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7.1.05

O diabo de Vincent



Segundo post sobre o mesmo livro e autor. Quem é o diabo de Vincent? Não vá o diabo tecê-las!
O Diabo de Jean-Didier Vincent é darwiniano. Encarna a necessidade que nós somos de morrer para viver, de sofrer para ter prazer, de nos confrontarmos com o outro sexo para existirmos. O diabo não é o mal, é o coração da dinâmica vital - aquela onde se defrontam os contrários.
Quem quiser ficar a conhecer um pouco mais este autor e a sua dupla atracção (o diabo, o princípio negativo da vida; a carne, o princípio positivo), leia esta entrevista do LePoint, a propósito do lançamento do seu último livro, Le Coeur des Autres - Biologie de la Compassion.
Viagem comigo!

6.1.05

A carne e o diabo


Paulo de Sousa

O que determina o nosso destino amoroso? O que nos leva à dependência da droga ou ao vício do jogo? O que nos transforma em assassinos em série? Por que desejamos ter poder? Quem controla o que nós somos?
- O diabo. "Se eu não existisse, nada existiria, porque não haveria nada contra o qual se opôr" - fê-lo dizer Fernando Pessoa.
Invenção de um poeta? Talvez não.
Jean-Didier Vincent é um dos mais famosos biólogos do nosso tempo e professor de Neurofisiologia no Instituto Alfred-Fessard. Escreveu La Chair et le Diable onde explora o princípio de oposição, desde a vida animal ao cérebro do homem. Ler este cientista é fazer uma viagem ao conhecimento. Em Portugal não encontrei este livro (tenho o das Éditions Odile Jacob, Paris, 2000) mas encontrei outros, do mesmo autor. Aconselho mesmo. E a linguagem é muito acessível (diz uma socióloga que gosta apenas de ler sobre biologia e neurobiologia). Eis o que encontrei:
- Biologia das Paixões, Ed. Europa-América, Col. Biblioteca Universitária
- A Vida é uma Fábula, Ed. Temas e Debates, 1999
- O que é o Homem?, Ed. ASA (co-autoria com Luc Ferry)
Não há acto sem emoção subjacente e a palavra é o mais apaixonado dos actos. As minhas palavras e os meus gestos, por um lado, os meus prazeres e as minhas dores, por outro, não existem uns sem os outros; eles encontram-se todos nos caminhos do céu e do inferno. (pp 120)