17.12.11

«Não há ninguém que diga mal da Cesária»

Morreu uma diva! Acredito que, em Cabo Verde* e em muitos outros pedaços do mundo, todos sintam que estão de «pés descalços»! 


* Link para um fantástico filme promocional de Cabo Verde

15.12.11

À escuta #116


Fui ver "Melancholia" novamente, desta vez com as minhas filhas. Quando esta imagem apareceu, perguntaram-me se a actriz tinha filhos. Percebi que devo evitar posar nua. Gostaram muito do filme, apesar de ser triste. A Ana acha que a Charlotte Gainsbourg é que deveria ter ganho o Prémio de interpretação feminina em Cannes. A passividade/resignação de Justine/Kirsten Dunst desconcertou-as. Identificaram-se com Claire, que chorou o fim do mundo. No final, resgatamos o (gigantesco) cartaz do filme que, dada a proximidade do Natal, já vai sair de cena! Temos agora a noiva Justine/Ophélia na sala, até melhor ideia surgir...

P.S.: No Discurso-Imagem, uma boa crítica sobre o filme.

12.12.11

Concurso de Natal 2011- Camelos do Presépio

A notícia é perturbadora mas não surpreendente. Na passada semana, Maria e José já haviam alertado sobre a possibilidade de Belchior, Baltasar e Gaspar terem fugido para parte incerta. Os três reis, pressionados no sentido de distribuir mais equitativamente os presentes de Natal e temendo certamente a vaga de tumultos que alastra por todo o Médio Oriente, poderiam não satisfazer a vontade bíblica. Os pais do futuro messias (que se chamará Jesus) transmitiram a sua preocupação aos jornalistas que os acompanham no trajecto em direção a Belém, afirmando: "Sem incenso e mirra passamos bem, mas sem ouro não nos aceitam nem na Cisjordânia!"
Hoje foi divulgada uma fotografia dos reis alegadamente em fuga. Um beduíno terá captado a imagem no sudoeste da Síria, próximo do oásis Palmira, o que poderá indicar que os magos se encaminham para o Irão. O presidente Ahmadinejad já informou a ONU que o seu país dará abrigo a Baltasar, mantendo reservas relativamente a Melchior e Gaspar.

Os camelos do Gaspar e do Baltasar, alegadamente em fuga pelo deserto

Dadas as circunstâncias, tememos que o Concurso Camelos do Presépio, evento de grande significado organizado pel' A Barbearia do Senhor Luís, só possa contar com esta panorâmica traseira e parcial.
Deixo votos de Feliz Natal para o organizador e para todos os concorrentes admitidos, na esperança de que unidos consigam(os), pelo menos, resolver o mistério que a imagem levanta:  onde está o traseiro do camelo do Belchior, também conhecido por Melchior ou Melquior?

11.12.11

Tristes Trópicos revisitados


La idea de retomar la essencia de las fotografías captadas por Lévi-Strauss e incluidas en la celebérrima obra Tristes Trópicos (1955) es, según los autores, plasmar la continuidad de la expresión humana y el intercambio cultural a través del retorno de la fotografía antropológica a Europa. Qué tienen en común los habitantes de un poblado holandés y las tribus nativas del Amazonas estudiadas por Claude Lévi-Strauss durante los años 30? En apariencia ninguna. No obstante, los artistas visuales Laurence Aëgerter y Ronald van Tienhoven se dieron a la tarea de recrear el trabajo fotográfico del etnólogo francés tomando como modelos a personas de la vida cotidiana de Beetsterzwaag, un pequeño pueblo en Holanda de no más de 4,000 habitantes.

©Musée du quai Branly, Foto: Claude Lévi-Strauss/Scala, Florence/ ©Laurence Aëgerter en Ronald van Tienhover

Obras de arte a (re)VER

Em Melancholia, Wagner. No Anticristo, Händel. A música ao serviço do cinema. Ou Manuel Alberto Claro e Anthony Dod Mantle. A fotografia ao serviço do cinema. Em ambos, Heidegger. do sentido do ser. ser que caminha para a morte. O Dasein. A filosofia ao serviço de Lars von Trier.


