Depois de ter trabalhado com Alan Clarke, Mike Leigh, Stephen Frears, Peter Greenaway, Robert Altman, Quentin Tarantino, Nic Roeg, John Sayles, Wim Wenders, Tim Burton, Woody Allen, Werner Herzog e Francis Ford Coppola, Tim Roth, um dos meus actores de culto, passou para o outro lado da câmara e realizou The War Zone (1999). Um filme que aborda um tipo de guerra muito silenciosa e devastadora. Roth estreou-se abordando o tema do incesto no seio de uma família "normal" de classe média. A ousadia valeu-lhe vários prémios. Belíssimas interpretações de Tilda Swinton (recentemente oscarizada pela sua participação no filme Michael Clayton), de Ray Winstone e dos jovens Lara Belmont e Freddie Cunliffe, num cenário agreste e tempestuoso. A fotografia, de Seamus McGarvey (lembram-se de The Hours ?), plástica, como que dando o tom à tragédia. E uma banda sonora (Simon Boswell) que nos enleva e nos deixa sentado na cadeira até ao fim do genérico. O filme está em exibição até segunda-feira no Cineclube (Oita). Se acham que aguentam a guerra, não percam. 11.4.08
The War Zone
Depois de ter trabalhado com Alan Clarke, Mike Leigh, Stephen Frears, Peter Greenaway, Robert Altman, Quentin Tarantino, Nic Roeg, John Sayles, Wim Wenders, Tim Burton, Woody Allen, Werner Herzog e Francis Ford Coppola, Tim Roth, um dos meus actores de culto, passou para o outro lado da câmara e realizou The War Zone (1999). Um filme que aborda um tipo de guerra muito silenciosa e devastadora. Roth estreou-se abordando o tema do incesto no seio de uma família "normal" de classe média. A ousadia valeu-lhe vários prémios. Belíssimas interpretações de Tilda Swinton (recentemente oscarizada pela sua participação no filme Michael Clayton), de Ray Winstone e dos jovens Lara Belmont e Freddie Cunliffe, num cenário agreste e tempestuoso. A fotografia, de Seamus McGarvey (lembram-se de The Hours ?), plástica, como que dando o tom à tragédia. E uma banda sonora (Simon Boswell) que nos enleva e nos deixa sentado na cadeira até ao fim do genérico. O filme está em exibição até segunda-feira no Cineclube (Oita). Se acham que aguentam a guerra, não percam. 10.4.08
8.4.08
Travar o périplo da chama olímpica?
"Paris éteint la flamme" (L'Equipe), "Le fiasco" (Le Parisien), "Paris sans flamme" (L'Humanité), "Pagaille olympique" (La Croix), "Le fiasco de la flamme à Paris" (Le Figaro), "La claque" (Libération), "Up in flames: humiliation for China as torch relay descends into chaos" (The Independent), "Olympic Torch Goes Out, Briefly, in Paris" (The New York Times)Na capa dos principais jornais do mundo, a possibilidade de travar a viagem de 137 000 quilómetros da chama olímpica. Depois dos distúrbios em Londres e Paris, talvez o Comité Olímpico decida não prosseguir o périplo que deveria incluir 19 países. O que deveria ser uma majestática procissão tem terminado em caos. Na Califórnia, próximo local de passagem, a "insurreição" começou antes mesmo da chegada da chama olímpica!
A "apropriação" política da chama prejudica o movimento olímpico, defendem alguns. A violação dos direitos humanos, a tentativa (frustada) de manipulação dos media por parte da China (relativamente à situação em Lhasa, muito recentemente), a escolha da China como país anfitrião!, os ditames da economia global,___ parecem questões de menor importância.
No final de Março, quando estive em Paris, os manifestantes pró-Tibete já eram bem visíveis. Em frente ao Ministère des Affaires Étrangères, debaixo de uma intensa chuva, havia um grupo que não desmobilizava. Na Île Saint-Louis, uma pequena loja tibetana, Trésors du Tibet, chamou-me a atenção___ a mim e a várias outras pessoas. A gerente disse-me que sentia um forte movimento de solidariedade: todos entravam para fazer perguntas e conversar, às vezes compravam qualquer coisa, mesmo que simbólica. O "chiffre d'affaires" aumentara consideravelmente nos últimos meses. A verdade é que esta é uma ocasião única para a defesa da causa tibetana.Em França, Bernard Kouchner pedia aos franceses para não serem mais tibetanos que o Dalai Lama. Em Portugal andamos muito silenciosos, demasiado silenciosos. Urge manifestarmo-nos contra a brutalidade desta nova era, regida por uma ética mais pragmática que humanista, centrada no sistema monetário e financeiro. Dizer Não é o poder que nos resta, que é tão pouco e tanto.
5.4.08
O que vos digo
O que vos digo é que antes de voar, o homem já sabia voarTinta-da-China, lápis s/ papel - 23x37 cm - 1985
Cruzeiro Seixas tem andado por aqui
4.4.08
InJazz 08

