6.1.07

Patti Smith

... desesperadamente à procura de Trampin'!

greetings

our terrain stretches from the american
heartland to the streets of baghdad.
our boots are well worn and the sack we toss over
our shoulder is filled with tears and grain.
we unbutton our coats, for spring
is upon us and the air is thick with promise.
let us shake the gold upon the fields
for it is spring, a good time for trampin'.


e depois o livro, como será? Em Auguries of Innocence, William Blake cantava
To see a world in a grain of sand
And a heaven in a wild flower,
/ Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour
.

Blake, 1757-1827. Smith, 1946-...

Como cantará Patti Smith? Devota da arte da poesia, amou Allen Ginsberg e William Burroughs, mas não esqueceu a tradição romântica de heróis como Robert Louis Stevenson, Rimbaud e William Blake. No lançamento do livro, Smith citou Blake para se descrever a si própria. Disse: "We contain multitudes. And we really do. So we have to look at all aspects of the human being."

Happy new year!

Big Ego III

Neste fim de semana, agarrem o tempo e ouçam a poeta, contadora de histórias, diseuse, cantora, Patti Smith...

Foto de Robert Mapplethorpe, 1976



Patti Smith - The Histories of the Universe
[7:46][1975]

Big Ego II

No Music Hall.

5.1.07

Big Ego



Big Ego é um dos 4 álbuns editados pela Giorno Poetry Systems, uma "marca artística" americana criada por John Giorno. Giorno queria que a poesia fosse comunicada às massas por via de todos os suportes tecnológicos e mediáticos, como o telefone, a televisão ou a rádio. O registo audio tornava-se assim fundamental. John Giorno reuniu músicos e performers que se viriam a tornar famosos. É o caso de Frank Zappa, Philip Glass, Allen Ginsberg, John Cage, Brion Gysin, Diamanda Galas, Laurie Anderson ou Meretith Monk. Nos próximos tempos, vou passar alguns desses registos. Education of the Girlchild, de Meredith Monk é o primeiro. Enjoy it!


O ano passado estas três senhoras vieram a Portugal. Perdi a Galas na Casa da Música, mas ganhei a Laurie Anderson em Montemor-O-Velho e a Meredith em Aveiro.

No arquivo:
Laurie Anderson em Montemor-O-Velho: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7.
Meredith Monk em Aveiro: 1; no Atentado (meu blog adormecido), vejam fotos do workshop a que assisti, orientado pela diva MM; o concerto que ela deu no Aveirense ficou apenas registado cá dentro.

Já agora, deixo a marca de um paixão antiga, por Philip Glass.

Prémio municipal de poesia Nuno Júdice

Provavelmente é preciso viver em Aveiro para perceber como a iniciativa é risível. Olho para a foto do Diário de Aveiro de ontem e vejo o vereador da cultura e Nuno Júdice sentados lado a lado, o vereador em primeiro plano, e não posso deixar de esboçar um sorriso. Perdoem a maldade, mas aposto que Capão Filipe não pega num livro, muito menos de poesia, há muito tempo, e nem lhe apetece dar-se a esse incómodo. Enfim, não é obrigado, bastaria ter noção do que é ou deve ser uma política de cultura para a cidade, uma qualquer. Mas não tem. Vai fazendo assim umas coisas para encher a vista e é capaz de convencer alguns. Esta é a última. Qual a razão de escolha de Nuno Júdice? Não sabemos, mas é verdade que esse é um detalhe de menor importância. Nuno Júdice terá afirmado "entender a escolha do seu nome não como uma homenagem pessoal, mas como uma homenagem à poesia viva". Modéstia do poeta que é grande. Por acaso escolheram bem. Não sabemos como. Como diz um amigo, que o desnorte lhes dê sempre para estas coisas!

Os trabalhos deverão ser entregues sob pseudónimo, até 16 de Fevereiro. O regulamento completo está disponível aqui.

4.1.07

Diogo Sarmento


Esta é apenas uma das fotos que podem apreciar no site de DIOGO SARMENTO. Quem, como eu, ficar tocado pelo seu olhar por trás da lente, e quiser ver mais, mais fotografias de DIOGO SARMENTO, suba as escadas, ali na rua João Mendonça, e entre no Mercado Negro.

Este som que nos enlouquece... A culpa é do microfone.

Gordon Mumma
Foto de Jacqueline Leuzinger, 1964


Horn (6:21), de Gordon Mumma

Gordon Mumma, French Horn; Robert Ashley, Cybersonic Console; George Cacioppo, Cybersonic Console.

