
17.10.07
Che #5

16.10.07
Hoje
Teóricas &
Sentimentais
pelo GATO LEGÍVEL
PERFORMANCE LITERÁRIA
22h no auditório do mercado negro. entrada livre
pode ler-se a fumar mas antes para mário que para tabaco. cesariny de vasconcelos ou rossi nos dias mais felizes.
a rima. o metro. o vinco na calça do marinheiro quando o bairro alto ainda subia para o céu.
uma homenagem lamechas daquelas que se fazem aos mortos. estupidamente honesta apesar da circunstância.
15.10.07
Economia sexual #3















«As pulsões pré-genitais são, por natureza, auto-eróticas, quer dizer associais; o instinto de destruição e o seu corolário erótico, o sadismo, são anti-sociais. Inserido à força na comunidade social, o indivíduo tem que renunciar aos seus próprios objectivos instintivos e aplicar as correspondentes energias (por amor ao objecto amado ou devido à coacção da educação) em objectivos importantes para a sociedade e para a civilização. Freud chamou a esse processo "sublimação".» pp. 113
«Temos que admitir que a deformação no amor tem um papel preponderante no desenvolvimento da crueldade, tanto no indivíduo como nas massas. A brutalidade da Guerra Mundial (e talvez mesmo a Guerra Mundial em si) não teria sido possível se a sede de poder de um punhado de dirigentes não tivesse encontrado qualquer eco na crueldade latente dos indivíduos. (...) Freud conseguiu explicar o entusiasmo bélico: a guerra significa a libertação colectiva dos recalcamentos e em particular das pulsões sexuais, com a autorização do pai, idealizado na pessoa do imperador; pode-se finalmente matar sem sentimento de culpabilidade.» pp. 91
«A sociologia não conseguiu dizer-nos ainda porque razão as massas se deixam submeter por alguns indivíduos. Nas condições de vida a que as massas foram submetidas até estes últimos anos (e muitas vezes hoje em dia), se os indivíduos tivessem sido submetidos às mesmas restrições sexuais das classes dominantes, não teriam faltado revoltas caóticas. Esta docilidade psíquica relativa das massas (...) é mais uma vez imputável, entre outras coisas, à liberdade relativa da genitalidade, porque a sua satisfação retira energia às pulsões sádicas. Evidentemente, quando a brutalidade de um indivíduo acorda, é muito mais primitiva e irreflectida do que nas classes dirigentes, porque lhes falta a fachada e a máscara do civismo.» pp. 93-94
«Consequentemente, todos os que pregam o ascetismo em nome de ideologias culturais ou religiosas e com isso só conseguem resultados opostos, andariam melhor, no seu próprio interesse, se dessem a sua colaboração ao desenvolvimento da sexualidade sensual e física; quer dizer, se se deixassem de "depreciar a vida amorosa" (Freud) e substituíssem o slogan Civilização ou Sensualidade por outro: Civilização na Sensualidade. Quando a civilização for uma sublimação e não já uma grande neurose colectiva, tudo o resto deveria vir por si.» pp. 117-118
in Psicopatologia e Sociologia da Vida Sexual (Die Funktion des Orgasmus), de Wilhelm Reich, Publicações Escorpião, Colecção editor/contraditor 6, Porto, Junho 2007
(Imagens via)
Economia Sexual #2

Em 1927 ingressa no Partido Comunista austríaco. Em 1928 funda, em Viena, a Sociedade Socialista de Informação e Investigação Sexuais - e cria numerosos "dispensários de higiéne mental". No ano seguinte cria "centros de higiéne sexual" que terão grande afluência de pessoas ansiosas por conhecer o novo conceito de sexo.
Em 1931, já estabelecido em Berlim, funda a SEXPOL (Associação para uma política sexual proletária) - esta expande-se rapidamente, em dois anos tem 40000 membros e ramificações em todos os centros industriais do país. Reich concilia as descobertas de Freud com a praxis revolucionária, lutando pela emancipação económica e política do proletariado e, ao mesmo tempo, pela sua "libertação sexual".
Tanto êxito causará alarme ao Comité Central do P.C. alemão que tenta neutralizá-lo oferecendo-lhe um cargo - que recusa - num comité político. Em 1932, com o objectivo de se libertar de qualquer tutela ou pressão, funda a sua própria editora - Edições de Política Sexual, que logo instalará em Copenhaga com o nome Sexpol-Verlag. Em Outubro, o diário das Juventudes Comunistas, Roger Sport, toma oficialmente partido contra Wilhelm Reich, proibindo a difusão dos seus textos. Eis alguns dos opúsculos banidos: «O triângulo de giz - revelação dos segredos adultos» (destinado às crianças), «Quando o teu filho te interroga» (destinado aos pais).

