21.7.06

Faz de conta II

Sebastian Scheiner

Propaganda. Contra-propaganda. Sabemos! Agora podemos conhecer o contexto em que a foto foi tirada. Mas continuo arrepiada. Até porque as explicações se centram em meia dúzia de ideias centrais que não anulam a violência da imagem__ a saber: as crianças vivem mesmo na fronteira com o Líbano; Kiryat Shmona esteve sob constante bombardeamento desde o início do conflito; tinham dito às crianças que um homem chamado Nasrallah era o responsável e elas só dirigiram as suas mensagens a esse homem; as crianças não são más. Mas é inimaginável pensar que o mundo se convenceu da maldade de um grupo de meninas! O que o mundo percebeu é que estes conflitos se vão eternizar, se eternizam por várias gerações, e que a pior das violências pode ser a "violência simbólica" (conceito sempre actual do sociólogo Pierre Bourdieu).

(...) la théorie de la violence symbolique repose sur une théorie de la croyance ou, mieux, sur une théorie de la production de la croyance, du travail de socialisation nécessaire pour produire des agents dotés des schèmes de perception et d'appréciation qui leur permettront de percevoir les injonctions inscrites dans une situation ou dans un discours et de leur obéir (...).

Em Israel, como no Líbano ou na Palestina.

Em On the Face, podem ler o artigo completo que, como a foto, nos deixa algures entre a realidade e a convicção.

2 comentários:

Hipatia disse...

Seja qual for a explicação que se tente encontrar, esta imagem magoa-me. É como um murro na barriga perante um presságio: não há fim para a barbárie. Porque estas crianças estão a ser criadas na cultura do medo e do ódio; do outro lado da fronteira também. E já nem umas nem outras têm nojo, ou receio, ou respeito, o que for, pelo instrumento da carnificina. E os motivos, há muito perdidos, continuarão a ser recriados a belo prazer da política e do ódio e do fanatismo.

Só sei que dói. Porra, como dói!

francis disse...

As crianças não são más, mas as mentes que as envolvem neste crime são hediondas e cobardes.