
Vénus, de Aubrey Beardsley
Mesmo filho de zeus e de dione, dos céus e dos deuses
ou fruto do sangue transformado em espuma
que cronos derramou sobre urano, com raiva e poesia
Mesmo se
caracóis de ébano,
ombros nus,
dorso coberto por manto de cauda e roda
seda selvagem sobre pele hérculea,
que teu sexo (que é um cálice) não rasga
(e ainda que)
tronco feito um mastro,
envolto em tecido que são velas
braços num barco sem envergues
(sussuram que)
Nasceste da espuma do mar
e em espuma de dias e noites não numeradas
te diluis
e nós fêmeas e machos, tua corte
residentes e servos da casa tua
soberano
ouvimos galanteios
tocamos nossos teus seios
penteamos enleios
choramos prazeres alheios
(discutem)
Quem são as guardiãs de teu reino
orugã?
a beleza e o amor
ou a tristeza e a cópula
a transgressão e a dor
ou o prazer e a arte
Pares filhos de guerra
tens netos humanos
bisnetos volúpia
ris de Botticelli
e da ninfa de Milo
Acabarás em pedaços
caracóis em farrapos
dorso sobre plintos
braços mutilados
Porque vénus em macho
diz o Oscar Wilde
é sempre maltratado