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27.5.12

Poesia de autores africanos


Hoje fui à Feira de Velharias que se realiza no quarto domingo de cada mês, em Aveiro. Comprei algumas peças antigas mas o que venho aqui sugerir é novíssimo. Trata-se de uma coleção de livros de poesia de autores africanos, coordenada por Luandino Vieira e editada pela angolana NósSomos. Consegui os livros a preço de venda e vou deixar-vos as coordenadas do alfarrabista. Um dos responsáveis é um jovem que gosta do livro, enquanto objecto, e depois adora lê-los. As conversas não têm fim. Se andarem à procura de qualquer livro, de qualquer autor, ele vai ao armazém (em Lisboa), liga aos seus contactos, e é bem capaz de nos fazer uma surpresa na feira do mês seguinte. É possível encontrá-lo também em Coimbra na Feira de Velharias que, fiquei a saber, se realiza no 4º sábado de cada mês. Em Lisboa, estão neste momento a mudar de instalações.

Contacto: livros1870@yahoo.com

Os autores selecionados, até agora, por Luandino Vieira (ordem aleatória): J.A.S. Lopito Feijóo K., João Melo (de quem conhecia apenas os contos "Imitação de Sartre e Simone de Beauvoir", 1998, e que me surpreendeu porque rompe com as temáticas e ambientes que associava à literatura angolana pós-colonialista), Nok Nogueira, José Luís Mendonça (2 livros), Agostinho Neto, João Maimona, Arnaldo Santos, Zetho Cunha Gonçalves e António Jacinto.

17.12.11

«Não há ninguém que diga mal da Cesária»

Morreu uma diva! Acredito que, em Cabo Verde* e em muitos outros pedaços do mundo, todos sintam que estão de «pés descalços»! 


* Link para um fantástico filme promocional de Cabo Verde

1.10.07

BS #8 ANGÉLIQUE KIDJO

Deixa lá recomeçar a série Banda Sonora. Mais uma mulher, africana, nascida no Benim, Angélique Kidjo. ou como a cultura popular pode desafiar a autoridade e o status quo.
e estabelecer parentescos entre nações.

CONGOLEO


TUMBA


VOODOO CHILD (de JIMI HENDRIX)


Com Henri Salvador, ela canta LE MONDE COMME UN BÉBÉ no álbum Oyaya! Mas fiquei orfã de mp3. Deixo-vos JARDIN D'HIVER de HENRI SALVADOR, para imaginarem a fusão das duas vozes. Sabe a pouco, eu sei, sabe a tanto.



[Arquivo BS do D&C: 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, e continuem a ouvir o Banda Sonora no RCP]

5.9.07

O estado do mundo #2d

... Ou ainda: «a cultura visual da pobreza e da moda» de Zwelethu Mthethwa.




Sem título, 2004



Sem título, da Série Sugar Cane, 2003

O estado do mundo #2c

Outro exemplo são as vitrines-gaiolas de Tracey Rose.



O estado do mundo #2b

Para ilustrar as palavras de Colin Richards sobre as imbricações do humanismo e da violência no trabalho artístico, deixo-vos um link e uma pequena amostra das perfomances do sul-africano Steven Cohen.

4.12.05

Presente para um amigo que faz hoje anos

Olha compadre Rui R., e vai mais um, e nós sem podermos festejar à maneira! Vai daí, decidi oferecer-te um presente virtual para reforçar o abraço telefónico(!). Ora abre...


Já era tempo de desfolharmos um livro assim. A África captada pelo olhar de fotógrafos africanos. ao longo dos tempos. lê os tópicos:

- Introduction of the book
- Specifications of the book
1 - Approaches some keys to understand Africa and African photography
2 - The First Age 1840 - 1930 The pionniers
3 - Portrait photographers 1900 - 1970 The great period of the black and white
4 - The Awakening of a Vision 1960 - 1980 Independances
5 - The Official Agencies 1960 Propagande
6 - Images of reality 1970 - 1990 Independant press
7 - In Search of an Aesthetic 1980 - 1990 photographers artists
8 - Indian Ocean
9 - African Diaspora
10 - Photographers' Biographies, Index
10bis - Bibliography, exhibitions, magazines

Deixo-te algumas fotos hoje (nos posts abaixo).
e nos dias que se seguem também.

B., S. e A. juntam-se a mim para te desejar: Muitos Parabéns!
Rotini Fani-Kayod - Máscara - Nigéria
Drum Magazine - Bob Gosani - África do Sul nos anos 40 antes do apartheid
Abederrame Sakali - Mali
Dorris Haron Kasco - Nua - Costa do Marfim
Philip Kwame Apagya - Gana

18.4.05

Para o baile

E agora Nyamamusango.
Para o Bin. Tinha que ser... porque, como diz o velho provérbio africano, ao baile das aves leva trigo.

14.4.05

Já sonho com Ngorongoro

Continua a troca de correspondência.