Quarta edição do único grande festival itinerante dedicado exclusivamente ao jazz feito por músicos portugueses.
Sex. 4
21:30 e 23:00 Bernardo Sasseti / Zé Eduardo Unit
Sáb. 5
21:30 Maria João
Sex. 4
21:30 e 23:00 Bernardo Sasseti / Zé Eduardo Unit
Sáb. 5
21:30 Maria João
3.4.08
Dia de Princesas
Para o 8ª aniversário das duas princesas, preparámos uma enorme(!) aventura: com as suas duas melhores amigas, viajar até Lisboa num combóio super-rápido, ver o espectáculo DISNEY ON ICE - AVENTURAS NA DISNEYLAND e regressar novamente de combóio, com direito a refeição a bordo. Almoçar à janela foi fantástico!
Chegámos agora mesmo. Estou assim um bocadinho para o estafado mas feliz com a alegria das minhas princesas. De resto, sinto-me infinitamente mais rica e deliciosamente mais leve do que há 8 anos e um dia atrás! Quando nasceram, a A. pesava 2,950 gramas e a S., 2,860 gramas.
À escuta #63
A S. continua a escrever e a ilustrar histórias. «As Bonecas» e «Anita perdeu o cão» são as suas últimas obras! Ambas foram escritas há poucos dias, antes de fazer 8 anos.

Era uma vez um menino que tinha 3 anos. E ele gostava muito de bonecas. Um dia, que era quarta-feira, ele foi a um parque que tinha carróceis e outras muitas coisas mais. Havia uma cabana que vendia bonecas. E ele queria pegar nas bonecas só que ele não podia porque estava no carrinho mas a mãe que se chamava Viviana pegou no filho que se chamava João e ele escolheu uma boneca. E um boneco. Quando começou a brincar ele adormeceu porque ontem tinha adormecido tarde. Quando acordou já tinha chegado a casa e quando chegou à cama ele acordou mas a mãe sabia que ele ainda estava com sono. A mãe deixou ele na cama. Quando o pai chegou, a mãe tinha acabado de deitar o João. Passado 9 minutos o pai e a mãe sentaram-se no sofá a ver um filme de animais. De repente foi-se ficando de noite e o João acordou e foram jantar fora à pizza Hut. O João foi outra vez de carrinho de bebé. O João sentou-se na cadeirinha de bebés e comeu massa. O pai e a mãe também se sentaram e comeram pizza do menu infantil. Passados 20 minutos foram para casa dormir para o João amanhã ir para o infantário porque ele não podia faltar ao infantário porque hoje já faltou.
Vitória vitória acabou a estória.


A Anita está a brincar com o Luis aos índios. E a conversar com os seus amigos. E o Pantufa.
De repente o Pantufa começa a ir atrás de alguns gatos da rua.
- O vosso cãozinho foi por ali - diz o pedreiro à Anita e aos seus dois amigos.
No mercado há um menino que diz que viu o cão o Pantufa atravessar a praça.
As crianças não encontraram o Pantufa e o Luis disse:
- Vamos para casa.
A Anita está muito triste.
- Onde é que o Pantufa irá dormir?
No dia seguinte a Anita foi à procura do Pantufa com os seus amigos e o Pantufa estava a dormir ao pé da árvore da praça.
À escuta #62
A - Sei a idade de toda a gente da família... O avô tem 74 anos !
(...)
- Sabem há quantos anos a televisão foi inventada?
A - Não...
S - Há 50 anos!
- Aqui diz 73 anos!
A (às gargalhadas) - O avô foi inventado antes da televisão!
(...)
- Sabem há quantos anos a televisão foi inventada?
A - Não...
S - Há 50 anos!
- Aqui diz 73 anos!
A (às gargalhadas) - O avô foi inventado antes da televisão!
2.4.08
Este país não é para velhos

