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20.6.09

Batalha das Flores em Aveiro



No dia 18 de Junho a Ria encheu-se de flores. Na origem: uma batalha de flores entre ceboleiros e cagaréus. Prometo descrever com mais pormenor esse evento. Por hoje, fica apenas a moral da história: a Ria não separa, une. as gentes!

17.6.09

Aveiro Berço da Liberdade #2

in Marques Gomes, Aveiro Berço da Liberdade, pp. 15-16

(...)

II


ENTHUSIASMO, por assim dizer una-
nime que produzira o systema consti-
tucional, inaugurado pela revolução de
24 d'agosto, foi arrefecendo pouco a pouco e o
numero de descontentes augmentando de dia
para dia.

Afim de manter aquelle enthusiasmo, e de
inutilisar qualquer esforço que partisse destes
para restaurar o absolutismo, estabeleceram-se
em alguns pontos do paiz differentes sociedades
politicas, mais ou menos secretas. Foi enorme
o incremento que tomou então em Portugal a
maçonaria. Aveiro teve também a sua loja ma-
çónica, que foi a da quinta dos Santos Martyres.
Tem sido ignorada pelos escriptores que até
hoje se teem occupado da historia da maçonaria
em Portugal, a existência d'esta loja, de que a
tradicção constante em Aveiro é testemunho.
Durante muito tempo, e isto succedia ainda ha
quarenta ou cincoenta annos, a casa da quinta
dos Santos Martyres era olhada pelo povo com
horror: ah, dizia-se, os pedreiros hvres deram
tiros na imagem de Nosso Senhor Jesus Christo,
e praticaram outras idênticas atrocidades. Apon-
tavam-se a medo os nomes dos associados, mas
occultava-se quasi sempre o enormíssimo serviço
prestado por esses maus homens á causa da li-
berdade nas suas reuniões. De nada se tratou
de contrario á religião, pois quasi todos, senão
todos, eram fervorosos catholicos, e d'isto da-
vam publico testemunho, como nol-o asseveram
pessoas dignas de todo o credito, ainda feliz-
mente vivas, como são os srs. conselheiro José
Ferreira da Cunha e Sousa e José Maria Ri-
beiro.

Seria hoje inteiramente impossivel organisar
a lista dos membros da loja dos Santos Marti-
res, se não fosse a devassa a que, em virtude do
decreto de 20 de junho de 1823, se procedeu
n'esta comarca e de que nos ofíereceu uma co-
pia authentica o distincto publicista sr. dr. José
Francisco Lourenço d'Almeida e Medeiros, que a
encontrou, entre os papeis de seu pae, o desem-
bargador Francisco Lourenço d'Almeida, liberal
decidido, que fora quem mais concorrera para a
organisação da mesma loja. Por este documento
e por outras informações que pude colher ha
annos, vê-se que fizeram parte d'ella: Francisco
Lourenço d'Almeida, desembargador da relação
da Bahia e natural de Fermelã, concelho de Es-
tarreja ; Filippe António Monteiro, Bazilio de
Oliveira Camossa, sargento-mòr de ordenanças
e cavalleiro de Malta (o irmão terrível); António
Cardoso de Barros Loureiro Sequeira e Qua-
dros, de Couto de Esteves; João dos Santos Re-
zende, negociante (o irmão aridador) ; Caetano
Xavier Pereira Brandão, ex-juiz de fora da co-
marca (o interrogador); Carlos Cardoso Moniz,
provedor da comarca; José Joaquim Homem, juiz
de fora d'Eixo; António José de Castro, juiz de
fora de Recardães ; António Xavier Cerveira e
Sousa, juiz de fora de S. Lourenço do Bairro;
António Joaquim Santiago, ex-juiz de Oliveira
do Bairro; dr. Manuel da Rocha Couto, lente de
cânones e natural d'ílhavo, deputado na primeira
legislatura que se seguiu ao congresso consti-
tuinte; dr. João Agostinho Martins da Silva, de
Sever do Vouga; dr. Joaquim José de Queiroz,
desembargador da Relação da Bahia (irmão rosa
cruz); António José dos Santos, ajudante do ba-
talhão de caçadores lo; Telles, tenente de caça-
dores lo; Luiz Gomes de Carvalho, tenente-coro-
nel de engenharia e encarregado das obras da
barra (o cavalleiro da vingança); Carlos Cardoso,
provedor da comarca (o cavalleiro do punhal);
António de Azevedo e Cunha, tenente-coronel de
caçadores lo (o irmão venerável) ; António Cle-
mente Cardoso, José Maria da Fonseca Moniz,
tenente de caçadores lo e mais tarde general e ba-
rão de Palme; Castro, tenente de caçadores lo:
dr. Joaquim de Chuqre Albuquerque, de Sever do
Vouga; dr. João Nepumoceno da Silva Figuei-
redo, monteiro-mór de Ovar; António Carlos de
Mello, bacharel em medicina; dr. Luiz Cypriano
Coelho de Magalhães, pae de José Estevão; Eva-
risto Luiz de Moraes, escrivão do geral: dr. Agos-
tinho Pacheco Telles, da Aguieira, depois sub-
prefeito do districto de Aveiro e senador na le-
gislatura em 1839 a 1841; Filippe António .Mon-
teiro Baeta, alferes de caçadores 10, e dr. João
Gonçalves .Aleirelles Monteiro.