Bin, esta foto e texto vão chegar-te via um padre católico de Likoni (que tendo nascido em Goa, fala português), ele decidiu regressar mais cedo a Arusha, não se estava a dar bem com a altitude. Tinhas razão quanto ao espírito de grupo e às amizades que se criam nestas aventuras. O padre Tonino falou-me tanto de Likoni e da sua missão que fiquei com vontade de passar por lá. mesmo se me falou de realidades muito difíceis, a Sida a assomar, gente pobre que é preciso alimentar, a dificuldade que teve para criar um dispensário, e sei lá que mais! Em Likoni há uma comunidade de católicos, penso que no total são 8 mil em cerca de 300 mil habitantes.

Disperso-me. Ou não consigo ainda falar-te da minha própria viagem. Acho que vou demorar algum tempo a digerir tantas emoções e cores e odores e brisas e horizontes sem limite. Cheguei a lamentar não ter optado pela estrada de Marangu (duvidava da minha boa forma física). Mas agora que me aproximo do Pico de Uhuru sinto que a estrada de Machame, o planalto de Shira, Kibo, a floresta, esta subida gradual, até a chuva (pois é, ou não estivéssemos em Abril..., eu pensei que a época das chuvas fosse só em Maio e Novembro!), a neve a 3° graus do equador, o rosto de cada um dos meus companheiros, o de Andwele que não vou nunca esquecer,... tudo isso, bin, eu tinha que viver.

Partilho a tenda com uma inglesa que se chama Gillian, morena e baixinha (julgam sempre que sou eu a inglesa :-) e a Gillian a portuguesa), e ontem estávamos exaustas mas não conseguíamos deixar de falar sobre as imensas coisas que temos vivido nestes dias, recapitulávamos... e depois paramos e as duas tivémos vontade de chorar. mas era um choro bom, eu acho que compreendes.

Amanhã vou fazer a subida pelo "Barranco hut" e não pelo "Arrow Glacier Camp" (conheces?). Medi as minhas forças e as pernas tremem. Temos que aceitar os nossos limites - outra lição de vida ;-)

Penso muito nas horas que se vão seguir. Sinto frio e calor. O Andwele adivinhou estes meus medos secretos - que convivem com o encantamento e a euforia - e, de tempos a tempos, descubro-o a olhar para mim, e então sorri daquela maneira e eu sei que "tudo vai correr bem".

Por ondes andarás agora? Encontramo-nos em que lugar? O "por lá" agora é imenso...

Ngorongoro a seguir... é bom demais!

mas bin, antes do Serengeti, podemos descansar uns dias em Zanzibar? acho que vou precisar de fazer uma pausa na marcha.
ficar deitada na areia.

beijos
Maria
P.S. Ando a ouvir Hukwe Zawose

18.1.05

Mulheres de África


Quem tem um ovo no saco não dança (provérbio africano)

A África Negra produziu ao longo dos anos um número incomensurável de mulheres cantoras. A sua música sempre me perturbou. Isto quer dizer emocionar, impelir à dança, enlevar-se.
Se aqui vou deixar alguns nomes é porque me parece importante quebrar a imagem estereotipada da mulher e da música africanas. das duas. Ouvi-las cantar é atravessar linguagens e romper barreiras culturais.
Mirian Makeba, sul africana, é a Mama África. É uma lenda viva. Nasceu em 1932 e, devido à política de apartheid, passou os seus primeiros seis meses de vida numa prisão com a mãe. A mãe, curandeira, chamou-lhe Zenzi, diminutivo de Uzenzile, que significa "não podes culpar ninguém, a não ser a ti própria".
E Makeba é um exemplo de força. Em 1963 discursou nas Nações Unidas e tornou-se a porta-voz (não oficial) do movimento contra-apartheid, viveu exilada até à eleição de Nelson Mandela, em 1990.
Musicalmente, alcançou renome internacional muito cedo. Com apenas 21 anos tornou-se a vocalista dos Manhattan Brothers. Em 1959 consegue o papel principal em King Kong, um espectáculo da Broadway, e conquista a América. Cantou para o Presidente kennedy no dia do seu aniversário (não foi só a Marilyn Monroe). Trabalhou com Harry Belafonte, participou na digressão de Paul Simon com Graceland. Já actuou nas principais Salas deste mundo. Mirian Makeba é uma diva.
Canta em xhosa, zulu e inglês e o seu espectro musical é amplo, desde a música tradicional africana ao jazz.
As outras cantoras africanas que destaco também conheceram fama internacional. Angélique Kidjo (Benim), Yvone Chaka (África do Sul), Mbilia Bel (Republ. Democrática do Congo). E, é claro, Cesaria Evora, que em Portugal é sobejamente conhecida.
Um outro provérbio africano diz que "Deus soube esconder a nudez do milho sob folhas verdes". Retirem as folhas, uma a uma.