Após 70 anos, a causa da morte do filósofo alemão Walter Benjamin permanece um mistério. O autor de "A Obra de Arte na Era de sua reprodutibilidade técnica" (WB analisa a sua existência na era da cópia, da fotografia) conseguiu atravessar a fronteira franco-espanhola mas, na cidade catalã de PortBou, ter-se-á suicidado. É possível ver o documentário on line (depois de preencher um formulário simples enviam-nos o endereço e password por email) via: http://www.whokilledwalterbenjamin.com/watch.html
Acabei de ver o documentário. A investigação que realizaram e que fundamenta toda a narrativa, é excelente. A selecção dos entrevistados é primorosa, seja ao nível dos testemunhos da gente de Portbou seja ao nível dos académicos. Encontraram pessoas-chave. Desde Tiedemann a Gary Smith. Apreciei em particular o prof. Stéphane Mosés: um homem douto, sábio, que nos dá o pensamento de Walter Benjamin. De resto, é a única crítica que faço: temos a biografia, naturalmente centrada aqui nos últimos dias da sua existência, mas são poucos os minutos dedicados à sua obra. Este documentário procura ser uma espécie de porta por onde o "Messias" poderia entrar. Conseguiram-no de alguma forma. Em Setembro de 1940, ou hoje, saberíamos desde o princípio quem matou WB: foi a História, num momento de recuo à barbárie. O que é intimidante é que pode sempre acontecer (penso na Bósnia, anos 90, por exemplo). Ouvindo os noticiários deste mundo, todos os dias, somos todos colocados, de certa forma, qual anjo de Klee, na direcção do abismo. É claro, há o riso. que nos distrai e agarra à vida. Mas é bom não perder a consciência. «Quíén mató a Walter Benjamin...» é um alerta pertinente. Um texto de História, no sentido benjaminiano.