6.7.05
5.7.05
À escuta #9
4.7.05
A Espanha já não é o que era

Guy Bourdin
Lembram-se das nossas tias-avós dizerem que, vindos de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos? A tradição nunca mais será o que era.
Espanha é o quarto país no mundo a aprovar o casamento entre homossexuais. E acabam de legislar no sentido de uma maior celeridade dos processos de divórcio. Mas o que gostei mesmo de saber foi que o macho espanhol vai ter que partilhar com su novia as tarefas domésticas. O projecto de lei aprovado inclui uma modificação relativa aos direitos e deveres dos cônjuges que inclui a obrigatoriedade destes "dividirem as responsabilidades domésticas e o cuidado e atenção" aos filhos e pessoas dependentes a seu encargo, obrigações que se somam às de viver juntos, ajudar-se mutuamente e manter a fidelidade.
Vêm de Espanha, bons ventos de mudança e felizes casamentos!
Senhor Primeiro-Ministro, por favor, arme-se em Zapatero! Algumas das nossas tias, que também eram solteironas, talvez pudessem finalmente ser felizes com... a amiga. E nós, as casadas, nem exigimos retroactivos!
Espanha é o quarto país no mundo a aprovar o casamento entre homossexuais. E acabam de legislar no sentido de uma maior celeridade dos processos de divórcio. Mas o que gostei mesmo de saber foi que o macho espanhol vai ter que partilhar com su novia as tarefas domésticas. O projecto de lei aprovado inclui uma modificação relativa aos direitos e deveres dos cônjuges que inclui a obrigatoriedade destes "dividirem as responsabilidades domésticas e o cuidado e atenção" aos filhos e pessoas dependentes a seu encargo, obrigações que se somam às de viver juntos, ajudar-se mutuamente e manter a fidelidade.
Vêm de Espanha, bons ventos de mudança e felizes casamentos!
Senhor Primeiro-Ministro, por favor, arme-se em Zapatero! Algumas das nossas tias, que também eram solteironas, talvez pudessem finalmente ser felizes com... a amiga. E nós, as casadas, nem exigimos retroactivos!
2.7.05
O dia é perfeito. E eu detesto-o
Em aceleração estampou-se numa avenida.
Vieste descalça.
Para onde? Pergunto disponível. Para onde for preciso.
Anjos Cinza da não vida
Apoderam-se das cores e, frágeis, dormem entrelaçados nelas.
Lamentamos, mas de momento não é possível efectuar a operação.
O ódio é uma bala amarga que atinge sempre o atirador.
Ora lestos, ora lentos.
Acumulam-se os gordos.
Acumulam-se os que têm de fugir à lei.
Triste é o sol que te acende em fúria,
E destapa os teus voos contra o vento.
"haVErá ViDA depOIs DA MOrTE?". Tem de haver porque, pelo menos antes da morte, não há.
Não consegues excitar-te duas vezes seguidas no mesmo país.
É de facto Inverno. Sempre. Menos agora.
Se partires, quero andar de bicicleta verde sobre prados azuis de mar.
As pilhas esgotaram-se.
E depois extinguiu-se. A luz, o dia, a íris.
É quase tudo tão pouco.
Que tu não és vulgar.
LOGO Á NOITE, às 21:30, NA LIVRARIA O NAVIO DE ESPELHOS, IVAR CORCEIRO APRESENTA numa avenida de merda.
Vão soltar-se mandarins!
Preciso do suor do peito das tuas mulheres.
Sangro infinitamente até me abraçar ao chão como um balão sem ar. E depois vens tu e tornas-me a encher e a lançar-me no céu.
Tu és transparente e és quente. Tu és ausente.
Vieste descalça.
Para onde? Pergunto disponível. Para onde for preciso.
e sussuraste-me ao ouvido.
Anjos Cinza da não vida
Apoderam-se das cores e, frágeis, dormem entrelaçados nelas.
Em círculos salta um golfinho rosa excitado,
Lamentamos, mas de momento não é possível efectuar a operação.
O ódio é uma bala amarga que atinge sempre o atirador.
E em mel lambo-te os dedos dos pés...
Espreitas-me,
É a avenida.
de um sorriso numa face anónima,
Ora lestos, ora lentos.
suster-me à altitude de uma ave de rapina, e procurar-te nos céus...
Acumulam-se os gordos.
Acumulam-se os que têm de fugir à lei.
És uma mentira. Mas eu compro-te.
Triste é o sol que te acende em fúria,
E destapa os teus voos contra o vento.
Suei eu. Suou a flor. E das gotas gordurosas do suor cresceram tempestades em festa, expelidas pelos desenhos das crateras da Terra, que novas se abriram e em deleite trovejaram. Era noite e eu não queria dormir. Nem sozinho, nem com ela.
e onde eu adormeci fingindo sono.
