Porque gostaria que algum digno representante deste município esclarecesse a situação, o post que estava aqui saltou para ali.
6.5.08
5.5.08
Bienal Internacional de Cerâmica de Aveiro IX
Só para acrescentar a este post o que é óbvio(!): os prémios (monetários) da Bienal não foram atribuídos aos artistas vencedores, mas a Câmara Municipal de Aveiro ficou na posse de todas obras. Jasmina Pejcici, Santa Rita e Ricardo Casimiro continuam à espera de 15 mil, 10 mil e 5 mil euros, respectivamente. Quem se manifestou, teve direito a um pedido de desculpas (passados dois meses) e a um silêncio absoluto desde então.
Ricardo Casimiro, faço um desvio para lhe dizer que, vendo as suas peças, não consegui deixar de pensar no pintor angolano Mário Tendinha. Acho que a esta Oratura dos Ogros e do Fantástico falta um ceramista.
Ricardo Casimiro, faço um desvio para lhe dizer que, vendo as suas peças, não consegui deixar de pensar no pintor angolano Mário Tendinha. Acho que a esta Oratura dos Ogros e do Fantástico falta um ceramista.
Vidrada quase totalmente com vidrado opaco e posterior vidragem parcial com outros vidrados -
14x10x10cm
Publicada por
Maria do Rosário Sousa Fardilha
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09:00
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Feline Follies
Feline Follies (1919) foi o primeiro filme do agora famoso gato Felix. É delicioso, pelo desenho, e pela moral da história. A tradição ainda é o que era! :)
E é-te dedicado, vá lá saber-se porquê.
E é-te dedicado, vá lá saber-se porquê.
1919-Felix The Cat - Feline Follies
[On November 9, 1919, Master Tom, a character resembling Felix, debuted in a Paramount Pictures short entitled Feline Follies.[1] Produced by the New York City-based animation studio owned by Pat Sullivan, the cartoon was directed by cartoonist and animator Otto Messmer. It was a success, and the Sullivan studio quickly set to work on producing another film featuring Master Tom, The Musical Mews (released November 16, 1919). It too proved to be successful with audiences. Paramount producer John King suggested that the cat ought to be renamed to "Felix", after the Latin words felis (cat) and felix (luck), which was used for the third film, The Adventures of Felix (released on December 14, 1919)]
4.5.08
À escuta #67

Não sei quais são os presentes que me estão reservados para o Dia da Mãe, elas têm feito um imenso mistério à volta deles. Parece que um cheira mal mas que depois vai deixar de cheirar..., e é tudo o que percebi. Mas, esta semana, já tive um (ou muitos) entre as tropelias que tantas vezes também me exasperam. Entrei em casa e elas já dormiam. Sobre a mesa da cozinha, tinha um vaso partido e um recado.
Era uma declaração de culpa, "foi eu que parti o vaso, foi eu a Sofia", "eu espero que tu não te zanges comigo". Não me "zangei", fiquei com saudades dela. E, para matar saudades, mesmo estando presente todos os dias, o que mais me conforta são os mimos e a cumplicidade nas conversas, sobretudo antes de adormecerem. Hoje desforrei-me. Discutimos pormenores da ópera, que o professor de música só fazia de conta que tocava violino mas não tocava, que a Isabel procurava anões porque tinha lido a história da Branca de Neve, que os meninos do coro eram muito pequeninos e havia uns que bocejavam, outros que não paravam quietos e aquele que tirou o chapéu-cogumelo ao do lado, e risos, e, sinceramente, a S. achava que não tinha percebido tudo, enquanto a A. dispensava o ladrão. Pelo meio, sempre um pouco de choraminguice da S. que conseguiu meter um agrafo num dedo, ela teve mesmo que puxar o agrafo com força para ele sair do dedo!, e se o super-penso que a mamã fez consolou um pouco, a verdade é que ainda doía e talvez nunca mais sarasse. A A. achou que era óptimo ter sido a S. e não ela a magoar-se porque normalmente é o contrário, e que a S. a goza e ela não goza ninguém. Quis saber quanto tempo é que vai demorar até a sua franja ficar do tamanho do resto do cabelo, eu que não esquecesse de entalar bem os lençóis, e adormeceu. A S. pediu "mais massagens nas costas" que ontem eu não tinha feito. Disse-me que ainda lhe devo o euro que ela me emprestou na papelaria... e que era mesmo bom adormecer assim, mas para eu não a cobrir com o edredão que tem sempre calor.As minhas Noites da mãe são mais calmas que os meus Dias da Mãe. mesmo que não faltem reivindicações! :)
A Floresta

«Era uma vez uma quinta toda cercada de muros.
Tinha arvoredos maravilhosos e antigos, lagos, fontes, jardins, pomares, bosques, campos e um grande parque seguido por um pinhal que avançava quase até ao mar. (...)