Horn is a live-performance electronic "chance" composition. The sound source is a French Horn fitted with a special mute containing a microphone. The sounds from the microphone are fed to the two cybersonic consoles (transistorized sound modifiers). The consoles are operated by two performers who determine the continuity of the work during each performance, according to the conditions specified by the composer. Thus, the composition changes at each performance.


Para mais info, consultem Aspen No. 4

3.1.07

Antes ou depois de 2007!

Acabámos 2006 com vontade de fechar os olhos. O enforcamento de Saddam Husseim. Mas começamos o novo ano com a notícia de que o vídeo da sua execução é um dos mais vistos do YouTube e com a constatação de que o sul coreano Ban Ki-moon, novo secretário-geral da ONU, não condena a pena de morte, alegando o princípio da soberania dos Estados. EUA, China e Coreia do Norte aplaudiram certamente. Estranho, este conceito de diálogo entre Nações.

Acabámos 2006 com vontade de tapar os ouvidos. O discurso de D. José Policarpo. Mas o 11 de Fevereiro está quase a chegar e ainda não é certo que o "Diga Não" não vá martelar para além dessa data.

Acabámos o ano sem memória. No Sudão, o primeiro genocídio do século XXI decorre sem grandes transtornos. Na Somália, a tragédia soma capítulos. Mas logo se deu a proclamação violenta do fim de tréguas em Espanha ou na Tailândia: atentado da ETA no aeroporto de Madrid, explosões na noite de passagem de ano em Bangkok. E o mesmo Ban Ki-moon prometeu dar prioridade a Darfur. Um despertar apesar de tudo suave num 2007 em que a descontinuidade será mais mediática que de facto. Tony Blair e Chirac vão despedir-se da liderança. Mas, e depois? Dizia Franz-Olivier Giesbert no seu livro La fin d'une époque, "Ils croient qu'ils font l'Histoire mais c'est l'Histoire qui les faits".

E nós continuamos a viver neste mundo em ebulição e demolição, prisioneiro dos erros e fantasmas do passado, esperando... o quê?

2.1.07

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS

Henk Braam


XIX

O Sol oprime a cidade com a sua terrível luz a prumo; a areia deslumbra e o mar resplende.
in Charles Baudelaire, O Spleen de Paris, XXV A Bela Doroteia


Apetece-me entorpecer, dormir a sesta. ou nada disso, e caminhar numa rua desta cidade ofuscante, assim muito segura no meu vestido quase transparente, que vai permanecer cristalino e engomado, sobre uma pele que se mantém serena e perfumada, sentindo o calor mas fazendo de conta que não. Fazendo de conta que me dirijo a um lugar determinado, ali ao pé da praia, naquela esquina entre os Correios e o café que está sempre cheio à noitinha, não agora. porque agora todos dormem a sesta no fresco dos quartos ou sobre a areia escaldante. Menos tu. que caminhas por outra rua desta cidade ofuscante, assim muito seguro nas tuas vestes de linho azul claro, que vão permanecer incólumes ao respirar da tua pele sob o céu da mesma cor. E debaixo desse céu, ouvindo o marulhar do mar, cruzamo-nos por acaso se o acaso existir, e paramos. E então eu abro a minha sombrinha e coamos a luz daquele lugar, ficando os dois pintados de reflexos sanguíneos. Por cada dez inspirações profundas, a brisa vai varrer-nos a compostura. O vestido esvoaça, os corpos estremecem, a cidade avança no tempo. mas nós prolongamos a admiração. e sem pressa aguardamos a maturidade. Um dia a roupa vai ficar manchada. e há-de ser bom.

ou não. podemos ser surpreendidos por um tsunami. despedaçado pelo tempo, embriagas-te. com vinho, palavras, premências de prazer e depois depois depois. depois sentimos um tremendo fardo. e uma vaga surge do que parece nada e leva-te. e eu aninho-me na linha da rebentação com a minha sombrinha. e espero por ti para sempre.

ou alguém bate à porta e percebo que a cidade despertou.




Imagine o leitor-autor que pretende escrever um livro e não sabe por onde, nem como, começar. O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS proporciona-lhe uma vasta gama de princípios para conto, novela ou romance que o leitor-autor poderá seleccionar livremente. Depois terá apenas que escrever o resto demorando o tempo que entender.

Todas as semanas saiem novos textos:
Às segundas, n' O Afinador de Sinos
Às terças, aqui
Às quartas, no Ponto.de.Saturação

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