4.2.06

Contos que já não são o que eram

Se até a Branca de Neve...

Contos de encantar ou de arrepiar

Paula Rego


... contos para crianças mas também para adultos. sérios ou a-brincar. revestidos de lendas ou de terra- a terra. como um novelo que se recupera e desvela depois da escrita e da pose erudita os ter quase extinguido. histórias com voz que agora voltam. para serem ouvidas e recontadas e acrescentadas da arte de saber contar. e são cada vez mais os contadores de histórias profissionais. que nos embalam a infância, que nos embalam como na infância. neste site ficamos a saber onde se escondem ou revelam: ouvirecontar.info inclui uma agenda que se pretende exaustiva dos lugares e encontros com contos.
na blogosfera, o fenómeno também já tem pontos de encontro. conhecem o tricontando?

3.2.06

Melhor Comercial Cannes 2005. E bom dia!

deixemo-nos de romantismos :))

Conversa com A. de 5 anos:

- Os filhos quando crescem não vivem com os pais, pois não?
- Às vezes vivem, mas normalmente eles preferem ter a casa deles.
- Pois, cada um tem a sua casa! Importas-te que eu fique com esta casa?
- Não, mas para onde é que eu vou viver?
- Ficas a viver num hotel simpático...
- Sozinha?
- Não, com o papá!
- E a mana?
- Fica aqui, claro!
- Mas eu não vou gostar de viver num hotel...
- Bem, então vais para casa dos teus pais..., quando eles morrerem, coitadinhos!
- Não acho bem, quem deve sair de casa são os filhos. Estás a ver, eu cresci, saí de casa, o papá também, a tia C. também tem a casa dela... São os filhos que têm que arranjar uma casa nova.
- Mas eu tenho medo...
- Medo de quê?
- ... de viver noutra cidade. Em Lisboa, de repente, começou a correr muita água pela rua, eu vi na televisão!
- Mas isso foi uma conduta de água que rebentou... e depois, podes sempre ficar a viver aqui em Aveiro, numa nova casa, tua.
- Gosto mais desta casa. É claro que me podias visitar, e até podias dormir aqui às vezes...Olha, eu comprava logo um telemóvel naquela loja que tem no Centro Comercial, que era para te convidar ou para me poderes avisar se te apetecesse vir cá.
- Então para vir aqui eu tinha que avisar!?
- Não, pronto, vens quando quiseres, mesmo sem avisar... Mas eu fico com esta casa, está bem?

cordão umbilical


Tão imperceptível que não o sintas, que jures tê-lo quebrado, que o quebres, que o desmintas. Que jamais te asfixie, te prenda, te traga manietada, que seja apenas memória que leves, que esqueças ou que recordes. Cadeira de balouço no sotão, onde te sentes e recolhas, onde embales a dor, ganhes alento, ganhes forças. Jamais âncora pesada, ferrugenta, que te fundeie, arraste, te culpe ou atormente, que te atrase qualquer jornada, ao alto, ao fundo, ao largo... Não seja nunca o leme do teu barco, seja vento, ponto cardeal ou enseada.




Post fabuloso da autoria da Bastet e catrapiscado à má fila

1.2.06

Perguntas sem resposta

Claus Richter


O novo aeroporto de Portugal. Rio Frio eliminado

Alex Flemming


"O novo Aeroporto de Lisboa está a ser estudado desde 1969, tendo sido colocadas 13 hipóteses de localização: Fonte da Telha, Portela, Montijo, Porto Alto, Rio Frio, Santa Cruz, Ota, Alcochete, Azambuja, Alverca, Granja, Tires e Marateca. Mais recentemente, no entanto, a dúvida era apenas entre Ota e Rio Frio.

A escolha recaiu na Ota. Rio Frio, segundo os peritos ontem ouvidos, teria maiores impactes ambientais negativos, nomeadamente na avifauna. No entanto, em ambas as localizações foram identificados impactes negativos nas componentes ruído, qualidade do ar, paisagem e uso do solo. Na Ota, o principal impacte negativo é ao nível da movimentação de terras, pressupondo a remoção de 47 a 48 milhões de metros cúbicos, de acordo com Artur Ravara, da Parsons. Ota fica a 45 Km e Rio Frio a cerca de 20 quilómetros.
(...)
No estudo dos impactes com a avifauna, o «risco de colisão [das aves com as aeronaves] é superior em Rio Frio, devido aos voos locais e migratórios», havendo, por isso, «necessidade da adopção de medidas para redução dos movimentos das aves com as consequentes conflitualidades dessas medidas com a conservação da zona. O sobrado na zona de Rio Frio foi outra questão salientada como tendo impacte negativo. A discussão, ontem, em torno de Rio Frio centrou-se nas questões ambientais, não havendo estudos de viabilidade económica para Rio Frio. Ambientalmente, «em Rio Frio a sustentabilidade ambiental não era garantida», diz-se. Rio Frio implicava também a transferência do Campo de Tiro de Alcochete. Mário Lino diz mesmo não poder ressuscitar a opção Rio Frio, sob pena de levar à recusa de financiamento comunitário."

Jornal de Negócios, 25/11/05

Ota versus Rio Frio


Opinião enviada por um piloto:

A Ota é desmesuradamente caro pelas adaptações que o acesso e o terreno exigem

O Rio Frio não

A Ota está num buraco alagável, rodeado de quintas, lagoas e serranias
O Rio Frio é campo, plano e desobstruído

A Ota é longe, sem acessos e não aproveita infraestruturas porque não as há
O Rio Frio é mais próximo, tem auto-estrada e rentabiliza a Ponte Vasco da Gama

A Ota tem nevoeiros mais frequentes que Lisboa e que ‘fecham’ a zona dias inteiros
O Rio Frio não

A Ota foi lançada em 1982 pelo João Cravinho sem que se saiba ou ele diga porquê
O Rio Frio já era projecto e passou a ser cuidadosamente ignorado e apagado

A Ota não é necessária nem urgente
O Rio Frio também não!

O VOLUME DE CARGA E PASSAGEIROS EM LISBOA DECRESCEU E O AEROPORTO DA PORTELA ESTÁ LONGE DE SATURAR MESMO SEM AMPLIAÇÕES OU ANEXOS LOCAIS OU EM ALVERCA

COMO É POSSÍVEL QUE SE IMPINJA, AOS CIDADÃOS DE UM PAÍS EM FALÊNCIA, UM AEROPORTO, AS ESTRADAS DE ACESSO, O RAMAL DE UM ANUNCIADO TGV, A PREPARAÇÃO DOS TERRENOS DE PERFIL E CONSTITUIÇÃO DESFAVORÁVEIS, O BRUTAL DESFIGURAR DA PAISAGEM, AS EXPROPRIAÇÕES, OS INCÓMODOS CAUSADOS À POPULAÇÃO LOCAL, ETC.?

COMO É POSSÍVEL QUE UM PAÍS INTEIRO QUE NÃO PRECISA DE UM NOVO AEROPORTO E VAI PAGAR DE VÁRIAS FORMAS TODA A OBRA DE VIABILIZAÇÃO DA ÁREA QUE A FORÇA AÉREA ABANDONOU POR FALTA DE CONDIÇÕES, ACEITE CALADO A MONUMENTAL FRAUDE QUE LHE IMPÕEM?