«'Tis the times' plague, when madmen lead the blind.»
Shakespeare, King Lear
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11.1.12
28.1.07
Dois
“Dois” é um espectáculo para dois intérpretes, pensado a partir da ideia de Romeu e Julieta, em que o acessório é apagado, para enfatizar o essencial do encontro entre os dois.O texto, suporte e base da pesquisa do material coreográfico, é recortado e recomposto a partir do texto original recriando-se assim uma nova dramaturgia.
Romeu/Bruno Guillore e Julieta/Joana Bergano, num cenário magnífico-conceptual-um labirinto de João Mendes Ribeiro, com imagens de Pedro Sena Nunes que participam na narrativa. Música seleccionada por Ruy Vieira Nery para nos transportar à época (Falconiero, Monteverdi, Samuel Scheidt,...) mesmo que este encontro pretenda realçar a intemporalidade da peça de Shakespeare. A dramaturgia é de Joana Craveiro.
Difícil resistir ao encanto e entusiasmo de Rui Lopes Graça quando nos explica a coreografia, as opções, a abjecção pela violência em palco, que aos bailarinos fosse dispensado o uso de espadas e baionetas, e então o vídeo com imagens de guerra, a discordância com o suicídio de Julieta e então a vida, sem uma celebração, sem euforia, mas a vida. E a peça é bela___ ma non troppo.
Expressiva ma non troppo. Tocante ma non troppo. O efeito do cenário e da iluminação é perceptível, ma non troppo (só no vídeo com o making of do espectáculo imaginei o que poderia ter sido; o público sentado na plateia apreende o labirinto mas não capta em pleno o efeito visual).
Mesmo assim, belo este Dois.
E no Teatro Aveirense (co-produtor com o Centro Cultural Vila Flor), a sala não encheu, ficou-se pelo "compostinha". Às vezes gosto desta cidade, outras vezes não a percebo.
Romeu/Bruno Guillore e Julieta/Joana Bergano, num cenário magnífico-conceptual-um labirinto de João Mendes Ribeiro, com imagens de Pedro Sena Nunes que participam na narrativa. Música seleccionada por Ruy Vieira Nery para nos transportar à época (Falconiero, Monteverdi, Samuel Scheidt,...) mesmo que este encontro pretenda realçar a intemporalidade da peça de Shakespeare. A dramaturgia é de Joana Craveiro.
Difícil resistir ao encanto e entusiasmo de Rui Lopes Graça quando nos explica a coreografia, as opções, a abjecção pela violência em palco, que aos bailarinos fosse dispensado o uso de espadas e baionetas, e então o vídeo com imagens de guerra, a discordância com o suicídio de Julieta e então a vida, sem uma celebração, sem euforia, mas a vida. E a peça é bela___ ma non troppo.
Expressiva ma non troppo. Tocante ma non troppo. O efeito do cenário e da iluminação é perceptível, ma non troppo (só no vídeo com o making of do espectáculo imaginei o que poderia ter sido; o público sentado na plateia apreende o labirinto mas não capta em pleno o efeito visual).
Mesmo assim, belo este Dois.
E no Teatro Aveirense (co-produtor com o Centro Cultural Vila Flor), a sala não encheu, ficou-se pelo "compostinha". Às vezes gosto desta cidade, outras vezes não a percebo.