Victoriosa a revolução que proclamou o resta-
belecimento dos inauferíveis direitos de D. João vi,
foi em 8 de junho de 1823, por ordem do go-
vernador militar interino d'esta cidade, barão
de Villa Pouca, passada minuciosa busca á casa
e quinta dos Santos Martyres.


Continua

15.6.09

Casa do Avô de Eça de Queiroz em Verdemilho

Curiosamente, a citação com que Marques Gomes inicia a obra Aveiro Berço da Liberdade - O Coronel Jeronymo de Moraes Sarmento, é também escolhida por Joaquim de Mello Freitas no seu texto «Casa do Avô de Eça de queiroz em Verdemilho» (incluido em Eça de Queiroz, Dicionário de Milagres e outros escritos dispersos, Lello & Irmão - Editores Porto, edição de 1980 conforme a edição de 1900):

Entretanto foi na cidade de Aveiro que se ouviu o primeiro grito da restauração da Pátria.
Soriano, Vida de Sá da Bandeira, t. I, pág. 141


Ao que segue o seguinte (primeiro) parágrafo:

"As ruínas que hoje aparecem em estampa são destroços de grande prédio construído no lugar de Verdemilho, à volta de 1835, pelo desembargador Joaquim José de Queiroz, avô paterno do romancista."


Continua

13.6.09

Aveiro Berço da Liberdade

Descobri uma jóia no ano em que se comemoram os 250 anos de elevação de Aveiro a cidade! E este é um daqueles tesouros que se quer partilhar...



Aveiro Berço da Liberdade - O Coronel Jeronymo de Moraes Sarmento,
por João Augusto Marques Gomes, Porto, Imprensa Portuguesa, 1900
[
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Aveiro foi a primeira cidade onde appareceu de facto o primeiro grito de guerra contra as pretensões de D. Miguel, levantado na manhã do dia 16 de maio pelo ba-
talhão de caçadores 10 e por vários cidadãos com elle associados.


Soriano — Historia do cerco do Porto.
Lisboa, 1S46. Tomo i, pag. 240.


