25.6.10
22.6.10
Carlos Souto (1943-2010)
[Fotos tiradas em Abril 2010]
18.6.10
José Saramago (1922-2010)

"Por um instante a morte soltou-se a si mesma, expandindo-se até às paredes, encheu o quarto todo e alongou-se como um fluido até à sala contígua, aí uma parte de si deteve-se a olhar o caderno que estava aberto sobre uma cadeira, era a suite número seis opus mil e doze em ré maior de johann sebastian bach composta em cöthen e não precisou de ter aprendido música para saber que ela havia sido escrita, como a nona sinfonia de beethoven, na tonalidade da alegria, da unidade entre os homens, da amizade e do amor. Então aconteceu algo nunca visto, algo não imaginável, a morte deixou-se cair de joelhos, era toda ela, agora, um corpo refeito, e por isso é que tinha joelhos, e pernas, e pés, e braços, e mãos, e uma cara que entre as mãos escondia, e uns ombros que tremiam não se sabe porquê, chorar não será, não se pode pedir tanto a quem sempre deixa um rasto de lágrimas por onde passa, mas nenhuma delas que seja sua. Assim como estava, nem visível nem invisível, em esqueleto nem mulher, levantou-se do chão como um sopro e entrou no quarto."
in As Intermitências da Morte (2005)
Editorial Caminho, pp. 158-159
13.6.10
LIBERDADE

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isso
É Jesus Cristo
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
(n.13 de Junho de 1888)
Imagem: Capote (2006). Vale a pena. Acrílico sobre tela. 100x100 cm
7.6.10
Como se fosse um segredo...
Como se fosse um segredo que agora se tornou público! Um SIM que fica para a História. É o primeiro num longo tempo de silenciamento forjado ou forçado. Um SIM no primeiro dia do resto de muitas vidas. Depois, é claro, legislar é tanto e tão pouco. Oh, os cochichos vão continuar...
4.6.10
À escuta #106
S - Hoje, o dia correu-me mal... Quando há uma parte do dia que me corre mal, para mim é como se o dia todo corresse mal...
- Compreendo, mas qual foi a parte do dia que correu mal?
S - É esta, agora, porque tenho que me ir deitar!
27.5.10
Irmãos e irmãs
Telefónica vs PT; Mário Soares vs Manuel Alegre; Governo vs Desempregados; Indústria Farmacêutica vs Hospitais; So You think you can['t] danse vs Pedro Passos Coelho; BEI vs Parque Escolar; Apple vs Microsoft; PIDDAC vs Ministério da Cultura; José Mourinho vs Carlos Queiroz; Coreia do Norte vs Coreia do Sul; EP Estradas de Portugal vs utentes das SCUTs; Défice Nacional vs Teixeira dos Santos; 1% Crescimento vs 10.6% Desemprego (previsões OCDE); Cavaco Silva vs Lei das Uniões de Facto; The L-Word e Dr. House vs Cavaco Silva; Comissão de Inquérito do Parlamento vs José Sócrates; Cofidis vs Aumento de impostos; CSI e Betty Feia vs Sócrates, Armando Vara, Paulo yellow submarine Portas, Alberto Berlusconi Jardim ; Cold Case (Casos Arquivados) vs Procuradoria Geral da República, Casa Pia, Loja Pia, Tudo Pio; os media nacionais e regionais versus As Farpas.
À escuta #105
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- Já viram o preço daquela camisa!
A (muito alto) - É um escândalo! Uma camisa normalíssima tão cara!
- Fala baixo.
A - Eles têm que saber o que os clientes pensam!
S - E achas que eles não sabem que os preços são altos? Eles fazem de propósito.
A - Mas se baixassem os preços havia mais pessoas a comprar...
S - Há palermas que gostam de pagar muito para os outros dizerem "epá, ele tem muito dinheiro!"...
A (outra vez alto) - Que preços doidos!
- Por favor, fala baixo.
A - Eles têm coisas giras. Há pessoas que só querem comprar porque é giro!
A (muito alto) - É um escândalo! Uma camisa normalíssima tão cara!
- Fala baixo.
A - Eles têm que saber o que os clientes pensam!
S - E achas que eles não sabem que os preços são altos? Eles fazem de propósito.
A - Mas se baixassem os preços havia mais pessoas a comprar...
S - Há palermas que gostam de pagar muito para os outros dizerem "epá, ele tem muito dinheiro!"...
A (outra vez alto) - Que preços doidos!
- Por favor, fala baixo.
A - Eles têm coisas giras. Há pessoas que só querem comprar porque é giro!
14.5.10
À escuta #104
- A., a minha amiga já chegou, vem cumprimentá-la!
(Não aparece)
- A., vem cumprimentar a minha amiga!
(Aparece mas não olha para ninguém, não cumprimenta)
- A., dá um beijinho, o que é que se passa!
(Vai embora)
[A sós com ela:
- (...) foste extremamente mal-educada, não aceito esse tipo de comportamento, já não és um bebé, faz o favor de ir cumprimentar a senhora!
A. - Acabei de acordar, não consigo ser simpática.
- Mas posso saber o que se passa? Qual é o problema? Não te reconheço!
A. (sempre num tom teatral) - A tua filha, eu, nem sempre tem vontade de agradar.__________ Podes pedir desculpa à tua amiga?
- És tu que vais pedir desculpa. Vem comigo.
(Não aparece)
- A., vem cumprimentar a minha amiga!
(Aparece mas não olha para ninguém, não cumprimenta)
- A., dá um beijinho, o que é que se passa!
(Vai embora)
[A sós com ela:
- (...) foste extremamente mal-educada, não aceito esse tipo de comportamento, já não és um bebé, faz o favor de ir cumprimentar a senhora!
A. - Acabei de acordar, não consigo ser simpática.
- Mas posso saber o que se passa? Qual é o problema? Não te reconheço!
A. (sempre num tom teatral) - A tua filha, eu, nem sempre tem vontade de agradar.__________ Podes pedir desculpa à tua amiga?
- És tu que vais pedir desculpa. Vem comigo.
- Não, não vou!
(Castigo - o mais terrível de todos: não há teatro, ou seja, novelas, Morangos com Açucar, até decisão contrária. mas, se isto for o início da puberdade, ... faço o quê?)(M., desculpa!)
À escuta #103
S. - Não gosto de cravo!
- Oh, mas o cravo é uma flor tão bonita, é o símbolo do 25 de Abril, depois passou a haver liberdade e democracia...
S. - Por favor, não gozes. Não gosto de cravo e não quero ir mais para o Conservatório!
- Vais continuar no cravo até ao final do período e depois mudas de instrumento.
S. - Não vou! Não quero ir mais!
- Falta um mês, vais e acabou a conversa!
S. - Que lindo, chegou mesmo a democracia com o 25 de Abril!
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