Sings friedrich hollaender
"Gesetz dem Fall" (o just suppose)
You know and I know you know
and you know I know you know
all that we both need to know
and we've known it all along
and since we both know
neither one will say "no"
Tell me what is it going to take to turn
knowing into a "yes"
ou
My day is gray,
your day is gray
Let us go together!
We both want to hold hands us
And we understand so right!
Arquivo: Ute Lemper I
28.1.07
Dois
“Dois” é um espectáculo para dois intérpretes, pensado a partir da ideia de Romeu e Julieta, em que o acessório é apagado, para enfatizar o essencial do encontro entre os dois.O texto, suporte e base da pesquisa do material coreográfico, é recortado e recomposto a partir do texto original recriando-se assim uma nova dramaturgia.
Romeu/Bruno Guillore e Julieta/Joana Bergano, num cenário magnífico-conceptual-um labirinto de João Mendes Ribeiro, com imagens de Pedro Sena Nunes que participam na narrativa. Música seleccionada por Ruy Vieira Nery para nos transportar à época (Falconiero, Monteverdi, Samuel Scheidt,...) mesmo que este encontro pretenda realçar a intemporalidade da peça de Shakespeare. A dramaturgia é de Joana Craveiro.
Difícil resistir ao encanto e entusiasmo de Rui Lopes Graça quando nos explica a coreografia, as opções, a abjecção pela violência em palco, que aos bailarinos fosse dispensado o uso de espadas e baionetas, e então o vídeo com imagens de guerra, a discordância com o suicídio de Julieta e então a vida, sem uma celebração, sem euforia, mas a vida. E a peça é bela___ ma non troppo.
Expressiva ma non troppo. Tocante ma non troppo. O efeito do cenário e da iluminação é perceptível, ma non troppo (só no vídeo com o making of do espectáculo imaginei o que poderia ter sido; o público sentado na plateia apreende o labirinto mas não capta em pleno o efeito visual).
Mesmo assim, belo este Dois.
E no Teatro Aveirense (co-produtor com o Centro Cultural Vila Flor), a sala não encheu, ficou-se pelo "compostinha". Às vezes gosto desta cidade, outras vezes não a percebo.
Romeu/Bruno Guillore e Julieta/Joana Bergano, num cenário magnífico-conceptual-um labirinto de João Mendes Ribeiro, com imagens de Pedro Sena Nunes que participam na narrativa. Música seleccionada por Ruy Vieira Nery para nos transportar à época (Falconiero, Monteverdi, Samuel Scheidt,...) mesmo que este encontro pretenda realçar a intemporalidade da peça de Shakespeare. A dramaturgia é de Joana Craveiro.
Difícil resistir ao encanto e entusiasmo de Rui Lopes Graça quando nos explica a coreografia, as opções, a abjecção pela violência em palco, que aos bailarinos fosse dispensado o uso de espadas e baionetas, e então o vídeo com imagens de guerra, a discordância com o suicídio de Julieta e então a vida, sem uma celebração, sem euforia, mas a vida. E a peça é bela___ ma non troppo.
Expressiva ma non troppo. Tocante ma non troppo. O efeito do cenário e da iluminação é perceptível, ma non troppo (só no vídeo com o making of do espectáculo imaginei o que poderia ter sido; o público sentado na plateia apreende o labirinto mas não capta em pleno o efeito visual).
Mesmo assim, belo este Dois.
E no Teatro Aveirense (co-produtor com o Centro Cultural Vila Flor), a sala não encheu, ficou-se pelo "compostinha". Às vezes gosto desta cidade, outras vezes não a percebo.
27.1.07
Mkt do livro #4
A literatura não se confunde com os sinais exteriores de literatura. Um escritor não são "500 000 livros vendidos", "traduzido em mais de 20 línguas", ou "vai já na 7 edição".
Mas quantos livros não precisam de um sinal exterior apelativo para que mais leitores o descubram? A promoção dos bons livros é uma prioridade, e não pode ser exclusiva dos best sellers intraduzidos [intradução: importação literária sob a forma de tradução].
Mas quantos livros não precisam de um sinal exterior apelativo para que mais leitores o descubram? A promoção dos bons livros é uma prioridade, e não pode ser exclusiva dos best sellers intraduzidos [intradução: importação literária sob a forma de tradução].
26.1.07
Mkt do livro #3
O posicionamento no mercado e a imagem do editor de livros são também condicionados por todo o mix do produto (preço, qualidade gráfica, etc.), circuitos de distribuição e comunicação.
Centro-me agora no domínio da comunicação. Temos assistido nos últimos tempos a algumas inovações. A massificação do acesso à internet gerou novas oportunidades. Os sites das editoras estão mais activos, e algumas (novas, independentes) passaram a usá-lo como canal privilegiado de vendas. A blogosfera, através da pré-publicação de obras - a estreia aconteceu via Abrupto, o Miniscente tem agora uma rubrica regular - participa também nessa mudança. Cada um de nós, bloggers, é ou pode ser, também, um novo agente cultural ao serviço do livro (com o interesse e os riscos todos que daí possam advir).
