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22.5.09

Poemas no cinema


David, em The Reader (Stephen Daldry, 2009), Michael Berg (Ralph Fiennes) lê para o gravador «The Odyssey by Homer». Escutamos os primeiros versos na cela de Hanna Schmitz (Kate Winslet):

Sing to me of the man, Muse, the man of twists and turns
driven time and again off course, once he had plundered
the hallowed heights of Troy.


Mas há mais...
Como elogio fúnebre, gosto muito do «Funeral Blues» de W. H. Auden, poema lido em Quatro Casamentos e Um Funeral (Mike Newell, 1994). Mas este já está na tua lista. Lembrei-me então de outra morte na tela. em África Minha (Sydney Pollack, 1985). e daquela cena que nos faz chorar até às lágrimas (esta expressão é estranha...). Karen Blixen (Meryl Streep) lê de pé, sobre a sepultura de Finch Hatton (Robert Redford), um poema. Este:

XIX - To An Athlete Dying Young

The time you won your town the race
We chaired you through the market-place;
Man and boy stood cheering by,
And home we brought you shoulder-high.

To-day, the road all runners come,
Shoulder-high we bring you home,
And set you at your threshold down,
Townsman of a stiller town.

Smart lad, to slip betimes away
From fields where glory does not stay,
And early though the laurel grows
It withers quicker than the rose.

Eyes the shady night has shut
Cannot see the record cut,
And silence sounds no worse than cheers
After earth has stopped the ears:

Now you will not swell the rout
Of lads that wore their honours out,
Runners whom renown outran
And the name died before the man.

So set, before the echoes fade,
The fleet foot on the sill of shade,
And hold to the low lintel up
The still-defended challenge-cup.

And round that early-laurelled head
Will flock to gaze the strengthless dead,
And find unwithered on its curls
The garland briefer than a girl's.

O livro que Karen abre é A Shropshire Lad (1896) do poeta inglês Alfred Edward Housman. A obra é composta por 63 poemas. Finch Hatton tinha a alma do XIX.

28.5.08

Sidney Pollack

No primeiro dia (1965) realizou THE SLENDER THREAD e viu que era bom...


No segundo dia (1969), depois de They shoot horses don't they?, eu vi que ele era bom ("Os Cavalos também se abatem", de Horace Mc.Coy, foi um livro de culto para mim na adolescência e acho que descobri Sidney Pollack com este filme).


Ao sétimo dia (2006) não descansou. Criou Sketches of Frank Gehry e continuava a ser bom...


Fiquei surpreendida quando soube que no próximo dia 1 de Julho faria 74 anos. Pollack não tinha idade. Não sei em que dia poderá descansar. Porque vai continuar a ser imortal durante muitos e longos anos.
Sidney Pollack 1934-2008


Sydney Pollack: 25 Career Milestones

4.5.05

A Intérprete


A Intérprete

Acabo de ver o último filme de Sidney Pollack com Nicole Kidman, Sean Penn e o próprio Sidney Pollack, entre centenas de outros actores e figurantes e duplos e tudo aquilo a que uma grande produção tem direito... como obter autorização para filmar pela primeira vez dentro do edifício da ONU em Nova Iorque. E é claro que gostei do trabalho dos actores, da realização, do cenário, do tema - que é interessante e actual. Mas odiei o filme! Se alguém quiser nos próximos tempos nomear o estereótipo de um filme à americana, pode dizer "A Intérprete". O argumento é absolutamente, completamente, totalmente, insuportavelmente politicamente correcto e conveniente, sobretudo neste reinado Bushiano. Meu querido Sean Penn, se querias mandar algum recado, saiu-te o tiro pela culatra, puseste o teu talento ao serviço do tal sistema. As Nações Unidas deveriam poder assumir o papel a que a boazinha Silvia Broome/Nicole Kidman aspira, mas não sejamos inocentes... E o Tribunal Penal de Haia não existe apenas para julgar ditadores africanos...

E depois, os personagens são tão infelizes mas tão infelizes que dificilmente poderiam ser mais infelizes. Tobin perdeu a mulher que amava há poucos dias, Silvia perdeu todos os familiares. E o que é fantástico, é claro, é que a julgar pelo aspecto dos dois, ninguém diria!

É um filme com uma fórmula tão certinha que chateia. No final, oh meu caro Sidney Pollack, eles bem que se podiam ter beijado. Sempre saíamos da sala mais bem dispostos! Porque essa moda actual de happy endings sem sexo, só para não termos uma full house de happy end, e não dizermos que os filmes americanos são sempre a mesma coisa, é um disparate. Porque os filmes americanos não são sempre a mesma coisa, há uns muito bons (e Pollack entra no grupo de realizadores cujo mérito é indiscutível) e outros muito maus. Mas este filme, que poderia ter sido muito bom, é um desperdício de 80 milhões de US dólares!
(... mesmo se chegou ao primeiro lugar no ranking de bilheteiras dos EUA)