17.4.10

7.4.10

À escuta #100

A. (10 anos) - Gostava de saber como é que Deus inventou tantas línguas diferentes..., Pasquistão, Índia, China, Tunísia..., deve ter demorado milhões de anos.... (...)
Olha, já havia hamburguers quando Deus inventou essas línguas? Já havia alface? Já havia carne? Então eram mesmo burros, podiam ter inventado hamburguers... e isso nem dava assim tanto trabalho..., mas enfim, andavam ocupados com as guerras! Sim, porque isso Deus não devia ter inventado... Devia andar distraído com as línguas... Quer dizer, agora está tudo inventado e ainda há guerras... Se ele só tivesse criado uma língua para todo o mundo, se calhar não havia tantas guerras! (...) Eu sei que estou a divagar mas o 11 de Setembro foi mesmo horrível e ainda não percebo como é que foi possível acontecer... Achas que houve mais sobreviventes que mortos ou houve mais mortos que sobreviventes...?

23.3.10

João Margalha

Dia 25 de Março pelas 19h na má arte


Ínsulas, fotografias de João Margalha
João Margalha, que recentemente venceu o concurso de fotografia lançado pela FAUP com uma pequena e requintada série de “objectos arquitectónicos” depurados, aborda agora o tema da relação do homem com a paisagem natural. O homem urbano procura, de facto, trazer a natureza para junto de si: neste círculo eterno de a destruir para lhe dar um pequeno lugar. João Margalha consegue mostrar-nos como estes jardins inventados e reduzidos representam boas intenções mas acabam sempre por nos transmitir uma pesada imagem de desolação e inutilidade. Excluindo as representativas imagens da solicitação turística dos Açores, onde de facto há uma sobreposição de relvados artificiais sobre a natureza dura, ou o verdadeiro museu botânico que é o parque natural Terranostra, a imagem verde deste mundo é quase uma alucinação de perda: mesmo as plantas tropicais esgotaram com a água (e provavelmente a poeira) a vida que nos permite usar esse termo, que é tão barroco, de luxuriante. Nem o verde se mantém. E é por isso mesmo que é difícil reencontrar um modelo, que provavelmente é ideal e vário, de jardim como reserva do natural. É evidente que há uma certa beleza nestas imagens que nos fazem pensar como a condição do homem arrasta consigo a transfiguração das outras espécies. É quase uma viagem à Lua ao contrário. E essa ânsia de transfiguração, João Margalha consegue, pungentemente, dá-la. Não há dúvida que o geometrismo faz parte dos olhos do homem e das suas produções, mas na natureza esconde-se como objecto parcial. Não posso deixar de sentir a agonia deste tão velho ideal ao observar aquele canteiro arborizado, completamente cercado pelo cimento, e mostrando que a natureza é, antes de tudo, respiração.

Tereza Siza
Novembro de 2009