ENTHUSIASMO pela liberdade, em
Aveiro, vem de longe, data de 1820.
Os trabalhos do synhédrio portuense
tinham ramificações n'esta cidade. Uma parte da
officialidade de caçadores 10, o tenente-coronel
de engenheria Luiz Gomes de Carvalho, e o
desembargador Fernando Alfonso Geraldes, que
ambos então aqui residiam; o juiz de fora José
de Vasconcellos Teixeira Lebre, alguns vereado-
res e outras pessoas mais, estavam no segredo
da revolução; e, se não se secundou logo o mo-
vimento de 24 d'agosto, foi isso devido unica-
mente á intransigência do commandante d'aquel-
le batalhão, um official inglez, aliás muito dis-
tincto e disciplinador, o major Linstow.

No dia 26 chegou a Aveiro, vindo de Lisboa,
o marechal de campo Manuel Pamplona Carneiro
Rangel, que, pela regência, havia sido encarrega-
do do commando militar do Porto e que para ali
se dirigia. Novo embaraço para a revolução que
se preparava. Pamplona, informado dos succes-
sos do Porto, e vendo que não podia confiar em
que Aveiro se conservasse fiel ao governo de Lis-
boa, attenta a exaltação de espirito que se prin-
cipiava a notar em muitos dos seus habitantes,
retrocedeu para Coimbra no dia 29, levando com-
sigo caçadores 10. N'esta cidade ficou apenas
uma parte do regimento de miilicias e uma com-
panhia de veteranos. Ao tempo já o juiz de fora
Teixeira Lebre, havia sido informado do Porto,
por Luiz Gomes de Carvalho, que se dirigia para
aqui com o batalhão de caçadores 11, o coro-
nel Bernardo de Castro Sepúlveda, afim de au-
xiliar o pronunciamento da cidade.

Logo que sahiu Pamplona para Coimbra,
aquelle magistrado assentou com a camará, de
que fazia parte como vereador Manuel Sebastião
de Moraes Sarmento (chefe da familia que de-
pois em Aveiro mais padeceu pela liberdade, e
pae de Jeronymo de Moraes Sarmento, cuja bio-
graphia é o assumpto principal d'este trabalho),
que a proclamação do novo governo se fizesse
na manhã do dia 30, e que ella coincidisse com
a chegada do coronel Sepúlveda.

Assim se fez. Pelas dez horas da manhã
d'aquelle dia — ao apparecer aquelle valente cau-
dilho da liberdade, vindo de Albergaria-a-Velha
e Angeja, onde acabava de levantar o grito da
revolta, ouviram-se enthusiasticos «vivas á santa
religião, a el-rei D. João vi, ás cortes e á consti-
tuição», dados pelo regimento de milicias de
Aveiro, e companhia de veteranos, e povo, que
estacionava em frente da casa da camará, onde,
ao tempo, se achavam já reunidos todos os ve-
readores, as auctoridades da comarca, e o clero,
nobreza e povo.

Pelo juiz de fora foi proposto, que esta cida-
de devia adherir ao movimento iniciado no Por-
to, reconhecendo a «Junta provisória do supre-
mo governo do reino» que ali se acabava de es-
tabelecer, o que foi approvado por- acclamação
no meio de calorosos vivas.

