4.5.07

O debate. 2


O debate entre Sarkozy e Royal foi (também) um debate entre um homem e uma mulher. E convenhamos, ambos têm sentido de humor.

Nicolas Sarkozy : Vous n'avez pas besoin d'être méprisante pour être brillante.
Ségolène Royal : Je connais vos techniques. Dès que vous êtes gêné, vous vous posez en victime.
Nicolas Sarkozy : Avec vous, ce serait une victime consentante!
Ségolène Royal : Tant mieux, au moins, il y a du plaisir.

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Nicolas Sarkozy : Calmez-vous et ne me montrez pas du doigt avec cet index pointé!
Ségolène Royal : Non, je ne me calmerais pas!
Nicolas Sarkozy : Pour être Président de la République, il faut être calme.
Ségolène Royal : Non, pas quand il y a des injustices! Il y a des colères saines, parce qu'elles correspondent à la souffrance des gens. Il y a des colères que j'aurai, même quand je serai Présidente de la république….
Nicolas Sarkozy : Ce sera gai!

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Nicolas Sarkozy : Il faut garder son calme et ses nerfs et utiliser des mots qui ne blessent pas.
Ségolène Royal : Les mots de blessent pas, ce sont les actions qui blessent.
Nicolas Sarkozy: Quand on emploie des mots qui blessent, on divise le peuple, alors qu'il faut le rassembler.
Ségolène Royal: Vous êtes blessé ?
Nicolas Sarkozy : Nom.
Ségolène Royal : Donc tout va très bien!

No [4thefun]

Uma noite plena com Maria João, Laginha, Zeca Afonso e lágrimas

No cabo dos ventos

Um grand blue madrileño

3.5.07

E agora que o PSD se meteu em apuros na CML

... Marques Mendes podia lembrar-se de chamar Fernando Nogueira, o santo homem a quem Cavaco Silva entregou uma vez, fraternalmente, a tarefa de perder umas eleições-perdidas-à-partida (lembram-se das legislativas de 95?). No passado domingo encontrei-o no Museu Grão Vasco e não tive dúvidas, é um santo. O problema é que agora vai ser difícil convencê-lo e santos disponíveis há poucos (para além de já não fazerem milagres).



Pormenor da Ultima Ceia de Vasco Fernandes (Grão Vasco)
Museu Grão Vasco, Viseu


Adenda: Carmona Rodrigues quer arder no inferno!

O debate


A primeira volta das eleições presidenciais francesas, que decorreu no passado dia 22 de Abril, teve uma taxa esmagadora de participação, com 84,6 por cento de votantes. Os dois candidatos mais votados foram Nicolas Sarkozy, com 31,1 por cento e Ségolène Royal, com 25,8 por cento de votos. O debate de ontem à noite poderá ter sido decisivo para a segunda volta no próximo domingo. Foram três horas de debate duro e cru. Para quem está habituado aos nossos confrontos políticos, foi um prazer constatar que é possível, ao mais alto nível, discutir medidas concretas de programas eleitorais. Escolarização de crianças deficientes, reformas, 35 horas, energia, imigração, desemprego, etc.. O meu coração e a minha razão (já estavam,) ficaram mais do lado de Ségolène. A selecção de citações--- retiradas do Libération --- é por isso suspeita, mas Sarkozy continua a assustar-me:

22h30 Sarkozy: «Mon ambition, c'est de faire de la France, la France des propriétaires.»

22h40 Sarkozy: «Je veux une école du respect, de l'exigence, du mérite, une école qui n'ait pas peur d'enseigner le civisme, où, lorsque le maître entre dans la classe, les élèves se lèvent, en signe de respect [...] Je souhaite également qu'on ait le choix de l'école de son enfant.»

23h09 Sarkozy: «Il est quand même venu le temps de dire aux Turcs si on en veut ou pas. Ce n'est pas une question de démocratie. Ce n'est pas une question de musulman ou d'islam, c'est que la Turquie, c'est l'Asie mineure, ce n'est pas l'Europe.»