Tinha arvoredos maravilhosos e antigos, lagos, fontes, jardins, pomares, bosques, campos e um grande parque seguido por um pinhal que avançava quase até ao mar. (...)
Quem entrava via logo uma grande casa rodeada por tílias altíssimas cujas folhas, dum lado verdes e de outro lado quase brancas, palpitavam na brisa.
Era nessa casa que morava Isabel.»
Era nessa casa que morava Isabel.»
Para escrever A Floresta, Sophia de Mello Breyner Andresen inspirou-se na quinta da avó onde costumava passar férias enquanto criança. É a história de uma menina que todos os dias percorre a quinta, conversa com as árvores e sonha encontrar um anão, no bosque próximo de sua casa. Uma história que nos fala de amizade e nos revela que "a bondade compensa e os tesouros só trazem felicidade se forem partilhados".
Em 2004, o Teatro Nacional de São Carlos encomendou a Eurico Carrapatoso uma ópera infantil baseada neste conto de Sophia, com libreto da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Já não é a primeira vez que o espectáculo é apresentado no Teatro Aveirense, mas este fim de semana deram-nos a oportunidade de o rever. Com Direcção Musical de António Vassalo Lourenço, regente da Orquestra Filarmonia das Beiras e encenação de Carla Lopes, esta ópera deixou as minhas meninas completamente encantadas. Barbara Andrez, a Árvore-narrador tem uma dicção perfeita. Isabel Alcobia (Isabel), Armando Possante (Anão), João Cipriano Martins (Professor de Música), Tiago Matos (Bandido/Sábio) e o Coro Infantil e Juvenil de Santa Joana (tantos e tão queridos Cogumelos e Anões!) interpretam de forma jovial e apelativa, narrando a série de aventuras no bosque.
Este Domingo, em Aveiro, ainda é possível assistir ao espectáculo (no TA, a sessão é às 17h30). Mas atentem, para quando A Floresta, de Eurico Carrapatoso, visitar um lugar próximo da vossa quinta.
Em 2004, o Teatro Nacional de São Carlos encomendou a Eurico Carrapatoso uma ópera infantil baseada neste conto de Sophia, com libreto da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Já não é a primeira vez que o espectáculo é apresentado no Teatro Aveirense, mas este fim de semana deram-nos a oportunidade de o rever. Com Direcção Musical de António Vassalo Lourenço, regente da Orquestra Filarmonia das Beiras e encenação de Carla Lopes, esta ópera deixou as minhas meninas completamente encantadas. Barbara Andrez, a Árvore-narrador tem uma dicção perfeita. Isabel Alcobia (Isabel), Armando Possante (Anão), João Cipriano Martins (Professor de Música), Tiago Matos (Bandido/Sábio) e o Coro Infantil e Juvenil de Santa Joana (tantos e tão queridos Cogumelos e Anões!) interpretam de forma jovial e apelativa, narrando a série de aventuras no bosque.
Este Domingo, em Aveiro, ainda é possível assistir ao espectáculo (no TA, a sessão é às 17h30). Mas atentem, para quando A Floresta, de Eurico Carrapatoso, visitar um lugar próximo da vossa quinta.
[cá por casa anda a circular A Floresta, de Sophia de Mello Breyner Andresen, com ilustrações de Teresa Olazabal Cabral, da Editora Figueirinhas]
2.5.08
À escuta #66
S - Quando for grande, vou ser mãe, florista e vendedora no Fórum.
- Oh coitada, vais trabalhar muito___ e ainda por cima nos centros comerciais costumam pagar mal aos vendedores!
S - Pronto, então vendo noutro sítio. Até pode ser uma loja minha...
- Assim já pode ser que tenhas mais sorte!
S - Mas se a loja fosse minha, já podia ser no Fórum..., porque podia pagar pouco às minhas empregadas.
- Então achas isso bem? As pessoas deviam todas ganhar bem para poder viver bem!
S - Que tenham lojas delas...
(...)
A - A S. é uma imitadora. Eu é que quero ser florista. A Flora até é a minha Winx preferida e tudo!
- E também terias uma loja no Fórum?
A - Não, a S. é que gosta muito de sair, eu prefiro ficar em casa.
- Mas como é que as pessoas compravam as flores? Vinham a tua casa?
A - Sim, tocavam à campaínha e eu abria-lhes a porta se dissessem quem eram.
À escuta #65
S - Posso fazer uma pergunta? Se calhar é um bocado parva...
- Claro, diz lá.
S - As senhoras têm pêlos no pipi porque dantes, há muito tempo, eram macacos?
À escuta #64
A - Sabes, o Jesus foi adoptado!
- Adoptado?
A - Sim, porque o pai verdadeiro dele era Deus. E então o José adoptou-o.