De tudo se lavrou auto no livro das verea-
ções que depois, por ordem da secretaria dos
negócios do reino de 21 de agosto de 1823, foi
aspado de sorte que se não lê. Contém o auto
approximadamente cento e vinte assignaturas,
entre as quaes se lêem, ainda que a custo, as
de Fernardo de Castro Sepúlveda (è a primei-
ra), José de Vasconcellos Teixeira Lebre, juiz de
fora; Manuel José de Freitas, João Nepumoceno
da Silva, António José de Freitas, Fernando
Affonso Geraldes, Luiz Gomes de Carvalho, An-
tónio José Gravito da Veiga e Lima, tenente-co-
ronel de milicias de Oliveira d'Azemeis ; João
Rangel de Quadros, Dionysio de Moura Couti-
nho, capitào-mór de Esgueira ; Miguel Rangel
de Quadros, capitão-mór de Aveiro; Francisco
Rodrigues de Figueiredo, capitão-mór de Eixo;
António Rangel de Quadros, Francisco António
de Castro, Joaquim António Rodrigues Galhar-
do, Alexandre Ferreira da Cunha, Gabriel Lo-
pes de Moraes Picado de Figueiredo Balacó,
Manuel José Alves Ribeiro, capitão de vetera-
nos; Francisco José d'0liveira, cirurgião-aju-
dante de caçadores 10; Joaquim António Plá-
cido, cidadão advogado; José Lucas de Sou-
sa da Silveira, José Pereira da Cunha, cidadão
medico do partido da camará; Bazilio d'0liveira
Camossa, sargento-mór; Lourenço Justiniano da
Costa, Manuel Rodrigues Tavares de Araújo
Taborda, António Dias Ladeira de Castro, Joa-
quim Leite de Faria, Bento José Mendes Gui-
marães, José António Rezende, Agostinho de
Sousa Lopes, Evaristo Luiz de Moraes, padre
José Bernardo Mascarenhas, João António Mo-
niz, alferes; Francisco Thomé Marques Gomes,
fr. Joaquim Xavier de Campos, fr. João Ribeiro
Guimarães.

Deprehende-se d'esta lista que esteve presente ao acto
tudo
que em Aveiro havia de mais distincto, e que, se
alguém faltou, foi involuntariamente, por que depois, successiva-
mente, vieram prestar juramento ás novas insti-
tuições os que então não tinham comparecido,
a principiar pelo bispo da diocese D. Manuel
Pacheco de Rezende.

O espirito da liberdade radicou-se bem de-
pressa no animo da maioria dos aveirenses, mas
isto não obstou a que o systema absolutista
contasse também aqui adeptos fervorosos.


Continua

16.5.09

Se esta praça tivesse 250 anos


No âmbito do projecto "Se esta praça tivesse 250 anos", dinamizado pelos Amigos d'Avenida e no qual participam várias associações e instituições culturais da cidade de Aveiro, realiza-se hoje, pelas 15h, na Praça Melo Freitas, mais um evento com a seguinte programação:

Concerto de canto e piano -
Renata Gomes e Marcus Medeiros

Pintura ao vivo (dinamizada por José Sacramento)

Workshop de pintura em azulejo (com o apoio
A Barrica).


À noite, não esquecer:
22h - Inauguração da exposição "TEATROS DE MADEIRA" da artista Carla Faro Barros na Galeria Nuno Sacramento
21-23h - Museu em festa - Noite dos museus (Museu Santa Joana) - arte ao som da música.

8.5.09

250 vozes

Jan Brueghel the Elder. Allegory of Hearing. 1618
[Vale a pena aumentar a imagem]


Hoje, 21h30, na Praça da República em Aveiro: Concerto 250 Vozes, comemorativo dos 250 Anos da Cidade de Aveiro. Para além da Orquestra Filarmonia das Beiras e da soprano Isabel Alcobia, este concerto conta com a participação da Associação Musical e Cultural São Bernardo, Associação Recreativa Eixense, Banda Amizade, Banda e Escola de Música da Quinta do Picado, Coral Polifónico de Aveiro, Pequenos Cantores do Coral São Pedro de Aradas, Coral Vera Cruz, Coro do Departamento Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, Coro do Porto de Aveiro, Coro Infantil e Juvenil de Santa Joana e Coro de Santa Joana.

Dirigidos pelo Maestro António Vassalo Lourenço e pelo Maestro Carlos Martins Marques, os cerca de 400 actuantes, entre músicos e cantores, vão interpretar os seguintes temas: «Mumadona Dias» de Carlos Martins Eurico Carrapatoso; Abertura «1812» Marques; «Pompa e Circunstância», Marcha Militar Nº1, Op. 39 de Edward Elgar; «A-Ver-a-Ria» de de Piotr Tchaikovsky e Aleluia de «Messiah» de Georg Händel.