23h14 Sarkozy: «Il y a 450 millions d'Africains de moins de 17 ans. ils ne peuvent pas espérer venir en France.»

23h21 Sarkozy: «Si je suis président, je ne ferai pas de régularisation globale. c'est un signal envoyé à tous les réseaux d'immigration clandestine. La France ne peut pas accueillir toute la misère du monde. Nous avons le droit de choisir qui est le bienvenu.»

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21h55 Royal: «Je veux que le peuple français devienne un peuple d'entrepreneurs [...] Nos chercheurs s'en vont à l'étranger, nous sommes en train de perdre notre matière grise. Je ferai en sorte que la matière grise reste en France.»

22h31 Royal: «Je crois que le réchauffement planétaire conduira au conflit de demain. Il va y avoir une montée des tensions. J'entends faire de la France le pays de l'excellence écologique.»

22h44 Royal: «Je veux que les enfants ait un suivi scolaire individualisé au moment où ils en ont besoin. Je veux que la culture revienne dans tous les établissements scolaires [...] Je ne veux plus qu'un seul collège ait plus de 600 élèves et je ne veux pas plus de 17 élèves par classe.»

23h23 Royal, au sujet du cas de l'école Rampal à Paris et de l'arrestation d'un Chinois: «Arrêtez un grand-père devant une école et devant son petit-fils, ce n'est pas acceptable dans la République [...] Ne jouez pas sur la misère des gens. Ne plaisantez pas avec ces sujets.»

23h31 Royal : «Il n'y aura pas une loi votée [au parlement] si la loi précédente n'est pas encore appliquée.»



Penso, logo blogo. 3


Penso logo blogo e o jogo continua. Desta vez a nomeação veio do Francisco del Mundo, mas a O`Sanji já me tinha colocado no seu top 10 e a Elipse fizera uma recomendação. Muito obrigada a todos!

Depois, está visto que aproveito a oportunidade para nomear mais alguns dos bloggers que me fazem consumir neurónios... com gosto (já vou em 30, e faltam tantos!) (não estou a falar dos neurónios! :)


A destreza das dúvidas
Ad Tempus
Bilhas, o Bom da Fita
Código de Barras
Churrascos £ Comentários

Fragmagens
Há sempre um livro...à nossa espera
Ideias Soltas
mEIA vOLTa e...
O PreDatado


P.S.: Viajante, não é "Blogo, logo existo", que isso é demais, é "Penso, logo blogo" pelo impulso de passar para a escrita e partilhar__ um pensamento ou devaneio, fugaz ou duradoiro, in/consequente, tu sabes, espelhos e labirintos!

2.5.07

Às margens do Eufrates

Nabucco de Giuseppe Verdi
pela Ópera Estatal da Bulgária
dirigida por Nayden Todorov

Depois da Figueira da Foz e de Sta. Maria da Feira (Europarque),


Às margens de Eufrates, os hebreus descansam do trabalho forçado. Os seus pensamentos sobem em asas douradas para a sua terra natal perdida. Cantam Va Pensiero...

---aqui, pelo Orfeón Donostiarra


Ao vivo, envolvido pela iluminação e pelo guarda-roupa de Alexender Tekeliev, o coro da Ópera E. da Bulgária provocou uma emoção muito forte. A acção decorre em Jerusalém e Babilónia no ano 560 A.C.. Ou hoje, em Israel e Palestina. onde povos continuam a chorar a terra perdida.


Va, pensiero, sull'ale dorate; Vá, pensamento, sobre as asas douradas
va, ti posa sui clivi, sui colli,
vá, e pousa sobre as encostas e as colinas
ove olezzano tepide e molli
onde os ares são tépidos e macios
l'aure dolci del suolo natal! c
om a doce fragrância do solo natal!
Del Giordano le rive saluta, Saúda as margens do Jordão
di Sionne le torri atterrate...
e as torres abatidas do Sião.
Oh mia patria sì bella e perduta!
Oh, minha pátria tão bela e perdida!
Oh membranza sì cara e fatal! Oh, minha pátria tão bela e perdida!
Arpa d'or dei fatidici vati,
Harpa dourada de desígnios fatídicos,
perché muta dal salice pendi? p
orque choras a ausência da terra querida?
Le memorie nel petto raccendi,
Reacende a memória no nosso peito,
ci favella del tempo che fu! f
ala-nos do tempo que passou!
O simile di Sòlima ai fati
Lembra-nos o destino de Jerusalém,
traggi un suono di crudo lamento,
traz-nos um ar de lamentação triste,
o t'ispiri il Signore un concento ou que o senhor te inspire harmonias
che ne infonda al patire virtù.
que nos infundam a força para suportar o sofrimento.