Mas as estratégias de comunicação são normalmente fracas e pouco originais. Procura fazer-se notícia das sessões de apresentação do livro, tarefa mais ou menos facilitada segundo o grau de notoriedade e imagem do autor, o seu capital social, ou seja, a estatuta mediática dos seus amigos, nomeadamente o apresentador da obra. Trabalha-se para e aguarda-se a saída das notas e críticas nos media, em particular na imprensa escrita. Multiplicam-se sessões de autógrafos. Pontualmente arrisca-se o investimento em publicidade directa. Mas sobretudo, diz-se, se o livro é bom, vende por si. O boca a orelha faz o sucesso. Depois, os prémios, a presença em feiras internacionais, enfim, a consagração.
Os preconceitos associados à promoção do livro são imensos. Um bom escritor não precisa de ir à televisão. Os escritores não fazem grandes audiências televisivas. Os escritores são uns chatos. Um livro não é uma mercadoria, pelo que um marketing agressivo pode até gerar um efeito perverso e "desqualificar" uma obra. Quem aposta no marketing não aposta na arte da escrita. O marketing é para a literatura light. São imensas as nossas verdades absolutas.
Em França, país onde vivi alguns anos, os escritores já consagrados, os novos escritores que são ou talvez venham a ser bons, eram presença constante nos écrans televisivos, eram convidados para programas que passavam no horário nobre. O lançamento de um livro era notícia e, se casos como o interesse suscitado por "A vida sexual de Catherine M." de Catherine Millet, não abonam a favor do critério, a verdade é que raramente assisti a debates sobre livros polémicos sem enquadramento da obra, ou sem uma contra-argumentação objectiva. O escândalo pelo escândalo, apoiado em fotos e breves citações, não servia editores de jornais.
Nas rentrées litteraires do Outono, em que, em média, mais de 500 livros são lançados todos os anos, editores e autores batem-se por um lugar de destaque nos media. O lançamento de um novo livro de Michel Houllebecq, um dos melhores escritores da actualidade, é sempre acompanhado de uma enorme (e distinta) polémica. No seu caso há quem fale de "marketing da abjecção". Mas não é preciso chegar a tanto. Os prémios literários e suas novelas são seguidos com expectativa, os media suscitam e jogam com o interesse do público.
Por cá, é o marasmo.
Sem complexos, sem medo de que a publicidade seja mais interessante do que o livro, eu gostaria de assistir a lançamentos mais criativos.
Centro-me agora no domínio da comunicação. Temos assistido nos últimos tempos a algumas inovações. A massificação do acesso à internet gerou novas oportunidades. Os sites das editoras estão mais activos, e algumas (novas, independentes) passaram a usá-lo como canal privilegiado de vendas. A blogosfera, através da pré-publicação de obras - a estreia aconteceu via Abrupto, o Miniscente tem agora uma rubrica regular - participa também nessa mudança. Cada um de nós, bloggers, é ou pode ser, também, um novo agente cultural ao serviço do livro (com o interesse e os riscos todos que daí possam advir).
Mas as estratégias de comunicação são normalmente fracas e pouco originais. Procura fazer-se notícia das sessões de apresentação do livro, tarefa mais ou menos facilitada segundo o grau de notoriedade e imagem do autor, o seu capital social, ou seja, a estatuta mediática dos seus amigos, nomeadamente o apresentador da obra. Trabalha-se para e aguarda-se a saída das notas e críticas nos media, em particular na imprensa escrita. Multiplicam-se sessões de autógrafos. Pontualmente arrisca-se o investimento em publicidade directa. Mas sobretudo, diz-se, se o livro é bom, vende por si. O boca a orelha faz o sucesso. Depois, os prémios, a presença em feiras internacionais, enfim, a consagração.
Os preconceitos associados à promoção do livro são imensos. Um bom escritor não precisa de ir à televisão. Os escritores não fazem grandes audiências televisivas. Os escritores são uns chatos. Um livro não é uma mercadoria, pelo que um marketing agressivo pode até gerar um efeito perverso e "desqualificar" uma obra. Quem aposta no marketing não aposta na arte da escrita. O marketing é para a literatura light. São imensas as nossas verdades absolutas.
Em França, país onde vivi alguns anos, os escritores já consagrados, os novos escritores que são ou talvez venham a ser bons, eram presença constante nos écrans televisivos, eram convidados para programas que passavam no horário nobre. O lançamento de um livro era notícia e, se casos como o interesse suscitado por "A vida sexual de Catherine M." de Catherine Millet, não abonam a favor do critério, a verdade é que raramente assisti a debates sobre livros polémicos sem enquadramento da obra, ou sem uma contra-argumentação objectiva. O escândalo pelo escândalo, apoiado em fotos e breves citações, não servia editores de jornais.
