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29.6.12

Saint Exupery


Acabam de me lembrar Antoine de Saint-Exupéry no aniversário do seu nascimento, há 112 anos.

E veio à memória um verão passado em França, em que me emprestaram um livro sobre a vida de Saint Exupéry e Consuelo Sandoval, a única mulher com quem casou. Tirei várias notas, apontei algumas frases. Gosto desta:

"Il faut que ma femme me rapelle que je suis tellement amoureux."

1.6.12

O Tesouro


Hoje, oferecer um livro a uma criança. Este, lê-se aqui mesmo: O TESOURO. Conta uma história com «H» grande, uma história que aconteceu mesmo. De Manuel António Pina. Com ilustrações de Evelina Oliveira.

História contada a uma criança

Do prefácio: «(...) O jovem professor de física e química, com interesses intelectuais muito mais vastos, era pai de uma criança de sete anos acabada de entrar na escola primária. Foi esse filho o destinatário...».

Como presente da minha comunhão solene, recebi uma Bíblia Ilustrada, o livro "O Porquê das Coisas" e "As Origens de Portugal", entre outros presentes que esqueci. Li, reli estes três
livros imensas vezes. Há poucos anos, descobri que o meu primeiro grande livro de História tinha sido reeditado pela Calouste Gulbenkian. É uma edição muito cuidada e belíssima. Foi a vez das minhas duas filhas receberem o seu primeiro grande livro de História. Infelizmente, esta História de Portugal termina cedo, com Afonso II. Cá em casa, houve muitas noites de leitura, à medida que elas avançavam na matéria de História na escola, e na medida do sono que tardava sempre a chegar. A ideia de que um pai tinha escrito aquela História para o filho, um menino da idade delas, ajudou a encarar a grandeza do livro. E depois, o autor tutua, o que facilita o diálogo. Logo no início, houve uma grande discussão a propósito destas afirmações: "Tu és português porque nasceste em Portugal. O teu pai e a tua mãe também nasceram em Portugal...". É que nenhum dos pais (delas) nasceu em Portugal. Se o Rómulo de Carvalho soubesse isso, teria escrito outra coisa... só para elas.

Feliz dia para as nossas crianças!

25.2.10

Estória, Estória...


Celina Pereira é cantora e contadora de estórias. Recupera e recria elementos da tradição do seu país. Constrói narrativas, interpreta estórias e cantos que afirmam a identidade cabo-verdiana. Em Janeiro aconteceu o lançamento do seu novo audio-livro "Estória, Estória - Do Tambor a Blimundo".


O silêncio ou a incapacidade para comunicar/para construir narrativas próprias. O silêncio na memória colectiva. a (des)construção de identidade(s). Em Abril, o silêncio. Celina por cá. Schiuuu...

4.5.08

A Floresta


«Era uma vez uma quinta toda cercada de muros.
Tinha arvoredos maravilhosos e antigos, lagos, fontes, jardins, pomares, bosques, campos e um grande parque seguido por um pinhal que avançava quase até ao mar. (...)
Quem entrava via logo uma grande casa rodeada por tílias altíssimas cujas folhas, dum lado verdes e de outro lado quase brancas, palpitavam na brisa.
Era nessa casa que morava Isabel

Para escrever A Floresta, Sophia de Mello Breyner Andresen inspirou-se na quinta da avó onde costumava passar férias enquanto criança. É a história de uma menina que todos os dias percorre a quinta, conversa com as árvores e sonha encontrar um anão, no bosque próximo de sua casa. Uma história que nos fala de amizade e nos revela que "a bondade compensa e os tesouros só trazem felicidade se forem partilhados".

