Mostrar mensagens com a etiqueta Paulo Castro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paulo Castro. Mostrar todas as mensagens

14.11.05

IV Edição do Escritor Famoso. Lote 4

31. Tine Drefalh (susanne2)
Poema de A. Bandeira Cardoso do
De Profundis Pena de Vida, Esperança

Poema de A Minha Vizinha, Dá-me a mão

32. Keith Nicolson
De Paulo César Nunes do Poesia Lusa, Os teus segredos

Do
Quaise, Linguagem Gestual e Explicação

33. Sabine Leve
"Roubada" por Lilly Rose do Antes que me deite para um Poema extra-concurso chamado des-ligas

34. Prop. José Manuel Correia (Angola, Angela, Busto de Rapariga)
Poema de A Minha Vizinha

35. Marco Maurício
Poema de Paulo C. Nunes do Poesia Lusa
Achei

36. Paulo Castro
Poema da Joaninha

Reality

37. Spencer Tunick
Hombre de Caiacaina do Bis Morgen
Nu? de Joaninha do Meinemliebe

38. Sarah Afonso (meninas)
Poema de Leonor do Andorinha Negra, Quimera

Poema de
Werneck, Meninas

39. Elena Reftalvi (burning witshes of salem)
Poema de Maria do Estórias do Bicho da Seda
Pantomina

40. Anneke DM (alexie)
Poema de Ivo Jeremias do Olho bem aberto
Leio, logo vivo!


[Lote lançado a 4 de Nov]

24.1.05

O mar por cima


Paulo Castro

Eu tinha prometido mandar um postal da minha viagem aos Açores pela mão de Possidónio Cachapa. Só chegou hoje. Agora vai andar por aí e pode ser que, daqui a algum tempo, quando não tiverem planos, se lembrem de olhar para ele, e comprem o bilhete.

Antes de mais, esclareço que de possidónio provinciano ingénuo pretensioso vulgar, ele nada tem, e tão pouco se acachapa. É tão brutal o que acontece na terra que o mar por cima nos parece natural. Mas os personagens, os amigos Ruivo Rucas Rucãoforte e David, a mulher do primeiro, as mães dos dois, e até o Xuinga, não sabem deixar de ser inocentes, de temer, de não expressar, de sentir que é tudo grande demais para quem só quer ir vivendo com consolo. Foi isso que eu vi, movimentos desconcertados que se cruzam na busca de afectos que ninguém quer ou pode ver.
O homem do prazer inculto, fala-nos também de prazeres ocultos e outros mistérios. Cada um tem o seu. De resto o livro é dedicado a todos nós, aos que amam em silêncio.


"Balançando inquieta, a embarcação estava, agora, ao lado da corrente. David aproximou-a mais um pouco da rocha. Ele e o mar. Ele e o mar. Ele e a dor.
- Rucas, meu Rucãoforte - disse. E começou a chorar, mais por si que pelo que não tinha vivido. Sentiu-se ridículo por estar assim, exposto, à vista dos elementos que balançavam e do dia que continuava a correr.
No fundo do barco, os calhaus porosos brilharam mais. David baixou-se e, um por um, meteu-os no bolso."


(Cachapa, Possidónio, O mar por cima, Oficina do Livro, 2000, pp 179-180)