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29.5.12

Crime e impunidade na Casa Pia #2

Ralph Eugene Meatyard. Untitled. 1961

Durante oito anos, 500 crianças da Casa Pia foram submetidas, sem saberem, a experiências que “nunca tinham sido feitas sequer em animais”. No início do estudo, tinham entre oito e dez anos de idade. As crianças foram utilizadas como cobaias e os responsáveis da Casa Pia não podem alegar desconhecimento.

Acabo de descobrir um «abstract» relativo à pesquisa em causa no Journal of Toxicology Environ Health publicado em Dezembro de 2001.
O título (com link): «Examination of dietary methylmercury exposure in the Casa Pia Study of the health effects of dental amalgams in children».

A palavra "mercúrio" alerta de imediato para eventuais riscos para a saúde. Não é necessário ser um especialista. Bastaria fazer uso de algum bom senso e, acima de tudo, querer bem e proteger.
Usar crianças sob protecção do estado para experiências médicas, explorando a sua situação de carência, é muito grave.  E não podemos banalizar o mal. Tenho dificuldade em acreditar no que leio - não entra no meu universo de possibilidades! E depois, como aceitar o silêncio e impunidade que, sabemos, vão prevalecer?

Crime e impunidade na Casa Pia. Uma história sem fim.

A pior notícia dos últimos tempos, envolvendo o nosso país. Pergunto: quem assume a responsabilidade deste crime? por que razão não se ouviu ainda o actual Provedor da Casa Pia, nem o Provedor à data dos acontecimentos, 1996*? não se instaura um inquérito a nível nacional? não se pronuncia sobre este caso o Procurador Geral da República? indignam-se todos os comentadores profissionais com a alegada invasão da privacidade de Pinto Balsemão pelas "Secretas" e ninguém se indigna com a utilização de crianças como cobaias? que merda de país é este? que tipo de gente somos nós?


Em 2004, um extenso documento redigido pelo movimento norte-americano "Campaign for Mercury Free Dentistry" (documento disponível neste endereço), criticava severamente a forma como as 500 crianças portuguesas que participaram nesta investigação tinham sido angariadas. Entre os reparos feitos por este movimento norte-americano, que os documentos que tinham sido entregues aos responsáveis pelas crianças e que dariam autorização aos cientistas para as usar como "cobaias", não revelava que as amálgamas a utilizar nos tratamentos dentários tinham mercúrio. Um facto que levantaria a suspeita de que nem tudo estava a ser conduzido com a maior lisura. Pelo contrário, afirma o mesmo documento, as declarações de autorização entregues aos pais e encarregados das crianças norte-americanas – 500 que participaram também no estudo – informavam que as amálgamas continham mercúrio. - in Publico, 28-05-2012


 
*Luís Rebelo era provedor da Casa Pia e autorizou a participação de 100 alunos internos. Os restantes foram autorizados pelos pais. Quando rebentou o escândalo de pedofilia, Rebelo saiu e a sucessora, Catalina Pestana, aceitou prosseguir o estudo. A Casa Pia não comentou a reportagem.

19.5.12

Demitam-no, s.f.f.!

Num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

(O ministro pediu desculpas ao jornal e está tudo bem! ____ Este país que é o meu ___ envergonha-me.