A Manuel Acuña

Às vezes divirto-me com as pesquisas do Google que remetem pobres incautos para este blogue. Ontem, por exemplo, alguém buscou "A ROSARIO". Fui à origem, era tentador ver se me encontrava, e em que lugares estranhos. Como o anónimo internauta, falhei a pesquisa. Mas descobri um poeta, mexicano, chamado Manuel Acuña (1849-1873). Acuña escreveu um poema, "Nocturno a Rosario", que é uma elegia à mulher que amou e que o rejeitou por ser casada. Acabou por se suicidar com apenas 24 anos e esse poema é uma despedida. Leiam o melancólico e trágico "Nocturno a Rosario", aqui, que eu decidi não o transcrever. Arre culpa!
José Martí, o famoso poeta e herói cubano, comentou o suicídio de Acuña: «Hoy lamento su muerte: no escribo su vida; hoy leo su nocturno a Rosario, página última de su existencia verdadera, y lloro sobre él, y no leo nada. Se rompió aquella alma cuando estalló en aquel quejido de dolor. El estaba enfermo de dos tristes cosas: de pensamiento y de vida. Era un temperamento ambicioso e inactivo: deseador y perezoso: grande y débil. Era una alma aristocrática, que se mecía apoyada en una atmósfera vulgar. El era pulcro, y murió porque le faltaron a tiempo pulcritudes de espíritu y de cuerpo. ¡Oh. la limpieza del alma!: he aquí una fuerza que aun es mejor compañera que el amor de una mujer. A veces la empaña uno mismo, y, como se tiene una gran necesidad de pureza, se mesa uno los cabellos de ira por haberla empañado. Tal vez esto también mató a Manuel Acuña; ¡estaba descontento de su obra y despechado contra sí! No conoció la vida plácida, el amor sereno, la mujer pura, la atmósfera exquisita. Disgustado de cuanto veía, no vio que se podían tender las miradas más allá. Y aseado y tranquilo, acallando con calma aparente su resolución solemne y criminal, olvidó, en un día como éste, que una cobardía no es un derecho, que la impaciencia debe ser activa, que el trabajo debe ser laborioso, que la constancia y la energía son las leyes de la aspiración: y grande para desear, grande para expresar deseos, atrevido en sus incorrecciones, extraño y original hasta en sus perezas, murió de ellas en día aciago, haciéndose forzada sepultura; equivocando la vía de la muerte, porque por la tierra no se va al cielo, y abriendo una tumba augusta, a cuya losa fría envía un beso mi afligido amor fraternal.»
Fixo que "que a impaciência deve ser activa" e leio outros poemas de Acuña. Acabei por cair num certo enamoramento. Tão romântico e tão cru, este Manuel Acunã! "Una Limosna" acabou por ser o meu poema preferido. Fala de um México que ainda existe. Fala de uma miséria que o progresso de quase dois séculos não extinguiu. Mas dizia José Martí, "Disgustado de cuanto veía, no vio que se podían tender las miradas más allá."
Fixo que "que a impaciência deve ser activa" e leio outros poemas de Acuña. Acabei por cair num certo enamoramento. Tão romântico e tão cru, este Manuel Acunã! "Una Limosna" acabou por ser o meu poema preferido. Fala de um México que ainda existe. Fala de uma miséria que o progresso de quase dois séculos não extinguiu. Mas dizia José Martí, "Disgustado de cuanto veía, no vio que se podían tender las miradas más allá."
UNA LIMOSNA
A mi querido amigo A.F. Cuenca.
¡Entrad!... en mi aposento
donde sólo se ven sombras,
está una mujer muriendo
entre insufribles congojas...
Y a su cabecera tristes
dos niñas bellas que lloran,
y que entrelazan sus manos
y que gimen y sollozan.
Y la infeliz ya no mira
ni tiene aliento en la boca,
y cuando habla sólo dice
con voz hueca y espantosa:
"¡Yo tengo hambre! ¡Yo tengo hambre!
Por piedad ¡Una limosna!"
Y calla... y las niñas gimen...
y calla... y el viento sopla...
y llora... y nadie la escucha,
¡que nadie escucha al que llora!
...........................................
¿Y la oís? - ¡Ay!, hijas mías
vanse por fin a quedar solas...
solas... y sin una madre
que os alivie y que os socorra...
solas... y sin un mendrugo
que llevar a vuestra boca...
Adiós... adiós... ya me muero...
ya no tengo hambre...
y la mísera expiraba ¡"Una limosna"!
entre angustias y congojas,
mientras que las pobres niñas
casi locas, casi locas
la besaban y lloraban
envueltas entre las sombras.
Después... temblando de frío
bajo sus rasgadas ropas,
caminaban lentamente
por la calle oscura y sola,
exclamando con voz triste
al divisar una forma;
..."¡Me muero de hambre!"
Y la otra...
...¡"Una limosna"!
Enero de 1869.
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