Não vi o filme dos irmãos Coen, e acho que não o vou ver. Não me apetece. Li o livro de Cormac McCarthy e, por agora, basta-me a dose de violência e a quantidade de sangue que filtrei por via das palavras. Rejeito imagens adicionais. Se calhar faço mal, mas a peruca de Javier Bardem também não me convence. Como é que foram inventar uma peruca daquelas?
Li Este país... em poucos dias. Não conhecia McCarthy. Tem um estilo em que predomina a conjunção «e», poucas vírgulas e muito pontos finais (neste vídeo, o autor comenta o seu próprio estilo). É impressionante a capacidade descritiva, e como elege e eleva cada gesto, cada passo, cada palavra, ao palco dos sentidos. O seu arquivo de comportamentos, de percursos corporais, de expressões humanas, é vastíssimo. O romance é ele próprio uma tela, tem movimento, cadência, som. Os solilóquios do xerife, que iniciam cada capítulo, dão profundidade e humanidade à obra, não nos deixando cair na tentação de fixar apenas mortes e perseguições. A moral de McCarthy é sorrateira e banal - porque é aquela em que todos cremos, mas emerge da negação, da subversão, do crescente domínio do aleatório. Aparentemente, cara ou coroa, e a sorte decide o destino. McCarthy agarra a velha crise de valores da América, do mundo. Este país não é para velhos mas os novos não-valores são os mesmos que não permitem aos mais jovens interiorizar um futuro no presente.
Talvez vá ver o filme. Mas não queria esquecer as palavras ou o bloco de pedra maciça que imaginei.
«Não sei há quanto tempo o tanque ali estava. Cem anos. Duzentos. Viam-se marcas do cinzel na pedra. Fora talhado num bloco de pedra maciça e tinha cerca de um metro e oitenta de comprido e talvez meio metro de largo e outro tanto de fundo, mais ou menos. Esculpido na rocha em bruto. E pus-me a pensar no homem que fabricou aquilo. Aquela terra não gozou de nenhum período prolongado de paz, tanto quanto me era dado saber. (...) Mas o tal homem pegou num martelo e num cinzel e talhou um tanque de pedra para a água feito para durar dez mil anos. E porquê? Em que é que ele tinha tanta fé? Não tinha fé em que nada mudasse. Que é a primeira coisa que nos ocorre, parece-me. Ele não era tão tolo que caísse nesse logro, de certeza. Tenho pensado imenso nisto. (...) E então penso nele ali sentado, de martelo e cinzel em punho, se calhar somente uma hora ou duas depois do jantar, não sei. E deixem que vos diga, a única coisa que me ocorre é que ele albergava no coração uma qualquer promessa. E eu não faço tenções de talhar um tanque de pedra para a água. Mas gostava de ser capaz de fazer uma promessa assim. Penso que era o que eu mais gostava de fazer.»
in Cormac McCarthy, Este País Não É Para Velhos
Li Este país... em poucos dias. Não conhecia McCarthy. Tem um estilo em que predomina a conjunção «e», poucas vírgulas e muito pontos finais (neste vídeo, o autor comenta o seu próprio estilo). É impressionante a capacidade descritiva, e como elege e eleva cada gesto, cada passo, cada palavra, ao palco dos sentidos. O seu arquivo de comportamentos, de percursos corporais, de expressões humanas, é vastíssimo. O romance é ele próprio uma tela, tem movimento, cadência, som. Os solilóquios do xerife, que iniciam cada capítulo, dão profundidade e humanidade à obra, não nos deixando cair na tentação de fixar apenas mortes e perseguições. A moral de McCarthy é sorrateira e banal - porque é aquela em que todos cremos, mas emerge da negação, da subversão, do crescente domínio do aleatório. Aparentemente, cara ou coroa, e a sorte decide o destino. McCarthy agarra a velha crise de valores da América, do mundo. Este país não é para velhos mas os novos não-valores são os mesmos que não permitem aos mais jovens interiorizar um futuro no presente.
Talvez vá ver o filme. Mas não queria esquecer as palavras ou o bloco de pedra maciça que imaginei.
«Não sei há quanto tempo o tanque ali estava. Cem anos. Duzentos. Viam-se marcas do cinzel na pedra. Fora talhado num bloco de pedra maciça e tinha cerca de um metro e oitenta de comprido e talvez meio metro de largo e outro tanto de fundo, mais ou menos. Esculpido na rocha em bruto. E pus-me a pensar no homem que fabricou aquilo. Aquela terra não gozou de nenhum período prolongado de paz, tanto quanto me era dado saber. (...) Mas o tal homem pegou num martelo e num cinzel e talhou um tanque de pedra para a água feito para durar dez mil anos. E porquê? Em que é que ele tinha tanta fé? Não tinha fé em que nada mudasse. Que é a primeira coisa que nos ocorre, parece-me. Ele não era tão tolo que caísse nesse logro, de certeza. Tenho pensado imenso nisto. (...) E então penso nele ali sentado, de martelo e cinzel em punho, se calhar somente uma hora ou duas depois do jantar, não sei. E deixem que vos diga, a única coisa que me ocorre é que ele albergava no coração uma qualquer promessa. E eu não faço tenções de talhar um tanque de pedra para a água. Mas gostava de ser capaz de fazer uma promessa assim. Penso que era o que eu mais gostava de fazer.»
in Cormac McCarthy, Este País Não É Para Velhos
Ed. Relógio D'Água, Outubro 2007
p. 225
[original, No Country For Old Men, publicado em 2005)
p. 225
[original, No Country For Old Men, publicado em 2005)
Em termos de leitura, segue-se A Estrada, o livro com que venceu o Prémio Pulitzer.
Apetece-me Paris #1
Custou pisar os vestígios de um rendez-vous amoroso, poético, efémero, numa ponte.




Fotos MRF
com tratamento de imagem (efeito negativo)
Paris, Março 2008
com tratamento de imagem (efeito negativo)
Paris, Março 2008
E depois levantar o olhar. no momento em que o céu brilha indiferente à possibilidade de eclipses. Não procurar(mos) um ou outro. às vezes, sol e lua não existem. e é bom

Foto MRF
Paris, uns segundos depois, desviando o olhar
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