Melancholia

oh God! oh God! Há imagens neste filme que evocam imagens criadas desde há séculos. que daqui a muitos anos vão evocar novas imagens. este filme tem quelque chose de "para sempre".
Ophelia (1852). John Everett Millais

Um método perigoso


Um bom filme___ ou episódio sobre a vida e obra de Carl Jung (Michael Fassbender), Sigmund Freud (Viggo Mortensen) e Sabina Spielrein (Keira Knightley). Eu veria com agrado os episódios seguintes. Se pensar apenas no que é - um filme - há uma estranheza na narrativa: o clímax acontece a meio! Demoramos a reconhecer David Cronenberg. Mas a ver, no doubts! ´
(ah aquele Viggo Mortensen faz um fantástico Freud! quase esquecemos que o homem é uma sex-bomb. enfim, o Freud ficaria feliz!)

É como diz o outro, pois!

Comédia adapta textos de Frederico Pombares e Henrique Dias da rubrica do programa "5 para a Meia Noite"


Fui ver a peça "É como diz o outro" com Miguel Guilherme e Bruno Nogueira. O Teatro Aveirense (TA) estava com sala cheia. Muito público jovem apesar do preço dos bilhetes (17,5 euros na plateia)! O texto é muito mau. É uma comédia revisteira que usa anedotas de treta, lugares comuns e os palavrões da praxe___ que resultam sempre em extraordinárias gargalhadas. Boa nota para cenário/iluminação. De resto, constrangedor! Admiro o Miguel Guilherme desde há anos. A primeira peça que me recordo de ver quando cheguei a Lisboa, como universitária, era com ele e o João Perry. Foi no Teatro Aberto e chamava-se "Tu e Eu". Fiquei a pensar que os actores, enfim, têm que ganhar a vidinha, e uma peça destas vende bem!

Ontem estive também no TA a ver a Mostra de Cinema Português. Os estudantes podem pagar 4 euros pelo bilhete (5 euros, preço normal). Estavam 6 pessoas na sala. Os 3 filmes eram muito interessantes. O "48" da Susana Sousa Dias é um daqueles documentários que tinham que ser feitos, estranhamos que só agora (2009) alguém registe o testemunho de prisioneiros políticos (1926-1974). "A Felicidade" de Jorge Silva Melo é um instante de sensibilidade em que podemos ver o Fernando Lopes interpretar. E "North Atlantic", o primeiro filme de Bernardo Nascimento, deixou-nos todos silenciosos. O meu amigo Luís Mendes soltou um "tão bonito!" e era isso. Mas o que é belo não se vê. Seis pessoas na sala. Peças-produto de consumo rápido é o que está a dar! Ora merda!

48

O que pode uma fotografia de um rosto revelar sobre um sistema político?
O que pode uma imagem tirada há mais de 35 anos dizer sobre a nossa actualidade?
Partindo de um núcleo de fotografias de cadastro de prisioneiros políticos da ditadura portuguesa (1926-1974), "48" procura mostrar os mecanismos através dos quais um sistema autoritário se tentou auto-perpetuar durante 48 anos. Depois de Natureza Morta - Visages d'une Dictature (filme galardoado a nível internacional e exibido em festivais e mostras em cinco continentes), Susana de Sousa Dias volta a centrar-se na época do Estado Novo, utilizando um dispositivo cinematográfico inovador. Numa altura em que a temática da tortura atinge uma nova actualidade a nível mundial, "48" leva-nos a reflectir sobre o legado português nesta matéria e sobre as suas consequências nos dias de hoje.

9.12.11

Mostra de Cinema Português 9, 13 e 14 Dez.

Começa hoje a mostra de cinema português, iniciativa do Cineclube de Aveiro que___já agora, não convém esquecer___ tem prestado um serviço fantástico à cidade. A seleção dos filmes (a ver todas as segundas, às 22h, no TA) e as diferentes iniciativas rompem com o marasmo e a parolice dominantes! Esta sexta poderemos ver:
- O documentário "48", da realizadora Susana de Sousa Dias, sobre a tortura no Estado Novo, que foi premiado no Festival Internacional do Documentário e Cinema de Animação de Leipzig, na Alemanha (93 min);
- "A Felicidade" com argumento e realização de Jorge Silva Melo. A curta-metragem tem interpretação de Fernando Lopes, Pedro Gil e Miguel Borges, imagem de José Luis Carvalhosa e som de Armanda Carvalho e é uma produção dos Artistas Unidos (8 min);
- "North Atlantic" de Bernardo Nascimento. O filme conta já com diversas distinções, entre as quais a de melhor fotografia no Curtas Vila do Conde, uma menção honrosa em Los Angeles, o prémio do público em Milão, no 27th Warsaw Film Festival (Polónia) e em Katowice (Polónia), e o de melhor actor em Tóquio (15 min).