[Adenda: Este é um dos raros espectáculos das «Festas do Munícipio» levado a cena por profissionais. Depois, só o Rui Reininho, o padre que vai rezar a missa solene, os pilotos do Asas de Portugal e os militares no dia da Marinha.]

[Adenda 2: A Moura Aveirense tem registos do belo concerto.]

14.3.09

Percursos com História


Sábado, 14 de Março: A CIDADE EMERGENTE [SÉC. XVII-XVIII]

Percursos temáticos em que se explora a percepção da comunidade numa perspectiva dinâmica e evolutiva da paisagem histórica de Aveiro.
Esta iniciativa dá vida ao conceito de museu polinucleado que tem na cidade continuidade do próprio espólio museológico do Museu da Cidade de Aveiro.

Próximos Percursos:
A Villa de Aveiro [até ao século XVII]: 09 de Maio; 12 de Setembro
A Cidade Emergente [até ao século XVIII]: 13 de Junho; 10 Outubro
A Cidade Contemporânea [séc. XIX-XX]: 18 Abril; 11 Julho; 14 Novembro

Público-alvo: Público em Geral
Orientador: Dr. Amaro Neves
Local de encontro: Praça da República, junto ao Monumento a José Estêvão
Horário: 11h00 – 13h00
Número Máximo de participantes por percurso: 30
Sujeito a inscrição prévia: museucidade@cm-aveiro.pt 234 406 485



[Imagens: Convento de Jesus e igreja de S. Domingos.1915.1905]


P.S.: Uma exposição de fotografia de Aveiro Antigo poderá ser visitada de 7 de Março a 5 de Abril, de Terça a Domingo, das 14.00 às 19.00 horas, na Galeria dos Paços do Concelho. Tem entrada livre.

25.1.09

Sessão Evocativa Oficial dos 1050 anos da primeira referência escrita a Aveiro

A Câmara Municipal de Aveiro tem a honra de convidar V.Ex.a para assistir, no dia 26 de Janeiro de 2009, aos seguintes eventos:

16h00 – Sessão Evocativa Oficial dos 1050 anos da primeira referência escrita a Aveiro. Edifício sede da Assembleia Municipal (antiga Capitania de Aveiro). Alocução histórica pela Professora Doutora Maria Helena da Cruz Coelho.

17h15 – Inauguração da exposição “Dos artefactos à escrita”.
Na galeria do edifício sede da Assembleia Municipal (antiga Capitania de Aveiro).
Apresentada pelos Comissários: Eng.º Paulo Morgado e Dra. Sónia Filipe.

17h30 – Inauguração da exposição “BI Aveiro (959 – 2009)”. Museu da Cidade. Apresentada pelas comissárias: Professora Doutora Maria Helena da Cruz Coelho e Professora Doutora Maria José Azevedo Santos.

18h30 – Sessão de agradecimento aos antigos e actuais Autarcas de Freguesia do Concelho de Aveiro. Salão Nobre dos Paços do Concelho.


