4.11.06

Breves

Flannery O'Connor

A novíssima Magna Editora lança o livro "12 anos" de Rui Barroso.

Na Antena 2, há um espaço dedicado à poesia recitada. Intitula-se "Os Sons Férteis" e é da responsabilidade de Paulo Rato que, conjuntamente com a actriz Eugénia Bettencourt se encarrega da recitação dos poemas. É transmitido de segunda a sexta-feira, sempre às 11 horas da manhã. Para quem não puder ouvir em directo estas emissões de poesia temperada com música, existe a possibilidade de consultar o arquivo da semana. Esta informação foi-me enviada por Álvaro José Ferreira, animador do grupo Amigos do Lugar Ao Sul.

A Invenção de eu Morel aconteceu ali (e que o Adolfo Bioy Casares lhe perdoe).

Ando a ler "Um bom homem é difícil de encontrar" de Flannery O'Connor. E não, ela não é uma escritora divorciada, com boas pernas e excelente sentido de marketing. É um dos maiores nomes da literatura americana do século XX e relata situações de extrema violência física e mental, num tom tão absolutamente casual! A boa nova é que a editora Cavalo de Ferro decidiu publicar todas as obras, seguindo a organização da própria autora. O livro que tenho em mãos agrupa 10 dos 32 contos que O'Connor coligiu. "Everything that rises must converge" é o segundo volume de contos e deve aparecer brevemente no mercado, assim como os dois romances, " Wise blood" e "The violent bear it away".

Existem grandes prazeres minúsculos!

Ando a pensar no regresso do Escritor Famoso. Chamo este senhor mal humorado, ou não?

Pausa

Man Ray
Des nuages dans les mains
in Les Mains Libres - illustrés par les poèmes de Paul Eluard,
Paris, 1937, pp 129



... para agradecer a referência aos posts que escrevi sobre a questão do aborto. Gracias a:

Alice in Wonderland

3.11.06

Não se pode "naturalizar" o desastre

Este relatório foi publicado on line no dia 12 do mês passado. Foi elaborado pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health de Baltimore. É uma estimativa do número de mortos no Iraque desde a invasão em 2003. Entre Março de 2003 e Setembro de 2004 teriam morrido cerca de 100 000 iraquianos. Segue-se uma "escalada" de mortes até 2006, ano em que começa a registar-se uma ligeira redução. Principais causas: tiroteios e carros armadilhados. Conclusão: estima-se que morreram cerca de 655 000 iraquianos, 601 000 devido a causas violentas, entre 18 de Março de 2003 e Julho de 2006, o equivalente a 2.5% da população da área de estudo (para além do número que seria esperado se existisse uma situação de não-conflito).

Para consulta: Mortality after 2003 invasion of Iraq (pdf)

Tom Waits

Saiu o novo álbum e, se vos apetecer um download gratuito de algumas canções, basta irem até este site. A minha preferida: You Can Never Hold Back Spring. Enjoy it!

2.11.06

Conquista dos Picos do Mundo


E morreu mais um alpinista português, Bruno Carvalho. Tinha 31 anos e fazia parte da equipa liderada por João Garcia que pretende fazer a "Conquista dos Picos do Mundo". No dia 31 de Outubro toda a equipa atingiu o cume do Shisha Pangma (8 023 m). É o mais baixo dos catorze cumes de 8 mil metros do planeta! E, por razões políticas, por se encontrar no Tibete ocupado pela China, foi o último dos mais altos picos do mundo a ser conquistado, numa expedição de 195 pessoas, em 1964. Apesar da sua “baixa altitude”, o Shisha Pangma sempre foi uma montanha difícil, por causa das avalanches e dos ventos que varrem o planalto tibetano. Bruno Carvalho faleceu, vítima de queda, na descida do cume que "conquistara" horas antes. No blog do jornalista Aurélio Faria (que os acompanha nesta expedição) leio ainda um texto que escreveu no dia 30 Out.: "se conquistar o Shisha Pangma, o maior alpinista português da actualidade averbará no currículo o oitavo cume de 8000 metros. Mas para a restante equipa, - Ana, Bruno, Hélder e Rui, será uma estreia absoluta, a ultrapassagem da chamada “zona da morte". Que terrível ironia.

