas a sua prioridade. Temos 90% da população escolarizada. A organização da justiça e do ensino determinava que o país tivesse escolhido a modernidade. Tinha todos os elementos de modernidade, mas essa modernidade estava mutilada. Porque tínhamos modernidade económica e social, mas não política. E esta modernidade mutilada serviu de terreno aos islamistas.»