Imagem daqui


"No documento de doação testamentária efectuada pela condessa Mumadona Dias ao mosteiro de Guimarães, em 26 de Janeiro de 959, consta a referência a "Suis terras in Alauario et Salinas", sendo esta a mais antiga forma que se conhece do topónimo Aveiro.
No século XIII, Aveiro foi elevada à categoria de vila, desenvolvendo-se a povoação à volta da igreja principal, consagrada a S. Miguel e situada onde é, hoje, a Praça da República, vindo esse templo a ser demolido em 1835.
Mais tarde, D. João I, a conselho de seu filho, Infante D. Pedro, que, na altura, era donatário de Aveiro, mandou rodeá-la de muralhas que, já no século XIX, foram demolidas, sendo parte das pedras utilizada na construçào dos molhes da barra nova.
Em 1434, D. Duarte concedeu à vila privilégio de realizar uma feira franca anual que chegou aos nossos dias e é conhecida por Feira de Março.
Em 1472, a filha de Afonso V, Infanta D. Joana, entrou no Convento de Jesus, onde viria a falecer, em 12 de Maio de 1490, efeméride recordada actualmente, no feriado municipal. A estada da filha do Rei teve importantes repercussões para Aveiro, chamando a atenção para a vila e favorecendo o seu desenvolvimento.
O primeiro foral conhecido de Aveiro é manuelino e data de 4 de Agosto de 1515, constando do Livro de Leituras Novas de Forais da Estremadura.
A magnífica situação geográfica propiciou, desde muito cedo, a fixação da população, sendo a salinagem, as pescas e o comércio marítimo factores determinantes de desenvolvimento.
Em finais do século XVI, princípios do XVII, a instabilidade da vital comunicação entre a Ria e o mar levou ao fecho do canal, impedindo a utilização do porto e criando condições de insalubridade, provocadas pela estagnação das águas da laguna, causas estas que provocaram uma grande diminuição do número de habitantes - muitos dos quais emigraram, criando póvoas piscatórias ao longo da costa portuguesa - e, consequentemente, estiveram na base de uma grande crise económica e social. Foi, porém e curiosamente, nesta fase de recessão que se construiu, em plena dominação filípina, um dos mais notáveis templos aveirenses: a igreja da Misericórdia.
Em 1759, D. José I elevou Aveiro a cidade, poucos meses depois de ter condenado, ao cadafalso, o seu último duque, título criado, em 1547, por D. João III.
Em 1774, a pedido de D. José, o papa Clemente XIV instituiu uma nova diocese, com sede em Aveiro.
No século XIX, destaca-se a activa participação de aveirenses nas Lutas Liberais e a personalidade de José Estêvão Coelho de Magalhães, parlamentar que desempenhou um papel determinante no que respeita à fixação da actual barra e no desenvolvimento dos transportes, muito especialmente, a passagem da linha de caminho de ferro Lisboa-Porto, obras estas de capital importância para o desenvolvimento da cidade, permitindo-lhe ocupar, hoje em dia lugar de topo no contexto económico nacional."

BIBLIOGRAFIA: "DIAS, Diamantino, Revista AVEIRO, Câmara Municipal de Aveiro, pp. 8, 2ª Edição, Julho de 1997."

22.1.09

Celebrar Aveiro


A cidade de Aveiro encontra-se a comemorar, em 2009, os seus 250 anos, coincidindo a data com o Ano Europeu da Inovação e Criatividade.

Tendo em conta que estas comemorações podem ser uma excelente oportunidade para Aveiro celebrar o seu passado e a sua identidade, projectar-se no contexto regional e nacional e afirmar a cultura e criatividade como factores de desenvolvimento e de competitividade urbana, um conjunto de cidadãos entendeu lançar um desafio à comunidade aveirense.

Esse desafio visa estimular os cidadãos e os agentes culturais, sociais e económicos da cidade a organizarem-se para promover um conjunto actividades que valorizem o
programa oficial das comemorações. Pretende-se com esta iniciativa promover os jovens artistas e criativos de Aveiro (do sector da cultura, arte, design, tecnologias,...), dinamizar formas de expressão que privilegiem a animação dos espaços públicos da cidade e estimular a participação dos cidadãos em intervenções criativas nas suas unidades de vizinhaça (ruas, bairros,...).

Nesse sentido, vimos por este meio convidá-los a participar numa reunião pública a realizar no próximo dia 22 Janeiro (quinta-feira), pelas 21h, no Salão Nobre da Associação Comercial de Aveiro, com o objectivo de discutir o programa de actividades a desenvolver no âmbito deste desafio, a que designámos - projecto "250 anos de Aveiro, uma ideia para o futuro".

Por razões de ordem logística, agradecemos a confirmação da vossa presença para o email amigosdavenida@gmail.com .

[Foto: MRF]