Todos os dias sais pela última vez. Todos os dias voltas beijando-me de carvão. Fazemos amor rodando a alta velocidade, expelindo no ar a matéria morta que se acumula no dia. E eu digo-te: "não há melhor sítio para estar do que este, em que se anda de carroucel sem parar...".
"haVErá ViDA depOIs DA MOrTE?". Tem de haver porque, pelo menos antes da morte, não há.
Tu a pensar nele e eu a pensar nela, como gatos abandonados por já não caçarem ratos. De coleira ainda.
O dia é perfeito. E eu detesto-o.
Não consegues excitar-te duas vezes seguidas no mesmo país.
Curioso foi não encontrar em ti hesitação.
O teu peso vai fazer faltar a luz.
Acima, abaixo. Acima, abaixo. Acima, abaixo. Acima das tuas pernas nada existe. Nem os teus olhos esquivos perfurantes de azul, nem as tuas mãos húmidas de segurar um pit bull.
Escreveu num guardanapo antes de se matar.
Bem vinda ao fundo de um prego espetado no sapato. Cavaleira não chores,
Tu morres e respiras. Eu não.
É de facto Inverno. Sempre. Menos agora.
E o dia escorre-se de mim.
Cinzento percorro-te nos dois sentidos, de sorriso amortecido pela noite que vem. E tu passas, empinada como uma velha peça de artilharia: tão bela, e sem poder disparar.
Um truque razoável era sumo de limão, amargo pela manhã. Percorrias em fuga a chã dos limoeiros.
Em vésperas da última ceia já ninguém tem fome.
E num resto de jornal impresso em vão, voando pela não existência, anuncia-se a catástrofe:
"A Branca de Neve morreu".
E num resto de jornal impresso em vão, voando pela não existência, anuncia-se a catástrofe:
"A Branca de Neve morreu".
Na arena os palhaços comiam os restos da bondade das palmas,
Quis lamber-te e não deixaste.
Se partires, quero andar de bicicleta verde sobre prados azuis de mar.
E depenar-te, que és como um anjo debaixo de um monstro.
Eu não vou chorar, que já é dia. Já há crianças na escola a aprender a ler,
Não há bicicletas que percorram o mar.
Mas agora, ao sangrar sobre o que te queria dizer, lembrei-me do teu lábio trémulo de amor, e arrependi-me.
Queria falar de como ainda passeias nua pela casa, e deixas o cinzeiro em cima da cómoda que era do meu avô, e marcas a cama com o teu aroma de longo campo primaveril. Queria dizer-te que a puta da vizinha do lado ainda liga o aspirador à noite para te irritar, e que ao contrário do que te disse nunca a comi.
E demanhã há pessoas felizes na televisão. Eu tenho pena de ao morrer deixá-las ali,
As pilhas esgotaram-se.
E depois extinguiu-se. A luz, o dia, a íris.
É quase tudo tão pouco.
Bem vinda ao clã do pó onde mais ninguém existe.
Que tu não és vulgar.
LOGO Á NOITE, às 21:30, NA LIVRARIA O NAVIO DE ESPELHOS, IVAR CORCEIRO APRESENTA numa avenida de merda.
Vão soltar-se mandarins!
1.7.05
A pele como orgão de revestimento

Simon Simons
A pele é o maior orgão do corpo,
com uma superfície total que ultrapassa 1.5 m2.
O seu peso global, incluindo a hipoderme,
orça 16 a 18% do peso corporal.
Quem quis acreditar, pôde! Falo da alegada espontaneidade e assombrosa rapidez com que foi organizada uma manifestação de extrema-direita neste país. Fiquei mais tranquila. Quando é preciso, sabemos organizar-nos!
E era preciso. O ultraje adivinhava-se enorme. Criminosos, ainda por cima estrangeiros, e mais ainda cheios de melanina, a viver em Portugal era inaceitável! Na nossa essência só existem brandos costumes e os mouros nunca passaram por cá!
Por mais uma menos outra destas mesmas razões, existem outros tipos sociais que eu, pessoalmente, também gostaria de abolir. O tipo Telly Savalas "o careca que faz inveja a qualquer skinhead", o tipo Neoblanc Gentil "mantém a cor e não desgasta os tecidos", o tipo Cavaco Silva "bronze no Verão, revelação no Outono", o tipo Mulher de Beckham em Madrid "rica, só e desenraizada" (o tipo Pobres, Muitos e Em Grupo desapareceu com a recente manif), and so on. Por razões de pura justiça social.
O desenho da superfície da pele define a nossa unicidade neste mundo e há situações de que sou vítima que não posso aceitar sem reagir... contra os outros. O meu cabelo cresce a um ritmo espantoso, obrigando-me a cortes e ajustes frequentes; pior, desde que perdi os caracolitos da minha infância, nunca mais os reavi; quero que a minha pele bronzeie e ela insiste em ensardar, e é muito difícil perceber em que estação do ano estou por mera auto-observação; mas sobretudo, fui emigrante e quis regressar ao meu país de origem. Ser um repatriado é um privilégio!
