10.7.05


Michael Bry

Michael Bry

Michael Bry ou um caso de cegueira da Câmara Municipal da Murtosa


Michael Bry

Michael Bry, um famoso fotógrafo alemão, apaixonou-se pelos barcos moliceiros. Decidiu então instalar-se na Murtosa para realizar um verdadeiro trabalho de pesquisa e registo etnográficos. Este senhor alemão já se fixou em Cuba, EUA, ou Espanha, devido a outras paixões, e foi sempre contemplado com todo o tipo de apoios para os projectos que desenvolvia, mas na Murtosa... não foi assim. O mais espantoso é que a CMM nem sequer se interessou pela aquisição ou publicação de parte ou da totalidade das mais de 3000 fotografias da região que o ilustre fotógrafo foi tirando ao longo de mais de três anos. Algumas dessas fotografias tiveram como foco a construção dos moliceiros, actividade que entretanto foi extinta.

Michael Bry, mestre na arte de fotografar, usa o belo, a preocupação estética, como um meio que serve fins documentalistas. Nem a Câmara Municipal da Murtosa nem outro organismo público se interessaram pelo seu trabalho.

Agora desistiu, vai voltar para a Alemanha. Na Murtosa vão deixar de ver passar aquele senhor de barba branca e câmara ao ombro, que até aprendeu a falar português para poder comunicar com os sábios dos moliceiros.

Faço aqui um apelo a todos os murtoseiros para que não deixem Michael Bry partir (em Agosto) sem uma manifestação de apreço pelo trabalho que projectou e realizou com paixão. Relativamente à (não) reacção da CM da Murtosa, fica o registo e a consternação. E peço a quem de direito, por atributo de funções, e a quem de direito, por consciência cívica, o favor de dar um salto ao atelier de Michael Bry... para o caso deste ser apenas um caso lamentável de distracção ou inércia.

8.7.05

Já só faltam 98 anos para o centenário da Livraria O Navio de Espelhos



É tempo de abrir as janelas da casa e sair para a rua ao encontro dos livros.
Como diz Margarite Duras:
“Com tanto a acontecer lá fora não se pode ficar num quarto”.

Venha até esta festa.


Sexta, 8 de Julho, 22:00


Leitura
O Livro dentro dos livros pelo Grupo Poético de Aveiro
Espectáculo de homenagem ao livro e à leitura baseado em textos de Fernando de LaFlor, Umberto eco, Erri de Luca, Manuel António Pina, Jorge Luís Borges, Almada Negreiros, Whitman, Dietrich Schwnitz, Alberto Manguel e João Pedro Mésseder.



Sábado, 9 de Julho, 18:30
Lançamento do livro
A Lei do desejo de Ana Cristina Santos
O livro será apresentado por Fabíola Cardoso.




















Sábado, 9 de Julho, 22:00

Recital de poesia
A Musa ao Espelho
com Alberto Serra e José Carlos Tinoco
nos claustros da Igreja da Misericórdia
















Sábado, 9 de Julho, 23:00

Inauguração da Exposição na Livraria
Fotografia de Michael Bry
















Sábado, 9 de Julho, 23:30

Contos e Poesia

com António Poppe e António Fontinha na Livraria










Sábado, 9 de Julho, depois de tudo isto
Beberete na rua 31 de Janeiro
para festejar o segundo aniversário da Livraria


Domingo, 10 de Julho, 18:00

Hora do Conto Especial
Como em todos os Domingos,contam-se histórias para os mais pequenos.
Vão contar-se Os melhores de todos os contos.
Com Marta Condesso, Cláudia Stattmiller e Sónia Sequeira.









Os festejos continuam durante todo o ano e sempre, até 2103, data do primeiro centenário!

Livraria O Navio de Espelhos Rua 31 de Janeiro nº10 3810-192 Aveiro 234 420 197

Ó vós, homens!



Ó vós, homens! Nós vos criamos de um macho e de uma fêmea. Nós vos constituimos em povos e em tribos para que se possam conhecer uns aos outros. (Corão 49 : 13)
Se Deus o tivesse desejado, Ele teria feito uma única comunidade, mas ele quis pôr-vos à prova pelo dom que Ele vos deu. Tentai ultrapassar-vos uns e outros nas obras do bem...
(Corão 5 : 48)


Qual é o objetivo destes ataques terroristas, além de provocar a maior quantidade possível de vítimas inocentes? Demonstrar a fragilidade das maiores potências do mundo. Fragilidade que homens de todas as religiões, a Oriente e a Ocidente, já reconhecem. É o non sense completo.

Mas ganha um maior sentido a mensagem que podemos ler nestas passagens do Corão. Não é este o principal e permanente desafio da(s) sociedade(s): o reconhecimento do outro e das suas diferenças?

Deixo-vos com a música do egípcio Mohammed El-Bakkar. Ele canta o amor.

7.7.05

Já sonho com Ngorongoro XVII

Hoje à tarde fui com o Bagaço à Sharia Palestine, a rua mais movimentada de Port Said. Como sempre, um de nós tinha que ficar retido em qualquer lugar e desta vez, foste tu, bin. Dois ferries avariados!? Olha amigo, tenta disfrutar de Port Fuad e logo que puderes vem ter connosco. Uma vez que já conheces, decidimos visitar o Museu Nacional. Durante algumas horas mergulhámos no Egipto antigo, pré-histórico e faraónico. E é claro que fomos à sala da família Khedival. Então bin, diz-me, o que têm Nova Iorque e Port Said em comum? Pois imagina que Auguste Bartholdi, o escultor da Estátua muito americana Da Liberdade se inspirou nas gigantescas estátuas de Abu Sindel. O primeiro nome que ele deu à Estátua foi "Egipto carregando a Luz da Ásia". Só que Khedive Ismail (que reinou o Egipto entre 1854 e 1863) decidiu que o projecto era demasiado caro. "A Luz da Ásia" foi então enviada para os Estados Unidos. Quem podia imaginar esta história! Depois do Museu, divertimo-nos a fazer compras, ou não fosse esta cidade um mega duty-free. Conseguimos um lote de música de Mohammed El-Bakkar por tuta e meia. As capas dos álbuns são deliciosas. Logo já os vês e ouves!










Ya Habibi (Meu amor)

Mohammed El-Bakkar

6.7.05

Sentir a vida correr por mim

Dou comigo a fazer uma selecção de poemas e a pensar que há trabalhos piores. Obrigada S..
Como vem aí a noite, deixo cair um desses poemas. do Alberto Caeiro.

Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas-noites,
E a minha voz contente dá as boas-noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o mundo,
A tarde suave e os ranchos passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

Ainda à escuta #10



As pessoas vão para o céu quando morrem

- Ficam por cima das nuvens... para não se molharem quando chove!
- Mas assim não vêm nada para baixo e os pais querem ver os filhos mesmo depois de morrerem...
- Se calhar voam!
- Tem de ser, porque se não voassem, caiam do céu!
- Mamã, como é que as pessoas que morrem não caiem?


- Mamã, como é que o céu não cai?

[conversa das mesmas meninas]

Quem se esconde atrás do cello?