Encantamento XVIII





Sé Catedral e Museu Grão Vasco
Fotos MRF - Abril 2007
[Clicar nas imagens para aumentar]

1.5.07

1 de Maio


Notícia publicada sobre o 1º de Maio de 1974
- Diário de Notícias, edição de 3 de Maio de 1974.


Encontrada no site da CNE.
Clicar na imagem para aumentar.

A mão de O.S. na Paisagem

O.S.
Saída da Missa

  • "(...) como se fosse possível celebrar verdadeiramente a festa, e não existisse, por detrás de tudo, cortando a alegria, cortando a vida, a mão de O.S., levantando-se acima de todas as coisas, fazendo parar o país, parar o tempo, retroceder séculos atrás, a sua mão parava o vento da mudança e espalhava a areia negra do medo, apertava em torno das casas a mordaça do silêncio, a sua mão castradora retirava ao povo a força da revolta, as pessoas dormiam de olhos abertos, atravessando o tempo sem tocar-lhe, cumprindo automaticamente o dia-a-dia, repetitivas, sombras, gastando a vida em exercícios de resignação e obediência. Os seus pés tinham sido cortados e elas não tocavam mais o mundo. Era-lhes portanto permitido fazer o que quisessem, porque a sua liberdade era aparente, e, o que quer que fizessem, não mudaria nunca coisa alguma. Podiam por exemplo ouvir o canto baixo das cigarras, ficar ouvindo, ouvindo até ensurdecerem ou até a sua consciência ser invadida por outra coisa. (...) Podiam ficar sentadas, ou deitadas, a vida inteira. Ou levantar-se e cozer pão, matar o porco, regar canteiros de goivos malvas beladona ou margaridas. (...) mas era tudo imitação da vida, porque todo o movimento era aparente, e nada acontecia."
pp 88-90
  • "(...) as cidades, os campos, as estradas, as pontes, pertenciam a O.S., nenhum lugar escapava à alçada da lei de O.S.. Projectar um bairro, uma escola, um porto, um parque, um jardim, uma casa, pressupunha definir a sociedade, o homem, a liberdade, o mundo. E porque a definição de Horácio não podia ser nunca a de O.S., os seus projectos eram sempre liminarmente recusados, ou mutilados e tornados irreconhecíveis, os artigos que ele redigia febrilmente não saíam nunca nos jornais, os livros que ela o via escrever à noite, pelos meses fora, paravam nos editores durante anos e acabavam por sair em tradução num país estrangeiro. Onde talvez fizessem pouca falta, disse Horácio...."
pp 102
  • "(...) mas O.S. defendia-se antes de tudo de si mesmo, disse Horácio. Uma comunidade seria sempre uma ameaça contra ele e por isso era preciso impedir a sua formação a todo o custo. Assim ele riscava o espaço da comunidade e as pessoas não se encontravam nunca, era um universo enclausurado e louco (uma comunidade subterraneamente germinando e de repente levantado-se, uma seara, um exército, em linha de batalha). (...) respeitar o espaço do indivíduo mas rasgar finalmente o seu universo sufocado, entender que felicidade não é a posse de coisas mas a posse de si próprio - a posse do seu espaço dentro do espaço dos outros - as pessoas sendo finalmente arquitectos de si próprios...."
pp 107



in PAISAGEM COM MULHER E MAR AO FUNDO de Teolinda Gersão
Public. Dom Quixote, 1982