Todas as medidas de expulsão de estrangeiros são altruístas. Não sei exactamente quando foi que percebi isto. Talvez tenha sido daquela vez em França... Passeando pelas ruas de Paris, encontrei imigrantes portugueses numa manifestação pró Front National, envergando cartazes do Le Pen!
Quando fora do seu ambiente natural, os indivíduos enlouquecem. Além de que existe uma correlação óbvia entre a pele e certas afecções psquiátricas. Em França, por exemplo, os portugueses e portuguesas, todos com bigode, ocupavam indiscriminadamente as casas dos porteiros e os wc públicos dos aeroportos.
E era preciso. O ultraje adivinhava-se enorme. Criminosos, ainda por cima estrangeiros, e mais ainda cheios de melanina, a viver em Portugal era inaceitável! Na nossa essência só existem brandos costumes e os mouros nunca passaram por cá!
Por mais uma menos outra destas mesmas razões, existem outros tipos sociais que eu, pessoalmente, também gostaria de abolir. O tipo Telly Savalas "o careca que faz inveja a qualquer skinhead", o tipo Neoblanc Gentil "mantém a cor e não desgasta os tecidos", o tipo Cavaco Silva "bronze no Verão, revelação no Outono", o tipo Mulher de Beckham em Madrid "rica, só e desenraizada" (o tipo Pobres, Muitos e Em Grupo desapareceu com a recente manif), and so on. Por razões de pura justiça social.
O desenho da superfície da pele define a nossa unicidade neste mundo e há situações de que sou vítima que não posso aceitar sem reagir... contra os outros. O meu cabelo cresce a um ritmo espantoso, obrigando-me a cortes e ajustes frequentes; pior, desde que perdi os caracolitos da minha infância, nunca mais os reavi; quero que a minha pele bronzeie e ela insiste em ensardar, e é muito difícil perceber em que estação do ano estou por mera auto-observação; mas sobretudo, fui emigrante e quis regressar ao meu país de origem. Ser um repatriado é um privilégio!
Todas as medidas de expulsão de estrangeiros são altruístas. Não sei exactamente quando foi que percebi isto. Talvez tenha sido daquela vez em França... Passeando pelas ruas de Paris, encontrei imigrantes portugueses numa manifestação pró Front National, envergando cartazes do Le Pen!
Quando fora do seu ambiente natural, os indivíduos enlouquecem. Além de que existe uma correlação óbvia entre a pele e certas afecções psquiátricas. Em França, por exemplo, os portugueses e portuguesas, todos com bigode, ocupavam indiscriminadamente as casas dos porteiros e os wc públicos dos aeroportos.
Se existe muito sebo, a pele é oleosa;
se existe pouco sebo, a pele tende à xerose.
Eu sou xerótica.
Alinho pois na Manif pela Seborreia a realizar no próximo sábado!
se existe pouco sebo, a pele tende à xerose.
Eu sou xerótica.
Alinho pois na Manif pela Seborreia a realizar no próximo sábado!
Bloguérrima

Sokolsky
Ontem foi um dia em que o número de visitas esteve acima da média. E a que se deveu o frenesim no sitemeter? A uma gata referenciada, a um traseiro hipnótico e a um score de "sexidade" miserável num programa informático! Fiquei com a alma nua.
A minha gata nem tem idade para participar no Baile de Debutantes deste Verão e, pelo que tenho apreciado, nunca vai querer meter-se nessas coisas. Ela é mais estilo retrossexual - ao contrário do lindo, espantoso e muito metrossexual Capitão Nemo! Não obstante, os leitores do Amor e Ócio quiseram saber quem era a prometida do gatinho do VIP Rui Baptista.
O traseiro não é nada mau, mas também não é o da Keyla. (enfim, mesmo a posteriori, e à laia de retribuição de amabilidades, dedico-o ao Rui) Apesar disso, os visitantes da distinta Associação também fizeram questão de vir conhecer a grande benfeitora Divas.
Quanto às reacções ao score, poderiam ter-me levado a mudar de nome, não fosse o trabalhão que tive a reconstituir tudo desde que me deram cabo da template. Ávidos para conhecer aquela que ficara no fim da lista, apareceram uns tantos blogotinhos!
Enfim, foi assim que dei comigo a pensar em audiências e a compreender a razão por que todos os directores de media acabam secundarizando a qualidade (né?). E acabei descobrindo um nicho de mercado virgem. Com espanto! Alguém me explica como é que ainda não há uma Net-Caras ou Net-Gente, ou uma BlogoVIP ou BLux?
Enfim, foi assim que dei comigo a pensar em audiências e a compreender a razão por que todos os directores de media acabam secundarizando a qualidade (né?). E acabei descobrindo um nicho de mercado virgem. Com espanto! Alguém me explica como é que ainda não há uma Net-Caras ou Net-Gente, ou uma BlogoVIP ou BLux?
Rui, qual interesse Público qual quê, o que é preciso é ser amigo do público!
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