15.1.07

São Gonçalinho II

O prometido nem sempre é de vidro! Voltámos à romaria. As fotos deste ano!


Fotos MRF - Jan 2007

Perfect Lives

Robert Ashley, solo voice; Jill Kroesen and David Van Tieghem, chorus; "Blue" Gene Tyranny, keyboards; David Van Tieghem, non-keyboard percussion; Peter Gordon, music producer; Paul Shorr, soundtrack producer.

Perfect Lives has been called "the most influential music/theater/literary work of the 1980s." At its center is the hypnotic voice of Robert Ashley. His continuous song narrates the events of the story and describes a 1980's update of the mythology of small town America. Perfect Lives is populated with myriad characters revolving around two musicians — "R", the singer of myth and legend, and his friend, Buddy, "The World's Greatest Piano Player". They have come to a small town in the Midwest to entertain at the Perfect Lives Lounge. As Robert Ashley describes in the opera synopsis, "they fall in with two locals to commit the perfect crime, a metaphor for something philosophical: in this case, to remove a sizable about of money from The Bank for one day (and one day only) and let the whole world know that it was missing."

The eloping couple, Ed and Gwyn, the old people at the home, the sheriff and his wife (Will and Ida) who finally unravel the mystery, and Isolde who watches the celebration of the changing of the light at sundown from the doorway of her mother's house are some of the characters who journey through the seven episodes of the opera.

Derived from a colloquial idiom, Perfect Lives transforms familiar material into an elaborate metaphor for the rebirth of the human soul. It has been called a comic opera about reincarnation.

Disc 1:
1. The Park (Privacy Rules) (24:25)
2. The Supermarket (Famous People) (24:53)
3. The Bank (Victimless Crime) (25:03) [excerpt]



Disc 2:
1. The Bar (Differences) (24:48) [excerpt]
2. The Living Room (The Solutions) (25:07)



Disc 3:
1. The Church (After the Fact) (24:44)
2. The Backyard (T'Be Continued) (24:45) [excerpt]





14.1.07

Ricardo III

Os actores Luis Vicente (Ricardo III) e Maria José (Cecily Neville)

ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve
Luís Vicente (Dramaturgia e Encenação)
William Shakespeare (Texto)

Ricardo, Duque de Gloucester, está decidido a ser rei. Para o conseguir começa por assassinar o rei Henrique VI e o filho deste, Eduardo. Depois convence o seu irmão Eduardo, entretanto rei (Eduardo IV), de que o outro irmão de ambos, Clarence, conspira contra ele. Clarence é encarcerado na Torre de Londres onde é morto por uns sicários de Ricardo. Ricardo, entretanto, fez a corte a Ana, viúva de Eduardo, por ele assassinado, e casa-se com ela. Dá a saber da morte de Clarence ao enfermo Eduardo IV que morre não se sabe se de remorso se ás próprias mãos de Ricardo. Na linha de sucessão do trono estão dois meninos, filhos de Eduardo IV, sobrinhos de Ricardo. Com a cumplicidade de Buckingham os meninos são encarcerados e depois assassinados. Ana é também assassinada por Ricardo porque a ele convém casar-se com uma jovem filha de Henrique VI (que ele assassinara). No meio de tumultos e conspirações Buckingham reclama as posses que lhe tinham sido prometidas por Ricardo a troco de o ajudar a conseguir o trono. Ricardo recusa dár-lhas. Buckingham revolta-se... Acima de tudo, o que nos interessa do texto de Shakespeare são os aspectos de contemporaneidade que encontramos no proceder e na governação desse monarca que reinou na Inglaterra do século XV, mais precisamente a sua relação com o Poder. É nisto que reside a actualidade do tema e, consequentemente, a leitura que dele fazemos. Ricardo III será, portanto, um espectáculo iniludível e incontornavelmente político.

Outros tiranos, muitos, poderiam figurar no retrato de Ricardo III, mas, nos dias que correm, salienta Luís Vicente, há um que encaixa perfeitamente na personagem: George W. Bush, o presidente dos Estados Unidos da América. “Como fez notar o Al Pacino (que fez uma encenação muito interessante de Ricardo III), a peça trata essencialmente das relações de poder no seio de uma família de mafiosos. E será que os fundamentalistas não são assim uma espécie de família mafiosa? O Bush não é um fundamentalista? É este o pano de fundo da minha abordagem a Ricardo III.” in Observatório do Algarve

Sim, este Ricardo III, levado a cena pela ACTA, é uma abordagem contemporânea, e não histórica, da peça de Shakespeare. Do figurino à projecção de imagens de guerra (Iraque, Palestina, ...). A encenação envolve o público. Ontem à noite participei na intriga que levou Ricardo III ao trono. Intriga é a palavra chave. E depois os diálogos embebidos de retórica, as coalizões, as tentativas (bem sucedidas) de persuasão, a violência (extrema), os discursos de guerra, os vícios do Príncipe, a permanência do conflito. Ou Contribuições para uma moderna Teoria Política. Shakespeare, em 1592-1593, introduz assim a política no teatro. A política, como tema central. Não mais a relação do homem com o divino. O homem entre os homens e mulheres. O poder. A ambição. Jogos de força. E por fim, a queda. No seu teatro, enfatiza-se o declínio, a morte, dos homens poderosos. Ricardo III caiu. "Meu reino por um cavalo!"