Mas é ainda em 1932 que publica alguns dos seus artigos e livros mais polémicos: «O carácter maso-quista», em que critica a interpretação freudiana do masoquismo, foi publicado numa revista dirigida__ por Freud; «O combate sexual da juventude»; «A irrupção da moral sexual - história da economia sexual».
A chegada ao poder dos nazis obriga-o a fugir da Alemanha. Primeiro refugia-se em Viena mas até Freud o evita por ser comunista e por ter usado a psicanálise "com fins alheios à sua essência". Instala-se em Copenhaga mas é instado a abandonar a Dinamarca (é um agente provocador para o Comité do P.C. e um indesejável revolucionário para as forças de direita). É expulso do P.C. Alemão, ao mesmo tempo que o regime hitleriano inscreve no seu Índice de livros «O combate sexual da juventude».
Em 1934 vai para a Suécia mas também será obrigado a abandonar o país. Estabelece-se em Oslo, onde residirá cinco anos (inicialmente com o pseudónimo de Peter Setein), e em cuja universidade se entrega aos estudos da biogénese.

Em 1939 aceita o convite de Theodore P. Wolfe, porta-voz da Sociedade Americana de Medicina psicanalítica, e muda-se para os EUA. Trabalha como professor da New School for Social Research de Nova Iorque (até 1941). Aprofunda as suas pesquisas biofísicas, descobre o órgon cósmico. Em 1942 cria o seu laboratório Orgone Institute e funda o «International Journal of Sex-Economy and Orgone Research». Constrói uma cosmogonia baseada no órgan, espécie de cosmos de energia vital. Lança no mercado uns acumuladores de orgones destinados a abrir caminhos no diagnóstico e terapêutica da maioria das doenças funcionais («biopatias»), incluindo o cancro.
Consagra os últimos 23 anos da sua vida a este projecto científico. Progressivamente renuncia ao ideal revolucionário marxista. Em 1946 é editada nos EUA «A Psicologia de massa do fascismo», profundamente modificada pelo autor, com uma crítica às teses leninistas de «O Estado e a Revolução» e com uma análise do capitalismo de Estado soviético como antípoda da verdadeira democracia do trabalho socialista.
Em 1954, a Federal Food and Drug Administration, apoiando-se nas leis federais sobre a venda de objectos terapêuticos, instruiu-lhe um processo, de evidente cariz político e que se insere na recém-iniciada «caça às bruxas» de MacCarthy. Reich não se apresenta no julgamento (alegando que só responderá diante de cientistas) e é condenado a cessar todas as suas actividades médicas, além de que todos os seus livros são proibidos. A 11 de Março é preso na penitenciária federal de Lewisburg, na Pensilvânia. A 3 de Novembro morre naquela penitenciária com um enfarte.
Ler mais:
Psicopatologia e Sociologia da Vida Sexual (Die Funktion des Orgasmus), de Wilhelm Reich, Publicações Escorpião, Colecção editor/contraditor 6, Porto, Junho 2007
ISSN 1678-9792, uma publicação do Departamento Reichiano do Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo SP
Economia Sexual #1
Segundo Wilhelm Reich, o termo «economia sexual» refere-se ao modo de regulação da energia sexual do indivíduo. A economia sexual designa a forma por que um indivíduo utiliza a sua líbido. Os factores que determinam o modo de regulação são de natureza psicológica, sociológica e biológica.
Mais tarde (1932), Reich insistirá na ligação entre a economia sexual individual e a economia sexual estabelecida pela sociedade, isto é, «a forma como a sociedade regula, encoraja, ou trava a satisfação da necessidade sexual» e designará também pelo nome de «economia sexual» a disciplina que estuda esta ligação.
(É preciso dizer que a partir de 1939, a economia sexual passou a assumir um sentido nitidamente biológico para Reich, devido à pretensa evidência experimental do órgon)(tantas perseguições, do Partido Comunista, da Alemanha Nazi, dos EUA MacCarthista) acabaram por iluminar o autor de «Escuta, Zé Ninguém» mas também perturbar o "pai" do conceito de «economia sexual»)
14.10.07
Do domínio da luta #n