14.1.07
Ricardo III
ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve
Luís Vicente (Dramaturgia e Encenação)
William Shakespeare (Texto)
Luís Vicente (Dramaturgia e Encenação)
William Shakespeare (Texto)
Ricardo, Duque de Gloucester, está decidido a ser rei. Para o conseguir começa por assassinar o rei Henrique VI e o filho deste, Eduardo. Depois convence o seu irmão Eduardo, entretanto rei (Eduardo IV), de que o outro irmão de ambos, Clarence, conspira contra ele. Clarence é encarcerado na Torre de Londres onde é morto por uns sicários de Ricardo. Ricardo, entretanto, fez a corte a Ana, viúva de Eduardo, por ele assassinado, e casa-se com ela. Dá a saber da morte de Clarence ao enfermo Eduardo IV que morre não se sabe se de remorso se ás próprias mãos de Ricardo. Na linha de sucessão do trono estão dois meninos, filhos de Eduardo IV, sobrinhos de Ricardo. Com a cumplicidade de Buckingham os meninos são encarcerados e depois assassinados. Ana é também assassinada por Ricardo porque a ele convém casar-se com uma jovem filha de Henrique VI (que ele assassinara). No meio de tumultos e conspirações Buckingham reclama as posses que lhe tinham sido prometidas por Ricardo a troco de o ajudar a conseguir o trono. Ricardo recusa dár-lhas. Buckingham revolta-se... Acima de tudo, o que nos interessa do texto de Shakespeare são os aspectos de contemporaneidade que encontramos no proceder e na governação desse monarca que reinou na Inglaterra do século XV, mais precisamente a sua relação com o Poder. É nisto que reside a actualidade do tema e, consequentemente, a leitura que dele fazemos. Ricardo III será, portanto, um espectáculo iniludível e incontornavelmente político.
Outros tiranos, muitos, poderiam figurar no retrato de Ricardo III, mas, nos dias que correm, salienta Luís Vicente, há um que encaixa perfeitamente na personagem: George W. Bush, o presidente dos Estados Unidos da América. “Como fez notar o Al Pacino (que fez uma encenação muito interessante de Ricardo III), a peça trata essencialmente das relações de poder no seio de uma família de mafiosos. E será que os fundamentalistas não são assim uma espécie de família mafiosa? O Bush não é um fundamentalista? É este o pano de fundo da minha abordagem a Ricardo III.” in Observatório do Algarve
Sim, este Ricardo III, levado a cena pela ACTA, é uma abordagem contemporânea, e não histórica, da peça de Shakespeare. Do figurino à projecção de imagens de guerra (Iraque, Palestina, ...). A encenação envolve o público. Ontem à noite participei na intriga que levou Ricardo III ao trono. Intriga é a palavra chave. E depois os diálogos embebidos de retórica, as coalizões, as tentativas (bem sucedidas) de persuasão, a violência (extrema), os discursos de guerra, os vícios do Príncipe, a permanência do conflito. Ou Contribuições para uma moderna Teoria Política. Shakespeare, em 1592-1593, introduz assim a política no teatro. A política, como tema central. Não mais a relação do homem com o divino. O homem entre os homens e mulheres. O poder. A ambição. Jogos de força. E por fim, a queda. No seu teatro, enfatiza-se o declínio, a morte, dos homens poderosos. Ricardo III caiu. "Meu reino por um cavalo!"
E outros tiranos, cairão?
E outros tiranos, cairão?
Meu reino por um cavalo
The Life and Death of Richard the Third
SCENE IV. Another part of the field.
(...)
KING RICHARD III
A horse! a horse! my kingdom for a horse!
...
SCENE IV. Another part of the field.
(...)
KING RICHARD III
A horse! a horse! my kingdom for a horse!
...
Este é o Inverno do nosso descontentamento
The Life and Death of Richard the Third
SCENE I. London. A street.
Enter GLOUCESTER, solus
GLOUCESTER
Now is the winter of our discontent
Made glorious summer by this sun of York;
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.
...
SCENE I. London. A street.
Enter GLOUCESTER, solus
GLOUCESTER
Now is the winter of our discontent
Made glorious summer by this sun of York;
And all the clouds that lour'd upon our house
In the deep bosom of the ocean buried.
...
29.1.05
Encontro de bloggers VIII

Ralph Fiennes
Lembram-se da música que Luis Bacalov compôs para o filme O Carteiro (Il Postino)? O meu paciente inglês vai recuperar a tempo para, no dia 18, nessa atmosfera musical, nos ler a Ode ao Mar de Pablo Neruda. Até lá, ouçam os Fiennes (também há o Joe) a declamar Shakespeare.
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