E outros tiranos, cairão?

Meu reino por um cavalo

The Life and Death of Richard the Third

SCENE IV. Another part of the field.

(...)
KING RICHARD III

A horse! a horse! my kingdom for a horse!
...

Este é o Inverno do nosso descontentamento

The Life and Death of Richard the Third

SCENE I. London. A street.

Enter GLOUCESTER, solus

GLOUCESTER

Now is the winter of our discontent
Made glorious summer by this sun of York;
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.
...

13.1.07

São Gonçalinho

Logo no início de Janeiro fico à escuta dos foguetes da festa de São Gonçalinho!

No primeiro ano depois de ter chegado a Aveiro não percebia a origem daqueles estrondos que aconteciam a qualquer hora do dia e da noite. A cidade deveria
jejuar depois do Natal e Ano Novo! Mas um dia fomos à procura da festa. Seguindo o burburinho, chegámos a um bairro em particular, ali nas margens de um dos canais da Ria. À volta da capela de São Gonçalinho, encontrámos as ruas cheias de gente, de luzes e de cores. O que nos surpreendeu foi o ritual mais concorrido: de meia em meia hora, alguém atirava cavacas do varandim da capela e as gentes do bairro, com redes de pesca ou guarda-chuvas, tentavam apanhar o maior número possível desses bolos.

Agora aguardo com expectativa estes dias. Adoro as iluminações especiais, o cheirinho a algodão doce, as bancas a transbordar de doces e brinquedos populares e a disputa pelas cavacas. O ano passado cheguei a assistir a uma cena de murro: "aquela cavaca era minha!" Não foi um espectáculo muito recomendável para as filhas, mas passou rapidamente e acho que elas até gostaram de ver correr tanta adrenalina. Sempre que ouvem um foguete, só querem saber quando é que vão à festa! Acho que sem elas também não tinha tanta piada. Este fim de semana, já sabem, vou passar por lá. O programa promete: no sábado até vem o José Cid. Estão a ver coisa: sai-se do Ricardo III (ainda há muitos bilhetes à venda) e vai-se ouvir José Cid. Esta cidade encanta-me!





Fotos MRF - Jan 2006

12.1.07

A Campanha pelo SIM começa em Aveiro

Cartaz retirado daqui

Palavras em linha

Leiam e não digam nada! Ela tem razão, não vale a pena. Parece que nada vale a pena!

Elisabete Matos

Existem certos nomes que não podemos nem devemos desconhecer, mesmo que já os tenhamos perdido para outros mundos maiores que este nosso rectângulo. Um exemplo óbvio e muitas vezes apontado é o de Paula Rego. Vive em Londres. É nossa, mas também já não o é. Não é que cultive o patriotismo desesperado. Gosto muito daqueles versos de Pessoa em O Infante: Deus quis que a Terra fosse toda uma/ Que o mar unisse, já não separasse. (...) E a orla branca foi/ De ilha em continente/ Clareou correndo até ao fim do mundo/ E viu-se a terra inteira, de repente/ Surgiu redonda do azul profundo. Mas sabem, "falta" mesmo "cumprir-se Portugal".

Elisabete Matos é uma soprano lírica e, dizem os entendidos, é fabulosa! Por cá, quem a conhece, para além dos habitués do São Carlos? Leio na Visão/JL: "Já cantou em palcos tão importantes como o do Scala de Milão ou o do Metropolitan de Nova Iorque. Foi Mimi em La Boheme, Tosca na ópera homónima de Puccini e Dona Elvira em Don Giovanni. Vive há 20 anos em Madrid...". Sei que foi Plácido Domingo quem a lançou na cena internacional. Um amigo mais informado esclareceu-me que ela é capaz de interpretar a Abigaille de Nabucco como poucas. Fê-lo há pouco tempo, na Opera de Toulon.

O seu site está escrito em espanhol mas, pesquisando o calendário de concertos para a época 2006/2007, percebo que não podemos acusá-la de ter esquecido Portugal. Lisboa, Porto, Viseu, têm tido e vão ter a honra de a receber. Parece-me pois que é tempo de todos fixarem o seu nome. Elisabete Matos. Merece salas cheias, bilhetes esgotados, certamente muitos aplausos, o que implica, a priori, a nossa curiosidade.



Ballo in maschera - Verdi
Elisabete Matos & Denis O'Neil

Encantamento II


Fotos MRF