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3.12.10

Quién mató a Walter Benjamin...

Após 70 anos, a causa da morte do filósofo alemão Walter Benjamin permanece um mistério. O autor de "A Obra de Arte na Era de sua reprodutibilidade técnica" (WB analisa a sua existência na era da cópia, da fotografia) conseguiu atravessar a fronteira franco-espanhola mas, na cidade catalã de PortBou, ter-se-á suicidado. É possível ver o documentário on line (depois de preencher um formulário simples enviam-nos o endereço e password por email) via: http://www.whokilledwalterbenjamin.com/watch.html



Acabei de ver o documentário. A investigação que realizaram e que fundamenta toda a narrativa, é excelente. A selecção dos entrevistados é primorosa, seja ao nível dos testemunhos da gente de Portbou seja ao nível dos académicos. Encontraram pessoas-chave. Desde Tiedemann a Gary Smith. Apreciei em particular o prof. Stéphane Mosés: um homem douto, sábio, que nos dá o pensamento de Walter Benjamin. De resto, é a única crítica que faço: temos a biografia, naturalmente centrada aqui nos últimos dias da sua existência, mas são poucos os minutos dedicados à sua obra. Este documentário procura ser uma espécie de porta por onde o "Messias" poderia entrar. Conseguiram-no de alguma forma. Em Setembro de 1940, ou hoje, saberíamos desde o princípio quem matou WB: foi a História, num momento de recuo à barbárie. O que é intimidante é que pode sempre acontecer (penso na Bósnia, anos 90, por exemplo). Ouvindo os noticiários deste mundo, todos os dias, somos todos colocados, de certa forma, qual anjo de Klee, na direcção do abismo. É claro, há o riso. que nos distrai e agarra à vida. Mas é bom não perder a consciência. «Quíén mató a Walter Benjamin...» é um alerta pertinente. Um texto de História, no sentido benjaminiano.

28.9.06

O texto é um raio cujo trovão só se ouve muito tempo depois. algumas das tuas palavras também

Marcia Lorenzato


Se olhar para fora, verá em frente uma cerca de cactos. É a maior das redondezas. Repare no tronco, lenhoso até cima. Por aí se vê a idade: cento e cinquenta anos, no mínimo. Era uma noite como a de hoje, só que com luar. Lua cheia. Não sei se o senhor já reparou nos efeitos que a lua produz nestes sítios, como a sua luz parece projectar-se sobre o cenário da nossa vida de todos os dias, mas com a aparência de ser a sua imagem ou réplica.


in Histórias e Contos, de Walter Benjamim, extracto de A Cerca de Cactos, pp70

Para o meu pai.