6.9.09

Cartilhas


O Jornal Nacional de Sexta (JN6) de Manuela Moura Guedes desapareceu e eu acho que o país fica melhor sem aquele triste espectáculo noticioso. A vigília de solidariedade a Manuela Moura Guedes faz-me lembrar as visões de Lúcia, a reeleição de Fátima Felgueiras, o visionamento massivo de telenovelas, enfim, o país no seu melhor! Quanto à importante questão da falta de liberdade de expressão, não me preocupo. O Público continua aí e enquanto Cintra Torres, prestigioso analista televisivo político da nossa praça, não for mandado para a judiciária pelo seu último artigo de opinião (em destaque nesse "jornal de referência"), está tudo bem!

«
O PS-governo segue o mesmo caminho de Chàvez, ao perseguir paulatinamente, um a um, os seus críticos: e segue o mesmo caminho de Putin, ao construir uma democracia meramente formal, em que se pode dizer que a decisão foi da Prisa não dele, em que se pode dizer que os empresários são livres, que os juízes são livres, que os funcionários públicos são livres, que os professores são livres, que os jornalistas são livres, que a ERC é livre, etc — mas o contrário está mais próximo da verdade. Para todos os efeitos, Portugal é uma democracia formal, mas estas medidas protofascistas vão fazendo o seu caminho. Não dizia Salazar que Portugal era mais livre que a livre Inglaterra? Sócrates e Santos Silva dizem o mesmo.»


Ah, e na imprensa local e regional, quem dita a cartilha?

Imagem: Caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro sobre todos dizerem coisas diferentes mas fazerem o mesmo. À frente Fontes Pereira de Mello, Barros Gomes e o sumido Braamcamp. Atrás, olhando por cima com o seu lorgnon, o Duque de Ávila então Presidente da Câmara dos Pares.

7 comentários:

Costa público disse...

O estado da nação resume-se a uma triste conclusão: quase sem ninguém se aperceber, está-se pior que no fascismo, em cujo regime nem proibições havia, como de fumar por exemplo. Agora até a reforma é só para os que não morrerem antes dos 65 anos, os jovens sé terão emprego quando os mais antigos falecerem (pois não haverá pachorra para esperar até dita à dita aposentação...), há censura em quase tudo, embora camuflada... Enfim. Assim não admira que os mais novos nem façam ideia do que representou o 25 de Abril...!

-pirata-vermelho- disse...

Belo artigo, Maria!
Acabas de me surpreender.
De facto pouco se passa para além da frouxa encenação.

-pirata-vermelho- disse...

Forte! Queria dizer, forte encenação...

Spectrum disse...

Para além da forma inteligente como abordaste a questão, deixa-me colocar uma: porque reagem os jornalistas de forma corporativa?! A fulaninha envergonha toda uma classe e, estranhamente, esta mantém-se em silêncio, salvo o sindicato, que mostra "preocupação"!!!! No meu humilde entender, o dito sindicato, dever-se-ia ter preocupado era com a MMG e as baboseiras que proferia. Acho que o país ficou a ganhar sem ela.

Claudia Sousa Dias disse...

oh, minha querida...!
realmente...o pior de tudo é a multidão de cegos que ainda acreditam na mentira, nas meias verdades e que ainda acham que tudo isto é um mal menor.

lembro que a Europa assistiu com igual indiferença à progressão do nazismo para o qual chamaram a atenção na época Frida Kahlo e, nos dias de hoje, José Saramago.

beijinhos

Já te disse que nesta foto pareces mesmo a Mónica Calle a fazer de Helena em "A Costa dos Murmúrios"?

pois é verdade!

CSD

kimikkal disse...

Concordo como texto, mas o que queria destacar era a figura que acompanha o texto, uma pequena delícia.

Quero mais! :)

Jade Chapelier disse...

Bonjour! Je ne parle pas espagnol, mais je comprends les images. Ton blog est éclectique, animé, agréable. Bravo!