Nas rentrées litteraires do Outono, em que, em média, mais de 500 livros são lançados todos os anos, editores e autores batem-se por um lugar de destaque nos media. O lançamento de um novo livro de Michel Houllebecq, um dos melhores escritores da actualidade, é sempre acompanhado de uma enorme (e distinta) polémica. No seu caso há quem fale de "marketing da abjecção". Mas não é preciso chegar a tanto. Os prémios literários e suas novelas são seguidos com expectativa, os media suscitam e jogam com o interesse do público.
Por cá, é o marasmo.
Sem complexos, sem medo de que a publicidade seja mais interessante do que o livro, eu gostaria de assistir a lançamentos mais criativos.
A recusa dos carniceiros #3
"Ano em que o sr. Théodore Taunay publica, no Rio de Janeiro, Idilles Brésiliennes, escrito em versos latinos; e o sr. Wilhelm von Humboldt, conhecido filólogo alemão, apresenta, ao ensejo de seus estudos sobre a antiga língua dos javaneses, interessantes conclusões sobre a heterogeneidade da linguagem e sua influência no desenvolvimento intelectual da humanidade; segundo o conhecido autor de Prufung der Untersuchungen uber die Urbewohner Hispaniens vermittelst der vaskischen Sprache, o homem passou a andar erecto para poder falar melhor, pois com a face voltada para o solo não podia emitir as palavras com a necessária clareza.
Provavelmente nem todos os deputados conhecem essa original teoria do sábio alemão, mas, conscientes de que postando-se curvados como certos macacos suas vozes não seriam ouvidas com nitidez, sempre se põem de pé para fazer seus discuros. De pé, portanto, e estendendo à frente um dos braços, como, se assim ajudasse a transmitir os sons emitidos por seu aparelho fonator pelo inteiro recinto da Câmara, Paula Calvalcanti fala pausadamente: "Tem-se dito em geral: a sociedade não tem o direito de impor a pena de morte; mas também qualquer homem não deposita na sociedade o direito de o prenderem, e a sociedade toma esse poder. (...) Não duvido que o sentimento de humanidade exigisse a extinção da pena de morte; mas o poderemos nós fazer no Brasil, com costumes tão bárbaros?(...)"."
Provavelmente nem todos os deputados conhecem essa original teoria do sábio alemão, mas, conscientes de que postando-se curvados como certos macacos suas vozes não seriam ouvidas com nitidez, sempre se põem de pé para fazer seus discuros. De pé, portanto, e estendendo à frente um dos braços, como, se assim ajudasse a transmitir os sons emitidos por seu aparelho fonator pelo inteiro recinto da Câmara, Paula Calvalcanti fala pausadamente: "Tem-se dito em geral: a sociedade não tem o direito de impor a pena de morte; mas também qualquer homem não deposita na sociedade o direito de o prenderem, e a sociedade toma esse poder. (...) Não duvido que o sentimento de humanidade exigisse a extinção da pena de morte; mas o poderemos nós fazer no Brasil, com costumes tão bárbaros?(...)"."
Extracto de A recusa dos carniceiros, in Romance Negro e Outras Histórias, de Rubem Fonseca
Ed. Campo das Letras, pp 136-137
Ed. Campo das Letras, pp 136-137
25.1.07
Mkt do livro #2
Talvez a edição-como-uma-arte implique, nos tempos que correm, conciliar o saber dos Gallimard ou Feltrinelli do século passado com o domínio da Teoria dos Jogos de John Forbes Nash. Como encontrar um ponto de equilíbrio em jogos de estratégias para múltiplos jogadores!
Mas não compliquemos. Fixemos o objectivo de um simples e sólido catálogo de autores em que se equilibrem as duas necessidades, qualidade-arte e sustentabilidade económica. E que o esforço diligente e minucioso de selecção de obras, apoiado num imenso sentido de missão, a que não pode deixar de se acrescentar uma distintiva qualidade, produzam um posicionamento diferenciado no mercado. Para sobreviver, o lema: unrest in peace. E o editor (os editores) seja premiado pelos leitores com a sua preferência. Isto é bom marketing. e não polui.
Mas não compliquemos. Fixemos o objectivo de um simples e sólido catálogo de autores em que se equilibrem as duas necessidades, qualidade-arte e sustentabilidade económica. E que o esforço diligente e minucioso de selecção de obras, apoiado num imenso sentido de missão, a que não pode deixar de se acrescentar uma distintiva qualidade, produzam um posicionamento diferenciado no mercado. Para sobreviver, o lema: unrest in peace. E o editor (os editores) seja premiado pelos leitores com a sua preferência. Isto é bom marketing. e não polui.
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