Falta-me coragem física para me imaginar sequer neste tipo de aventura. E fico sempre perplexa face aos que ousam tanto. Como se vence o medo? Como se encara a morte tão de frente?

SIM ou NÃO. A questão do aborto #5

António Vitorino no DN (27/10/06):

É que a sondagem a que me venho referindo prova que a maior relutância em participar no referendo vem do eleitorado masculino, como se a questão do regime legal do aborto (e a própria decisão de abortar) fosse apenas uma questão do foro das mulheres.

Neste plano, o debate sobre a despenalização do aborto até às dez semanas não é apenas uma questão de índole jurídico-penal: é também uma questão eminentemente cultural para o campo dos defensores do "sim", onde se joga um dos princípios basilares do Estado de direito democrático - o da igualdade entre os homens e as mulheres.

1.11.06

Debate nos bastidores de Floribruta (link)

Alguns dos participantes nunca levariam os filhos ao show da Floribella, outros seriam capazes de o fazer porque não se deve "formatar as crianças com o nosso gosto intelectual". Até que ponto os pais devem/podem intervir na formação dos gostos culturais dos filhos? As opiniões são variadas e interessantes. Vale a pena ler e, já agora, qual é a vossa posição?

Randy Newman


Foi em 1989 que ouvi Randy Newman pela primeira vez. Tinha um namorado que achou imperdoável eu não conhecer o senhor do Little Criminals. Ofereceu-me o disco com um ar muito circunspecto. Quando olhei para a capa do disco, achei o look tão old fashion, que me convenci de que aquele presente só podia ser uma preciosidade retirada do fundo do baú, e que o Randy Newman já devia ser muito velhinho. Engano meu. Little Criminals tinha apenas alguns anos (1977). E ainda hoje saem novos álbuns do autor de Short People, Baltimore ou Texas Girl at the Funeral of her Father.

Here I am lost in the wind
Round in circles sailing
Like a ship that never comes in

Standing by myself
Sing a sad song for a good man
Sing a sad song for me...

Land of Dreams já fui eu que comprei. A música que têm andado a ouvir, Falling in Love, é desse álbum. Newman tem uma longa carreira e nos últimos anos começou a ser presença constante na cerimónia de entrega dos Oscars. Compôs várias bandas sonoras, muitas canções, que deram origem a 15 nomeações e pelo menos um Oscar (para a canção If I Didn't Have You, de Mosters INC, em 2002). O último filme com música dele é Cars e é impossível não gostar. Uma voz inconfundível, letras que contam histórias, sátiras que um "narrador imaginário" desfia, em ritmo de balada.

Man Ray invade a cidade

Black and White, 1926

Organizada pela Universidade de Aveiro, em parceria com a Fundação João Jacinto de Magalhães, a Exposição Fotográfica "Um sonho: Man Ray dos objectos às pessoas" reúne 87 fotografias e poderá ser vista por subtítulos em diferentes espaços. Na Universidade, a exposição poderá ser vista na Biblioteca, na Associação Académica, no Departamento de Comunicação e Arte, no CIFOP e no restaurante. Na cidade de Aveiro, o Mercado Negro, a Fundação JJM, a Fábrica Centro Ciência Viva, o Cineclube, o Bar Clandestino, a Farmácia Moderna, o Cabeleireiro Rosa e o Castro Cabeleiros, o Clube dos Galitos, o Hotel As Américas, Pizzarte, Galerias Sacramento, Livraria Bertrand, Teatro Aveirense, Bau-Uau, acolhem a exposição.

Man Ray
sem título, 1929
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