Em 2004, o Teatro Nacional de São Carlos encomendou a
Eurico Carrapatoso uma ópera infantil baseada neste conto de Sophia, com libreto da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Já não é a primeira vez que o espectáculo é apresentado no Teatro Aveirense, mas este fim de semana deram-nos a oportunidade de o rever. Com Direcção Musical de António Vassalo Lourenço, regente da Orquestra Filarmonia das Beiras e encenação de Carla Lopes, esta ópera deixou as minhas meninas completamente encantadas. Barbara Andrez, a Árvore-narrador tem uma dicção perfeita. Isabel Alcobia (Isabel), Armando Possante (Anão), João Cipriano Martins (Professor de Música), Tiago Matos (Bandido/Sábio) e o Coro Infantil e Juvenil de Santa Joana (tantos e tão queridos Cogumelos e Anões!) interpretam de forma jovial e apelativa, narrando a série de aventuras no bosque.

Este Domingo, em Aveiro, ainda é possível assistir ao espectáculo (no
TA, a sessão é às 17h30). Mas atentem, para quando A Floresta, de Eurico Carrapatoso, visitar um lugar próximo da vossa quinta.

[cá por casa anda a circular A Floresta, de Sophia de Mello Breyner Andresen, com ilustrações de Teresa Olazabal Cabral, da Editora Figueirinhas]

28.12.07

Dedos com música


«Primeiro saiu um dó, que vinha um pouco rouco; depois, um ré; em seguida, saiu um mi, mais decidido; logo a seguir, ouviu um fá, um sol muito feliz (...).
Depois de ouvir toda a escala musical, Sara abriu os olhos e olhou para as suas mãos. Estava maravilhada! A música parecia mesmo ter saído dos seus dedos! Seria que os seus dedos tinham realmente música lá dentro, música nascida no céu?!, perguntava-se ela muito admirada.»

in Dedos com Música, de Maria Teresa Maia Gonzalez
Livros Horizonte, 2007


Parabéns, minha S., pela tua primeira audição de piano. A ansiedade toda da véspera e do próprio dia desapareceu mal te sentaste! Tocaste Dr. Faust, de Fritz Emonts, e eu senti um orgulho imenso! Estavas cheia de energia e muito concentrada: tocaste mesmo bem!

1.6.05

Livros para a nossa idade

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Aqui os vossos pais podem ajudar-vos a escolher os melhores livros para a vossa idade. Isto se tiverem entre 6 e 12 anos!

5.4.05

Os contrários


Paul Rapp

O livro parece inocente, tem imagens coloridas, apelativas, os desenhos são amorosos. Li-o várias vezes às minhas filhas. Hoje voltei a pegar nele e de repente percebi como, sem querer, exercemos condicionamentos (quase ideológicos) sobre as nossas crianças. Através de uma sucessão de ilustrações legendadas, o que me parecia ser muito pedagógico, tornou-se perigoso. Exemplos daquilo a que Bourdieu chamava "violência simbólica":

A melhor amiga da Marta chama-se Dina. Qual é o nome da menina de pele escura?
O avozinho e a tia Teresa vieram aos anos da Marta. Qual dos dois é o mais magro?
A Marta tomou um duche. Os cabelos estão molhados. O que é que a mamã da Marta deve fazer para lhe secar os cabelos?
A mãe muda a fralda que cheira mal. A Marta está a cheirar água-de-colónia. Ela está a sentir um cheiro bom ou mau?
A mamã prepara os legumes. Alguns comem-se cozidos e outros crus. Como é que tu gostas de comer as batatas?
Com o que é que apanhamos os cabelos? Apanhamos ou não os cabelos, antes de os pentear?
A Marta recebeu no Natal um urso novo mas o que ela prefere está muito usado/O Hugo está a fazer construções...
A Marta é simpática e empresta a boneca à Inês. Porque é que o Hugo é mau? (o Hugo arrancou a boneca à Inês e puxa-lhe os cabelos)


É claro que existem outras ilustrações que são neutras e divertidas e muito úteis. Mas talvez valesse a pena comprar outro livro de "Os Contrários"!!! ...se não se desse o caso da literatura infantil reproduzir sistematicamente este modelo, em termos de perfis, tarefas e papéis sociais, para cada um dos géneros. Não há menina que escape à superestrutura dominante nem rapazinho que não se sinta mal se não gostar de "construções"!
[Os Contrários, Dicionário por imagens dos pequeninos
Ed. Fleurus
]