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27.11.09

Mishima

Já foi há muito tempo. li o livro certo para a idade que tinha, O Tumulto das Ondas. mais tarde vieram os outros livros de Mishima. Confissões de Uma Máscara (1949) e O Templo Dourado (1956) e a tetralogia O Mar da Fertilidade (1964-1970). A existência como uma representação. determinada pela busca do Belo. Quando o filme de Paul Schrader saiu, senti-o como uma resposta a um apelo muito pessoal. (pouca gente lia Mishima). O filme fez-me descobrir Philip Glass. Ouvi a banda sonora até à exaustão. até descobrir a trilogia. rendi-me a P. Glass. (agora, as suas composições já não têm o mesmo efeito). O dia 25 de Novembro, na minha História do mundo, também é o dia da morte planeada e tumultuosa de um samurai, romancista, dramaturgo, actor e realizador de cinema. Yukio Mishima. que num último "acto de beleza mortífera" quis superar a mera representação.


In 25th November, 1970, Yukio Mishima, in the ritual act of Seppuku, knelt on a carpet and plunged a dagger into his abdomen. Mishima had sacrificed his own life, a gesture of defiance against the violation of his country's dignity.
Mishima designed his life as a drama; in his books he plotted out his life down to the last chapter. A twentieth century writer of the highest acclaim, Yukio Mishima generated more than 30 novels, in addition to numerous plays and movies. He was truly a renaissance man and was not only Japanese, but a world figure
.

28.11.08

Satyagraha (Gandhi)

«Could an opera put virtue back on its feet or make us warriors for peace?”


Philip Glass: Satyagraha
Act 1 "Tolstoy"
Scene 1 "The Kuru Field of Justice" (início)
Scene 1"The Kuru Field of Justice" (excerto)
Scene 3 "The Vow" (excerto)
Staatsoper Stuttgart
Conductor: Dennis Russell Davis
Stage direction: Achim Freyer

4.3.07

Óscar #7



Diário de um Escândalo. 4 Nomeações para Oscar. Ainda bem que o Philip Glass não levou a estatueta para a melhor banda sonora___ apesar de o ouvir há anos, ou se calhar por causa disso. ele já não consegue ser original! e assim Babel levou um Oscar de consolação.
Depois, o argumento. esse sim, com uma trama interessante e sensível (baseado no romance de Zoe Heller, a adaptação é de Patrick Marber - que também escreveu Closer, um dos meus filmes de culto dos últimos anos).
E as interpretações! Desde logo a de miss Blanchett, nomeada para melhor actriz secundária. mesmo se não senti nenhuma química entre ela e o aluno. mas sobretudo, a de dame Judi Dench. A rainha Helen Mirren levou o Oscar mas se tivesse sido Dench ficaria igualmente bem entregue. No papel da professora Barbara Covett ela está fabulosa!


5.1.07

Big Ego



Big Ego é um dos 4 álbuns editados pela Giorno Poetry Systems, uma "marca artística" americana criada por John Giorno. Giorno queria que a poesia fosse comunicada às massas por via de todos os suportes tecnológicos e mediáticos, como o telefone, a televisão ou a rádio. O registo audio tornava-se assim fundamental. John Giorno reuniu músicos e performers que se viriam a tornar famosos. É o caso de Frank Zappa, Philip Glass, Allen Ginsberg, John Cage, Brion Gysin, Diamanda Galas, Laurie Anderson ou Meretith Monk. Nos próximos tempos, vou passar alguns desses registos. Education of the Girlchild, de Meredith Monk é o primeiro. Enjoy it!


O ano passado estas três senhoras vieram a Portugal. Perdi a Galas na Casa da Música, mas ganhei a Laurie Anderson em Montemor-O-Velho e a Meredith em Aveiro.

No arquivo:
Laurie Anderson em Montemor-O-Velho: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.
Meredith Monk em Aveiro: 1; no Atentado (meu blog adormecido), vejam fotos do workshop a que assisti, orientado pela diva MM; o concerto que ela deu no Aveirense ficou apenas registado cá dentro.

Já agora, deixo a marca de um paixão antiga, por Philip Glass.

19.7.05

Post Urbano

A minha paixão pela obra de Philip Glass (e, aliás, pelo minimalismo como corrente artística - um dia hei-de escrever um post só com uma palavra) certamente já é conhecida, pelo menos para os clientes deste blogue. Confesso hoje outra paixão (escondida): o álbum berlinense dos U2, "Achtung Baby".
Na primeira audição, juraria que o meu hi-fi estava estragado: a faixa de abertura tinha um baixo subsónico (ai os vizinhos), uma guitarra que soava a um gato metido numa picadora Moulinex (PUB), uma bateria que soava a martelos a bater em bigornas, e um Bono Vox com uma voz carregada de distorção. A faixa em questão chama-se "Zoo Station", e começa com as linhas:

"I'm ready
I'm ready for the laughing gas"

Metáfora, ou cigarros com recheio, pensei na altura. Até um determinado Dezembro, em que fui a Berlin. A residencial onde fiquei foi encontrada via Yahoo (não havia Google ainda), e era numa zona peculiar de Berlin, perto do Jardim Zoológico. O meu primeiro ponto de paragem (depois dos check-outs e malas e duches) era o Checkpoint Charlie, e o Muro - o que restava do Muro. O mais prático seria usar o metro, e foi o que fiz.
Enquanto aguardava pela chegada do metro, reparei numa cena caricata do outro lado da plataforma: um senhor, na casa dos sessentas, vendia a yuppies engravatados balões, que enchia a partir duma botija gigantesca (como é que ele trouxe a botija para ali? Pelas escadas?). Após o pagamento, os clientes continuavam o seu caminho, punham o balão na boca, e riam-se como se não houvesse amanhã. Curiosa como sou, fui até à outra plataforma, esquecendo por momentos a visita ao Muro. Pelo canto do olho, e atrás dos óculos escuros reparei que a botija tinha escrito, em inglês e letras grandes e vermelhas:

"Laughing Gas" - 1 DM

Ainda me estava a refazer do choque quando descobri que aquela linha era a U-Bahn 2, sinalizada por todo o lado com a sigla U2.

zoostation.JPG

12.4.05

Songs from the trilogy


Philip Glass

Talvez se lembrem da banda sonora do filme The Hours. Eu descobri-o no século passado depois de ver Mishima (de Paul Schrader), também com música original de Philip Glass. Ele é um dos fundadores do minimalismo americano, a sua música é hipnótica e repetitiva. e intensa. Mas o que me fez ajoelhar (exagero. dobrar-me) foi a ópera. Philip Glass é um dos mais sublimes compositores contemporâneos de ópera.

Em 1977 compôs Einstein on the Beach, em 1980 Satyagraha e em 1983, Akhenaten. As três formam uma trilogia de óperas-retrato. Todas se centram num grande sábio ou, como explicou Glass, num homem cuja visão pessoal tenha revolucionado o pensamento do seu tempo pelo poder das ideias e não pela força das armas.

Einstein, Satyagraha-Gandhi (a ópera incide mais nos primeiros anos de actividade política na África do Sul) e Akhenaten, rei egípcio, considerado o primeiro monoteísta.
Deixo-vos um cheirinho de cada uma destas óperas da trilogia.
Satyagraha, King3
Einstein on the Beach, Knee3
Akhnaten, Funeral de Amenhotep III