When i'm drivin' in my car
And that man comes on the radio
He's tellin' me more and more
About some useless information
Supposed to fire my imagination
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what i say
(...)
I can't get no satisfaction
I can't get no girl reaction
'cause i try and i try and i try and i try
I can't get no, i can't get no
When i'm ridin' round the world
And i'm doin' this and i'm signing that
And i'm tryin' to make some girl
Who tells me baby better come back later next week
'cause you see i'm on losing streak
I can't get no, oh no no no
Hey hey hey, that's what i say
I'm kidding, mas a ficção, ou uma simples canção, traduzem tão claramente o estado do mundo.
[Psst, se o marxismo nasceu da Revolução Industrial, como é que os marxistas não sabem ou esqueceram que os avanços tecnológicos têm consequências ideológicas? O fenómeno da globalização e a revolução tecnológica em curso, com a emergência e extensão do ciberespaço, têm sido esquecidos por essa gente? Não percebi o comentário, talvez por não ser marxista. Mas estarei a ser voluntarista?]
Foto: Melvin Sokolsky
13.10.07
E se. o Exterminador em Fátima?
Fátima. 1917. A Primeira Guerra Mundial ainda não terminara. O irmão mais velho de Francisco e Jacinta, Manuel, é recrutado e enviado para Cabo Verde, o que para as crianças e os seus pais é a guerra na mesma. O Exterminador aparece. Conseguirá impedir Manuel de partir? Chegará apenas depois das aparições? Carregará a Virgem nos braços temendo uma queda da árvore ou fulminará todas as azinheiras? Apoia ou elimina os republicanos anti-clericais? Persegue as fileiras católicas, aumentando as cisões? Ou limita-se a desintegrar os três pastorinhos?
O que sei é que tudo seria diferente. e melhor!
12.10.07
Rui Matos
O meu mais velho-jovem amigo amante das artes andou por aqui e ontem apareceu-me com um cd das obras do escultor Rui Matos. Esculturas brancas dos anos 90, de 2000, esculturas em ardósia, esculturas em gesso-bronze, esculturas públicas. Olhares de um escultor ao longo do tempo. Materiais de paixão, abandonos, recomeços (a ardósia). Deixei-me afundar nos contrastes, nas formas, perspectivas, torcidas, rígidas, nos seios, umbigos - muitos, troncos, provocações. Até Novembro Rui Matos expõe na Galeria Asthobler e o que vou eu sentir quando lá chegar! Vou reconhecer ou perceber um engano? Como com as pessoas. Ao vivo, sabemos que respiram outro ar, revelam facetas, um perfil diferente. Logo vos direi o resultado deste open-blind date.
Vidraça de ataíja, no. rm032007
30 x 30 x 15 cm
BS #10
Chambre Avec Vue, Perfomances (que inclui Jardin d'Hiver), Ma chère est Tendre, Révérences são os últimos álbuns. Álbuns de 2000, 2002, 2003 e 2006. Henri tem quase cem anos. Jacqueline Garabedian esteve a seu lado durante vinte e seis anos. Henri ri e chora muito também. Quando o ouvimos cantar Avec le Temps (de Léo Ferré) pensamos na morte de Jacqueline e em todas as "nossas" mortes. Petit Fleur/Bonjour Sourire é assim uma coisa quase coquette, não é o Henri Salvador que ouço normalmente. Mas (também) faz parte da sua longa história.

HENRI SALVADOR
Si les fleurs
Qui bordent les chemins
Se fanaient toutes demain
Je garderais au cœur
Celle qui
S'allumait dans tes yeux
Lorsque je t'aimais tant
Au pays merveilleux
De nos seize printemps
Petite fleur d'amour
Tu fleuriras toujours
Pour moi
Quand la vie
Par moment me trahit
Tu restes mon bonheur
Petite fleur
Sur mes vingt ans
Je m'arrête un moment
Pour respirer
Ce parfum que j'ai tant aimé
Dans mon cœur
Tu fleuriras toujours
Au grand jardin d'amour
Petite fleur...
Dans mon cœur
Tu fleuriras toujours
Au grand jardin d'amour
Petite fleur...
11.10.07
Cuidado

Serão conferencistas:
TERESA CASCUDO – musicóloga e crítica musical
ANA MARIA FÉRRIN – jornalista e escritora (biógrafa de Gaudí)
Música ao vivo com:
JOSÉ CARLOS ARAÚJO – Órgão
PAULO GAIO LIMA – Violoncelista
PAULO PACHECO – Pianista
Apoio da ANTENA 2 e Instituto CERVANTES
Entrada livre
Em virtude do deficiente estado em que se encontra o SALÃO NOBRE que há 62 anos não tem tido quaisquer obras de conservação, por iniciativa do Movimento FORUM CIDADANIA LX encontra-se a circular na Internet uma petição dirigida aos Senhores: Presidente da República Portuguesa, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Ministra da Educação, Ministra da Cultura e Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, pedindo a urgente intervenção a fim de evitar a sua perda total. Pode subscrever a petição aqui.
[Convite/Mensagem de Virgílio Marques, autor do blogue “Guilhermina Suggia” e criador/fundador da Associação Guilhermina Suggia]
