EPIGRAMA II
Uma boa notícia chegou de longe,
num dia qualquer, tarde demais
far-se-á justiça; e regresso a casa
Eduardo Graça, in Poemas Manuscritos
Edição de Autor, Novembro 2009
Experiência III
Dói às vezes partilhar o comum dos gestos
da vida e omitir a sua parte nova e agreste
julgar no dia claro deste Janeiro quente
e seco os passos de viver assim docemente
Crispa a pele seca no corpo o vento em riste
e aceitar o cansaço do ventre a olhar o já visto
receando nós a própria dor do tempo carregado
que dela nos desfazemos amando o corpo amado
mesmo que surja uma palavra a mais ou a menos
naquele gemido que lemos na memória omissa:
que cor têm os cabelos ondeando no beiral
do tempo quando se abrem os braços e se grita?
Paremos, soltemos o nosso passo à desfilada
pensemos, prendamos o braço ao braço que abraçamos
experimentemos ouvir assim as horas na torre
surpreender o esvoaçar da cegonha que observámos
contar com um olhar os pardais no berço da noite
seguir a linha quebrada dos remos fendendo a ria
ou os pontos mortiços das luzes lá no cimo da colina
A respiração sustém-se no momento do passo dado
e já nada nos segue a não ser o nosso próprio riso
eco repetido no chão duro e cego da verdade.
21/1/1981
Eduardo Graça, in Primeiros Poemas
Edição Dezembro 2007
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Eduardo, é assim:
«Nos passos dia-a-dia mais pesados nada transporto
de outros a não ser seus sonhos e meus desejos»
e suas palavras, que tomo minhas por não saber dizer de melhor maneira Obrigada.
Mário Vitória
Ammar Amarni
ADENDA: No Absorto, Eduardo Graça lança chamas sobre a forma como o associativismo popular é encarado e enquadrado em Portugal.


Eduardo Graça escreveu um artigo de opinião intitulado "A luta de classes segue dentro de momentos…" no Semanário Económico. Estas minhas divagações decorreram da leitura desse artigo. Eduardo Graça critica a redução das lutas sindicais à tentativa de "controlo dos grandes aparelhos do Estado" e clama o advento de um sindicalismo moderno.